Locked Out of Heaven
11 On Fire
Notas iniciais
O fim de semana veio e passou sem muita demora. A segunda-feira chegaria em poucas horas, com a iminência de uma visita de Santana à Dalton, e Sebastian não poderia estar mais apreensivo.
A essa altura, ele não tinha certeza de muita coisa. As últimas semanas tinham sido um verdadeiro ponto de interrogação em sua vida e a maldita latina contribuíra para isso mais do que qualquer outra pessoa. No que ele se metera? Ele não sabia. O que estava acontecendo? Não tinha a mínima ideia. Seus pensamentos eram confusos e Sebastian já chegara à conclusão de que aquela visita fora uma péssima ideia. Ele só conseguia pensar em como não queria ver Santana. Mesmo assim, pegou-se pensando, vez ou outra durante o fim de semana, em que música cantaria caso ela realmente aparecesse. Quando lhe ocorreu certa canção, um sorriso apareceu em seus lábios. Aquela era a oportunidade perfeita para provocá-la e voltar à relação que tinham antes de todos aqueles momentos de tensão. A relação que era devidamente saudável para ambos: inimizade. Com esses pensamentos, toda a preocupação que o assombrava deu lugar à segurança de que, se tudo ocorresse como planejado, ele não só brincaria com a Lopez, como também afastaria quaisquer perspectivas de aproximar-se ainda mais dela. “Perfeito... Ela não vai saber nem mesmo o que a atingiu!” – Sebastian pensou divertido, antes de adormecer no domingo à noite.
[...]
No mesmo domingo à noite, Santana estava deitada em sua cama com um dos braços de Brittany ao seu redor. Enquanto a loira dormia um sono tranquilo, os pensamentos da latina permaneciam inquietos.
Ela não conseguia escapar da sensação de que alguma coisa estava faltando. Ela só não sabia o quê. Ela tinha tudo para estar completamente feliz. Mas não estava. Talvez fosse a falta que sentia de Alba – sua abuela -, talvez fosse a monotonia da vida que estava levando – considerando que voltaria ao New Directions -, talvez fosse a falta de uma perspectiva para seu futuro, que chegaria com o término daquele ano letivo: a faculdade. Essas eram todas questões de grande importância e, todas as vezes que seu cérebro teimava em vagar nessas direções, Santana tentava pensar em coisas relativamente menores. Curiosamente, na maioria das vezes em que ela tentava se distrair, acabava pensando em Sebastian Smythe, a incógnita que agora fazia parte de sua vida.
Santana tinha a teoria de que ele representava o “algo novo” em sua vida e por isso despertava tanto a sua curiosidade. Ela não sabia muito bem o que estava fazendo e porque estava tão próxima de uma vadia como Sebastian. Muitas perguntas permaneciam sem resposta e ela esperava esclarecer um pouco mais as coisas amanhã, quando fosse à escola dele. Estava curiosa também pela voz dele e tinha esperanças de que ele não fosse tão bom quanto aparentava ser, pois ele ainda era seu rival. Ainda pensando sobre Sebastian, Santana acabou adormecendo e a segunda-feira chegou mais rápido depois disso.
[...]
Aquela era a última semana de aulas antes do recesso para as festas de fim de ano, o que significava que os professores davam pouca aula e muitos deveres de casa para os alunos. O dia fora tranquilo; Santana já passara em casa para trocar seu uniforme das Cheerios por um par de calças, camiseta e uma jaqueta curta – coisa que normalmente não faria, mas, com o tempo cada vez mais frio, era a melhor opção – e agora seguia dirigindo para a Dalton.
Mais uma vez, não teve problemas para entrar na escola. Na recepção, apenas o mesmo porteiro simpático que da última vez. Ela disse, mais uma vez, que viera encontrar o “primo” e ele não criou problemas. Então seguiu para a sala de coral dos Warblers, tomando cuidado para não topar com estudantes durante o percurso, o que não foi um grande desafio, já que as aulas do dia também já haviam terminado por ali.
– Toc toc. – Santana disse para a única pessoa que ocupava o ambiente. Ela estava encostada na soleira da porta e ele, sentado ao piano, mexendo em algumas partituras. Era quase como o dia em que os dois se conheceram.
– Eu já estava pensando em ir embora e te deixar dar uma viagem perdida. – Sebastian disse, virando-se para olhar Santana.
– Até parece. – Ela revirou os olhos, entrando de vez na sala ampla. Sebastian limitou-se a sorrir, levantando-se. — O que está fazendo, Smythe? Você pretende me esquartejar cruelmente aqui dentro? – Ela disse, vendo Sebastian contornar a sala e fechar as portas. Não poderia negar para si mesma que aquela movimentação a deixara um pouco nervosa. Ela sabia que ele não iria matá-la. Ou pelo menos, não literalmente.
– Do que você tem medo, Lopez? – O olhar de Sebastian era de desafio. Ele deu play em seu iPod e os amplificadores iniciaram a canção poucos segundos antes dele começar a cantar:
Como você ousa dizer que meu comportamento é inaceitável?
Uma crítica tão condescendente e desnecessária…
Eu tenho tendência a ficar muito violento,
Então fique esperta porque, se eu ficar, você vai precisar de um milagre!
Sebastian rondava Santana, sem tirar os olhos dela. Por sua vez, a latina estava intrigada com a escolha daquela música… Além disso, mesmo que não quisesse admitir, a voz dele era incrível.
Você me enlouquece e me faz perguntar por que ainda estou aqui.
A visão dupla que eu estava vendo está, finalmente, clara.
Você quer ficar, mas sabe muito bem que eu quero que vá.
Você não merece nem andar pelo chão em que pisei!
Ao fim da última frase, Sebastian simplesmente tirou Santana do chão, como um modo de enfatizar suas palavras. Ela arfou com a surpresa e, foi tudo tão rápido, que – quando se deu conta – suas pernas já estavam ao redor da cintura de Sebastian e suas mãos apoiadas nos ombros dele. Aquilo a surpreendera mais ainda, o modo como seu corpo reagira tão rápido ao dele.
Quando ficar frio lá fora e você não tiver ninguém para amar,
Você vai entender o que eu quis dizer quando disse,
Que nós não íamos desistir de jeito nenhum.
Como uma garotinha chorando na frente do monstro que habita os seus sonhos:
“Tem alguém aí?”
Porque está difícil e difícil de respirar.
“Tem alguém aí?”
Porque está difícil e difícil de respirar.
Sebastian depositou-a em cima do piano que havia na sala e continuara a cantar. Os olhos azuis ainda estavam sobre a morena perplexa, enquanto ele se afastava dela.
O que você está fazendo está confundindo a minha cabeça
Você deveria saber que você nunca ouve uma palavra do que eu digo.
Agarrando o travesseiro e se contorcendo em um suor frio,
Esperando que alguém a possua, como eu um dia a possuí?
O que diabos aquilo significava? Pelo amor de Deus, ele era gay! Ela era gay! Então por que todas aquelas palavras pareciam tão cheias de significado e por que os olhos de Sebastian pareciam tão cheios de fúria e, ao mesmo tempo, desejo?
Quando ficar frio lá fora e você não tiver ninguém para amar,
Você vai entender o que eu quis dizer quando disse,
Que nós não íamos desistir de jeito nenhum.
Como uma garotinha chorando na frente do monstro que habita os seus sonhos:
“Tem alguém aí?”
Porque está difícil e difícil de respirar.
“Tem alguém aí?”
Porque está difícil e difícil de respirar.
Isto mata?
Isto queima?
É doloroso saber?
Que sou eu quem tem todo o controle?
Sebastian já voltava a se aproximar de Santana – uma aproximação perigosa – e continuou a cantar:
É excitante?
É doloroso?
Quando sente o que eu trago
E você deseja que me tivesse para abraçar?
Os braços dele rodearam Santana, puxando-a para ainda mais perto e, sem dar tempo para que ela protestasse, Sebastian soltou-se do abraço, mas continuou próximo, encarando os olhos escuros da mulher a sua frente:
Quando ficar frio lá fora e você não tiver ninguém para amar,
Você vai entender o que eu quis dizer quando disse,
Que nós não íamos desistir de jeito nenhum.
Como uma garotinha chorando na frente,
Do monstro que habita os seus sonhos:
“Tem alguém aí?”
Porque está difícil e difícil de respirar.
“Tem alguém aí?”
Porque está difícil e difícil de respirar.
Tem alguém ai?
Porque está difícil e difícil de respirar.
Terminada a música, Sebastian sorriu, virou-se e caminhou em direção ao iPod, desligando o equipamento de som. Às suas costas, Santana tentava recompor seus pensamentos e a si mesma, tentando não dar sinais de que estava abalada. Ela desceu do piano e recostou-se no instrumento, cruzando os braços numa forma de proteção inconsciente.
– Devo dizer que você é uma parceira interessante, Lopez. – Sebastian foi o primeiro a falar, voltando a se aproximar de Santana e postando-se em frente a ela. – De dança, eu quero dizer. – Ele acrescentou como se curtisse uma piada particular.
– Se você considerar como parceria o fato de que você me jogou pra lá e pra cá por essa sala, devo dizer… Obrigada? – Ela respondeu ironicamente, o que só fez o sorriso de Sebastian se alargar mais ainda, supondo que isso ainda fosse possível. Aquilo a aborreceu mais ainda e Santana não pode mais conter a pergunta que praticamente saltou para fora de seus lábios: — Vai me dizer o porquê dessa música?
– Bom… – O sorriso diminuíra um pouco, mas, definitivamente, ainda estava ali. – Eu pensei que poderia provar a você meu sex appeal. Você sempre pareceu muito relutante quanto a mim, San. Espero ter mudado sua opinião.
Então era disso que se tratava o tempo inteiro? E Santana pensando que ele tentara algo com ela. Que idiota ela fora! De qualquer forma, por que aquilo importaria? Ela mesma lembrara-se da orientação sexual de ambos em dado momento. Sem perder tempo, a latina apressou-se em dizer:
– Quero direito de resposta.
– Você quer cantar um solo em território Warbler? – Ele ergueu as sobrancelhas. Santana confirmou com a cabeça e Sebastian pensou por um momento antes de dar sua resposta. – Tudo bem. Mostre-me o que você sabe fazer, Lopez.
– Pode deixar, Seb. – Ela disse, com um sorriso diabólico nos lábios. Santana dirigiu-se à aparelhagem de som e conectou seu celular aos amplificadores. Se Sebastian queria provocá-la, ela também teria esse direito. Ela virou-se e mirou Sebastian, que havia assumido sua antiga posição junto ao piano, os braços também cruzados. — Eu estava tipo, “Por que você está tão obcecado por mim?” – Santana deu uma risada desdenhosa ao começar a cantar.
Em todos os blogs
Dizendo que nos conhecemos em um bar
Quando eu nem mesmo sei quem você é
Dizendo que eu estou na sua casa
Dizendo que eu estou em seu carro
Mas você está em Los Angeles e eu estou em Jermaine,
Estou em Atlanta
Você é tão, mas tão idiota
E ninguém aqui nem mesmo menciona seu nome
Deve ser a maconha, deve ser o ecstasy
Porque você está exalando violência
Você realmente está exalando, oh…
Santana encarava Sebastian, que não tinha muita certeza de aonde ela queria chegar com aquela música.
Oh, porque você está tão obcecado por mim? (garoto, eu quero saber)
Mentindo que está transando comigo (quando todo mundo sabe)
É claro que você está chateado comigo
Finalmente encontrou uma garota que não conseguiu impressionar
Mesmo que fosse o último homem da Terra ainda não me conseguiria
Santana dizia aquilo com a maior convicção que conseguia reunir. Ela esperava convencer a Sebastian e, sem admitir, a si mesma, que ele não era ninguém.
Você está iludido, você é iludido
Garoto, você está perdendo sua mente
É confuso, você está maluco e você sabe
Por que você está perdendo seu tempo?
Fica todo animadinho com esse seu complexo de Napoleão
Olhando bem, é como se você estivesse tomando banho com Windex
Garoto, por que você está tão obcecado por mim?
Ela se aproximou de Sebastian e tocou seus ombros, conduzindo-o em seguida a sentar-se em uma das cadeiras por ali. Ele apenas observava enquanto Santana rebolava provocativamente, com um olhar de desdém no rosto. Para Sebastian, aquela cena era extremamente sexy e ele estava odiando ver o que Santana poderia causar nele.
Você em seu trabalho
Exala ódio
Não vou alimentar sua fantasia…
Eu vou deixar você morrer de fome
Ofegando por ar
Eu sou a ventilação
Você está sem ar
Espero que você não esteja esperando
Dizendo ao mundo o quanto você sente minha falta
Mas nós nunca fomos nada…
Então, por que você está viajando?
Você é uma lojinha de bairro
Eu sou uma corporação
Eu sou uma coletiva de imprensa
E você é apenas uma conversa
Oh, porque você está tão obcecado por mim? (garoto, eu quero saber)
Mentindo que está transando comigo (quando todo mundo sabe)
É claro que você está chateado comigo
Finalmente encontrou uma garota que não conseguiu impressionar
Mesmo que fosse o último homem da Terra ainda não me conseguiria
Santana decidiu extrapolar qualquer limite e sentou-se no colo de Sebastian, recolhendo a cabeça do garoto e encostando-a em seu ombro, como se o consolasse. Ela tinha um cheiro tão bom e uma pele tão macia… “Porra, Sebastian! Não vê que ela só está brincando com você, seu idiota? Não dê essa chance a ela.” – Sebastian pensava, mas seu corpo estava enfrentando dificuldades em obedecê-lo; mesmo assim, ele conseguiu permanecer imóvel enquanto a garota fazia seu showzinho. Sem se importar, Santana seguiu cantando:
Você está iludido, você é iludido
Garoto, você está perdendo sua mente
É confuso, você está maluco e você sabe
Por que você está perdendo seu tempo?
Fica todo animadinho com esse seu complexo de Napoleão
Olhando bem, é como se você estivesse tomando banho com Windex
Garoto, por que você está tão obcecado por mim?
Ela terminou a música e levantou do colo de Sebastian, indo recolher o próprio celular. Quando se virou, perguntou:
– E então? – Santana tinha um sorriso no rosto.
– O que espera que eu diga, Lopez? – Sebastian continuava sentado. No rosto, uma expressão séria. – Você veio aqui com a intenção de me ouvir cantar, numa tentativa de avaliar o inimigo, talvez. Então eu cantei. Você quis cantar também e eu não criei nenhum problema. O que você quer agora? Um dueto?
– Não. Eu só quero saber o que você achou.
– Isso importa?
– Pela sua dificuldade em responder, acho que sim.
– O que você quer, afinal de contas?
– Quero entender você! O que diabos têm nessa sua cabeça? Por que tem se aproximado de mim? – Santana disparava perguntas em um jato. Ela odiava fazer isso, porque significava que estava nervosa e ela não queria estar nervosa. Não por causa de Sebastian.
– Por que tem deixado que eu me aproxime de você? – Ele rebateu.
– Eu não sei, ok? Eu estou confusa. O que nós estamos fazendo? Num momento, conversamos como melhores amigos, confidentes e, no outro, queremos nos desestruturar, nos atingir...
– E você espera que eu tenha uma resposta? – Sebastian parecia cansado. Ele suspirou, levantando-se da cadeira e caminhando para afastar-se de Santana. De costas, ele continuou: – Olha, eu acho melhor você ir embora.
– Você é patético. – Santana balançou a cabeça em desgosto. Ela virou-se, indo embora da sala e daquele turbilhão sem sentido que era Sebastian.
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