Locked Out of Heaven
5 Some Concerns
Notas iniciais
Sebastian Smythe não sabia o que pensar. O que era um problema, já que ele sempre estivera acostumado a estar no controle.
Nos últimos dias, sua vida fora definitivamente entrelaçada ao New Directions. Desde que Blaine aparecera convidando todos os Warblers a assistirem sua estreia como Tony em West Side Story, ele decidira conquistar o rapaz. Não porque estivesse apaixonado, até porque Sebastian achava o amor uma piada — nunca se apaixonara e não seria agora que isso aconteceria, com um cara que ele vira pouquíssimas vezes na vida. Porém, Blaine era bonito e muito talentoso. E gay. Além desses atributos, todos na Academia Dalton consideravam Blaine Devon Anderson uma perda lastimável. Sebastian tinha o garoto como um prêmio, pois trazê-lo de volta aos Warblers seria sua máxima glória. Smythe adorava desafios e Kurt Hummel – como namorado de Blaine — melhorava ainda mais o desafio em questão. Não era de seu feitio gostar de coisas fáceis. Ele sabia que Blaine não era indiferente a ele. Ninguém era indiferente a Sebastian Smythe. Exceto, talvez, por uma pessoa.
Depois que Santana Lopez aparecera na sala de coral para confrontá-lo, Sebastian só a viu mais uma vez. É claro que ele fora assistir à peça na WMHS e essa fora a ocasião. Quando a vira no palco, abriu levemente um sorriso. Estava curioso para saber se a garota marrenta tinha realmente algum talento. Ele só não esperava se surpreender tanto. Do momento em que soaram os primeiros acordes de “America”, Sebastian vira a confiança de Santana brilhar no palco. Era uma música divertida e ele pudera ver o lado hispânico da latina aflorar. A voz dela era linda e muito potente. Ele sabia que não iria fingir quando a aplaudisse ao final da música. Com o decorrer da canção, ele estranhamente imaginara-se no lugar do garoto alto de moicano. Ele sabia que a interação dos dois era extremamente cênica, mas não deixou de desejar estar ali, cantando com a morena e até mesmo tocando-a eventualmente. Quando deu-se conta de seus pensamentos, a canção chegava ao final e Santana cantava a última nota. Sebastian aplaudiu, mas estava apreensivo. Por que pensara aquilo? Santana era uma garota! Depois disso, Sebastian tentou distrair-se com a história do musical, os outros personagens e interações. Mas nem mesmo quando Blaine entrava em cena, ele conseguia se concentrar. Não que tivesse perdido o interesse no rapaz, mas ele tinha preocupações mais iminentes. Aqueles pensamentos o assustaram bastante.
Depois que a peça acabara, ele dera uma desculpa qualquer aos colegas e ficara sozinho. Ao caminhar pelos corredores do McKinley, ele vira uma sala, que estava ocupada por vários objetos, pedaços de cenários e, sobretudo, duas garotas. Elas conversavam abraçadas e, embora Sebastian não pudesse ouvir o conteúdo da conversa, podia ver que as duas eram íntimas. Uma delas era Santana, que exibia um sorriso, ouvindo as palavras da outra, que era uma loira alta, de olhos azuis. Mesmo de longe, Sebastian tinha a impressão de que a menina era uma pessoa gentil. Seus olhos eram doces e ela parecia um anjo. De repente, ele viu a menina inclinar-se e depositar um rápido beijo nos lábios de Santana, que sorriu com os olhos brilhando, mas olhou para os lados rapidamente, a fim de verificar se alguém presenciara o momento. Felizmente, Sebastian esquivara-se no momento certo. Ele então saiu dali rapidamente e dirigiu-se à saída da escola. Não sabia se seus colegas de coral ainda o esperavam, mas estava decidido a sair dali o mais rápido possível; foi para o próprio carro e começou a dirigir para longe daquele lugar.
Ele estava sobressaltado. Santana Lopez era gay? É claro, ela estava beijando a garota loira. Hétero é que ela não era. No entanto, Sebastian não estava realmente surpreso. Algo o dizia que ela não poderia mesmo ser hétero. Talvez porque fora defender um casal gay, talvez porque seu gaydar o tivesse alertado de alguma forma. Sebastian apenas não sabia o que pensar da informação. Ele estava intrigado… Mas, para ele, essa não era a questão mais importante. Ele estava… Incomodado? Com esse pensamento, ele fez uma careta. O que importava a preferência sexual da Lopez? Sebastian só podia estar louco.
[…]
Com o passar dos dias, Sebastian dedicava-se com afinco às aulas e ao coral. Principalmente ao coral. Estivera ocupado o bastante, mas continuava a trocar mensagens com Blaine. O rapaz era simpático e uma boa pessoa, mas sempre achava uma forma de se esquivar dos flertes de Sebastian, o que o deixava bastante frustrado. Com tudo isso, Santana Lopez era a última pessoa que passava por sua cabeça ultimamente. Até que vira o comercial.
Era claramente uma intriga de oposição à candidatura de Sue Sylvester, a treinadora das líderes de torcida do McKinley. A treinadora de Santana. O comercial falava sobre “a aluna gay”, que seria a garota latina, cogitava até que ponto Sylvester apoiaria o fato e se ter essa aluna sob seu comando significava que ela própria era lésbica. A essência do comercial realmente não importava para Sebastian. Mas ver a Lopez naquela situação… Bom, era algo bem degradante.
Sebastian até mesmo chegara a pensar em rir, mas lembrara-se da latina olhando para os lados, procurando alguém que pudesse ter visto o beijo trocado com a loira de olhos azuis, no dia da estreia de West Side Story. Então ele se deu conta: a garota ainda está no armário. Quer dizer, estava. A essa altura, ela já teria precisado se assumir, mesmo que não fosse essa a sua vontade. Perplexo, ele sentiu-se mal. Não que tivesse pena da Lopez, mas a dificuldade de sair do armário era algo pelo qual ele já tinha passado. Mas nunca estivera nem perto de ser exposto em um comercial de uma cidade onde todos se conheciam. Aquilo deveria estar sendo difícil para ela. Não que ele se importasse, é claro. Pensando estrategicamente, aquilo podia significar uma coisa boa para os Warblers. O ND estaria desestabilizado, pois essa era uma situação bem delicada para o grupo. Sebastian sabia que a voz de Santana era uma das melhores entre os integrantes do New Directions, então tê-la passando por dificuldades emocionais seria bem prejudicial a todos eles.
Mesmo com esses pensamentos, Sebastian não sentira-se melhor. Desde o musical no McKinley, ele convencera-se de que o único motivo para querer cantar com Santana – o desejo que ele sentira quando a vira em cena – era medir forças. Até mesmo mera curiosidade, talvez. A verdade era que ele não pensara muito sobre ela desde então, mas, agora que o assunto voltara à tona, ele tinha dificuldades de esquecê-lo.
Mas é claro que ele não se prenderia a isso. Estava quase na hora do jantar e ele poderia sair para comprar alguma coisa. Sebastian até cozinhava algumas vezes, mas hoje uma ida ao Breadstix teria que resolver seus problemas.
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