Lonely Girl

31 Capítulo 31


Abri os olhos lentamente e a primeira coisa que vi foi o fogo à minha frente. Ao fundo, eu vi as estrelas, já era noite e havia parado de chover, revelando um lindo céu. Eu estava deitada no chão em cima de alguns panos, o cobertor em cima de mim me protegia.


Sasuke não estava em nenhum lugar no meu campo de visão. Levantei-me e peguei minhas roupas que já estavam mais secas e me vesti. Apesar de não estar mais chovendo, o vento da noite era gelado. Olhei pela velha janela e, ao longe, vi Sasuke na estrada, ele devia estar trocando o pneu do carro.


Aos poucos, as lembranças de algumas horas atrás voltaram à minha mente, de certa forma, eu devia dizer obrigada a ele, mas eu não tinha a mínima vontade de fazer isso.


O caminho até a estrada estava escuro, mas, reunindo toda a minha coragem, caminhei até lá. Quando cheguei, Sasuke havia terminado de trocar o pneu do carro, fiquei aliviada por poder sair dali.


–– Podemos ir embora agora? – eu perguntei como se nada houvesse acontecido.
–– Sim. – mais uma vez, ele me respondeu friamente.


(...)


Assim que cheguei em casa, tomei um banho demorado, me arrumei e fui visitar minha mãe, já fazia algum tempo que eu não a via. Nem me importei em falar com o Sasuke, em relação a ele, rolava um misto de sentimentos dentro de mim, às vezes eu o amava, outras, o odiava. Isso estava virando uma bagunça para mim.


–– Onde esteve? – minha mãe me perguntou, assim que me joguei no sofá do apartamento.
–– Fui visitar a Ino. – ela sentou-se no outro sofá. – Ela vai casar com o Gaara e está grávida. É tão lindo.
–– Pelo menos uma casando por amor. – minha mãe me jogou uma indireta, que mais pareceu direta mesmo.
–– Fico feliz por ela. – liguei a TV. – Ela vai ser feliz.
–– Eu também queria que você fosse.
–– Mãe, eu vou ser feliz contando que você fique boa. – eu suspirei. – Está indo ao tratamento no Saint Margaret’s?
–– Sim. E está dando certo. Estou me sentindo bem melhor. – fiquei aliviada por isso, pelo menos, assim tudo o que eu havia feito não estava sendo em vão.


Senti meu celular vibrar, olhei no visor e era uma mensagem da Ana.

“Amanhã é a semana de moda, vamos comprar umas coisas para amanhã?”

“Sem ânimo, mas te faço companhia.” Eu respondi a mensagem dela.


–– Eu tenho que ir agora, qualquer coisa, me liga.
–– Tudo bem, se cuida.


Depois de me despedir da minha mãe, fui encontrar Ana. Eu não me sentia nem um pouco animada para qualquer tipo de festa e o pior é que talvez eu tenha que ir mesmo contra a vontade. Agora que eu era casada com o Sasuke, eu tinha que aparecer nesses eventos.


Encontrei com Ana em uma das lojas da 5ª Avenida e ela me obrigou a comprar um vestido para o evento de amanhã.


–– O que você tem? – ela finalmente perguntou.
–– Eu fui visitar a minha amiga. – suspirei. – Ela está muito feliz. Vai casar com o cara que ela ama e vai ter um filho.
–– Quer ter um filho? – Ana riu.
–– Não é isso. – não pude deixar de sorrir. – É só que eu percebi que eu talvez não tenha essa felicidade, uma família de verdade, sabe? Ainda estou presa ao Sasuke por mais um ano e dez meses. – sim, eu já estava nessa farsa por dois meses, que parecia uma eternidade.
–– Eu entendo, mas, quando isso acabar, você vai poder ter uma família de verdade... Pelo menos, eu acho. – ela pegou um vestido e colocou na frente de seu corpo, enquanto se encarava no espelho.
–– Pelo menos, Madara ainda está fora da cidade.
–– Estava! – encarei-a. – Ele chegou ontem, é bom se preparar.
–– É... – a imagem de Madara me veio à cabeça, era impossível esquecer como ele era extremamente lindo, isso devia ser de família.


(...)


Na noite seguinte, me arrumei com o vestido que eu havia comprado (n/a: Para ver o vestido, clique aqui.). Ana sempre escolhia modelos que caiam perfeitamente em mim. Fiz uma maquiagem escura, arrumei o cabelo e passei um gloss.


Marquei de me encontrar com Ana no lugar do evento. Durante todo o dia, eu não havia visto Sasuke, então fui sozinha mesmo.


–– Que arraso! – Ana gritou assim que me viu.
–– O seu também está um arraso. – ela usava um vestido curto vermelho, com as costas nuas.
–– Que mulheres lindas. – eu conhecia muito bem aquela voz aveludada. Madara Uchiha. – Os maridos de vocês são loucos de deixá-las só. – Ana sorriu.
–– Concordo, Madara. – às vezes, ela parecia odiá-lo e, em outras, simpatizava com ele. Eu conhecia algo semelhante. – Vamos entrar logo, os fotógrafos estão me cegando.


Havia um tapete vermelho onde os convidados entravam para a festa, ao lado, vários fotógrafos disputando pelo melhor flash. Madara me abraçou de lado quando um fotógrafo se aproximou pedindo uma foto e saímos parecendo um casal.


Sentamos na segunda fileira para o desfile da Prada. Havia várias celebridades ali e pessoas importantes. Ana estava tão empolgada, que estava visível na face dela e, também, pelo fato dela não ter percebido que Madara estava sentado ao meu lado.


–– Vê aquela ruiva do outro lado da passarela? – ele sussurrou em meu ouvido.
–– Acho que ela pegou o buquê no casamento. – sim, era ela mesma.
–– Bonita, não é? – onde ele estava querendo chegar?
–– É sim. – eu disse desconfiada.
–– Sasuke também acha. – olhei-o sem entender nada.
–– O que quer dizer?
–– Ela é a amante do Sasuke. – ele me deu o golpe final. Eu nem acreditava que ele tinha convidado aquela mulher para o NOSSO casamento, certo que é de mentira, mas isso é demais. – Lógico que eu prefiro você. Meu sobrinho é muito idiota mesmo.


Permaneci calada, eu não tinha forças para dizer nada. Aquela ruiva era mil vezes melhor do que eu... Espera. O que ‘tô falando? Ele que fique com ela. A quem eu ‘tô enganando? Eu não quero isso, não quero ser uma mulher traída. Não posso ficar aqui sentada sem fazer nada.


–– Você pode pagar na mesma moeda. – ele sussurrou mais uma vez com aquela voz aveludada.
–– Quem é o cara ao lado dela? – referi-me ao senhor bem de idade que segurava a mão dela.
–– O noivo, alguém que ela, com certeza, vai dar o golpe. – ele sorriu. – Está na cara que o velho ‘tá com o pé na cova. – nunca me imaginei conversando amigavelmente com Madara, e isso não era tão mal assim.
–– Que safada.
–– Você é bem controlada para uma mulher traída. – ele ironizou.
–– Eu não preciso de uma ceninha agora. – aconcheguei-me na cadeira. – As coisas acontecem nos bastidores.
–– Você me fascina. – eu fingi não escutar isso. Madara era simplesmente sedutor, era difícil ficar perto dele.