Notas iniciais
Esse capítulo é a primeira parte das várias tretas que acontecem no 3x11 - "Michael". Então, eu super recomendo que quem quiser/puder, assista ao episódio. Ou pelo menos as cenas em que o Sebastian aparece - que foi o que eu fiz, hahahahaha. Espero que gostem! :)

As férias de fim de ano chegaram e passaram sem que Santana tivesse resolvido o que fazer.

Ela falara poucas vezes com Brittany desde que a garota viajara. Era difícil encontrar a loirinha disponível no Skype. Ela estava sempre passeando com os pais, porque adorava Amsterdã. Além disso, a loirinha achava difícil demais entender as diferenças de fuso-horário para que pudessem combinar um horário em que ambas estivessem acordadas para conversar. Aquilo até deveria incomodar Santana, mas, para ser sincera, a latina não estava ligando muito. Ela tinha muitas coisas com o que se preocupar. Ter seu tempo sozinha era bom para colocar todas as ideias em ordem.

Brittany. Meu Deus, como era difícil pensar em Brittany... A garota mais doce que já conhecera. Santana não tinha quaisquer dúvidas sobre o que sentia por Brittany. Amor. É claro que era amor. O problema é que, de uns tempos pra cá, as coisas estavam diferentes. Manter a chama acesa – como sua mãe havia falado – estava mais difícil do que deveria ser. Aquilo não poderia estar certo. Ela passou tanto tempo sofrendo antes de conseguir namorar Brittany e agora... Ela nem mesmo sabia se ainda a amava do mesmo jeito. Santana nem mesmo se lembrava da última vez que sentira fogos de artifício ao beijar a boca delicada de Brittany. Santana a adorava é claro. Mas não deveria ver luzes brilhantes e sentir o coração batendo mais rápido toda vez que visse a namorada? Ela sabia que a resposta era sim, porque, até algum tempo atrás, estar com a loira era a melhor parte de seus dias. Mas então... O que havia mudado?

Talvez as maravilhas dos primeiros meses juntas tivessem se dissipado. A maioria das pessoas dizia que “os opostos se atraem” – esse não era mesmo um ditado universal? Mas Santana começava a duvidar disso. Seu relacionamento com Brittany estava muito desgastante; elas eram diferentes demais. Conviver com Brittany nunca fora um problema para Santana, mas namorar... Era tudo tão diferente e, ao mesmo tempo, igual. Ela não sabia como descrever. Mas, pela primeira vez, ela chegara a pensar que talvez as duas não devessem ficar juntas. Ela se apaixonara e Brittany se apaixonara também. Mas toda a certeza de seus sentimentos parecia ter se esvaído e Santana não conseguia ver muitas razões para estar com Brittany. Aquilo era assustador. Se apaixonar, sofrer por não ser correspondida, e então ser correspondida só para, depois de algum tempo, descobrir que tudo parecia errado. O que diabos estava acontecendo?

E ainda tinha Sebastian. Sebastian Smythe... O cara que, com uma música, conseguiu acender uma pequena faísca em Santana. E o pior é que ela gostara. Gostara da emoção correndo em suas veias, quente como o fogo, com a sensação de ter um desafio à sua frente, estar na ponta de uma faca, pendendo entre dois lados: amor e ódio. Amor... “Amor” conseguia ser uma palavra mais forte do que ódio. Não. Amor não era a palavra certa. Desejo talvez... Desejo que sentia quando ainda ficava com garotos, desejo que já não sentia mais por Brittany. Apenas desejo. E então o ódio... Ódio por estar confusa, ódio por ele conseguir provocar tantas sensações nela e ódio porque aquilo eram só coisas da sua cabeça. Ódio porque ele não era bom. Ódio porque ele nunca sentiria nada por ela. Mas Quinn achava que havia essa possibilidade... Mas então, como descobrir?

Ela não tinha ideia.

Aquela era a primeira semana de volta ao McKinley e a preparação para as Regionais começaria pra valer. As Regionais significavam ganhar ou perder para os Warblers, mas – mais do que isso ­– significavam também ver Sebastian de novo.

Santana só não sabia que o encontraria tão em breve.

[...]

Era terça-feira à tarde e Santana estava com Kurt, Blaine, Rachel e Artie no Lima Bean. No dia anterior, o sr. Schue havia dito que poderiam apresentar músicas de Michael Jackson também nas Regionais, o que deixara a todos animados, então aquele era o assunto sobre o qual estavam conversando, até que ele aparecera.

Havia algo diferente, Santana sabia. Ele cumprimentara apenas Blaine, o que por si só já a deixara com raiva. Entretanto, ela se lembrava das circunstâncias em que se viram pela última vez... Talvez Sebastian estivesse com raiva dela, mas Santana não entendia o por quê. Tudo era muito confuso quando se tratava deles dois.

Então ele disse que os Warblers também fariam MJ para as Regionais e, quando ela o ameaçou – como costumava fazer –, ele rebateu com a mesma ameaça que já usara uma vez: a de que o seu pai era um advogado do estado e que ela iria parar na cadeia caso fizesse algo contra ele. Da primeira vez que ouvira essas palavras, fora fácil ignorar o sentido delas, mas agora... Santana podia ver o brilho de frieza nos olhos azuis de Sebastian. Isso e o fato de ele mencionar o pai tão facilmente diziam a Santana que algo estava muito errado.

“Sou o líder dos Warblers agora, e cansei de jogar limpo.” – A frase foi o suficiente para preocupar Santana. Então ele se virou e foi embora. O que ele pretendia? Nada de bom, pois uma pessoa que muda o próprio setlist apenas para prejudicar outro coral claramente não tinha boas intenções.

Além disso... Quer dizer que ele ficava trocando mensagens com Blaine?!

[...]

[Artie, New Directions e Warblers]:

“Sua bunda é minha

Vou falar direto

Trate de mostrar seu rosto

Em plena luz do dia

Estou lhe avisando

Como eu me sinto

Vai ferir sua mente

Não atire para matar

Vamos lá

Vamos lá

Deixe comigo

Tá certo”

Sebastian tinha o cuidado de não olhar muito para Santana, mas podia sentir os olhos dela sobre si. Além disso, viu um brilho de reconhecimento nos olhos azuis de Brittany S. Pierce quando ela o olhou rapidamente, mas a garota parecia estar mais interessada em realizar seus passos de dança do que em encará-lo. Ela dançava muito bem. Havia ainda um terceiro par de olhos que o intrigou: os olhos verdes da loira de cabelos curtos. Sebastian não a conhecia, além de saber que ela fazia parte do New Directions, então não sabia por que ela estava o encarando. Fora esses olhares, todos os outros só expressavam uma coisa para Sebastian: raiva.

“Seus olhos mentirosos

Vou falar direto

Então ouça

Não crie uma briga

Seu papo é bobeira

Você não é um homem

Você joga pedras

Para esconder suas mãos”

[Blaine, New Directions e Warblers]:

“Mas eles dizem que céu é o limite

E para mim realmente é verdade

Mas amigo, você ainda não viu nada

Espere até eu superá-lo”

Quando todos se aproximaram para formar pares com um de cada grupo, os olhares de Santana cruzaram com os de Sebastian, mas ele rapidamente se virou e ela acabou confrontando outro garoto qualquer. Para ela, todos os outros Warblers tinham rostos iguais. Mas por que ele estava evitando até mesmo se aproximar dela?

[Santana, New Directions e Warblers]:

“Porque sou mau, sou mau

Vamos lá

(mau, mau — realmente, realmente mau)

Porque sou mau, sou mau

Você sabe

(mau, mau — realmente, realmente mau)

Porque sou mau, sou mau

Vamos lá, você sabe

(mau, mau — realmente, realmente mau)


E o mundo inteiro irá responder agora

Só para lhe dizer mais uma vez

Quem é mau”

“Porque sou mau, sou mau
Vamos lá
(mau, mau — realmente, realmente mau)
Você sabe que sou mau, sou mau,
Você sabe
(mau, mau — realmente, realmente mau)
Você sabe que sou mau, sou mau
Você sabe, você sabe
(mau, mau — realmente, realmente mau)”

Não teve jeito de fugir dela. Santana veio rapidamente em sua direção e sua única saída fora fazer dupla com ela para mais um refrão. Finalmente, ele olhou nos olhos escuros e não sabia decifrar o que via. Sebastian poderia se perder facilmente naquele momento, mas então lembrou: “a raspadinha!” Afastou-se de Santana enquanto via um saco de papel pardo passar pelas mãos de seus companheiros. Em breve, atingiria o integrante do ND que era mais vulnerável a ele: Kurt.


“Woo! Woo! Woo!
E o mundo inteiro irá responder agora
Só para lhe dizer mais uma vez

Quem é mau”

No último segundo, Blaine viu o que aconteceria, então empurrou Kurt e acabou levando o slushie em cheio no rosto. Ele caiu no chão, gritando e se contorcendo, e a única coisa que Sebastian conseguiu pensar antes de se virar e ir embora foi “merda!” – no momento em que não tinha mais como voltar atrás, ele percebeu que havia feito uma burrada.

Enquanto isso, Santana estava paralisada, tentando entender o que estava acontecendo. Ela nunca vira alguém se debater e grunhir tanto por causa de um slushie, mas Blaine estava em verdadeira agonia. Quando levantou os olhos, tudo o que pode ver foi a ponta de uma jaqueta azul desaparecendo na saída do estacionamento onde estavam. Ela olhou para o lado e viu Quinn olhando-a de volta, com uma expressão atônita no rosto. Todos os outros estavam desnorteados, até que Finn e Kurt começaram a levantar Blaine e o levaram para fora, seguidos por todos os outros. Eles o colocaram no carro e Kurt disse que o levaria ao hospital, mas que todos os outros podiam ir pra casa. Santana sentiu a mão de Brittany encaixar na sua e deixou-se ser levada até o próprio carro. Ela viu Quinn assumir o volante e sentou-se ao seu lado, com Brittany atrás. Nenhuma delas disse nada – até mesmo Brittany entendera que a situação era séria – e o caminho para casa passou em um borrão para os olhos de Santana.

[...]

No dia seguinte, todos esperavam Kurt na sala do coral antes de as aulas do dia começarem. Ele entrou e Rachel adiantou-se, fazendo as perguntas que todos queriam:

– Como ele está? Ele está bem?

Com uma cara péssima, Kurt começou a explicar a situação de Blaine: a córnea arranhada, a necessidade de uma cirurgia... Santana ficou estupefata. Ele tinha mesmo feito alguma coisa com a raspadinha. Finn começou a especular o que tinha de diferente no slushie e Artie e Mike começaram a falar em revidar o ocorrido, sendo logo foram repreendidos pelo Sr. Schuester. Mas uma coisa era certa: naquele momento, todos naquela sala odiavam Sebastian Smythe.

[...]

Quinn terminava as últimas notas de “Never Can Say Goodbye” e Santana não conseguia conter o enorme sorriso que estampava seu rosto. Em meio a uma semana atribulada, Quinn recebera a carta que tanto esperava e é claro que ela ligou para Santana assim que Judy entregou a carta em suas mãos.

~Naquele mesmo dia, mais cedo~

Seis toques foram o que demorou para Santana responder com uma voz ainda sonolenta, apesar de ela já estar quase saindo de casa para ir à escola.

– O que é, Quinn? Você sabe que sou uma pessoa muito matinal... Só que ao contrário. – Santana disse, contendo um bocejo. Ela estava acabando sua tigela de cereal, com Maribel encarando-a enquanto bebericava uma xícara de café. Jorge lia o jornal.

– Santana... Minha, minha carta chegou. – Quinn soava estranha ao telefone. Santana quase cuspiu leite na cara de seu pai. De repente, ela sentia-se tão acordada que poderia realizar uma série de saltos para as Cheerios.

– O quê? Já? Por que tão cedo? Quinn, o que diz aí? – Santana não cabia em si de agitação e Maribel olhava-a curiosa. Até mesmo Jorge baixara o jornal que lia para encarar a filha.

– San... Preciso que venha aqui. – A voz de Quinn parecia ser a de alguém que estava prestes a chorar. Santana quase se desesperou.

– Estou a caminho. – Santana disse e Quinn desligou. A latina levantou-se rapidamente.

– ¿Qué está pasando, cariño? – Jorge perguntou.

– Lo siento, papá. Pero no puedo explicar ahora. Hasta más tarde! – Santana beijou a mãe e saiu correndo pelo corredor. Pegou o casaco e a mochila na sala e saiu de casa.

9 minutos foi o tempo que Santana levou até estacionar o carro cantando os pneus na frente da casa de Quinn. Ela soltou o cinto de segurança com impaciência, saiu do carro batendo a porta e correu para a entrada. Antes que pudesse tocar a campainha, Quinn abriu a porta e se jogou em cima da amiga.

– E então? – Santana disse, afastando-se do abraço para olhar o rosto de Quinn. Ela viu o brilho de lágrimas nos olhos verdes e a loira respondeu:

– Eu consegui, Santana. Consegui!

– Ai, meu Deus! Parabéns, Q! Parabéns! – Foi a vez de Santana abraçar Quinn. Ela começou a pular e logo Quinn a acompanhou, ambas dando gargalhadas. Judy veio até a porta ver o que estava acontecendo e começou a rir das duas. Ela também estava muito feliz, afinal, não era todo dia que uma filha ganhava a admissão para uma das faculdades de maior prestígio do país.

Quando elas pararam de comemorar, Quinn disse:

­ — Obrigada por ter vindo tão rápido... Espero que não tenha matado ninguém no caminho. – Quinn ria de felicidade.

– Eu vou matar é você! Eu quase morri do coração vindo pra cá! A sua voz de enterro no telefone... Se eu não estivesse tão feliz, podia mesmo te matar! – Santana dava pequenos tapas em Quinn.

– Tá bem, tá bem! Me desculpa. Mas eu precisava fazer um suspense.

– Tá bom, sua idiota. Vamos? Ainda temos que passar na casa da Brittany e você sabe que ela provavelmente vai te pegar no colo e ficar rodando na calçada até você fazer xixi na calça de tanto rir quando souber disso. – Santana disse e Quinn assentiu. Ela entrou em casa e voltou rapidamente com sua bolsa, então deu um beijo de despedida em Judy e foram juntas para o carro de Santana.

~De volta à sala do clube Glee~

Quinn disse mais algumas palavras e Santana percebeu que a loira se dirigia à Hobbit, o que achou estranho. Assim que Quinn terminou de falar, Santana foi a primeira a se levantar para abraçar a amiga outra vez. Aquela era a melhor notícia da semana.

[...]

Santana caminhava por um corredor do McKinley, até que viu Kurt sentado sozinho em uma sala de aula, encarando a própria mesa.

– Hey, o que está fazendo? – Santana perguntou enquanto caminhava até ele.

– Tentando não ficar vermelho de raiva e acabar atirando em alguém. – Kurt suspirou, parecendo cansado.

– Bom... Essa roupa não está ajudando. – Santana disse, sentando-se à frente dele.

– Eu concordo com o Artie. Estou cansado de ser sempre pisado. Aguento muita merda, de muitas pessoas. Mas me recuso a aceitar isso de Sebastian, o Esquilo Criminoso. – Kurt disse e Santana sorriu minimamente. – Então, estou sentado aqui há uma hora, fazendo uma lista de formas de revidar.

– Então hoje é o seu dia de sorte, porque tia Snixx acabou de chegar da Cidade das Vadias. Bom, eu sugiro que o levemos, amarrado, amordaçado e encapuzado, até um tatuador que coloque no cóccix dele “aceito gorjetas” ou “parabéns, você é o meu milionésimo cliente”.

– Na verdade, depois do que ele fez com o Blaine... Eu realmente queria machucá-lo. Mas não posso. Tenho lutado contra violência nessa escola há muito tempo. Preciso ser superior.

– Quer saber, Smurf Saltitante? Eu respeito isso. Provavelmente você está certo. Eu quero ir pra uma faculdade que não seja no pátio de uma prisão, então... Vamos elevar o nível disso. Não vamos vencer Sebastian jogando sujo. Mas nós vamos vencê-lo. Eu prometo. – Santana afirmou e Kurt acenou com a cabeça.

Estava na hora de mais uma visita à Dalton. A última delas talvez.

Notas finais
Como é muuuuita coisa, vou demorar um pouco a postar de novo, apesar de já estar escrevendo o próximo. Comentem, comentem! Dúvidas, sugestões, reclamações... É só falar! Até o próximo.