Longevo
6 Capítulo 6
Terminaram perto das cinco da tarde, já com Renata ligando para o irmão, convidando-o para jantarmos todos juntos. Um absurdo em cima do outro, o que me fez abrir a boca.
— A minha opinião vai ser levada em conta ou já tô senil o suficiente, minha filha? — alfinetei Renata, irônico.
— Mas não é seu amigo, pai? — retrucou ela — Só achei que—
— Pois achou errado — repliquei — Amanhã, de repente, ou depois, não sei. Hoje não.
Senti pela respiração dela sua frustração. Cada vez mais me chocava em como Abílio havia tido êxito em sua lavagem cerebral.
Sem muito a se fazer, Andria apenas se despediu, alegando esperar o pai no carro, e minha filha saindo logo atrás, nem dando um mísero ‘Tchau’ a esse pobre velho.
— Usar meus filhos pra se aproximar é sujo demais, Abílio! Jamais eu poderia pensar que—
— Eles me chamaram quando a Selma faleceu, Aurélio. Não o contrário — interrompeu-me, com suas feições bem fechadas — Presumi que já sabiam de tudo e estavam arquitetando juntos essa reaproximação.
— Só que não estávamos. Compreendeu? — apoiado na bengala, fui até a porta, girei a maçaneta metálica e encarei-o — Portanto, adeus.
— Até breve, Aurélio. Até muito em breve.
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