Lonely Girl

25 Capítulo 25


Quando minha mãe chegou, tinha a mesma cara que a minha, de infelicidade. Brian veio falar comigo para tentar melhorar meu ânimo, já que alguns dos convidados estavam comentando a “felicidade” da noiva. Como se tudo não estive mal o suficiente, no final da noite, Madara chegou para “alegrar” ainda mais o ambiente. Tive que presenciar Sasuke e Madara em uma batalha silenciosa.


Finalmente, às 23h00min, eu me deitei em minha cama, mas não consegui dormir por nenhum instante. A minha imagem vestida de noiva e fugindo do altar não deixava a minha cabeça. No fundo, era o que eu queria fazer.


Às 01h30min, levantei-me com alguém batendo em minha porta. Hesitei em abrir, pois, na minha mente, só poderia ser Madara para me atacar furtivamente no meio da noite. No fim, acabei abrindo a porta e encontrei Ana e Mikoto segurando uma caixa preta enorme nas mãos.


–– O que é isso? – eu perguntei, dando passagem para que elas entrassem, fechando a porta em seguida.
–– Um presentinho para a noite de núpcias. – Ana disse animada.
–– Realmente não precisa. – eu frisei a última parte.
–– Claro que precisa. – eu queria morrer. Ana fez cara de “a ideia não foi minha”. – Eu comprei isso em Paris quando soube do casamento.
–– Mikoto, eu... – não, eu não quero essa camisola. – Obrigada. – eu disse vencida.
–– De nada, querida. – eu sorri sem graça. – Experimenta para nós vermos.


Peguei a caixa a contragosto e fui até o banheiro. A camisola era bonita e tinha a cor rosa clara, quase branca. A costura e o modelo eram dignos de Paris.


Coloquei a camisola e me olhei no espelho. Por mais que eu odiasse admitir, havia ficado linda. O busto tinha um corte bem feito e o tamanho foi o que eu mais gostei. Era comprida, mas, por outro lado, tinha cortes que iam até a altura da coxa.


–– Eu sabia que ficaria divino! – Mikoto disse alegre, assim que saí do banheiro.
–– Acho que vou comprar uma dessas. Brian vai amar. – nesse momento, me veio a ideia do que aconteceria depois do casamento. Sasuke e eu sozinhos em um quarto. Fiquei em pânico.
–– É... Ficou bom mesmo.


(...)


O dia havia passado tão rápido, que, quando dei por mim, eu já estava colocando o vestido. Olhei-me no espelho, mas quase não me reconheci. Meu cabelo estava bem arrumado em uma trança frouxa com alguns fios caindo por meu colo e minha maquiagem estava em contraste. Senti-me bonita naquele vestido.


–– Nem acredito... – Mikoto veio até mim. – Ela está linda.
–– Está muito linda. – minha mãe disse. Minha mãe estava se dando bem com Mikoto, na verdade, ela ainda gostava dela, só não perdoava o que Sasuke havia feito. – Que você seja feliz, filha. – eu e minha mãe havíamos combinado que ninguém poderia saber que esse casamento era armado.
–– Obrigada.
–– Bem, nós vamos indo. – Mikoto ajeitou o seu vestido preto. – Todos já chegaram, só falta você mesmo, Sakura.
–– Sakura... – Ana veio até mim, assim que minha mãe e Mikoto saíram do quarto. – Pelo menos, tente fazer uma cara feliz, já que tem algumas pessoas da imprensa aí. Sabe como eles captam tudo no ar, não é? – eu assenti. Ela suspirou aliviada. – Sei que deve ser difícil, mas quem sabe isso pode dar certo? Eu sei que, no fundo, você o ama.


Eu não consegui responder porque ela estava certa. No fundo, eu o amava. Eu escondia isso de mim mesma, mas, no meu interior, eu sabia que meu coração era dele. Mesmo assim, eu não conseguia mudar essa mágoa e essa dor dentro de mim.


–– Tudo bem, noiva. – um dos assistentes da organização veio me buscar para a cerimônia. – Hora do casamento.
Antes de sair do quarto, eu treinei um sorriso no espelho.


(...)


Lá estava eu parada na entrada da tenda. Os flashes vinham em minha direção, eu respirei fundo e sorri como se eu, de fato, estivesse muito feliz. Eu sorri como se, ao pé do altar, estivesse o homem da minha vida e que me faria feliz para sempre. Doce ilusão.


Quando a marcha nupcial tocou, eu caminhei lentamente em direção ao altar. Lá estava Sasuke, tão lindo que me odiei só por meu coração disparar. Ele usava um smoking e o cabelo estava perfeitamente arrumado, mas não deixava de ter aquele ar jovial e descolado.
Por alguns momentos, eu senti que minhas pernas estavam tentando fugir daquele caminho, mas eu fui firme e continuei até parar na frente de Sasuke à beira do altar. Ele segurou minha mão de forma tão segura, enquanto minhas mãos estavam frias em contato com a dele.


–– Estamos aqui hoje... – o padre começou. Olhei para Sasuke, que estava calmo e sério ao meu lado enquanto escutava o que o padre dizia.


Disfarçadamente, olhei à minha volta; eu nem havia percebido que tinha tanta gente. No meio dos convidados, eu identifiquei os rostos de vários empresários famosos. Minha garganta estava seca e meu estômago revirava. Eu queria tanto sair correndo dali, mas não consegui me mover.


–– Se há alguém aqui hoje que seja contra esse casamento, que fale agora ou cale-se para sempre. – houve um enorme silêncio, no meu interior eu torci para que alguma ex-namorada revoltada do Sasuke atrapalhasse, mas nada aconteceu. – Vamos aos votos. – o padre disse calmamente. Sasuke virou-se para mim e segurou minha mão.
–– Eu, Sasuke, recebo você, Sakura, como minha esposa. – eu sentia como se, a qualquer momento, eu fosse desmaiar. – E prometo estar contigo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-te, respeitando-te, sendo-te fiel, todos os dias de minha vida, até que a morte nos separe.
–– Eu, Sakura, recebo você, Sasuke, como meu esposo. – eu o olhava, mas o que eu dizia parecia sair de outra boca e não da minha. – E prometo estar contigo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-te, respeitando-te, sendo-te fiel, todos os dias de minha vida, até que a morte nos separe.


Sasuke segurou minha mão colocando a aliança eu meu dedo anelar. Peguei a aliança da almofada da dama de honra e, tremendo, coloquei a aliança no dedo de Sasuke.


–– Pode beijar a noiva. – Sasuke aproximou-se de mim e beijou-me delicadamente.