Loretta

1 Capítulo 1 - Pensando demais.


Notas iniciais
Oieee, minha primeira fanfic (escrita sozinha) aqui no Nyah! E eu resolvi escrever um terror, eu amo esse gênero e estou bem animada para escrever essa história. É bem diferente me ver escrevendo terror (já que sempre escrevi romance). Eu nunca sei o que falar aqui, nem se quer lá em baixo :v Alguns vídeos que citarei aqui existem mesmo, eu vou deixar os links nas notas finais do capítulo, tudo certinho. Mas a protagonista não é Brasileira, e também não sei onde ela mora, imaginem vocês. Bem, boa leitura, espero que gostem.

Sábado, tinha tudo para ser mais um dia normal naquela casa, nos mudamos a pouco tempo, os vizinhos são estranhos, e nunca vi nenhuma criança na rua. Que tinha crianças tinha, eu via elas quando ia para a escola, algumas até estudavam na mesma escola que eu. Porém, elas não saíam para fora, me pergunto se elas ficam o dia inteiro na internet, ou o que.

Eu, que tinha tudo pra ser mais uma adolescente viciada em internet, me interessava mais em ler livros, mas claro eu usava bastante a internet. Principalmente para falar com amigos que moram longe.

Eu morava com a minha mãe, meu pai e minha cachorra. Meus pais eram muito amorosos, nunca vi eles brigarem de verdade, eles discutiam mas logo estavam se pegado. Não, eu não estou exagerando! Já cheguei na cozinha e eles estavam quase transado.

– Loretta? – Ouvi a voz de minha mãe me chamando, me virei e levantei do chão onde estava lendo um livro. – Summer rasgou seu urso... – Minha mãe deu meu urso de pelúcia, ele estava sem a pata. Eu simplesmente amava aquele urso, meu pai havia me dado a alguns anos.

– Summer deve estar estranhando a casa... – Falei, entrando em casa e procurando agulha e linha para costurar Tom, Tom não era lá o nome para se dar a um urso, mas era esse seu nome. Summer correu até mim, ela era uma cachorra grande e minha mãe falou que ela teria de dormir na área hoje, pois nem banho havia tomado. Felizmente meu quarto tinha uma janela enorme onde eu podia vê-la. – Eu a vi latindo para o nada, esses dias.

– Latindo para o nada? – Minha mãe disse confusa. – Ela deve ter enxergado algo...

– Não, não tinha nada! – Afirmei, vi que minha mãe ficou com o olhar parado por um momento. Minha mãe acreditava bastante nessas coisas, acho que puxei um pouco esse lado dela.

– Bem, vamos ignorar, sim? – Ela sorriu. Encontrei uma agulha e linha, fui até meu quarto e Summer foi junto.

– Por que fez isso com Tom? – Perguntei a ela, Summer deitou e me olhou. – Se quiser um brinquedo, eu compro. Mas não destrua meu urso! – Comecei a costurar a pata dele, ele era muito bonitinho, tinha um pelo marrom claro, porém, mais escuro que o de Summer, que se igualava ao pelo de um Golden Retriver. Mesmo ela sendo uma vira-lata.

Depois de costurar a pata dele no lugar, me olhei no espelho, peguei Summer no colo, ela era grande e pesada, mas eu consegui segurar.

– Você é mais bonita que eu. – Brinquei, eu não me achava muito bonita, eu era quase um clone da minha mãe, cabelos pretos, sardas – que herdei de meu pai – e eu não era muito alta, eu tinha um tamanho normal.

Peguei meu celular e tirei uma foto, fazendo cara de ‘’ brava’’ e mandando para a minha melhor amiga, ela não responderia agora.

Peguei meu notebook e fui ver algumas coisas, abri a cortina e tive a visão perfeita da área, área que era quase uma sala. Summer iria dormir ali até que a levássemos para o pet shop. Havia outra janela perto da minha cama, dava bem reta a porta da casa do vizinho da frente.

– Vai dormir ali Summer. – Apontei para a janela da área – Você não tomou banho. – Comecei a fuçar na internet, vídeos, sites, redes sócias. Fiquei um bom tempo ali, hoje era sábado e eu podia aproveitar. Resolvi ver algumas coisas mais macabras, alguns vídeos, entre outras coisas. Eu lembro que já morri de medo disso, porem agora não mais. Quem sabe comecei a ver tudo de uma forma diferente, uma forma mais compreensível. Minha mãe, consequentemente afetou meu pai também, a maioria das noites em família terminavam em filmes de terror. Meu pai disse que minha vó morreu na frente dele, de uma forma estranha. Ela simplesmente olhou para ele e caiu no chão, porem antes batendo a cabeça em uma quina, o que fez uma poça de sangue se formar no chão. Foi traumatizante.

– Loretta. – Minha mãe bateu na porta. Me tirando de meus pensamentos. – Vamos ao mercado? Preciso comprar umas coisinhas.

– Já vou... – Terminei de ver o vídeo que estava falando sobre ‘’ O caçador de homens’’ não gostei muito da história, achei fraca.

Lembrar da história da minha vó sempre me trazia curiosidade, eu queria entender o que havia acontecido... Quem sabe um ataque cardíaco? Ou quem sabe... Lembro que um dia, eu devia ter aproximadamente sete anos. Eu estava brincando de cobra-cega com ela e minha prima. Minha prima disse que desceu até o porão, seguindo o som das palmas que acreditava serem minhas. Saiu tocando em tudo, aquele lugar não era grande. Porém não tocou em nada, e quando tirou a venda não havia nada mesmo. Ela saiu chorando de lá, era mais nova que eu, tinha cinco anos.

Então quando estávamos indo dormir, ela me contou o que aconteceu. Eu fiquei com medo também, isso não era normal. Disse a ela para irmos até a cozinha, distrair um pouco a cabeça comendo o bolo que minha vó havia feito. Fomos até lá e a janela estava aberta, minha vó estava sentada na cadeira, apoiada na mesa. Seus ombros subiam e desciam conforme respirava, seu olhar estava morto, ela não se movia. Não me lembro quantas vezes a chamamos, só sei que saímos de lá com medo, e então nós a vimos novamente, porem saindo de nosso quarto. Quase morremos de susto com aquilo, ela perguntou o que estávamos fazendo acordadas. Nós não respondemos nada, nada! Nenhuma palavra saia da minha boca, nem da minha prima. Eu saí correndo, e a janela da cozinha estava fechada, e a cadeira não estava afastada da mesa.

(...)

Não sei quanto tempo passei na internet, a casa estava silenciosa e eu só escutava minha cachorra e o barulho do meu teclado. Não tinha ninguém para mim conversar, eu estava pensando em desligar até que me assustei com o latido de Summer. Eu ignorei, porem ela latiu novamente... Estava ficando preocupada. Afastei a cortina e a vi caminhando, bati no vidro e ela olhou para mim, sorri, ela estava bem. Porem vi a orelha dela se mexer para trás, bati novamente no vidro, ouvi outra batida, que não era minha, Summer virou a cabeça e eu subi o olhar até a janela. Eu não faço ideia do que vi, parecia um vulto, posso jurar ter visto um sorriso. Eu fechei a janela e sai correndo, precisava tirar Summer de lá!

Saí de meu quarto, tive que atravessar o pequeno corredor e a sala, para então chegar a área. Acendi a luz depressa e abri a porta, Summer correu para dentro e eu olhei novamente para aquela janela. Nada.

Tranquei a porta e respirei fundo, ‘’ Foram seus olhos Loretta, não tinha nada lá!’’ lembrei de uma teoria que escutei, que dizia mais ou menos assim: Seus olhos não enxergam tudo, sua mente não está preparada para ver tudo. Porém, quando ela está você irá poder ver. E se você pensar muito em algo, sua mente pode achar que está pronta, e seus olhos irão ver, o que você nunca pode ver.

Olhei para Summer, ela parecia calma, algo que eu não estava. Fui até a cozinha e peguei um copo d’água, olhei pela janela da cozinha, podia ver a rua deserta iluminada pela luz amarelada dos postes. Voltei para meu quarto com Summer, precisava dela lá comigo. Minha mãe estava no banheiro, a vi lavando as mãos enquanto o som da descarga era facilmente ouvido.

– O que houve filha? – Ela me perguntou.

– Nada, senhorita Julie. – Falei.

– O que estão fazendo? – Vi meu pai sair do quarto deles, só de cueca. Agradeci por meu pai não ser velho e ter um corpo bonito, eu não gostaria de ver uma barriga de cerveja apertada pela cueca. Minha mãe tinha trinta e cinco anos e meu pai trinta e seis. Eles tinham apenas um mês de diferença, se conheceram por acaso, meu pai se bateu na minha mãe que caiu no chão e derrubou suas coisas, ele a ajudou a juntar e eles se tornaram amigos. Pra mim sempre foi uma amizade colorida.

– Nada, Alexandre. – Minha mãe disse, os dois se fitaram por um tempo e logo sorriram.

– Vamos voltar para cama... Loretta, leva a Summer pra área! – Ele me pediu. – Ela não tomou banho.

– Não! – Eu quase gritei. – N-Não... Ela vai dormir comigo... Por favor. – Me abracei nela. Meu pai olhou para minha mãe, que apenas assentiu com a cabeça.

– Okay então. – Ele concordou. – Boa noite. – Falou, enquanto entrava no quarto. Minha mãe foi entrar também, porem se virou para mim.

– Você é uma menina forte de 14 anos! – Eu adorava ela não me chamar de ‘’ moça’’ ou ‘’ mocinha’’ – Mas se precisar de mim estarei no quarto. – Assenti com a cabeça e votei para o meu quarto, deitei na cama e fitei o teto, a luz no notebook contra meu rosto estava incomodando. O desliguei e me abracei em Tom, Summer subiu na cama e deitou em meus pés. Quem sabe depois pegasse meu livro para enfim termina-lo.

Mas... O que foi aquilo? Eu nunca havia visto nada parecido... Mas quem sabe, eu estivesse apenas pensando demais...

Notas finais
O caçador de homens: https://www.youtube.com/watch?v=dcBlnzdedIM ~Créditos ao Tio Ambu ♥ ~ Espero que tenham gostado, estou bem empolgada para escrever *-*