Loki and Jane, When I first saw you
22 Capítulo 21 Nostalgia
Notas iniciais
Nas semanas seguintes Jane mergulhou de cabeça em seu passado. Passara alguns dias trancada em seu quarto, leu o diário incansáveis vezes. Dois trechos em especial, mexeram muito com a jovem, cada vez que os lia tinha alguns flashs de memória. Lembrou com detalhes da primeira vez que esteve frente a frente com Loki. Reviveu inclusive a sensação que tivera no momento em que seus lábios e os dele se encontraram, selando aquele amor que nem mesmo a morte pôde destruir.
(...) Estávamos todos a mesa, quando o moreno, irmão de Thor chegou. Ele usava uma roupa verde com detalhes dourados, trajava uma capa verde também, segurava seu elmo dourado na mão direita. Seus cabelos negros estavam perfeitamente penteados para trás. Ouvi alguém o chamando pelo nome, Loki. Ele se sentou do outro lado da mesa, em uma cadeira que ficava de frente para a minha.
Não estavamos muito próximos, mas enquanto ele conversava com Thor, fiquei o observando. Tinha uma postura elegante, uma expressão séria, mas volta e meia esboçava um sorriso travesso. Ele tem belos olhos verdes, traços faciais incrivelmente belos, seu rosto parece uma pintura. Me esforcei para ouvir sobre o que conversavam, mas todos falavam ao mesmo tempo.
Enquanto eu estava perdida em meus pensamentos, admirando aquela bela visão ele olhou direto para mim. Sei que meu rosto corou naquele momento, fiquei totalmente desconsertada, deixei um talher cair no chão. Eu tentava não retribuir aos olhares de Loki, mas sempre que me distraía, eu acabava fitando-o. Eu estava me sentindo tão envergonhada e desconfortável com aquela troca de olhares, não entendia o motivo. O rosto dele era inexpressível, indecifrável. Decidi inventar uma desculpa qualquer para me ausentar.(...)
(...) "Hoje fiz algo muito errado, sei que não é certo, mas por que não consigo me sentir culpada? Acho que não me sinto culpada porque me entreguei de corpo e alma, aquele não fora um ato pura e simplesmente carnal. Ninguém deve sentir-se culpado por expressar o amor que sente, um sentimento tão nobre e sublime de uma beleza celestial, que ultrapassa o limite do divino."(...)
(..) "E o que dizer da sensação que tive, quando me doei por inteiro aquele que amo? O toque delicado das suas mãos, explorando meu corpo, de uma maneira gentil, lenta de forma a intensificar cada contato. Nunca imaginei ter uma experiência tão marcante, quase como um rito de passagem. Antes era uma menina, agora uma mulher." (...)
Uma lágrima rolou pelo rosto de Jane, se pudesse voltar ao passado e consertar as coisas. Se soubesse a verdade, não teria pulado daquela sacada. A voz de sua mãe ecoava em sua mente, dizendo: "Loki está morto, m-o-r-t-o. Morto!"
O que mais a deixava revoltada em tudo isso era o fato de ter vivido uma mentira, sua vida toda a verdade fora acobertada, cresceu em uma ilusão. Ela não era humana, não se chamava Jane, nem mesmo o seu pai era o mesmo e sua mãe não era tão carinhosa e dedicada quanto parecia.
Em Nova Iorque...
Após um exaustivo dia de trabalho, repleto de cálculos e pesquisas, Darcy chegou em seu apartamento. A midgardiana abriu a porta, acendeu a luz e para sua surpresa, Loki estava parado em frente a porta. Ele a olhava com seu olhar inexpressivo, Darcy ficou paralisada.
—-Sua moradia é bem interessante. Disse Loki, com a voz carregada de sarcasmo. Darcy morava em um apartamento simples, no Queens. Diferente de Jane, a morena não nascera em um berço de ouro, costumava dar aulas de física em cursinhos para complementar sua renda.
—-O que..que está fazendo aqui? Perguntou Darcy, ela estava muito nervosa e a frieza da voz de Loki a assustou ainda mais.
—-Para onde Jane foi? Diga a verdade, não ouse mentir para mim. Disse Loki, se aproximando lentamente da midgardiana.
—-Ela foi para Itália.
—-Isso fica muito longe? Perguntou o asgardiano. Darcy apenas assentiu com a cabeça.
—-Vai ter que pegar um avião, sem contar que vai precisar de um passaporte e eles nem falam inglês... Ir até lá é uma péssima idéia.
—-Não pedi sua opinião, só quero saber como faço para chegar lá. O que é um passaporte? Perguntou o deus. Darcy correu até a sua bolsa e pegou o documento.
—-Isso é um passaporte. O deus analisou o documento por longos minutos e com o uso de magia criou uma cópia do mesmo.
—-Que que... vudu foi esse? Não vai me dizer que mexe com magia negra também? Ai meu deus, ai meu deus! Isso é demais para mim. Darcy andava de um lado para o outro, passando as mãos na cabeça. A morena pegou o passaporte das mãos de Loki.
—-Loki Foster? Fala sério. Tem também o probleminha da passagem aérea, que é muito cara. Darcy ficou pensando e em seguida pegou sua carteira. Pega isso aqui. Disse a morena, alcançando uma nota de cem dólares para o jotun. Loki criou algumas cópias da nota.
—-Pronto. Acho que agora não falta mais nada. Darcy queria mandá-lo para a Itália o mais rápido possível, não estava com a menor vontade de se tornar babá de um deus agressivo e com um forte instinto assassino, que ainda por cima era um foragido.
—-Vamos, você vai me levar até o tal aeroporto. Disse Loki dando as costas para a humana.
—-Claro. Mas antes de ir você não poderia copiar mais algumas notas dessas. Hoje é o dia do pagamento do meu aluguel e sabe como é...
—-Não ouviu o que eu disse? Vamos! Loki encarou Darcy com um ar de superioridade e não atendeu ao pedido da humana. Seguiram para o John F. Kennedy International Airport.
Muitas horas depois, na Toscana.
Jane estava lendo, sentada embaixo de uma árvore. Já se passara três semanas desde sua chegada na Itália, era meados de Junho, o início do verão italiano. Usava um vestido rodado, branco, estampado com pequeninas rosas vermelhas e folhas verdes, seu comprimento era um pouco acima do joelho, com alças finas. Seus cabelos estavam soltos, sendo iluminados pela luz do sol, dando um tom quase dourado aos fios. Fechou os olhos sentindo a brisa quente, típica daquela região.
Aquele lugar trazia muitas lembranças a sua mente, lembranças de um tempo em que sua vida era simples e feliz. Repentinamente Jane percebeu uma sombra, algo estava bloqueando a luz do sol, ergueu a cabeça e viu o deus. Jane não estava preparada para aquele reencontro, não depois de ter recordado todo o seu passado. O jotun estendeu sua mão para ajudar a jovem a se levantar.
Ficaram frente a frente, a midgardiana olhou nos olhos do deus e em seguida desviou o rosto, abraçando Loki. Abraçou o deus com toda sua força, como se não fosse soltá-lo nunca mais. Ela o encarou com um brilho triste nos olhos. A jovem acariciou o rosto do asgardiano, que pegou a mão dela e depositou um beijo.
—-Que bom que veio. Disse Jane, com a voz suave, que mais parecia um sussurro.
—-Vim porque não consigo ficar longe de você. Loki havia passado semanas sem procurar a jovem até que decidiu ir até o apartamento de Darcy, pois estava com seu orgulho ferido, Jane comparou ele com Thor e o havia agredido. Loki se perguntava se Jane e Sigyn realmente eram a mesma pessoa, talvez ele estivesse apenas se iludindo, pois as atitudes da humana não condiziam com a personalidade daquela que ele sempre amou.
A verdade é que Jane fora criada em um mundo onde pessoas tão boas e altruístas como Sigyn não têm vez, embora tenha sido criada com conforto que o dinheiro pode proporcionar, amor e carinho, Jane pode ver de perto a crueldade das ruas de Nova Iorque. A jovem fora obrigada a se moldar ao ambiente.
—-Jane eu... Antes que o deus terminasse a frase a humana o interrompeu.
—-Por favor, me chame de Sigyn. Loki sorriu ao ouvir aquelas palavras.
—-Você mudou tanto. Disse o deus, passando seu polegar pelo lábio inferior da humana.
—-Você também. Sinto falta do Loki que conheci em Asgard.
Disse Jane, acariciando o rosto de seu amado, o deus fechou os olhos sentindo o suave toque da midgardiana. Loki sentia falta da garota tímida e inocente que conhecera há anos atrás, mas ele também havia mudado. O jotun nunca fora a pureza em pessoa, mas era alegre, apaixonado, intenso. Se transformara em alguém rancoroso, desde que Sigyn partira, o amor que sentia pela jovem foi substituído por ódio, inveja e um desejo incontrolável de vingança.
—-Se me ajudar eu posso voltar a ser o mesmo. O deus acariciou o rosto de Jane e pressionou seus lábios contra os dela. Era um beijo lento, terno e ao mesmo tempo apaixonado e cheio de desejo.
Quando finalmente afastaram os lábios, Jane teve um mal súbito. Sentiu que tudo estava rodando, um calafrio percorreu seu corpo, como se estivesse com febre. Estava pálida, ela lançou um olhar melancólico para o deus.
—-Loki... eu te amo. Jane fechou os olhos lentamente, deixando seu livro cair no chão. O deus a pegou no colo, evitando que ela caísse e tentou reanimá-la, sem sucesso.
—-Sigyn, Sigyn... Não! Por favor. Não!
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