Loki and Jane, When I first saw you
7 Capítulo 6 O baile
Notas iniciais
O sol já estava se pondo em Vanaheim, Sigyn estava sozinha em seu quarto. A jovem estava perdida em meio a sua leitura, já conformada com o fato de não poder ir ao baile, quando ouviu batidas na porta. A princesa desviou os olhos do livro que estava lendo e viu sua mãe parada diante de si.
—-Tome um banho, vou mandar Isys vir ajudá-la a se vestir. Iremos ao maldito baile. Disse Verdandi cuspindo as últimas palavras.
A deusa do destino viu um brilho nos olhos da filha, Sigyn estava simplesmente radiante com a notícia. Aquilo incomodou a deusa profundamente, sabia que a alegria da filha não tinha muito a ver com a festa e sim com a presença do falso asgardiano.
—-Como quiser. Respondeu Sigyn com a cabeça baixa.
—-Já vou avisando, nem pense em se aproximar de Loki. A rainha advertiu segurando a filha pelo braço com força, fazendo com que ficasse a marca de seus dedos.
A jovem apenas assentiu com a cabeça. Sigyn queria muito ser a filha perfeita, gostava de agradar sua mãe, mas a deusa do destino era sempre tão exigente. Nada a deixava feliz, por mais que Sigyn tentasse nunca era boa o bastante aos olhos de Verdandi. A princesa queria poder se afastar de Loki e obedecê-la, mas sua atração pelo deus era algo sem explicação. Apenas Verdandi sabia porque sua filha não conseguia ficar longe do jotun e Frigga também entendia. As duas compartilhavam um segredo, algo que ambas guardavam a sete chaves.
Isys ajudou Sigyn a se vestir, propositalmente a princesa trajava um vestido verde claro, sabia que era a cor preferida do deus. Seu vestido era longo, cravejado com pequenas esmeraldas na parte superior, tinha um laço verde musgo logo abaixo do busto. Seus cabelos estavam elegantemente presos em um belo coque, trazia do topo de sua cabeça uma delicada coroa de brilhantes, que combinava com seu colar e brincos.
A jovem estava simplesmente deslumbrante, mas parecia não se dar conta de sua beleza. Era sempre tão tímida e se sentia inferior perto das outras jovens. Na infância era uma criança muito feia e crescera com alguns complexos.
—-Finalmente está pronta. Venha logo! Esbravejou Verdandi. Sigyn abraçou Isys e partiu com os pais.
Em Asgard o salão estava belíssimamente decorado, todo lugar estava enfeitado com faixas verdes e vermelhas. Havia uma enorme mesa disposta logo após o salão de dança. Na mesa havia muito hidromel e bandejas com carne de veado e javali assadas. Quase todos os convidados já estavam no salão. Loki andava impacientemente de um lado para outro, não parava de olhar para a porta principal.
—-Acalme-se, tenho certeza que ela virá. Disse Frigga, lançando um sorriso de cumplicidade para o deus.
A deusa não fazia a menor idéia das verdadeiras intenções do filho. Achava que Loki estava apaixonado por Sigyn, a rainha era uma romântica incurável e faria de tudo para incentivar aquele amor. Naquele momento todos olharam em direção a grande porta de entrada, observando a chegada da realeza de Vanaheim. Era impossível não dar ao menos uma olhada para a princesa, ela estava estonteante. Sigyn corou ao perceber que todos do salão olhavam em sua direção, a princesa não teve coragem retribuir os olhares.
—-Você ficou muito magra nesse vestido. Arrume sua postura e sorria, Frigga e Thor estão vindo em nossa direção. Ordenou a deusa do destino, em seu habitual tom ríspido. Njord era sempre comandado por sua esposa, o rei não tinha voz ativa para nada. Deixava todas as decisões importantes por conta de Verdandi, inclusive a criação de Sigyn.
—-Que bom que vieram. Disse Frigga dando um abraço na deusa do destino, em seguida a mãe de Thor cumprimentou Njord.
—-Se me permite. Disse Thor dando um beijo na mão da princesa. Verdandi não pode conter sua alegria ao ver o gesto.
—-O que acha de tirar minha filha para dançar. A deusa do destino falou se dirigindo a Thor. Loki observava toda a cena de longe, o trapaceiro foi até o canto onde Sif se encontrava.
—-Por que não vai até lá e mostra a Verdandi que o deus do trovão já tem dona. Disse Loki, sibilando como uma cobra. Sif olhou para Loki e ergueu uma sobrancelha.
—-É exatamente isso que vou fazer. Lady Sif cruzou o salão apressada e interrompeu a conversa bruscamente. Loki seguiu a deusa da guerra.
—-Ainda me deve uma dança, não me deixe esperando. Sif falou para Thor, lançando um olhar de desprezo para Sigyn. A vanir nem percebeu a encarada da guerreira, pois estava olhando em outra direção. Thor e Sif resolveram não dançar, foram para um lugar mais reservado.
—-Sejam muito bem vindos a terra de Odin. Falou Loki, lançando um sorriso debochado para Verdandi.
—-Obrigada. Respondeu a deusa, apenas por educação.
—-Sigyn, você está ainda mais bela essa noite. Disse o trapaceiro dando um beijo terno na mão da princesa.
—-Obrigada. Respondeu Sigyn com a voz baixa.
—-Dance com ela Loki. Disse Frigga, parecendo bastante entusiasmada.
—-Não, ela não está se sentindo muito bem hoje, está com um pouco de dor de cabeça. Só viemos por uma mera formalidade. Não é mesmo Sigyn? Respondeu a rainha de Vanaheim, em uma tentativa desesperada de afastar sua filha, do deus da trapaça.
—-Não seja indelicada, meu filho é um ótimo dançarino e não vai tirar nenhum pedaço da moça. Frigga insistiu.
A rainha de Asgard pegou a mão esquerda de Sigyn e depositou carinhosamente sobre a mão direita do filho. A rainha de Vanaheim nada pode fazer, pois havia uma hierarquia informal entre os deuses e a esposa do pai de todos, estava acima da deusa do destino. Sigyn lançou um olhar para mãe, pedindo permissão. A deusa apenas assentiu com a cabeça. Loki conduziu a princesa para o centro do salão.
O deus colocou sua mão esquerda na cintura da vanir e a puxou para mais junto de si. O coração de Sigyn batia acelerado, ela olhava no fundo das orbes verdes do deus. Naquele momento estava totalmente entregue, ignorava todos ao seu redor. A jovem esqueceu até mesmo a presença de Verdandi e descansou sua cabeça no ombro de Loki, estavam dançando uma música lenta e romântica. O deus respirou fundo e sentiu o perfume dos cabelos da princesa, que tinham perfume de jasmin.
—-Deixe a porta do seu quarto destrancada essa noite. O trapaceiro sussurrou no ouvido da moça. Aquela não seria a primeira vez que o deus entraria nos aposentos da princesa, mas a jovem sentiu algo de diferente na voz do trapaceiro, uma certa urgência.
—-Estarei a sua espera. Respondeu Sigyn encarando Loki, no fundo dos olhos, se perdendo em meio aquele verde mar.
Sigyn estava com a guarda baixa, sem nenhum tipo de defesa contra a malícia do trapaceiro. O deus segurou o rosto da jovem entre suas mãos, e a beijou ternamente, era um beijo lento e intenso, cheio de sentimento. Sigyn não se importou com nada, nem mesmo com o fato de Verdandi estar observando-os, se rendeu totalmente ao beijo do deus, ali diante de todos. Frigga deu um meio sorriso ao ver os dois juntos.
Verdandi cruzou o salão o mais depressa que pôde, a deusa puxou Sigyn pelo braço. A deusa saiu arrastando a jovem em direção a porta, antes de ir a jovem segurou a mão de Loki com toda sua força. Mas Verdandi insistiu em afastá-la do deus, enquanto puxava a princesa, os dedos de Loki foram deslizando pelas mãos de Sigyn, fazendo com que uma lágrima rolasse pelo rosto da jovem.
Todos pararam para olhar a cena, Verdandi arrastou a filha pelo braço até a saída, a princesa não ofereceu mais resistência e seguiu sua mãe. Loki ficou observando as duas se afastarem e pensou. "A noite está apenas começando. Velha maldita!"
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