Notas iniciais
Não vou colocar nada do que acontece no episódio de Glee (as músicas cantadas e tal), porque isso vocês já sabem. ;)

– Então… Você dormiu na casa da Q ontem? – Brittany perguntou.

Ela e Santana estavam sentadas, se alongando sozinhas na sala de coral das Troubletones. As aulas haviam terminado há poucos minutos e elas já tinham combinado de ensaiar naquela tarde.

– Sim. – Santana respondeu.

– Enquanto eu estava em casa, me sentindo a pior namorada do mundo, você estava dormindo na casa da nossa melhor amiga, tendo uma noite de garotas para a qual eu claramente não fui convidada? – Brittany franziu o cenho.

Santana se levantou e foi até à barra na lateral da sala. Ela esticou uma perna e continuou em silêncio. Não sabia o que responder e nem mesmo queria responder. Ela não gostava dos rumos que aquela conversa poderia tomar.

Vendo que Santana não responderia, Brittany continuou:

– Eu não estou com raiva, Santana. Eu só estou chateada. Sinto falta de como as coisas eram quando eu, você e Quinn éramos A Trindade Profana, as três inseparáveis, sem nada além de amizade.

– Você quer dizer que eu e você éramos melhores apenas como amigas? – Santana parou de alongar-se para olhar o rosto de Brittany.

– Eu não sei, S. Desde que começamos a namorar, as coisas estão bem diferentes. Principalmente com Quinn. É como se ela tivesse escolhido um lado, o seu lado, e eu tivesse ficado à margem, como se eu fosse só a sua namorada agora. Eu sinto falta da Quinn. – A loira completou suspirando. Em outras ocasiões, a única vontade de Santana seria puxar a loira para o seu colo e confortá-la. Mas, naquele momento, ela podia ver a irritação surgindo em si. Quando foi que conversar com a própria namorada tinha se tornado tão difícil?

– “Só” a minha namorada? Brittany, você estaria incomodada assim se Quinn tivesse escolhido o “seu” lado? – A latina disse, cruzando os braços.

– Não, mas você estaria. – Brittany procurou olhar nos olhos escuros. — Não me entenda mal, S. O sexo é ótimo e eu amo você, mas…

– Brittany, eu não quero falar sobre isso, não agora. – Santana interrompeu abruptamente. Ela definitivamente não estava gostando daquela conversa e dois dias seguidos “brigando” com Brittany eram demais. — Estamos aqui para ensaiar a nossa coreografia. As Seccionais são essa semana e não podemos nos distrair. – Dito isso, a morena voltou a se alongar.

– Tudo bem, S. Se é assim que você quer… – Se Santana não a conhecesse bem, poderia dizer que havia uma nota de amargura nas palavras de Brittany. Mas não. Aquela era a doce loirinha dos olhos azuis. Não era assim que ela funcionava e era por isso mesmo que Santana apreciava a menina.

[…]

A semana passara rápido para Sebastian Smythe.

Dalton, ensaio com os Warblers, treino de lacrosse, casa. Dalton, ensaio com os Warblers, treino de lacrosse, casa. Era essa a sua rotina e ela não poderia estar mais entediante. As Seccionais chegaram e, como Sebastian suspeitara, não foram grande problema. Seus concorrentes não eram em nada desafiadores e, sob seu comando, os Warblers fizeram um bom trabalho. Aquele troféu foi recebido com alegria pelos seus companheiros de coral, mas Sebastian não deu grande importância ao ocorrido. Comemorou normalmente, aceitou os tapinhas nas costas e só.

Então chegou a sexta-feira e com ela o dia das Seccionais sediadas pela William McKinley High School. Esse ano, a escola apresentava dois clubes de coral, um feito um tanto inesperado para uma escola que mal tinha fundos para manter sequer um dos clubes. New Directions e The Troubletones. Sebastian pensava neles como “o clube do Blaine” e “o clube da Santana”. O rapaz tentava não pensar muito sobre o assunto. Mas ele continuava a manter contato com Blaine e, sobre Santana… Ele tentava ignorar pensamentos controversos que pudessem surgir acerca da latina. Sem sucesso. Volta e meia ele se pegava pensando na noite em que a encontrara sentada naquele balanço de parquinho; em como ela parecia quebrável e indefesa; em como aquilo era uma cena incomum que, provavelmente, ele tinha sido um dos poucos a presenciar na vida da menina. Sim, menina. Ela era uma menina, pelo menos naquele momento. Sebastian sabia que ela era, na verdade, uma mulher forte, que crescera devido às circunstâncias e que cuidava de si melhor do que qualquer um poderia fazê-lo. Mas ele não podia deixar de pensar em como quisera acalentar Santana naquela noite, na vontade que sentira de fazê-la esquecer tudo o que tinha acontecido, com sua avó e com a loirinha (era assim que ele se referia à Brittany. Pensar nela como a namorada de Santana não ocorrera a ele em nenhum momento) e, sobretudo, o jeito com que ele tratara a morena anteriormente.

De qualquer forma, pensar nela era idiotice e perda de tempo. Santana lhe tirava o foco do que era realmente importante: Blaine. As conversas com o garoto continuavam apenas como tentativas infrutíferas de tirar o moreno de Kurt e do New Directions. Blaine era legal e Sebastian realmente gostava de conversar com ele. Mas a frustração que sentia por não ter sucesso em conquistá-lo era ainda maior.

Tudo isso só tirava a vontade que Sebastian sentia de ir assistir à competição no McKinley. Mas ele tinha que ir. Os Warblers haviam combinado e ele não podia não comparecer. Era seu dever como líder, sem falar que ver a dinâmica como os dois clubes (sim, um dos dois seria o vencedor) se apresentavam era de extrema importância para ele. Com esse pensamento, sua aula de trigonometria acabou e ele seguiu em direção ao estacionamento.

[...]

É. Sebastian estivera certo. Afinal de contas, o New Directions vencera.

Ele já se levantara algumas vezes para aplaudir as canções apresentadas e, tinha que admitir, aquela competição estava melhor do que a que tivera em suas Seccionais. Em dado momento, seus olhos se cruzaram com os de Kurt e, vendo a reação que o garoto tentara disfarçar, percebeu que ainda tinha uma influência enorme sobre Hummel. Com esse pensamento, ele sorriu. Agora só precisava descobrir como utilizar isso em seu favor; encontraria uma forma de desestruturar Kurt em tempo para as Regionais, onde se enfrentariam.

Logo após o resultado anunciado, Sebastian resolvera ir embora. Não se demoraria por ali. Ele não estava a fim de falar com ninguém, nem mesmo Blaine e muito menos Santana, mesmo que uma parte no fundo de sua consciência dissesse que ele deveria procurá-la, agora que seu coral perdera. O que fazer ou dizer, ele não sabia. Mas a consciência de Sebastian era bem teimosa, às vezes. “Ela está fora das competições e isso é um ponto ótimo para mim.” – Ele pensava. “Agora que ela está fora, não voltará a cantar. Não para nossos ouvidos.” – Sua consciência rebateu cruelmente. “Mas que merda!” – Sebastian resolveu ignorar, só queria sair daquela escola pestilenta. Mas antes, entraria num banheiro para lavar o rosto, numa tentativa de despertar e parar de pensar em bobagens.

[...]

Era a melhor palavra para expressar o estado de espírito de Santana naquele momento. Acabara de deixar o palco do auditório onde perdera a competição para seus ex-colegas de coral e, tentando se distrair, sua mente havia parado para pensar nas palavras de Brittany; a latina concluíra que a conversa de alguns dias atrás não havia sido nada boa. Brittany queria terminar? Era isso? Santana não tinha certeza. Sua única certeza era seu medo de ficar sozinha agora. Depois de tudo que teve que passar… Ela achava que não merecia ser rejeitada pela loira. De novo. “Merda…” – Santana sabia o que aquele “de novo” significava. Aquilo queria dizer que, pela milésima vez, tudo o que acontecera passava, mais uma vez, por sua cabeça: o encantamento por Brittany, como ela revelara seus sentimentos e fora rejeitada pela garota que, na época, namorava o Rodinhas. A essa altura, esse tipo de pensamento não deveria mais assombrá-la. Santana vencera. Era ela quem estava com Brittany agora. Seu relacionamento era real. Mas… Será que era mesmo?

“Já chega, Santana! Não faça isso consigo mesma, não vale a pena. Você sabe que tem 90% de chances de você só estar assim porque acabou de perder as Seccionais pra um New Directions que não tinha nem mesmo a Berry como líder na competição.” – Sim, Santana sabia. Mas ela também sabia que havia outros 10% de chances que em nada tinham a ver com aquilo. Ela só não queria mais pensar, pelo menos por enquanto.

E foi sem pensar que ela entrou pela porta de um dos banheiros do McKinley High.

[…]

– Ah, pelo amor de Deus! Existe algum contrato dizendo que você precisa aparecer toda vida que eu estiver em um momento ruim e sem um pingo de paciência? Porque, se existir, eu tenho certeza de que precisaria tê-lo assinado e concordado com isso. – Santana disse jogando as mãos pra cima fazendo seu vestido se balançar um pouco, detalhe que não passou despercebido pelos olhos azuis do único ocupante daquele banheiro.

– Boa tarde para você também, Lopez. Bom, eu não sei se há algum contrato, mas, devo dizer que, dessa vez, a culpa não foi minha. – Dizendo isso, Sebastian apontou para a porta do banheiro. Lá havia o conhecido bonequinho indicativo de banheiro masculino. – Pensei que preferisse os banheiros femininos, Santana. Você sabe, lá aparecem bem mais mulheres do que aqui. – O velho sorrisinho de escárnio já aparecia em seus lábios.

– Que engraçado, Seb. – A latina fez uma careta. — Você pensou nisso sozinho?

– Quanta acidez, San… – Sebastian devolveu o apelido. — Imagino que o segundo lugar não tenha sido o suficiente pra você, não é mesmo? – Ele a encarava pelo espelho acima da pia.

– Ele seria o suficiente pra você? – Santana rebateu, fazendo Sebastian arquear uma sobrancelha.

– Você sabe que não.

– Então você sabe como me sinto. – Ela disse e, sem se importar, entrou em um dos boxes privativos. Ela queria só fugir dele e, um segundo depois de travar a porta, se deu conta de que teria sido muito mais fácil e eficaz apenas sair pela porta por onde tinha entrado.

Depois de alguns segundos de silêncio, Sebastian disse:

– O que você vai fazer agora?

– Xixi. Você poderia ficar calado? Não consigo me concentrar.

– Você precisa se concentrar pra fazer xixi? – Santana quase podia ver a expressão confusa que ele provavelmente tinha no rosto.

– Ah, foda-se. – Ela disse, saindo do box e abrindo uma das torneiras ao lado de Sebastian na pia.

– Eu quis dizer o que você vai fazer agora que perdeu as seccionais.

– Eu não sei. Mas, definitivamente, não vou voltar a fazer backing vocal pro New Directions. Rachel é chata demais e Blaine é insuportavelmente talentoso. Não quero voltar a lidar com nenhum deles. – Ela disse, fechando a torneira. Santana virou-se e se apoiou na pia, ao lado de Sebastian.

– Acho que não deveria parar de cantar somente por orgulho, Lopez. É claro que eu vou ter que te matar e cavar uma cova com minhas próprias mãos se você disser que eu falei algo desse tipo em voz alta, mas… Sua voz é incrível e seria desperdício demais. Além disso, seria quase fácil demais ganhar do New Directions se você não fosse mais uma integrante. – Sebastian disse, virando-se um pouco para olhar a latina. Ele conseguiu ver o início de um sorriso surgindo nos lábios cheios de Santana e aquilo, por mais piegas que pudesse parecer, iluminou um pouco mais o ambiente.

– Eu acabo de notar que eu nunca ouvi sua voz. – Santana virou-se para encará-lo também. Ela viu que ele franziu o cenho, então acrescentou: — Cantando, eu quero dizer.

– Bem… Você já sabe como invadir a Dalton. – Ele deu de ombros.

– Isso é um convite? – Ela arqueou uma sobrancelha.

– Só se você quiser que seja um. – Ele devolveu.

– Eu vou pensar a respeito. – Santana respondeu, cruzando os braços. – Você precisa de tempo para preparar alguma coisa?

– Sabia que você acabou de confirmar que realmente vai? – Ele disse, abrindo um sorriso genuíno, o que espantou Santana. Então acrescentou: — Não, eu não preciso.

– Eu vou realmente pensar se vou mesmo. Você sabe que vê-lo não é exatamente uma prioridade para mim. – Santana disse, mas teve uma pontada de arrependimento, ao ver que o sorriso de Sebastian se desmanchara.

– Te vejo por aí, Lopez. – Foram as últimas palavras antes que Sebastian saísse abruptamente do banheiro.

Santana estava muito intrigada. O que fora aquilo? Num minuto, ele tinha o sorriso mais lindo do mundo nos lábios (“O QUÊ?! Mas que porra foi essa, Santana?”) e, no outro, irrompia porta afora como um furacão. Ela acabara de ganhar mais um motivo para mais uma visita à Academia Dalton.

Notas finais
Capítulo grandinho porque o final de semestre está chegando cada vez mais rápido e não sei quando voltarei a postar. Mas, assim que der, eu volto.