Lonely Girl

21 Capítulo 21


Enquanto eu descia as escadas, senti que vários olhares me seguiam. Agradeci mentalmente por Brian e Ana se encontrassem ao pé da escada


–– Está tudo bem? – Brian parecia preocupado.
–– Está sim. Por quê?
–– Vimos Madara subindo. – Ana respondeu pelo marido. – Ele e Sasuke não se dão nada bem. Ele ama derrubar o sobrinho.
–– Percebi isso. – eu disse irônica.
–– Ele não a ofendeu, não é? – Ana parecia a ponto de ter um ataque histérico.
–– Não, na verdade, foi bem gentil.
–– Era de se esperar. – Brian tomou um gole de champanhe. – Aquele sujeito é capaz de tudo pelo o que quer. – ele colocou a taça na bandeja do garçom que passava. – Vou falar com Sasuke.
–– Ana. – chamei-a, assim que Brian sumiu de visão no alto da escada. – Madara é tão ruim assim?
–– Tão quanto é extremamente sexy. – ela olhou para Madara que estava no centro do salão. – Ele gosta de ter tudo que o Sasuke tem. Há uma rixa entre os dois, principalmente depois que o testamento de Fugaku foi aberto. – ela pegou duas taças de champanhe e me entregou uma. – É bom você ficar esperta com ele.
–– Vou ficar. – olhei-o mais uma vez. Não se podia negar, ele era estonteantemente sensual, assim como Sasuke. – Mas não se pode negar, é muito sexy.
–– Nem me diga, minha amiga. – ela tomou outro gole. – E como ele é bom de cama. – engasguei-me quando ela disse isso.
–– Vocês já...? – ela riu da minha cara chocada.
–– Foi há muito tempo, antes de Brian. – ela parecia se afundar nas lembranças. – Ele sabe envolver uma mulher quando quer. Por isso eu digo, tome cuidado com ele. – ela me olhou profundamente e me puxou para um canto. – Sakura, não quero ser indiscreta, mas... Você é virgem?
–– E-Eu... – eu tive uma crise de risos. – Claro que...
–– Sim. – ela completou. – Que Deus te proteja nesse meio em que está entrando.
–– Você está me assustando. – ela parecia ficar cada vez mais bêbada.
–– Eu preciso de outra dessa. – ela me deixou só e saiu em busca de mais champanhe.


E eu pensando que seria fácil, que seria apenas aguentar Sasuke por dois anos. Agora eu também teria que aguentar o tio dele fazendo de tudo para derrubar o nosso casamento.


–– Onde está meu amado sobrinho? – ouvi a voz de Madara vindo de trás de mim, e bem próxima, por sinal.
–– Está lá em cima. – tentei aparentar que eu estava calma, mas eu estava em pânico.
–– Nervosa? – ele parecia me ler totalmente. Parecia que qualquer mentira, ele descobriria.
–– Claro que não. – eu sorri falsamente.
–– Que bobo o meu sobrinho, deixar a noiva linda sozinha assim. – ele me olhou nos olhos.
–– Tem razão, tio. – por incrível que pareça, me senti aliviada com a chegada de Sasuke. – Mas eu já estou aqui.
–– Que pena... Digo, que bom. – Madara era extremamente cínico. Estava me flertando descaradamente na frente de Sasuke.
–– Eu não quero ver você perto da minha noiva. – Sasuke estava perdendo a compostura.
–– Sasuke! – Brian alertou.
–– Com licença. – Sasuke me guiou para longe do tio. – O que ele queria?
–– Perguntou por você.
–– Só isso?
–– Sim. – ele pareceu mais aliviado. – Seu tio me assusta. – eu confessei.
–– Não confie nele. – ele olhou por cima do ombro para o tio.


Sasuke apresentou-me a todos os convidados que estavam no coquetel e quando nós terminamos, eu estava exausta. Nós mal tínhamos parado e Sasuke me puxou para a pista de dança, onde tocava uma música lenta. Tentei não ir, mas ele me arrastou assim mesmo.


–– Estão todos olhando. – com todos, ele queria dizer Madara. – Não parecemos um casal, sabia?
–– É porque não somos. – eu disse olhando para Ana, que estava sendo praticamente carregada por Brian.
–– Então podemos, pelo menos, fingir melhor. – ele me puxou com força para perto dele, colando nossos corpos. – Madara é um gênio em descobrir farsas. Se ele descobre que esse casamento é falso, eu perco tudo.
–– Não só Madara nota o meu desprezo por você. – parecia que eu havia dado uma bofetada na cara do Sasuke pela cara que ele fez.
–– Então finja. – ele disse entre dentes, pressionando-me mais forte contra ele. Ele afastou o meu cabelo e beijou o meu pescoço de leve, deixando-me arrepiada. – Isso te arrepia? – ele sorriu em meu ouvido. Eu não disse nada. Ele beijou mais uma vez de leve o meu pescoço e acariciou as minhas costas.


–– Já chega. – o empurrei de leve, e saí em direção ao jardim.
–– Parece que sua mulher não gosta que você toque nela. – escutei Madara falar assim que Sasuke passou por ele.
–– Não é da sua conta. – Sasuke soltou-se do tio, que segurava em seu braço, e veio em minha direção.


(...)


Respirei o ar puro daquela noite fria. Meus nervos estavam à flor da pele. Eu não gostava muito de confraternizações; muito menos quando eu era o centro das atenções.


–– Te deixo tão nervosa assim? – Sasuke me abraçou por trás. – Madara está desconfiado.
–– Me solte. – eu disse calma.
–– Aprenda a lidar com isso. Para todos aqui, somos um casal. – ele afastou meus cabelos. – É estranho você se afastar sempre que te toco. – ele beijou meu pescoço e eu suspirei profundamente, mas dessa vez ele não percebeu.
–– Não precisamos de demonstrações públicas exageradas. – eu tentei controlar meu tom de voz. Ele me deixava fraca.
–– No mesmo ambiente que Madara, sim. – ele me virou para ele, ficando muito perto e eu me inclinei para trás. – Eu vou te levar para casa.
–– Eu posso ir sozinha.
–– Eu disse que eu te levo. – ele disse autoritário.


(...)


Quando cheguei em casa, minha mãe ainda estava acordada. Eu apenas disse que tinha sido divertido e fui para o meu quarto.


Joguei-me na cama pensando naquela noite, não acreditando que eu ainda era tão vulnerável a ele. O pior era que era tarde para desistir de tudo, então eu tinha que ir até o final.


Na manhã seguinte, acordei cedo. Eu precisava procurar, o quanto antes, um bom hospital para levar minha mãe. Depois do café da manhã, fomos até um dos hospitais no centro.


–– Eu já acertei tudo. – eu voltava da recepção. – Os exames e o tratamento.
–– Não acho que seja... – eu a olhei. – ‘Tá bom.
–– Eu preciso ir agora, preciso fazer o teste do vestido.
–– Ainda tem tempo de desistir. – ela tentou me animar.
–– Não, mãe, não tem mais tempo. – eu suspirei. – Bem, eu vou indo.


Eu saí do hospital e fui até a loja de noivas a pé mesmo, já que o hospital não ficava muito longe. Enquanto eu caminhava, percebi que eu nunca tinha reparado como a paisagem daquela cidade era linda. Bom, se olhasse o lado rico, ficaria encantado mesmo. A 5ª Avenida era simplesmente linda; as lojas, os carros, as pessoas, tudo.


–– Senhorita? – um homem vestido de terno preto me parou. – Me acompanhe.
–– O-O quê? – eu nem terminei de falar e o homem segurou em meu braço e me empurrou para dentro de uma limusine. – Madara? – sim, o tio de Sasuke estava dentro da limusine.
–– Desculpe por isso. – ele sempre usava esse tom de voz sedutor. – Mas eu precisava mesmo falar com você.
–– Comigo? – sentei-me o mais longe possível dele. – Aconteceu alguma coisa com o Sasuke?
–– Não. – ele sorriu. – Na verdade, eu queria te ver. Desde ontem, estou encantado com você. Meu sobrinho tem muita sorte.
–– Ah, obrigada. – bem que Ana me avisou, quando ele quer uma coisa... – Bem, se é só isso, eu preciso ir.
–– Espere! – ele segurou meu braço antes que eu saísse. – Que tal nós darmos... Uma volta?
–– Não, obrigada. – eu sorri. – Estou atrasada para a prova do vestido. Então, com licença.


Abri a porta da limusine e saltei para fora como se uma fera estivesse lá dentro. Na verdade, havia uma chamada Madara Uchiha.


Cheguei à loja super atrasada, mas, depois da minha pequena apresentação de ontem, as portas das lojas se abriram facilmente para a noiva de Sasuke Uchiha. Perdi a conta de quantas funcionárias vieram me atender; cada uma com vestidos diferentes nas mãos, sapatos e tiaras.


–– Ana? – liguei para ela. – Ocupada?
–– De ressaca. – ela sorriu do outro lado da linha.
–– Preciso da sua ajuda com o vestido de noiva. Pode vir até aqui, se não for incômodo?
–– Claro. Estou com tédio.