Lonely Girl
28 Capítulo 28
Sasuke não veio para casa, teve que ir ao escritório resolver alguma coisa que não quis me dizer. Algumas das empregadas da casa me levaram até o quarto, minhas malas já estavam em cima da cama. Agradeci e, logo, elas me deixaram a sós.
O quarto era amplo, ao fundo, tinha uma varanda, que dava para o jardim da frente. Havia um closet enorme, que era como um segundo quarto, as roupas de Sasuke estavam todas lá organizadas. Do lado oposto, havia um espaço para as minhas coisas.“Só dois anos”, pensei para mim mesma. A alguns passos do closet estava o banheiro, igualmente enorme, com uma banheira e uma pia enorme.
Enquanto eu desfazia as minhas malas, pensei em minha mãe só naquele apartamento, o que me aliviou foi pensar que o tratamento estava dando certo e que, pelo menos, por um motivo, tudo isso estava valendo a pena.
–– Senhora... – era estranho as pessoas me chamar assim, às vezes eu não olhava, só depois percebia que era eu. – O jantar está servido.
–– Eu já vou descer.
Sasuke havia ficado o dia todo no escritório, pelo menos, era lá que eu achava que ele estava, mas não me importava onde ele estava. Eu estava fazendo a minha parte, a dele era problema dele.
A mesa estava arrumada com uma comida deliciosa. Da escada, podia-se sentir o delicioso cheiro. Agradeci mentalmente por Madara ainda não ter se mudado para a casa, acho que esse foi um dos motivos por Sasuke se sentir à vontade para passar o dia fora.
Quando terminei de jantar, fui para o quarto e tomei um banho, depois coloquei uma camisola, apaguei a luz e me deitei. Não demorei muito para dormir.
“–– Não tem ninguém, não tem ninguém. – minha voz saiu embargada pelo choro.
–– Mentira! – ele disse apertando meus pulsos. – Me diga a verdade agora.
–– SOCORRO! – ele tapou minha boca com velocidade, quase me sufocando.
–– Eu sei que tem, você é rápida mesmo. – eu queria gritar e correr dali, mas eu nada podia fazer. Estava totalmente à mercê dele, Sasuke era muito mais forte do que eu e estava me segurando para que eu nada pudesse fazer. “O que viria a seguir?”, essas palavras ecoavam em minha mente. – Escuta bem, Sakura, mesmo que eu não fale mais com você, eu sou seu único amigo e não quero ninguém no meu lugar, está entendendo?
Tentei falar, mas a mão dele sobre minha boca me impedia disso, lentamente, ele tirou a mão que tapava minha boca.
–– Sasuke...
–– Diga! – ele apertou meus pulsos contra a cama, fazendo-me gemer de dor.
–– Você... É o único. – eu disse em meio às lágrimas.
–– Isso... – eu tentava respirar, minha respiração estava pesada, pela primeira vez eu sentia medo do Sasuke e, mesmo assim, ainda o amava, eu me odiava por isso. – Boa menina. – ele curvou o corpo até perto do meu rosto e beijou o meu pescoço, um beijo molhado. Com uma mão, ele segurava minhas mãos, me deixando incapacitada de me defender e com a outra, ele acariciava a minha perna.
–– Pare... Por favor, Sasuke, pare. – eu supliquei, não queria que fosse assim.
–– Seu cheiro é bom... – ele continuava a beijar o meu pescoço e a passar a mão por minha perna.”
–– NÃO! – sentei-me na cama de uma só vez, meu coração estava disparado e minhas mãos, geladas.
–– O que aconteceu? – Sasuke estava no quarto, o que só me deixou mais aterrorizada depois do sonho misturado com lembrança que tive. – Pesadelo?
–– S-sim... – minha cabeça dava voltas.
–– Ah... – ele entrou no banheiro e fechou a porta, ele pouco se importava comigo.
Deitei-me na cama novamente e apaguei a luz do abajur, que estava acesa. Isso havia acontecido há tanto tempo, que eu nem mais lembrava direito, mas esse sonho havia sido tão real, eu quase cheguei a pensar que era verdade.
Sasuke saiu do banheiro usando uma calça de moletom e sem blusa, o que me fez virar de lado e fechar os olhos. Apesar da pouca claridade, ainda era possível diferenciar certas coisas na penumbra do quarto. Senti-o deitar-se ao meu lado e puxar o cobertor, agradeci por ele não falar sobre o que tinha acontecido essa manhã.
(...)
Quando acordei, Sasuke não estava mais ao meu lado. Durante toda a noite, fiquei em estado de alerta, mas ele nem sequer virou-se para mim. Ignorou-me completamente. Era como os velhos tempos, Sasuke estava me ignorando mais uma vez, sabe-se lá por qual motivo.
Ao sair do banho, vi as roupas que ele usava na noite anterior em cima do cesto. Algo me disse para pegar as roupas e foi o que eu fiz. A gola da camisa estava suja, suja de batom. A camisa tinha cheiro de perfume de mulher. Eu não devia, mas senti dor por isso.
O que estava acontecendo? Eu não podia estar deixando-me levar de novo, mas uma vez apaixonada por ele. Mais uma vez sofrendo. Eu realmente devo ser masoquista.
Peguei o telefone e liguei para Ana. Eu não queria ficar naquela casa, Madara se mudaria hoje no meio da manhã.
–– Por favor, diga que topa sair pra algum lugar! – sim, estou desesperada.
–– Que tal irmos a Armani? Ou a Gucci?
–– Qualquer coisa que me faça sair dessa casa.
–– Nos encontramos na Armani.
Arrumei-me rapidamente, mas não desleixadamente, e pedi para o motorista que me levasse a Armani. A imagem de Sasuke com outra não me saia da mente. Se alguém descobrisse, eu seria vista como a “traída”, que ridículo para mim.
Quando cheguei à loja, Ana já estava lá com várias roupas ao seu lado em um sofá. Sorri. Talvez eu devesse fazer o mesmo.
–– Finalmente! – ela me jogou um vestido lindíssimo. – Achei que ia gostar desse.
–– Sim, eu gostei. – eu sorri e sentei ao seu lado no sofá. – Preciso conversar urgentemente.
–– Sasuke? Ou Madara? – ela sorriu.
–– Sasuke. – eu senti raiva só de lembrar. – Não temos nem semana de casamento e, aparentemente, ele já tem outra.
–– Sério? – ela pareceu chocada.
–– Ontem eu passei o dia só, não que eu quisesse a companhia dele. – ela sorriu da minha mentira. – Hoje tinha marca de batom na roupa dele e perfume de mulher.
–– Você quer que eu seja sincera? Ou que eu minta para te agradar? – ela tomou um gole de champanhe.
–– Sincera. – dei-me por vencida.
–– Acho que você deixou bem claro que não rola nada entre vocês, ele só esta encobrindo a falha. – ela tinha razão, como sou estúpida.
–– Você tem razão. Mas isso é... Ruim. E se descobrem? Como eu fico?
–– É, tem isso. Mas creio que Sasuke seja cuidadoso.
–– Espero.
–– Sabe o que eu acho? – ela se levantou do sofá. – Que você deve fazer o Sasuke sofrer hoje.
–– Como assim?
–– Vamos a Victoria\\'s Secrets comprar umas camisolas bem... Sexy. – ela me arrastou para fora da loja.
–– Eu não vou fazer isso... Você sabe que eu...
–– É, eu sei. – ela fazia uma cara de quem tinha as melhores das ideias. – Mas ninguém precisa comer o bolo.
–– Oh, meu Deus, que ambiguidades. – às vezes, Ana era assustadora quando o assunto era sexo.
–– Entenda, é como uma vitrine. – nós paramos na porta da Victoria’s Secrets. – Você quer um vestido, mas não pode comprar.
–– Acho que isso é meio genial. – ela tinha razão.
–– É, eu sei, eu sou genial. – nós rimos.
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