Loretta
2 Tem algo debaixo da cama
Notas iniciais
Acordei no dia seguinte, a manhã estava calma, um vento passava pela rua balançando as árvores e folhas. O final de semana havia passado rápido – como sempre- e agora a semana recomeçava. E semana recomeçando significa escola.
– Querida, acorde. – Ouvi meu pai batendo na porta. Ah que droga, eu queria dormir mais!
– Já vou! — Falei enquanto bocejava. Não me lembro de ter fechado a porta ontem, mas agora eu tinha merda para limpar. Não culpo a Summer por isso, mas podia ter segurado só mais um pouco. – Vai passar o dia no quintal dos fundos, não precisava fazer aqui. — Ela me encarou, com cara de quem não entendeu. Abri a porta e peguei uma pá e vassoura, juntei a merda e joguei no lixo. Caminhei até o banheiro e lavei as mãos, escovei os dentes e joguei água na cara. Voltei para o quarto, arrumei minha mochila e fui até a cozinha. Minha mãe estava sentada no colo do meu pai, o que não era algo incomum. Tomei meu café da manhã e saí de casa, agora eu poderia ir a pé para a escola.
Saí de casa e já pensei nas coisas que aconteceram aquela noite, aquilo foi tão estranho...
– Cuidado! — Alguém gritou do outro lado da rua. Virei a cabeça e vi um menino caído no chão. – Seu trouxa! Presta atenção!
– Ai cala a boca. – Ele rui da própria cara, e ao ver que eu estava o fitando corou. – V-Vamos... – Ele arrumou a mochila e caminhou mais rápido. Eu já havia visto ele na escola, era da outra turma, nunca tive aula com ele, muito menos uma conversa. Ele parecia ser bem tímido, porém era muito fofo.
Quando cheguei a escola tudo estava normal, abri meu armário e suspirei.
– Olá senhorita. – Já sabia quem era, minha melhor amiga, Samantha.
– Olá senhorita. – Temos a mania de copiar do que uma chama a outra. — Como foi o final de semana com seu ‘’ namorado perfeito’’?
– Ah nada de mais, só tive que dar aulas para ele de como se beija. – Eu ri daquilo. Sam já teve dois namorados – contando esse – e nenhum a impressionou de verdade – E você? Terminou o livro que estava lendo?
– Terminei, finalmente! Agora não tenho mais nada para ler.
– Hum... Vou ver se acho algum que combine com você.
– Sinta-se livre quanto a isso.
– Sabe o que eu também devo achar para você? – Neguei com a cabeça. – Um lindo príncipe das trevas.
– Idiota! — Eu a empurrei. – Já falei que não sou ‘’ princesa das trevas’’
– Óbvio! Você é a rainha querida. Vai ser lembrada na história!
– Por falar em história. Fez o trabalho?
– Trabalho? – O sorriso dela se desfez.
– Sam... – Eu fechei os olhos, esperando o que viria a seguir
– NÃO EU NÃO FIZ O TRABALHO!! POR FAVOR COLOCA O MEU NOME NO SEU!! — Ela surtou. Seus cabelos curtos balançavam de um lado para o outro conforme ela negava com a cabeça.
– Era um trabalho individual.
– DIZ QUE ESQUECEU!! ESTOU COM NOTA BAIXA EM HISTÓRIA! – Ela segurou meus ombros e me balançou.
– Okay, okay! Calma! – Peguei uma caneta e escrevi o nome dela.
O sinal bateu, fomos andando até nossas classes. Porém ao passar pelo corredor, jurei ter visto algo sentado na escada, me observando...
(...)
Aula de filosofia, estavam falando algo sobre o sentido da vida. Eu fiquei com meu pensamento longe enquanto fitava aqueles olhos castanho- avermelhados do professor. Pareciam duas bolas de fogo hipnotizantes vindas do próprio inferno. Ele falava e falava, e eu viajava e viajava.
– Loretta. – Saí de meu transe quando ele me chamou. – Poderia por favor, falar o que acha da vida e da morte?
– A-Ahn... – Olhei em volta. – Eu acho que a vida tem um propósito, porem ele sempre muda conforme suas atitudes. – O professor se escorou na mesa, nessa escola os professores eram mais bonitos que os alunos. Como o Sr. James, ele era alto, tinha uma barba rala, olhos castanhos que pareciam pegar fogo e um cabelo que deixava inveja para muitas meninas. E para finalizar ele o amarrava como um coque. Teve até alunas que se apaixonaram por ele, até descobrir que ele tem quarenta anos é casado e tem dois filhos. Pobres iludidas. – E a morte... A morte seria a única ‘’ coisa’’ – Fiz aspas com as mãos. – Justa. Pois ela vem a todos na hora certa. – Fiquei um tempo em silêncio. – Essa última parte eu escutei em um vídeo, porém combina com a minha opinião.
– Muito bom! – Ele bateu duas palminhas. – Agora vam.... – Antes que ele terminasse o sinal bateu, finalmente o intervalo. – Podem ir. – Ele riu e guardou suas coisas. Todos saímos da sala e fomos até o pátio.
– Acho que vou fazer um documentário de como o sexo é importante na vida das pessoas. – Samantha apareceu ao meu lado do nada. – Pense bem: Nossa querida professora de história é separada, briga conosco por tudo! E nosso querido professor de filosofia é muito querido.
– Isso não quer dizer que ele transe. – Falei.
– Ah é? – Ela parou de caminhar. – Então me explique por que seus pais são tão felizes e os meus estressados?
– Ai sei lá! – Dei os ombros.
– Você sabe o porquê! – Sam insistiu. – Ali! – Ela quase gritou e me empurrou para o lado, quase dei de cara com a parede.
– MAS QUE PO... – Sam colocou a mão na minha boca.
– Seu futuro príncipe das trevas está passando. – Ela espiou, era para estarmos escondidas ali, porém não era o melhor esconderijo.
– Quem? – Falei confusa.
– Olha ali! – Ela sorriu malicioso. – Ele é um pouco mais alto que você, é fofinho e estranho. Vocês combinam. – Olhei e vi que era o mesmo menino que havia dado de cara com o poste hoje de manhã.
– Ah ele! Mas eu nunca falei com ele.
– NUNCA DIGA NUNCA! – Ela me empurrou quando ele estava passando, acabei me esbarrando no garoto, que foi para trás e bateu as costas na mesa, soltando um gemido de dor.
– Aaah... – Ele gemeu, colocando a mão nas costas.
– D-Desculpe-me... Foi sem querer... – Senti minhas bochechas corarem.
– Não, tudo bem. – Ele me fitou, percebi que seus olhos eram verdes. – Esta desculpada. – Ele sorriu, piscando um olho – provavelmente pela dor, Sam me jogou em cima dele –
– Oh me desculpe. – Sam apareceu. – Eu estava brincando com ela, espero que não tenha se machucado.
– N-Não, está tudo bem! – Ele levantou as mãos na altura do peito. – Seu nome é Loretta, não? – Ele se virou para mim, com a mão na nuca. Seu cabelo castanho estava bagunçado e sua franja quase cobria seus olhos.
– S-Sim... – Fiquei tímida, ele era bonito... – Qual seu nome? – Tentei me recompor.
– Cristopher.
– Que nome bonito. – Sorri de volta.
– O s-seu também. – Quando menos percebi já estávamos conversando e Sam havia sumido.
No final da aula Sam ficou me incomodando quanto ao Cristopher, mas eu nem liguei, ela era doida mesmo. Porem tudo isso teve um lado bom, agora eu tenho mais um amigo. Um amigo que eu podia ir e vir da escola, pois ele morava a uma quadra antes da minha casa.
– O que você costuma fazer em casa? – Ele me perguntou, sorri de canto.
– Eu gosto de ler, ver vídeos e jogar alguma coisa.
– Legal! O que você costuma ler?
– Romance e terror.
– E assistir?
– Terror, teorias, fatos...
– Hum... E jogar?
– Eu jogo qualquer coisa, mas meus favoritos são os que tem uma história que muda conforme suas escolhas.
– Legal! – Ele disse animado. – Você parece gostar dessas coisas de... fantasminhas!
– Não são fantasminhas! – Ralhei.
– Calma, eu sei! – Ele ergueu as mãos. Eu ri, ele era bem expressivo, fazia expressões legais.
– Quem era aquele menino que estava com você quando deu de cara com o poste?
– Não me lembre disso... Ele era meu amigo, tinha dormido na minha casa ontem. – Ele parou de andar. – Bem, chegamos... Aqui é minha casa. – Ele a apresentou, era uma casa bonitinha, quase o mesmo modelo das outras.
– Okay, até amanhã! – Me despedi.
– Até! – Ele entrou em casa.
Segui andando até minha casa, tinha um menino sentado no corredor que passava sobre o gramado, estranhei, nunca o tinha visto. Me aproximei e vi que ele estava desenhando.
– Olá! – Eu me abaixei, ele me fitou. Nossa, ele tinha olhos lindos.
– Oi! – Ele falou todo fofo. – Você não se importa se eu desenhar aqui? A calçada da minha casa é áspera, e eu quero desenhar aqui fora.
– Claro que não. Pode desenhar. – Falei. Fui para dentro e vi Summer deitada na grama do quintal, abri a porta e a deixei sair. Fiquei curiosa pelo que aquele menino estava desenhando, peguei umas folhas e sentei do lado dele. – Não se importa se eu me sentar aqui, sim?
– Não. – Ele piscou os olhos azuis. Por que pessoas morenas de olhos azuis eram tão bonitas? – Qual seu nome?
– Loretta. E o seu?
– Michael.
– Quantos anos tem?
– Sete.
– Quatorze... Posso ver seu desenho? – Perguntei, vendo que ele já havia acabado.
– Claro. – Ele mostrou, acho que o sorriso que eu tinha no rosto se desfez. – Eu vejo isso quase todo dia, principalmente de noite.
– V-Você vê? Tem certeza? – Estava começando a ficar nervosa, foi aquilo que eu vi na minha janela! Foi aquilo!
– Sim, toda a certeza!
– E se eu te falar que também vi?
– Sério? Finalmente! Minha mãe achou que eu estivesse enlouquecendo!
– O que você acha que seja isso? – Perguntei esperando uma resposta boba.
– Não sei ao certo... – Nossa, nem meus colegas falavam tão corretamente. – Mas quem sabe seja uma alma sem rumo, que não tenha encontrado seu caminho de volta. – Agora meu queixo caiu! ESSE MENINO TEM MESMO SETE ANOS??!
– Bom argumento, vamos acreditar que seja isso. – Concordei.
– Posso ver o seu desenho?
– Claro. – Eu ri, mostrando meu urso mal feito.
(...)
Logo minha mãe apareceu, junto com meu pai. Viu que eu estava sentava conversando com o Michael, logo a mãe dele também apareceu e elas começaram a conversar. Pelo visto hoje era o dia das amizades novas!
Vi meu pai entrando em casa, ele sorriu ao passar por mim mas continuou andando rápido. Estranhei, geralmente ele entrava calmo.
– Tudo bem querido? – Vi minha mãe indo atrás dele, a vizinha não estava mais ali, e Michael disse que tinha que ir, para não se atrasar para a aula. Resolvi entrar em casa, ouvi meu pai falando algo como ‘’ reunião importante no primeiro horário’’.
– Já cheguei atrasado hoje de manhã. – Ele sorriu malicioso para a minha mãe, que riu.
– De vez em quando não faz mal.
– Com certeza não. – Ele terminou de comer e foi escovar os dentes, deu um beijo na minha tesa e na bochecha da minha mãe e saiu pela porta.
Ficamos conversando sobre os vizinhos, falei sobre Michael e ela sobre a mãe dele, Agnes.
(...)
Se passou duas semanas, minha mãe e Agnes ficaram bem próximas, meu pai estava todo contente por ter conseguido um aumento no trabalho. E Michel falava todos os dias comigo, e Cristopher também. Sam disse que eu e Cristopher formávamos um belo casal, mas eu só o vejo como amigo!
Bem, isso não importa, ela que pense o que quiser! Agora eu estava mais centrada em saber o que eu faria enquanto meus pais iam a uma festa com os vizinhos, e eu e Michael ficariam sozinhos na minha casa.
– Vocês dois se comportem. – Disse meu pai. – Tem comida no armário, Loretta você sabe o se virar.
– Eu sei que sei.
– Eu sei que sabe que eu sei.
– Eu sei que você sabe que eu sei que você sabe!
– Eu...
– Parem com isso, estão me confundido! – Michael falou revoltado.
– Okay. – Meu pai riu. – Se cuidem vocês dois. – Ele me abraçou. – Adoraria te levar Loretta, mas ele é muito pequeno e a Agnes não quer chamar uma babá.
– Não, tudo bem.
– Não sou muito pequeno! – Ele fechou a cara, mas não estava bravo, apenas brincando.
– Okay, vamos indo. – Meu pai disse quando viu minha mãe vindo.
– Não vá ficar bêbado senhor Alexandre! – Ela deu um tapinha no ombro dele.
– Muito menos você, senhorita Julie. – Ele mordeu o lábio e deu um tapa na bunda dela. Eu neguei com a cabeça, acho que eles não entendiam o que era se comportar perto de uma criança.
– Tchau filha! – Minha mãe me beijou na bochecha e saiu. Fitei Michael que já estava com a expressão normal novamente.
– Quer assistir TV? – Perguntei, ele confirmou com a cabeça e saiu. Já era umas sete da noite, achei melhor já fazer a janta. E que janta! Pipoca, chocolate e refrigerante — minha mãe me mataria se visse isso -
Voltei para a sala esperando ver um desenho qualquer na TV, porém dei de cara com a introdução de um filme de terror que eu já tinha assistido.
– Você assiste essas coisas? – Me sentei do lado dele.
– Assisto. – Ele pegou o pote com pipocas e começou a comer.
– Não fica com medo?
– Um pouco.
– Tudo bem então... – Resolvi assistir, eu já sabia a história porém foi legal.
Chegou a hora de dormir, fomos para o meu quarto e eu coloquei um colchão no chão, meu pai não queria que Summer fizesse bagunça no quarto deles.
– Você dorme com um urso? – Michael perguntou, apontando para Tom.
– É eu durmo... – Cocei a nuca, aquilo não era muito normal, mas eu amava! – Algum problema?
– Não, nenhum!
– Vamos dormir? – Vi que eram quase meia noite, e uma chuvinha leve começara a cair.
– Okay. – Ele deitou. – Boa noite.
– Boa noite. – Fechei os olhos, demorei um pouco para dormir, deixei a cortina aberta para uma luz passar, meu quarto estava claro e escuro ao mesmo tempo. Quando finalmente consegui dormir senti um cutucão, abri os olhos e dei de cara com Michael. – Hã?
– Loretta... – Ele falou baixo. – Tem alguma coisa debaixo da cama.
– O que?
– Tem alguma coisa debaixo da cama! – Ele falou um pouco mais alto. Olhei para os meus pés e Summer estava ali.
– O que você viu?
– Não sei, só sei que vi. – Estiquei meu braço e peguei meu celular, uma da manhã... Onde estavam meus pais?! Eu não tinha coragem alguma para olhar lá.
– E-Eu não vou olhar. – Falei.
– Por favor, eu não vou voltar pra lá! Nem mesmo vou descer da cama.
– Mas... – Sabia que eu tinha que olhar, porém não tinha vontade alguma. Sugeri para que olhássemos juntos, e ele concordou.
Liguei a lanterna do celular e calmamente fomos os dois e olhamos, nada. Rimos um da cara do outro e voltamos para sima.
– Viu, não tinha nada. – Sorri, e Michael que também estava sorrindo, desfez o sorriso em um estante, vi seus olhos ficando assustados. – O que foi? – Questionei.
– L-Loretta... – Ele apontou para a janela que estava atrás de mim, apenas virei a cabeça e vi um borrão, como se fosse uma mão desfocada, não sei. Ambos levantamos e saímos correndo até o quarto da minha mãe, Michael estava assustada e eu não era o exemplo que pessoa calma. Ficamos um tempo trancados ali, tentando entender o que tinha sido aquilo.
Até que percebi que Summer não estava com a gente.
– Michael... – Olhei para ele que estava sentando na cama.
– O que?
– A Summer não está aqui... Vou busca-la. – Fui sair, porem ele me puxou.
– NÃO! Eu não quero ficar sozinho aqui.
– Eu preciso ir! E se fosse um ladrão? E se ele entrou na casa e levou ela?
– E se for mesmo? E se ele te levar?
– Me deixa ir! – Puxei meu braço, ele correu até a porta e a bloqueou.
– Não.
– Saia da frente teimoso!
– Você não vai lá!
– Escute aqui. – Eu o tirei da porta e o sentei na cama. – Nada vai acontecer comigo, eu vou e volto. – O fitei nos olhos enquanto segurava seus ombros. – Fica com o meu celular, eu já volto. – O soltei e saí do quarto, passei pelo corredor e fui rápido até o quarto, ela não estava lá, fui até o banheiro e nada. Resolvi ver na cozinha, ela estava bebendo água. Acariciei sua orelha e ri, a peguei pela coleira e levei até o quarto, ela não queria entrar – acho que por causa do meu pai que sempre a expulsa – a forcei e ela entrou. Fechei a porta que estranhamente estava aberta e olhei em volta. – Michael? – Estranhei, onde ele estava? Olhei embaixo da cama e o vi, levei um susto porém logo me acalmei. – Vem, saí daí! – O chamei.
Michael me fitou, com a luz do celular embaixo do rosto, me pediu silêncio com o dedo e eu não entendi. Quando fui estender o braço para puxa-lo alguém abriu a porta, me virei rápido e meus olhos se arregalaram, senti meu coração quase sair pela boca.
– Loretta? – Ele falou, ele o Michael! O Michael que estava debaixo da cama! Olhei novamente e não tinha ninguém lá! NINGUÉM!
– M-Michael? – Eu tentei manter a calma, o que estava acontecendo?
– O que estava fazendo?
– Michael... – Me aproximei dele. – O-Onde você foi?
– Você estava demorando, eu apenas fui atrás de você. – Ele falou calmo.
– M-Michael... – Comecei a gaguejar. – E-Eu te vi debaixo da cama... Debaixo da cama, com o celular na mão me pedindo silêncio. – Os olhos dele ficaram assustados novamente.
– Tem certeza? – Ele começou a olhar em volta. – Não mente pra mim Loretta.
– Tenho, total certeza! Eu não mentiria para você.
– O que está acontecendo?
– Eu não sei.
– Vamos sair daqui Loretta, estou com medo.
– Mas nós temos que ficar aqui!
– Vamos para a minha casa...
– Talvez seja uma boa... – Um raio caiu forte lá fora e a chuva aumentou, pelo visto não iríamos a lugar nenhum. – Acho que vamos ter que ficar aqui mesmo.
– Onde vamos dormir?
– Na sala. – Falei e saí daquele quarto, fomos até a sala e dormimos um em cada sofá.
Não demorou muito e meus pais chegaram, falaram que se Michael quisesse continuar dormindo ali ele poderia, só que no meu quarto e não na sala.
Eu o acalmei e disse que meu quarto era seguro, que devia ter sido imaginação dele e que poderíamos dormir juntos. Ele concordou e dormimos abraçados como irmãos.
Mas eu juro, eu juro que ele estava debaixo da cama naquele momento, eu juro! Tentei dormir mas não estava conseguindo, e quando finalmente consegui, senti como se algo estivesse embaixo da cama novamente.
Fale com o autor