Loretta

3 Grite por sua sanidade


Notas iniciais
Nooooooossa!!! quanto tempo eu não atualizo essa fanfic? E olha que faz tempo que eu escrevi o capítulo, e deixei por terminar... Não sei quando vou acabar a fanfic, talvez no quinto capítulo, ou no décimo... Aí depende de como a história vai se desenvolver.... No começo era pra ser sete capítulos, já que cada capítulo é um dia, talvez eu continue com essa base, mas como eu falei, tudo depende de algo :v

De manhã acordei normalmente, porem quando saí de casa acabei levando um susto, e alguém quase saiu com o nariz sangrando.

— BOM DIA!! – Christopher pulou do nada em cima de mim, eu me assustei e fiquei pronta para me virar e socar a cara do ‘’ estranho’’, mas parei a centímetros de seu rosto.

— QUER MORRER??! – Falei revoltada.

— Não... – Ele se afastou. – Apenas disse bom dia.

— Apenas disse bom dia PULANDO EM CIMA DE MIM! – Corrigi. Segui meu caminho para a escola e ele foi comigo, conversamos bem pouco comparado ao dia anterior, não éramos tão próximos então não falamos muita coisa mais pessoal. Chegamos na escola e eu coloquei minhas coisas no armário. Sam veio toda sorridente.

— OOOOOIII!! – Ela me olhou com um sorrisinho.

— O que foi?

— I’M FREE!! – Ela deu um saltinho no ar e balançou as mãos como se fossem asas. – Terminei com o idiota, ele estava todo babão por atenção, tão grudento e.... Ahh! Me sinto muito melhor agora, ele estava querendo ser possessivo!

— Que bom que se sente melhor agora, não achei que estivesse feliz com ele.

— Foi tudo tão bonitinho no começo, mas agora broxou tudo. – Ela olhou para as unhas, pensativa. – Como vai com seu ‘’ amigo’’?

— A mesma coisa. – Fechei meu armário. – Amigos.

(...)

No intervalo eu estava indo em direção ao banheiro, Sam não estava comigo e o corredor já se encontrava vazio. Saí do banheiro e fui descer as escadas, porém ouvi um leve som, algo como uma flauta tocando.

O som era calmo e doce, fui atrás de quem poderia estar tocando o instrumento tão bem. Fui subindo as escadas, e cada vez o som ficava mais alto. Parei na frente de uma sala, quem estava tocando certamente estava lá. Abri a porta devagar, quando estava totalmente aberta meu coração falhou duas batidas, e voltou a pulsar um tanto acelerado.

— Ninguém? – Olhei em volta, a sala estava vazia, porém a cortina estava aberta e balançando por causa do vento. As classes estavam vazias, ninguém estava a ocupando.

Resolvi voltar, porém quando comecei a descer as escadas o som voltou, subi de volta e olhei em volta. Não podia ser, não tinha ninguém lá! Entrei na sala, quem sabe quem estivesse tocando não estava lá embaixo? Fui me aproximando na janela com as cortinas esvoaçantes, coloquei as mãos na beira da janela e olhei. Dei uma boa olhada em volta, nada.

— Loretta? – Ouvi alguém me chamar, levei um susto, dando um pulinho.

— S-Sim? – Me virei, era uma menina da mesma sala que eu, já fizemos alguns trabalhos juntas.

— O que faz aqui? – Ela estranhou.

— Nada. – Disfarcei. – E você?

— Gosto de ouvir música aqui. – Ela pegou os fones. – Aqui era a antiga sala de artes, você ainda não estudava aqui. Mas agora é pouco usada.

— Por acaso você escutou algum som? Como... uma flauta...? – Ela passou um tempo pensativa, por fim negou com a cabeça. Dei os ombros e me despedi, descendo as escadas e voltando para o pátio.

— Christopher... – Me aproximei dele, tocando seu ombro. Ele se virou e me fitou.

— Que?

— Por acaso você sabe toca flauta aqui?

— Flauta? Não... Mas a Alex toca violino, e como ela faz parte do clube de música... Pergunta pra ela, não pra mim.

— Okay, okay! – Saí dali, ele riu e senti seus olhos sobre minhas costas. Quando olhei para trás ele realmente estava me fitando, e sorrindo. Senti minhas bochechas esquentarem, e continuei andando a procura de Alex.

Eu a encontrei, mas ela falou que ninguém tocava flauta. Achei aquilo estranho, mas resolvi ignorar.

(...)

— Loretta... – Escutei a voz de Sam, estava quase na hora de voltar para casa. – O Christopher está te procurando...

— Ah, ultimamente estamos indo para casa juntos, e vindo para a escola também. Ele é um cara legal.

— Acho que alguém vai desencalhar aqui...

— Só se for você, eu vou continuar livre.

— Ah vai, só uma amizade colorida, com uns beijinhos de irmão.

— Não Sam! – Suspirei, pegando minhas coisas e colocando na mochila. Os alunos já estavam saindo da sala, e agora erámos as únicas ali dentro. Christopher entrou pela porta, se aproximou e perguntou se não iriamos para casa, falei que já estava indo e ele ficou esperando.

Nós três saímos, o pai de Sam estava na frente da escola, geralmente era o outro pai dela quem vinha lhe buscar, e sim, ela era filha de um casal gay. E era muito feliz com isso.

— Sabe Loretta. – Christopher quebrou o silêncio em que estávamos. – Eu acho que combinamos muito, anh... Bem, digamos que você é tão retardada quanto eu... – Ele me fitou, parecia com vergonha. – N-Não que você seja retardada... é que...

— Eu entendi. – O acalmei. – E eu não sou alguém tão normal. – Sorri para ele, senti seu braço passando por meus ombros e me puxando mais para perto.

— Você é uma ótima amiga. – Eu não sei por que... mas a palavra ‘’ amiga’’ me fez sentir algo diferente... Tristeza? Por que ficaria triste por ter um amigo novo?

Quando cheguei em casa estava tudo normal, a não ser meus pais não estarem em casa. Estranhei, fui até a cozinha e tinha um bilhete lá.

‘’ Loretta querida, seu pai teve problemas no trabalho, e eu tenho que ir lá, provavelmente quando você chegar não estarei em casa. Já falei com os vizinhos, pode almoçar lá.’’

Problemas no trabalho... Estranho. Fui dar meia volta para sair de casa, e quase tive um treco.

— Porra... – Respirei fundo. – Como entrou aqui? – Falei para um pássaro que havia entrando em casa e estava voando desesperado. – Se acalme, a saída é ali. – Tentei toca-lo pra a porta por onde entrou, mas ele não foi. O mais estranho era que ele piava em desespero, e quando u fui abrir a janela ele voou e se chocou contra no vidro, ele morreu espatifado na minha frente.

Fiquei um tempo fitando a janela com um pouco do sangue do pássaro, olhei para baixo e vi o bichinho morto, peguei ele e fui para fora... Não iria joga-lo no lixo, cavei com a mão uma ‘’ cova’’ e o enterrei, ao menos não iria ser comido por cachorros que viram os lixos.

— Loretta, sua mãe não voltou? – Michael apareceu, falei que não e ele disse que eu iria comer na casa dele, que ‘’ não’’ não seria uma opção. Sorri e falei que não teria escolha então.

A mãe dele era muito legal, minha mãe me ligou quando terminamos de almoçar e pediu desculpas por não ter voltado. Eu falei que entendia. Ela trabalhava de manhã e de tarde, bem pai trabalhava até as três da tarde e depois podia voltar para casa. Então eu não ficava tão sozinha.

Michael e eu ficamos conversando enquanto comíamos, descobri que a mãe dele cozinhava bem – ao contrário da minha -

— Sabe... – Falei – Quem cozinha lá em casa é meu pai, minha mãe é um desastre.

— A minha mão é. – Michael pegou mais um pouco de comida e pôs na boca, sua mão acariciou seus cabelos. Ela tinha os olhos da mesma cor dos dele, e eram lindos.

Depois de comermos ela foi lavar a louça, Michael me levou para o quarto dele onde sentamos na cama.

— Eu vi alguma coisa na minha janela ontem. – Ele falou. – Ela estava fechada, mas eu vi, eu posso jurar. Tinha alguma coisa lá! Alguma coisa parada.

— Estranho... – Falei. — Por que isso está acontecendo? Hoje eu ouvi uma flauta pela escola, mas ninguém estava tocando!

— Michael, se arrume para a escola. – Sua mãe entrou no quarto. – Desculpem, mas terão de conversar outro dia.

— Tudo bem. – Falei. Michael tirou a camisa e colocou a do uniforme, ele parecia não ter vergonha por eu estar ali. Me despedi dele e fui para casa, fiquei um bom tempo com Summer no quintal, pensando nessas coisas que estavam acontecendo.

Senti meu celular vibrar, era um número desconhecido. Atendi e me surpreendi com quem era. Como Christopher tinha conseguido meu número?

— Loretta, posso passar na sua casa? – Ele falou.

— Pode... – Me perguntei o por que ele queria vir aqui.

— Que bom, estou indo. – Ele falou.

Desliguei meu celular, devem ter se passado uns três minutos e ouvi a porta batendo.

— Chegou rápido! – Falei.

— Te liguei quando já estava vindo. – Falou.

— O que quer? – Falei direta

— Eu preciso de uma coisa que eu não copiei na aula. Posso entrar?

— Sim, claro. – Dei espaço. Subimos até meu quarto onde pegamos meu caderno, ele sentou na minha cama e ficou copiando.

Fiquei o fitando por tanto tempo, ele parecia até mais bonito sem uniforme... Ele ergueu a cabeça e me fitou, corei um pouco e ficamos nos fitando, senti sua mão encostar na minha em cima da cama, olhei rápido, e quando voltei meu olhar para ele, seus olhos estavam direcionados a minha boca. Comecei a sentir um calor entranho, e fiquei um pouco aflita.

Mas tudo isso se foi quando ouvi a porta de casa ser aberta. Suspirei e falei que era meu pai. Levantei e fui rápido para lá, e era realmente ele.

Ele estava calmo, só um pouco ofegante, não sei por que mas estava.

— Loretta, filha. – Ele falou calmo ao me ver.

— Por que está ofegante?

— Acredita que quase bateram no carro? – Ele falou suspirando. – O sinal estava verde, mas antes que eu avançasse um filho da puta avançou no vermelho. Meu coração quase saiu pela boca.

— Nossa, que estranho... Qual foi o problema que teve no trabalho?

— Eu tinha uma apresentação muito importante, mas esqueci do trabalho escrito. Tive que pedir para a sua mãe levar, mas ela ficou presa no trânsito. Quase perdi minha apresentação.

— Que bom que conseguiu então. – Christopher desceu as escadas e meu pai estranhou. Expliquei que ele veio pegar uma matéria e meu pai falou para ele ficar mais. Porém Christopher não quis ficar. Christopher era bem tímido, entendia o motivo dele de querer ir embora.

(...)

A tarde havia sido ótima, mas a noite estava sendo um inferno. Meus pais tiveram uma leve discussão. Não algo grave, mas eu não gostava de ver os dois irritados. Veja bem, eles têm um temperamento orgulhoso, nervoso e impulsivo. Não sei como se deram tão bem durante tanto tempo. Acho que é pelo fato dos dois brigarem e depois agirem como se nada tivesse acontecido.

E foi o que aconteceu, os dois ficaram irritados, porém depois estavam abraçados no sofá.

Mas a noite não foi um inferno por eles terem discutido, isso acontece com uma frequência aceitável.

O pior de tudo foi quando eu estava me preparando para dormir. Estava tudo normal, eu até deixei uma fresta da janela aberta. Estava pronta para dormir, até que ouvi a janela ser aberta, como se alguém tivesse pulado para dentro. Porém quando fui abrir os olhos, meus olhos foram tapados e eu escutei uma voz estranha, porém ao mesmo tempo masculina e um tanto sexy, mas ao mesmo tempo assustadora falar em meu ouvido:

— Gostou da minha música, amor? – Fui tocar a mão de quem tampava meus olhos, porém senti meu coração parar de bater quando passei a mão no ar e não senti nada. Mas meus olhos estavam cobertos! Era uma mão, tenho certeza disso! – Posso toca-la a noite inteira. – Senti a preção se desfazer, mas meus olhos ainda não abriam.

Senti alguma coisa se sentando em minhas coxas. E agora não conseguia mais mover minhas pernas. Meu cérebro estava acordado, mas agora, meu corpo estava dormindo, como se eu não tivesse mais o controle.

E então começou, a mesma música que eu ouvi na escola, estava agora tocando, sendo tocada por esse cara, ou sei lá o que ele fosse! Tentei desesperada abrir os olhos, mas não foi possível.

— Seus outros sentidos são mais eficientes aqui, senhorita. – Quando reconheci que a melhor coisa a se fazer era ficar parada, ouvi um grito horrível vindo do quarto de meus pais.

— Pai? – Falei preocupada, ele não parava de gritar e eu estava ficando desesperada, comecei a tentar na cama, o que não adiantou. Eu estava chorando, meu pai não parava de gritar. – O QUE ESTA FAZENDO COM ELE? – Berrei. Mas a música continuava a tocar, e eu sentia que iria enlouquecer.

Com o tempo meu pai parou de gritar, mas um ouvi um alto grito de minha mãe, e então a porta batendo freneticamente.

— Por favor, o que você está fazendo? – Comecei a chorar, o que estava acontecendo comigo?

— Eu nunca faria nada a você, amor. – Ele parou de tocar por um estante. – E nem com aqueles que ama. Mas talvez minha música tenha atraído eles... – A flauta voltou a ser tocada.

— ENTÃO POR QUE CONTINUA TOCANDO??! – Gritei, e consegui erguer meu tronco, senti meu rosto bater em algo, que parecia um peito humano. – Meu pai está gritando, e minha mãe também! Por que não sai de cima de mim e me deixa ir lá?

— Por que eu amo você senhorita, lá não é um lugar seguro. – Ele saiu de cima de mim, porem ele me empurrou e me fez deitar novamente. – Agora durma... Durma e eu voltarei, em seus sonhos... – O peso se foi, agora meus olhos poderiam ser abertos.

E foi o que eu fiz, desesperada abri os olhos e levantei meu tronco. Era de manhã, meu quarto estava normal, a porta não parava de bater. Levantei correndo e a abri, era meu pai, inteiro, sem nenhum machucado, sorrindo para mim.

— Sua porta emperrou, está tudo bem? Você gritou... Ainda tem uma hora antes de ir para a escola.

— Pai... – Eu falei em um suspiro. – Eu acho que tive um pesadelo...

— Isso é horrível, não? – Meu pai suspirou. – Vou fazer um café da manhã para você. – Ele acariciou minha cabeça e saiu, voltei para a cama e me joguei na mesma.

— Então foi tudo... Um pesadelo? – Eu ficaria com aquela experiência pelo resto da semana na cabeça.

Notas finais
Isso pareceu uma paralisia do sono, não? Mas enfim, foi tudo um sonho não? ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.