Lonely Girl
24 Capítulo 24
Eu não precisava fazer quase nada para esse casamento. Ana, a pedido de Sasuke e do marido, estava organizando tudo. Eu ficava feliz de não precisar fazer nada, já que esse casamento para mim era só um negócio. Seria pior se eu tivesse que tomar a frente dos detalhes.
Dois dias antes da cerimônia, fomos para a fazenda da família Uchiha, que ficava próxima à cidade. Mikoto queria que o casamento fosse na fazenda da família e eu não questionei. Para mim, não importava onde fosse.
Mikoto havia voltado de Paris feliz pela notícia do casamento. Ela estava em uma temporada de descanso em Paris, mas ainda estava triste pela morte do marido.
A fazenda era enorme e muito linda. Havia uma casa enorme no centro, que mais parecia um hotel de luxo. Havia um haras com cavalos puro-sangue, um lago belíssimo cercado por árvores frondosas e uma área para esportes, sem falar no campo de golfe. Era o lugar perfeito para qualquer casamento, menos para o meu.
–– Sakura! – Mikoto veio ao meu encontro, assim que entrei na casa. – Que saudades, querida. – Mikoto me abraçou forte. Aparentemente, havia mesmo sentido minha falta. – Nem acredito que você e o Sasuke se acertaram. Você é a nora que eu sempre quis. – fiquei mal por ela ter dito isso, afinal era tudo uma mentira. Sasuke e eu não havíamos nos acertado.
–– Obrigada, Mikoto. Você é a sogra que eu sempre quis. – isso não era mentira, eu sempre quis uma sogra como ela.
–– Não se preocupe com nada. – ela me guiou até o meu quarto na casa. – Está tudo pronto para amanhã. O bufê já chegou e está tudo uma delícia, o padre chega amanhã, os convidados confirmaram presença e o seu vestido já está no seu quarto. – ela dizia totalmente animada. – Ah! E o Sasuke está no quarto dele, que é ao lado do seu. – ela fez uma cara engraçada e eu não pude deixar de sorrir.
–– Esse é o meu quarto? – paramos em frente a uma porta.
–– Sim. – o celular dela tocou. – Vou deixar você à vontade. Parece que a equipe técnica chegou.
Fiquei aliviada por finalmente ficar só. Entrei no quarto, deixando minha mala em um canto, e me joguei na macia cama. De repente, me veio uma dor no peito, como a que eu sentia todos os dias desde que eu descobri que Sasuke só me enganou. Inevitavelmente, comecei a chorar. Deitei-me de lado e deixei que as lágrimas caíssem.
O que eu estava fazendo? Eu ia me casar com a pessoa que mais me magoou. Eu não conseguia mais me enganar; eu nunca seria feliz ao lado dele. Talvez eu nem aguentasse por um ano. Senti culpa por ter aceitado. Mas o que eu poderia fazer? Deixar minha mãe morrer? Isso eu nunca poderia fazer.
–– O que você tem? – Sasuke entrou no meu quarto, assustando-me.
–– O que você acha? – eu disse me sentando na cama, tentando enxugar as lágrimas.
–– Se eu soubesse, eu não estaria perguntando. – nesse momento, eu queria saber onde estava aquele Sasuke gentil e que me protegia. Será que tudo não passou de farsa?
–– Vá embora. – eu me deitei novamente, ficando de costas para ele.
Senti-o se sentar na cama ao meu lado, mas não me virei. Permaneci encarando os travesseiros macios à minha frente.
–– Sei que não quer se casar comigo. – ele pausou. – Eu também não queria me casar assim...
–– Você nunca gostou de mim. Tudo foi uma mentira. – eu não aguentava mais segurar tudo aquilo. – Eu me apaixonei por uma pessoa que não existia...
–– Você acha que eu fingi tudo aquilo? – ele me virou para ele.
–– Eu escutei você falando com o seu amiguinho Sasori.
–– Eu já te contei essa história uma vez. Não é necessário repetir. – ele se referia ao fato de, supostamente, ter se apaixonado por mim durante a aposta.
–– Eu sou idiota. – sentei-me na cama. – Isso é passado, esse casamento é só interesse, você ganha, eu ganho. – eu não queria mais tocar nessas feridas do passado. – Você não acha?
–– Eu... – ele me fitou. – Concordo. – nesse momento, eu tive certeza que ele nunca sentiu e nem sentia mais nada por mim. – Temos ensaio do casamento agora.
–– Pode ir, eu já ‘tô indo. – ele se levantou e saiu pela porta lentamente.
(...)
Antes de ir para o jardim, onde seria a cerimônia, fui ao banheiro e passei uma água no rosto para tirar minha cara de choro. Mandei uma mensagem para a minha mãe perguntando se ela demoraria muito e, logo, ela respondeu dizendo que estava a caminho.
Havia algumas tendas brancas no jardim. As mesas e cadeiras já estavam dispostas, todas cobertas de branco e enfeites de cristais que imitavam rosas vermelhas. Tudo estava lindo. No centro, havia cadeiras dispostas de lados opostos e um tapete vermelho, que ia até o altar. Tive vontade de correr para o mais longe possível, mas Mikoto veio ao meu encontro e me puxou para onde o tapete vermelho iniciava.
–– O Brian vai fazer o papel de padre. – Ana me informou. Olhei para o altar e Brian estava lá segurando um livro. Ao lado dele, estava Sasuke, como se me esperasse, típica cena de casamento.
–– TUDO BEM, PESSOAL. – Mikoto alertou. – VAMOS COMEÇAR O ENSAIO.
–– Eu fico aqui? – eu devia estar radiante, mas eu não conseguia esconder a minha angústia.
–– Você está bem, Sakura? – eu sabia que Mikoto perceberia.
–– Sim. – eu sorri falsamente. – É só uma dor de cabeça.
–– Certo. – ela suspirou. – Podemos começar, então.
A marcha nupcial começou a tocar. No primeiro momento, eu travei. Eu não conseguia sequer dar um passo, enquanto eu olhava para Sasuke no altar me esperando. Ana veio até mim e disse para eu andar. Comecei a andar lentamente em direção a Sasuke, mas aquela marcha parecia mais uma marcha fúnebre para mim.
Eu tentava não olhar para Sasuke me esperando lá ou eu sairia correndo. Mas era inevitável. Quando eu estava na escola, e éramos apenas amigos, confesso que eu sonhei com isso diversas vezes, mas agora tudo era diferente. Eu era diferente, e o pior, ele era diferente.
Sasuke veio até mim e segurou em minha mão, assim que cheguei ao altar. Ficamos lado a lado olhando para Brian que não parava de sorrir da cena.
–– Queridos amigos, estamos aqui hoje... – Brian era bom nisso. Creio que ele estava lendo o que dizia em um papel. – Blá blá blá... – ele começou a brincar com a situação e Sasuke sorriu. – Se tem alguém aqui hoje que seja contra esse casamento, fale agora ou cale-se para sempre.
–– EU SOU CONTRA! – Sasuke e eu nos viramos rapidamente para a entrada da tenda. Lá estava alguém que eu esperava nunca mais ver. Sasori. – Essa mulher era para ser minha. – ele brincou. Senti repulsa.
–– Você sempre zombando de mim. – eu disse para Sasuke e soltei nossas mãos. Eu não suportaria ficar no mesmo ambiente que Sasori. Já me bastava Sasuke.
Fui, praticamente, correndo até o atrás da casa e encostei-me em um estábulo. As lágrimas caíram, mas não com tanta intensidade. Eu sentia em meu coração como se a noite do baile estivesse se repetindo e aquela mesma dor me cortava por dentro. Por anos, aquela ferida esteve fechada e agora ela sangrava. Sangrava como se nunca houve cicatrizado.
–– Você está bem, moça? – senti alguém tocar meu ombro.
–– Sim... – eu consegui dizer.
–– Por que está chorando? – era provavelmente um dos empregados da casa, era alto e tinha os olhos claros.
–– Isso não te interessa. – Sasuke respondeu por mim. Ele estava lá parado na entrada do celeiro. O rapaz tratou de tirar a mão de meu ombro. – Saia daqui e deixe minha mulher em paz, antes que eu te demita.
–– Eu só... – ele tentou se explicar.
–– Saia! – Sasuke disse, enquanto vinha ao meu encontro. O rapaz tratou de deixar o celeiro, antes que fosse demitido.
–– Por que o chamou? – foi tudo o que consegui dizer.
–– Ele é... Um amigo. – coloquei meus braços em volta do meu corpo. – Minha mãe o convidou. Ela pensou que tudo já estava acertado.
–– Não me peça para olhar na cara dele. – enxuguei minhas lágrimas. – Vou para o meu quarto. Acho que já ensaiamos o suficiente.
–– Sakura, já chega! – ele puxou meu braço de forma firme, não me deixando sair. – Você acha que é a única magoada?
–– Você, com certeza, não está. – empurrei-o na tentativa de me soltar.
–– Não foi fácil para mim o que aconteceu.
–– E para mim? Você acha que foi? – encarei-o. – Durante todos esses anos, eu tentei voltar a ser o que eu era. Eu tentei parar de sofrer, eu tentei fazer essa ferida fechar. – puxei meu braço com força. – Você, pelo visto, esteve muito bem, senhor solteiro mais cobiçado.
Sasuke não revidou, só ficou calado. Com todas as minhas forças, caminhei até o meu quarto, para, só então, sofrer sozinha.
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