Locked Out of Heaven
6 The First Cracks
Notas iniciais
Sebastian acabara de adentrar o Breadstix e a primeira coisa que viu fez seus lábios abrirem-se em um sorriso. A latina que já não via há vários dias estava ali. Ele se aproximou de onde ela estava e observou que a garota não estava sozinha. Sim, aquela era uma ótima oportunidade para comprovar suas conjecturas.
– Ora, ora… Vejamos o que temos aqui. Um casal de lésbicas perdedoras da William McKinley High School… Interessante. – Disse Sebastian, observando as mãos entrelaçadas da loira que não sabia o nome e da latina.
– Hum… Eu não sou 100% um unicórnio. Estou mais pra bicuriosa. Eu sou Brittany S. Pierce. Quem é você? – A loirinha de olhos azuis não parecia nada ofendida. Ela apenas encarava Sebastian com curiosidade.
– Sebastian Smythe, a puta da Academia Dalton. Por que não volta pro antro de promiscuidade gay de onde você veio? – Foi Santana quem respondeu a pergunta da loira. Sebastian vira o momento de hesitação nos olhos dela, quando a loira fizera o comentário anterior. Ele poderia jurar que vira uma sombra de dor nos olhos da latina. Mas isso não importava. A Lopez estava o insultando e ele não deixaria por menos.
– Sabe, Lopez, acho que tenho o direito de sair para jantar tanto quanto você e a sua… Namoradinha. – Sebastian sabia que irritá-la era uma boa alternativa e o escárnio em sua voz, combinado a um sorrisinho malicioso, pareceu funcionar para seu propósito. Santana Lopez parecia à beira da fúria.
– Que seja, Smythe. Mas não sou obrigada a ficar aqui escutando sua voz insuportavelmente irritante. Aliás, se sua voz falando já é assim, imagina só cantando. Eu poderia apostar que você comprou a liderança dos Warbles, ou algo do tipo. Não ficaria nada surpresa. – A voz da morena estava cheia de veneno, com uma raiva dificilmente contida.
– Pense o que quiser, Santana. Eu não me importo. Quando chegar a hora, você vai ver o quanto eu NÃO sei cantar. – Disse ele, em nada afetado pelas palavras duras dela. Se tinha uma coisa que não faltava a Sebastian era confiança.
– Isso é o que veremos. Vamos, Britt. Não quero mais jantar aqui. O Breadstix é muito mal frequentado. – Disse a latina, puxando a loira pela mão que segurava.
– Mas, San… – Brittany estava confusa. Não gostara da conversa entre a namorada e aquele garoto, mas não queria ter a noite arruinada.
– Não se preocupe, B. Acharemos algo melhor. – Santana assegurou, já tentando passar por Sebastian. Entretanto, o rapaz parecia estar se divertindo muito para que deixasse as duas irem embora.
– Em Lima? Duvido. – Sebastian rira com o próprio comentário.
– Smythe, não me obrigue a lhe dar uma surra aqui. Tenho certeza de que você não quer apanhar de uma garota em público. – Santana disse, respirando fundo, em uma tentativa de se acalmar. Sebastian estava achando aquela cena hilária. Ele nunca poderia imaginar que uma simples ida a um restaurante pudesse lhe render tanta diversão. Irritar Santana era, realmente, algo que o estava conquistando.
– Você é mesmo muito engraçada, Lopez. Mas vejo que está sobressaltada. Como o cavalheiro que sou, serei gentil e deixarei que as duas damas se retirem. Ou talvez a dama e a vagabunda, no caso de vocês duas. – Disse ele, piscando um olho e fazendo uma leve reverência as duas, o sorriso cínico ainda em seu rosto.
Santana passou por ele empurrando-o com força pelo ombro; Brittany apenas deixou-se ser rebocada pela latina que ia a sua frente. A loira não gostara muito daquele rapaz, mas sentia que não deveria fazer qualquer comentário até que Santana começasse a falar. Ela sabia que a morena estava bastante irritada. Assim, seguiu para o carro de Santana e permaneceu em silêncio.
Santana começou a dirigir, mas sem nenhum destino em mente. Ela apenas dirigiu até que deixasse o restaurante para trás, então parou em uma rua tranquila, perto de uma pequena praça; soltou o seu cinto de segurança e voltou-se para Brittany, encarando com tristeza aqueles olhos azuis.
– Britt… Por que disse aquilo ao Smythe? – A morena parecia insegura.
– Aquilo o que, San? – Brittany franziu o cenho, demonstrando confusão.
– Que não era 100% um unicórnio e sim bicuriosa. – Santana parecia calma, mas seu olhar era triste.
– Porque é o que eu sou. – A loirinha parecia não entender aonde Santana queria chegar com aquilo.
– Eu sei, Britt. Mas… — A latina apenas suspirou, sem terminar a frase.
– O que foi, San? Você parece chateada. – Disse ela, estendendo a mão para tocar o rosto da morena, que virou o rosto, afastando-se do toque, o que realmente preocupou Brittany.
– É só que… Ah, Britt. Eu não gosto quando você fala assim. – Santana agora encarava o volante.
– Assim como?
– Assim… Como se precisasse deixar claro pra todo mundo que você é bi e não lésbica. – Vendo que Brittany iria replicar, ela logo continuou: — Eu sei, eu sei… É o que você é. Mas você tá comigo agora. Eu sou sua namorada. Por mais que você SEJA bissexual, isso não importa. Não tem por que você ficar dizendo isso a todo mundo. Ainda mais a Sebastian, que você nem mesmo conhece.
– Eu não estou entendendo, S… Você mesma disse que isso não importa. Mas está chateada mesmo assim. O que eu fiz de errado? – Britt agora estava nervosa. Deixar a namorada brava nunca fizera parte de seus planos para a noite.
– Nada! Você só não precisa esclarecer sua orientação sexual pra todo mundo. Isso não é da conta de ninguém. E, quando você diz isso, eu sinto como se… Como se você se envergonhasse de namorar uma garota, de ME namorar. Como se esclarecer que você também gosta de meninos fosse importante, apesar de estar comigo. Eu não gosto disso.
– San, isso é bobagem. Você nunca se importou antes e…
– Eu nunca disse nada, mas é claro que me importo, B! – Disse ela, voltando a encarar Brittany.
– Por que você nunca me disse nada? Agora você está… Brigando comigo e eu estou triste. E você está triste. Me desculpa, San, por favor! Eu ainda não entendo por que estou errada, mas…
– Você não entende? – Santana agora parecia conter uma raiva verdadeira.
– Não… Mas não quero brigar com você, San, por favor! — Brittany tocou o rosto de Santana. Seus olhos azuis estavam apreensivos.
– Brittany, eu… — Disse Santana de olhos fechados.
– San, não brigue comigo, por favor. Qual é o problema? Eu amo você, é isso que importa. – A loirinha parecia bem ansiosa.
– Sim, eu sei…
– Você me ama?
– É claro que sim, Britt. Mas… Eu acho melhor você dormir na sua casa hoje. – Santana abriu os olhos, mas não encarou a namorada.
– O que?! – Brittany parecia atordoada.
– Por favor, B. Preciso ficar sozinha.
– Você está com raiva de mim. – Santana percebeu que não era uma pergunta.
– Não, B… – No entanto, a morena não parecia muito convicta. – Eu só preciso de uma noite de sono mesmo. Uma noite sozinha. Por favor? Promete que não vai ficar triste?
– San… Tudo bem. – Mas ela não parecia estar bem.
– Ok, vou te levar pra casa. Diga ao Lorde T que pedi que ele cuidasse de você ao menos por essa noite, ok? Acha que ele pode fazer isso? – Disse Santana, terminando de colocar o cinto e começando a dirigir.
– Não sei, San… Acho que hoje ele já tinha combinado de ir ao bar com alguns amigos. – Disse a garota, olhando para o céu pela janela do carro.
– Sei que ele vai entender, Britt. É só uma noite. – Disse ela, reforçando a última frase para a loira e para si mesma.
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