Loki and Jane, When I first saw you
3 Capítulo 2 As armadilhas do deus da trapaça
O jotun ouviu uma batida na porta, interrompendo seus pensamentos.
—-O jantar está pronto. Gritou Jane.
—-Eu já vou descer. Respondeu Loki. Em seguida o deus se dirigiu para a sala de jantar e sentou-se a mesa. O príncipe ficou mexendo na comida com o garfo. A aparência e o cheiro da refeição não abriram seu apetite.
O jantar foi bastante silencioso, Jane não conseguia evitar o medo que sentia do deus. Loki era bastante assustador, seu olhar inexpressivo, a seriedade de sua voz, além de ser um completo estranho. A midgardiana considerava Loki uma bomba relógio, prestes a explodir, ela estava pisando em ovos. Sabia do potencial agressivo e assassino do jothun.
—-Está com medo de mim... Jane? Perguntou Loki, olhando nas orbes da humana. A midgardiana arregalou os olhos, parecia que deus lera sua mente. O trapaceiro não tinha esse dom, mas havia aprendido a interpretar as expressões faciais dos humanos.
—-Por que está me perguntando isso? A jovem estava muito assustada com a percepção do príncipe.
—-Não respondeu a minha pergunta. Loki não tirava os olhos de Jane. O deus usava seu habitual tom frio e calmo.
—-Estou. Admitiu a jovem, era inútil negar.
—-Não precisa me temer, jamais lhe faria mal. Respondeu Loki. Passaram o resto do jantar sem nada dizer, aquele diálogo deixou o clima absolutamente tenso.
—-Vou voltar para o meu quarto. Disse o jothun, quebrando o silêncio.
—-Boa noite. Disse Jane, aliviada por ficar sozinha novamente.
—-Boa noite. Respondeu Loki.
O deus da trapaça tomou um longo banho, no artefato estranho que respingava gotas de água, sentiu falta dos longos banhos de banheira, que o ajudavam a organizar seus pensamentos.
O deus deitou em sua cama e mais uma vez lembrou de Sigyn: “Depois do beijo o deus não procurou pela princesa. Loki sabia exatamente o que estava fazendo, havia despertado uma certa curiosidade na jovem. Ficaria um ou dois dias sem vê-la, pois, ela certamente estava esperando que o deus continuasse perseguindo-a, ele faria exatamente o oposto. Um pouco de rejeição sempre desperta interesse. Durante o café da manhã Sigyn, olhava de um lado para outro procurando pelo deus, queria confrontá-lo, saber por que ele havia lhe beijado.
—-Está procurando alguém? Perguntou Verdandi, se dirigindo a filha. A garota fora pega de surpresa pela pergunta da mãe.
—-A senhora está aqui. Estava a sua procura mamãe. Respondeu a jovem desboçando um sorriso sem graça.
Verdandi tinha mais de quinhentos anos, era experiente e esperta o bastante para perceber que a filha estava mentindo. A deusa só não sabia o que Sigyn estava lhe escondendo. Durante o jantar a cena se repetiu, Sigyn novamente percorreu toda a sala com seu olhar e ficou decepcionada por não encontrar o deus.
Dessa vez Loki estava a mesa, mas havia tomado a forma de Thor, com o consentimento do deus do trovão, pois o loiro estava se divertindo com Sif. Naquela época Loki e Thor eram bastante próximos, antes do moreno descobrir que não era filho do pai de todos e seu mundo inteiro desabar.
O deus da trapaça observava a expressão aflita da jovem, com um sorriso nos lábios. Após o jantar a princesa voltou para o seu quarto, estava triste por não ver o deus. Na manhã seguinte Sigyn não foi tomar café, resolveu ficar em seu quarto. Dessa vez foi Loki quem ficou a procura da jovem sem encontrá-la a mesa. O sol estava brilhando no céu, o dia estava lindo. A vanir fora para o jardim, estava com um livro, sentada embaixo de uma árvore.
Era uma jovem solitária, nunca teve amigos, era reprimida pela mãe que a sufocava. Sigyn sempres fora quieta e tímida, parecia um animalzinho acuado, sempre assustada e tensa.
Loki se aproximou da princesa, que nem percebeu sua presença, estava concentrada em sua leitura. O deus puxou delicadamente o livro da mão da garota, que ergueu sua cabeça e cruzou com o olhar do jotun. A princesa não conseguiu conter um sorriso ao ver o trapaceiro diante de si.
—-Deixe-me ver o que está lendo. Disse Loki folheando as páginas.
—-Cultura midgardiana? Gosta mesmo de ler isso? Perguntou o deus espantado, imaginava que a jovem estivesse lendo um romance ou um conto de fadas. Combinava mais com ela.
—-Os midgardianos são muito interessantes. Respondeu a princesa.
—-São uns bárbaros, mentalmente inferiores a nós. Disse Loki com seu ar de superioridade habitual.
—-Talvez, mas isso porque o tempo está a nosso favor, fica difícil de evoluir quando se tem no máximo cem anos de vida. Quando os midgardianos começam a adquirir sabedoria e experiência, morrem. Por um momento Sigyn esqueceu que estava conversando com o deus no jardim, onde qualquer um poderia vê-los.
A princesa olhou para os lados, para ver se alguém estava os observando. Loki pensou que talvez ela não fosse tão tola como ele imaginava. As mulheres de Vanaheim, Asgard, Alfheim... costumavam ser fúteis e superfíciais, só sabiam falar sobre vestidos, jóias e outros assuntos totamente desinteressantes aos olhos do deus. O jothun percebeu a apreensão da vanir.
—-Está procurando por sua mãe? Ela não está, foi acompanhar a caçada, assim como Frigga. Disse o deus sentando-se ao lado da jovem. As batidas do coração de Sigyn começaram a se acelerar, a proximidade do trapaceiro a deixava nervosa. Aquele era o momento certo para perguntar sobre o beijo, mas a princesa não tinha coragem para fazer tal questionamento.
—-Acho que devo voltar para meu quarto. Disse a princesa enquanto se levantava.
—-Se você for eu vou junto. Disse Loki dando um sorriso malicioso e puxando a vanir pela mão, para que voltasse a sentar ao seu lado. Sigyn achou melhor ficar ali, onde todos poderiam vê-los, ficar a sós com o deus em seu quarto seria muito perigoso e também indecente.
—-Você tem mãos muito bonitas. Disse Loki segurando a mão direita da jovem e acariciando-a.
—-Obrigada. Respondeu a princesa que corou um pouco e em seguida, puxou sua mão. Loki a deixava completamente desconcertada. O deus tirou um pequeno embrulho do bolso e voltou a pegar a mão da vanir. Dentro do pacote havia um belo anel com uma pedra verde. Loki colocou o anel cuidadosamente no dedo anelar da jovem e em seguida depositou um beijo terno na mão da moça, que sentiu que seu rosto estava quente, como se suas bochechas estivessem em chamas.
As batidas de seu coração se aceleraram ainda mais quando os olhos do deus cruzaram com os seus. Nesse momento Verdandi cavalgava em direção aos dois, a deusa chegou no exato momento em que Loki se enclinava para beijar os lábios da moça.
—-O que está havendo aqui? Perguntou a deusa, gritando descontroladamente.
—-Eu, eu... Disse Sigyn gaguejando, tentando responder a pergunta da rainha.
—-Com você eu me entendo depois. Entre e arrume suas coisas, partiremos imediatamente. A jovem saiu cabisbaixa e entrou rapidamente no castelo.
—-E você, o que pensa que está fazendo? A deusa questionou Loki.
—-Do que está falando? Perguntou Loki, usando o tom mais inocente que conseguiu, como se realmente não fizesse a menor idéia do assunto abordado pela deusa.
—-Não brinque comigo, trapaceiro. Só vou lhe avisar uma vez, fique longe de Sigyn, filho de L...Odin. Advertiu a rainha em um tom bastante ameaçador.
Havia três deusas do destino, sendo que as outras duas eram irmãs de Verdandi. A deusa do fututo, a deusa do presente e Verdandi, a deusa do passado. Ela sabia da origem de Loki e toda sua história, sabia que o deus era filho de Lafey e por pouco não cometera uma imprudência.
—-Não se preocupe, agora que vão embora eu não a perturbarei mais. Mentiu Loki, a deusa do destino havia tornado o jogo ainda mais interessante para o deus da trapaça, a brincadeira ficara muito mais divertida para ele.
—-Assim espero. Respondeu Verdandi, dando as costas para o jotun. O deus deu seu sorriso malicioso, enquanto a deusa se afastava.
"Essa vadia não perde por esperar" Pensou Loki, rindo ironicamente.”
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