Loki and Jane, When I first saw you
20 Capítulo 19 Sob o sol da Toscana
Notas iniciais
—-Darcy, o que eu devo fazer? O que você faria em meu lugar? Perguntou Jane, após ter contado todo o seu dilema para a amiga.
—-Eu iria aproveitar... um dia com Thor, outro dia com Loki. Darcy olhou para cima, como se estivesse imaginando a situação.
—-Estou falando sério. Como pode brincar com uma coisa dessas? Jane lançou um olhar repreensivo para a morena.
—-Então está bem, quer saber o que eu faria de verdade? Terminaria com toda essa palhaçada. Está na cara que você não quer casar com Thor, só está fazendo isso porque é a vontade da sua mãe. Thor é um cara muito bacana, não merece ser enganado. Se não quer casar deve dizer isso a ele de uma vez por todas, antes que seja tarde demais. Você está sempre tentando agradar todo mundo e esquece de si mesma. Pelo menos uma vez na vida, faça o que tem vontade. Nesse momento a campainha tocou, era Thor. Darcy abriu a porta.
—-Thor! Estavamos falando de você agora mesmo. O deus do trovão apertou a mão da morena, cumprimentando-a.
—-Espero que tenham falado bem. Disse Thor, esboçando um sorriso.
—-Claro. Respondeu Darcy.
—-Bem, eu vou indo nessa, tchau. Disse Darcy, que foi totalmente ignorada por Thor e Jane, a morena bufou e foi embora.
O deus deu um longo abraço em Jane que retribuiu, pouco a pouco o carinho que Jane sentia por Thor se tornava algo fraternal, Jane não sentia mais desejo ou atração pelo deus.
—-Precisamos conversar Thor. No fundo o asgardiano já sabia o conteúdo da conversa. A humana pegou o deus pela mão e o conduziu até o sofá da sala. A midgardiana sentou-se e fez um gesto com a mão para que o deus sentasse também.
—-Eu não me sinto preparada para o casamento. Estou muito confusa, preciso de um tempo para pensar. Jane estava se sentindo mais aliviada em finalmente falar sobre suas angústias com Thor.
—-Ultimamente você tem andado muito estranha, sei que há algo muito errado acontecendo. Sei que não me ama mais como antes, nem parece a mesma. Me diga o que está havendo. Thor parecia estar muito aflito, um amor como o deles não acaba de uma hora para outra. O deus se perguntava qual o motivo de tanta mudança.
—-Esse é o problema, nem eu sei o que está acontecendo. Preciso ficar só, tenho que colocar minha cabeça no lugar. Jane carregava um fardo muito grande sozinha, se sentia extremamente culpada por fazer Thor sofrer e principalmente por estar enganando o deus.
—-Você quer um tempo? Eu posso esperar... Thor olhava para Jane, com um olhar suplicante.
—-Não Thor, a verdade é que isso jamais daria certo. Você é um deus, eu sou uma humana, frágil, mortal...cedo ou tarde eu vou morrer e antes disso vou ficar velha e decadente enquanto você continuará jovem e belo. Vai chegar um dia em que vai me olhar com piedade e vai ficar ao meu lado apenas por pena. Uma lágrima rolou pelo rosto de Jane. Thor refletiu sobre as palavras da humana, sabia que ela tinha razão. O deus limpou a lágrima do rosto de Jane com seu polegar.
—-Eu seria capaz de abdicar a imortalidade por você. De que me adianta viver por quatro ou cinco mil anos se você não estará ao meu lado. Disse o asgardiano, olhando no fundo dos olhos de Jane.
Thor fez com que ela se sentisse ainda pior, o deus era tão nobre, bom e a amava acima de tudo. Era um amor puro, sublime e altruísta. Mas mesmo assim ela estava ligada ao deus da trapaça para sempre e seria muito duro se afastar de Loki, porém Jane havia tomado uma decisão. Não ficaria ao lado de nenhum dos deuses, ela havia refletido sobre toda a situação e chegou a conclusão que se afastar de ambos seria o melhor a todos.
—-Somos de mundos diferentes Thor, você mesmo me disse que pretende governar Asgard, eu não estou disposta a acompanhá-lo. Na verdade Loki havia dito isso a ela, sob a forma de Thor.
—-Eu nunca disse isso. Também abdicaria do trono por você. Ao ouvir as palavras do asgardiano, Jane pareceu ter levado um forte golpe, lembrou de quando Thor lhe disse que antigamente Loki costumava tomar sua forma. A humana levou a mão a cabeça, era como se o chão se abrisse diante de si. Thor percebeu a estranha reação de Jane.
—-Você realmente está confusa. Só peço que reflita sobre o que eu lhe disse. A expressão do asgardiano era de pura dor. Thor deu um beijo na testa de Jane e partiu.
A humana ficou processando tudo o que havia acontecido. Jane percebeu que fora enganada por Loki. A midgardiana jogou um vaso contra a parede e levou as mãos a cabeça, o desespero tomara conta de si. Chorava compulsivamente. A jovem se recompôs, enxugou suas lágrimas e subiu as escadas que levavam até seu quarto, começou a jogar algumas roupas em uma mala. Iria embora, sem dizer nada a ninguém, iria fugir de tudo aquilo. Desde que Loki entrara em sua vida, tudo havia mudado bruscamente.
Agora se via envolvida na teia do trapaceiro, sendo ludibriada e atraída por ele. Jane pegou a mala e foi até a garagem, colocou a bagagem no porta malas e quando foi entrar no carro, sentiu que alguém segurava seu braço com força. A midgardiana se virou para encará-lo, sabia que era Loki.
—-Como pôde? Como teve coragem de fazer isso comigo? Jane gritou o mais alto que conseguiu. Loki nada respondeu, segurou as mãos de Jane acima de sua cabeça, pressionando a humana contra a parede. Seu rosto estava bem próximo do rosto de Jane, que estava ofegante. As batidas do coração da humana estavam aceleradas, sentindo a respiração do deus contra o seu rosto. Loki a olhava com olhar de desejo.
—-Me sol... Antes que terminasse a frase, Jane fora interrompida por um beijo.
Um beijo selvagem e ardente, algo tão natural e incontrolável. Se entregar a Loki era um ato involuntário, o difícil era resistir a tentação. Com muita dificuldade, Jane empurrou Loki para longe de si e desferiu um tapa contra o rosto do deus. Era doloroso se afastar do jotun, queria ceder aquele sentimento, mas sua dignidade e seu senso do certo e errado a impediram de continuar se rendendo as vontades de Loki.
—-Eu o odeio. Jane gritou da boca para fora. A jovem queria odiar Loki, por tê-la enganado, mas não conseguia.
—-Você me ama e odeia a si mesma por isso. Loki gritou ainda mais alto do que a humana. Loki sabia que merecia aquele tapa, mas ainda estava incrédulo, Sigyn jamais agiria daquela maneira.
—-Eu amo Thor! Ele é bom, honesto e digno. Você nunca será um terço do homem que ele é. Jane queria ferir o deus, queria que ele se afastasse dela, pois só se mantendo longe de Loki poderia evitar uma tragédia, só assim poderia evitar mais sofrimento.
—-E você é mimada, estúpida, como todos os midgardianos. Nunca será um terço da mulher que Sigyn foi. Loki respondeu com a voz carregada de ódio.
A humana jamais tinha visto aquela expressão antes, era um misto de desgosto, ódio e decepção. Jane sabia que algo a ligava a tal Sigyn, mas não entendia a origem dessa ligação tão forte. A midgardiana seguiu para o aeroporto e ficou observando a expressão desolada de Loki, pelo espelho retrovisor.
—-Uma passagem para Roma, no próximo vôo, por favor. Disse Jane, se dirigindo a atendente da companhia aérea.
Quase uma hora depois a humana embarcou. Ficou olhando pela janela enquanto o avião decolava. Jane pensara que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco e ela era o lado mais frágil daquele triangulo, afinal de contas, era a única mortal envolvida. Ou pelo menos assim ela pensava. Jane estava indo até Roma e de lá pegaria
um trem até a região da Toscana, onde seus pais tinham uma propriedade. Costumava passar as férias lá, quando era apenas uma criança. Uma memória veio a sua mente, lembrou de sua infância:
—-Jane, venha já para dentro, saia dessa chuva. Vai acabar ficando doente. Gritou Verdandi.
—-Deixe ela se divertir. Jane não vai adoecer, ela é muito mais forte do que você. Ela é uma gigante, minha pequena gigante. John sorriu para a pequenina e a pegou no colo, rodopiando a menina pelo ar. A pequena Jane gargalhava. Era assim que John chamava a filha, na verdade ela nunca entendeu a origem de seu apelido.
Tinha ótimas lembranças da Itália, adorava aquele país, lá ela passara os melhores dias da sua vida. Após uma longa e cansativa viagem, finalmente Jane chegou a Toscana. Quando chegou nos portões da propriedade foi muito bem recebida pelas empregadas, fora uma recepção calorosa.
—-Bella ragazza! Come stai? A jovem sorriu e abraçou a mulher robusta que veio ao seu encontro, seu nome era Apolônia.
—-Senti tanta saudade. Respondeu a midgardiana, a italiana sempre fora afetuosa com Jane, costumava esconder as travessuras que a menina aprontava. Fazendo com que Verdandi nunca descobrisse. Jane olhou ao redor e percebeu que nada havia mudado, tudo estava no mesmo lugar de sempre. Jane foi até seu antigo quarto, quando estava desfazendo as malas, viu um objeto estranho no meio de suas coisas. A humana pegou aquele livro com capa de couro e abriu. A garota percebeu que a letra era idêntica a sua. Assim como Sigyn, Jane também havia sido alfabetizada por Verdandi, fazendo com que a jovem mantivesse a mesma caligrafia. Jane começou a ler suas próprias anotações.
"Acabamos de chegar em Asgard. Ocorreu algo curioso em nossa chegada, olhei para uma das sacadas do palácio e lá estava Thor. Ele estava acompanhado por um moreno, que me olhava insistentemente, acredito que seja o tal Loki. Antes de virmos para Asgard, minha mãe me alertou sobre ele, pediu que eu mantivesse distância do irmão de Thor. Por algum motivo que jamais saberei, minha mãe parece odiá-lo (...)
"(...) Talvez essas palavras saiam um pouco desconexas, minha mão ainda está trêmula, estou muito nervosa com o que acabou de acontecer. Quando cheguei no quarto de hóspedes, logo em seguida ele entrou. Loki disse que estava preocupado comigo e antes mesmo que eu pudesse pedir que se retirasse, me tomou em seus braços e pressionou seus lábios contra os meus. Seus lábios eram quentes e macios, se movimentavam suavemente em contato com os meus. Fechei os olhos para desfrutar de cada instante daquele beijo intenso, porém ele subitamente se afastou.
Talvez tenha percebido que eu nunca fiz isso antes, acho que ele não gostou do beijo, não sei se fiz da maneira certa. Mas por que Loki não parava de me olhar durante o jantar? Por que me seguiu e por que ele me beijou? Queria poder ir atrás dele e confrontá-lo, mas jamais teria coragem para fazê-lo. Começo a pensar que minha mãe pode ter razão, devo manter distância dele. Mas como? Se tudo o que anseio é encontrá-lo novamente? (...)
Jane fechou o diário rapidamente, em seguida fechou os olhos e lembrou do dia em que ela e Loki se beijaram pela primeira vez, quando ainda era Sigyn. Jane correu em direção ao espelho e viu refletida sua imagem, mas trajava vestes estranhas, roupas asgardianas. Jane esfregou seus olhos e passou as mãos no rosto, espantando aquela alucinação. A jovem se deu conta de que Sigyn e ela eram a mesma pessoa, mas se perguntava: Como?
Fale com o autor