Atração.

Não havia outra palavra que pudesse descrever o que Sebastian sentira por Santana naquela sala.

“Mas que merda, Sebastian! O que diabos você está pensando?” Sebastian não sabia no que pensar, mas tinha certeza de que não dava mais pra negar que estava tudo bem. Ele estava atraído por uma garota. Uma garota! Como isso tinha acontecido? Ele nunca se sentira assim… Quer dizer, ele já transara com vários caras e, caramba, tinha sido mesmo incrível. Mas Santana… Era algo completamente novo. Ele sentira tanta vontade de tocar aquela pele morena, morder aquele pescoço macio, beijar aquela boca carnuda… Isso sem contar os seios, que estiveram há centímetros de distância dele naquela tarde. Centímetros não, milímetros. “Porra, Sebastian!” – Ele acabara de olhar para baixo e via que pensar em todos aqueles detalhes o deixara em uma situação bem complicada. Era um alívio notar que já dobrava o carro na esquina de sua rua e poderia correr para o banheiro assim que entrasse em casa. Ele então sorriu, um segundo antes de perceber o que estava prestes a fazer. “NÃO! De jeito nenhum que você vai se masturbar pensando nela, seu idiota!” – Esse pensamento foi o suficiente pra fazê-lo broxar. “Que maravilha!” – Sebastian bateu a porta do carro com violência e entrou em casa rapidamente.

Ao chegar à sala de estar, jogou suas coisas em um dos sofás. Em seguida, tirou o telefone do gancho e deitou-se no outro sofá. Momentos desesperados pediam medidas desesperadas… Ou algo assim. O telefone chamou por três vezes, antes que a voz do outro lado da linha dissesse:

– Sebastian? – A voz parecia hesitante.

– Olá, mãe. Papai está em casa? – Sebastian não gostava de chamá-lo desse modo, mas sua mãe preferia assim e ele se esforçava para não causar tristeza a ela.

– Ele viajou, Seb. Só estará de volta no sábado.

– Ótimo! Estou a caminho. – Sebastian disse, já se levantando do sofá.

– O quê?! Sebastian já é quase noite, não quero que dirija sozinho, é perigoso… E você vai perder suas aulas da semana? Não acho que seja uma boa ideia…

– Tchau, mãe. – Sebastian devolveu o telefone ao gancho e correu para o quarto. Ele tinha uma mala para arrumar.

[…]

Emma Smythe caminhava de um lado para o outro em sua sala de estar. Seu bebê já dormia tranquilamente no primeiro andar e a casa toda estava silenciosa, a não ser pelo barulho abafado dos passos da mulher. Ela tentara ligar para Sebastian algumas vezes, mas ele não o atendera mais. Assim como o marido, seu filho também não mudava de ideia facilmente; quando colocava algo na cabeça, era difícil de tirar tal ideia. Desse modo, só restava esperar que Sebastian chegasse em casa.

Era uma viagem de pouco mais de duas horas de Lima até Columbus, mas parecia bem mais, Pelo menos para Emma. Algo estava errado, ela sabia. Sebastian tinha verdadeiro horror a visitar aquela casa e, mesmo que o natal fosse dali a uma semana, ele apareceria praticamente na véspera da comemoração. Antes que pudesse cogitar verdadeiramente qualquer hipótese que fosse, ela ouviu o barulho de um carro estacionando na entrada e correu para a porta da frente, para receber o filho. Assim que viu Sebastian descer do carro, com uma pequena mala em mãos, ela correu e se atirou nos braços do filho. Emma podia não ser a melhor mãe do mundo, mas ela sentia que amava cada pedacinho de Sebastian com todas as suas forças.

– Está tudo bem, mãe. Está frio aqui fora, vamos entrar. – Ela ouviu a voz que tanto amava e apenas concordou com a cabeça, ainda abraçando Sebastian. Eles entraram na casa e Sebastian percebeu que nada ali havia mudado. Ao constatar o silêncio, perguntou: — Onde está Bonnie?

– Dormindo. Amanhã você terá seu tempo com ela, não se preocupe. – Ela acrescentou a última parte ao perceber o desânimo de Sebastian com a resposta; ele era muito apegado à irmã e Emma sabia que a garotinha era um dos fortes motivos por ele não ter parado de vez de ir até ali. – Está com fome? Aposto que está, eu vou…

– Não, mãe, não precisa… – Sebastian começou a falar, mas a mulher já o empurrava para a cozinha.

– “Não precisa”… É claro que precisa! Vamos, eu vou fazer um prato pra você. Carmem esteve aqui hoje mais cedo e fez aquela lasanha de queijo que você adora, acho até que ela estava adivinhando… – Emma tagarelava e Sebastian não se opôs. Era até melhor que a mãe se distraísse com algo, assim ele não precisaria realmente colaborar com a conversa. Fora até ali para fugir um pouco da bagunça que estava sua vida. Ele não queria pensar em S… Em nada. Não queria pensar em nada. Ali não era realmente o que se podia chamar de refúgio, mas teria que servir. Além disso, logo veria Bonnie e tudo ficaria bem. Sua irmã era a pessoa que ele mais amava no mundo e seu pai não estava em casa. Aquilo era tudo o que ele poderia pedir.

– Sebastian? Sebastian, você está me ouvindo? – Emma parecia um pouco impaciente.

– Hum, desculpe. O que disse? – Sebastian voltou à realidade e viu um prato à sua frente. A lasanha tinha um ótimo cheiro, então ele começou a comer. O gosto estava igualmente ótimo.

– Perguntei se você quer suco de morango ou coca-cola. – Ela encarava o interior da geladeira.

– Coca.

Emma despejou o refrigerante em um copo e o levou à mesa. Depois de entregar o copo a Sebastian, sentou-se e ficou observando-o comer. Ele parecia verdadeiramente concentrado em cada garfada, o que só mostrou à Emma o quanto ele estava tentando evitá-la. Ela esperou que ele terminasse de comer, para perguntar:

– Por que está aqui, Seb? – Sua voz era doce, mas os olhos de Emma estavam sérios. O velho semblante preocupado.

– Pelo que me lembro, esta ainda é a minha casa, mamãe. – Sebastian respondeu com um sorrisinho sarcástico. Emma não gostava daquele comportamento. Seu filho não era tão amargurado assim. Ou, pelo menos, não deveria ser.

– Você sabe do que estou falando. Desde que voltamos para os Estados Unidos e você foi morar sozinho, raramente nos visita e ainda assim é por obrigação.

– Não foi esse o acordo? Papai precisava ficar aqui pela vaga de juiz estadual, enquanto eu fui enterrado no interior desse estado de merda… Ele conseguiu a vaga e eu continuo lá, longe dos olhares, pra que ninguém saiba que o filho do juiz Smythe é um devasso que gosta de homens quando deveria gostar de mulheres. Na verdade, as pessoas até sabem. Elas só não precisam conviver com isso, não é mesmo?

– Não fale assim, Sebastian. Quando voltamos, o clima nessa casa estava insuportável… Eu estava grávida e não suportava ver as duas pessoas que eu mais amo nesse mundo agindo como estranhos sob o mesmo teto. Aquilo estava fazendo mal a mim e à Bonnie… Procuramos uma boa escola, montamos um apartamento e você vive com conforto, mas você sabe que pode voltar pra casa assim que quiser e…

– Por favor, mãe… Não vamos voltar a isso. Já tivemos essa mesma conversa várias vezes e ela sempre termina da mesma forma: eu não vou voltar. Voltar significa reviver as brigas. Ou pior, reviver a indiferença, a raiva. Ele não me aceita e, mesmo se aceitasse, eu não sei se estou pronto para perdoá-lo.

– Mas agora é diferente. Seu pai está diferente. Um dia desses, eu o peguei olhando um álbum de fotos antigas; a expressão no rosto dele… Ele sente sua falta, Seb. E eu também, eu sinto muito. Você é meu filho… Nosso filho. Tom pode ter agido de forma terrível, mas ele ainda é seu pai. Ele ainda te ama.

Depois dessas palavras, Sebastian permaneceu em silêncio por alguns instantes. Ficava cada vez mais difícil dizer aquilo, principalmente depois de declarações como essa, mas ele precisava dizer. Precisava continuar dizendo:

– Eu não vou voltar. – Sebastian deixou de encarar o tampo da mesa para olhar nos olhos castanhos de sua mãe. Ele era parecido com ela em muitas coisas; a mesma cor de cabelo, o mesmo tom de pele… Até mesmo o sinal que ambos tinham atrás da orelha esquerda. Mas os olhos azuis ele herdara do pai.

– Então… Por que está aqui? – O olhar de Emma passou de tristeza à curiosidade.

– Eu só estava de saco cheio da escola e de toda aquela gente provinciana… Como eu teria que vir pra cá de qualquer forma, resolvi adiantar um pouco as coisas. – Sebastian deu de ombros. – Vou subir, ok? Vou tomar um banho e dar uma olhada na Bonnie. Depois disso, vou dormir. Coisa que você também deveria fazer, mãe. – Ele levantou-se, levando a louça para a pia. Depois beijou o topo da cabeça de Emma e foi em direção à sala.

[…]

Notas finais
Mil desculpas pelo longo tempo de espera! Mas as coisas estão bem complicadas... Estou sem internet e com um bloqueio criativo imenso. Esse capítulo está incompleto, mas quis postar assim mesmo, como um presente de natal - ou uma parte dele. Muitos beijos e Feliz Natal!