Notas iniciais
Gostaria de agradecer imensamente a cada um dos comentários que tenho recebido, cada "favorito" que a fic ganha e cada "acompanhamento". Vocês não sabem a alegria que me dão com tudo isso. Muito obrigada mesmo! Não mudei muito a cena original de Smooth Criminal, mas espero que isso não decepcione vocês... Queria poder encher o capítulo de gifs, porque essa performance merece muito! Maaaas, o Nyah não deixa... Então, pra quem quiser, deixo aqui alguns dos meus favoritos: http://38.media.tumblr.com/tumblr_lz5b5urhGD1qfmk40o1_500.gif http://static.tumblr.com/8b9amqf/yzclyo4f0/tumblr_lymiweayc51r1y0a6o1_500.gif http://media.tumblr.com/tumblr_lyh1h3LU4U1qapg62o1_500.gif

Os aproximados 45 minutos que Santana fez do seu caminho de casa até a Dalton a deram tempo para pensar em tudo o que vinha acontecendo naquela semana. Em como Sebastian vinha agindo e em como ela se sentia em relação a isso.

Ela achou que, quando o visse, saberia o que fazer para descobrir o que estava acontecendo entre eles; se ela estava realmente se sentindo atraída por ele, se aquilo tudo era mero fruto de sua imaginação e, o mais importante, se ele sentia algo por ela. Mas, em todas as ocasiões em que o vira até agora, ele mostrara-se frio e distante. Santana não o conhecia realmente, mas, do pouco que o conhecia, ela já não o reconhecia mais. O que será que duas semanas de férias haviam mudado?

Analisando o que ele tinha feito a Blaine, descobriu que sentia raiva. Primeiro, sentia raiva porque Blaine se machucara; segundo, porque Sebastian o ferira de caso pensado, intencionalmente; terceiro, sentia raiva de si mesma, porque aquilo a estava afetando de uma forma que ela não conseguia explicar. Ela estava com raiva de Sebastian por ele ser uma espécie de monstro. Estava com raiva porque ele não deveria ser assim. Ele era a mesma pessoa que insultava a tudo e a todos o tempo todo, como ela mesma fazia, mas também era a mesma pessoa que compartilhara segredos, que conversara de igual pra igual e que a fizera se sentir melhor quando nem mesmo Brittany conseguira; ele era a mesma pessoa que a dissera para não parar de cantar quando ela perdera as Seccionais... Não que ela fosse mesmo parar, mas ele meio que demonstrara que se importava com aquilo. E agora... Ele ferira a pessoa por quem supostamente estava “apaixonado”. Afinal, quem era Sebastian Smythe?

Não importava – ou pelo menos, não agora. Ela precisava concentrar-se apenas em descobrir a verdade, em conseguir provas do que ele havia feito. Ela estacionou o carro na esquina da rua e, antes de sair, conferiu o gravador que Artie lhe dera mais cedo; ela daria um jeito de ligá-lo antes de entrar na sala do coral. Então saiu do carro e andou tranquilamente pelo caminho que a levaria até ele.

[...]

Ela entrou por uma das portas duplas ao mesmo tempo em que Sebastian e os outros Warblers entravam pelo lado oposto da sala. Era quase como se tivessem marcado mais um encontro. Quase. Sebastian percebeu que era a primeira vez que estavam naquela sala com outras pessoas, e isso não pareceu certo. Quando voltara de férias, gostava de estar naquela sala durante algum ensaio e lembrar-se dos momentos que tivera ali sozinho com Santana. Ele sacudiu levemente a cabeça para afastar tais pensamentos e concentrou-se no belo problema à sua frente: uma latina vestida em preto no melhor estilo Michael Jackson. Ela estava linda e Sebastian pensou que a vida, o destino, ou o que quer que fosse, não estava ao seu lado naquele momento. Pela sua expressão, Sebastian podia dizer que ela estava furiosa. Contida, mas furiosa.

– Hey, Andrew McCarthy. – Santana caminhava rapidamente na direção deles. Mais uma vez, ela não se sentia nem minimamente intimidada, mesmo sendo apenas uma à frente de tantos rivais. Sebastian não conseguia deixar de admirar essa característica nela. – Não sei se soube, mas Blaine pode perder o olho. – Santana disse e ela poderia jurar que viu uma sombra de culpa perpassar os olhos azuis de Sebastian, mas tudo o que ele fez foi cruzar os braços em uma forma inconsciente de proteção. Santana tinha vontade de bater nele. – O mesmo Blaine que era melhor amigo da maioria de vocês há menos de quatro meses.

– Espere, você está falando sério? Ele vai ficar bem? – O gordinho ao lado de Sebastian tinha uma expressão de choque no rosto.

– Ah, claro. Se ele não se importar de ver em três dimensões... – A morena respondeu.

– Trent, deixa isso comigo. – Sebastian interrompeu. Era hora de vestir sua melhor máscara de filho da puta. – É uma pena, Blaine era bonito. Ele não devia ter se metido. Aquele slushie era para o Kurt.

– Você não entende, não é? Não importa se era pro Kurt, pro Blaine ou pro Obama. Você machucou alguém, Smythe. De propósito. – Santana disse, a raiva aparecendo claramente em cada palavra que ela dizia. Sebastian se sentia péssimo, mas não ia ceder. Não podia fazer isso. – O seu azar é que esse alguém é meu amigo, então você pode parecer o vilão de um filme colegial brega dos anos 80, mas saiba que eu estou totalmente preparada para dar uma de Danny LaRusso pra cima de você. – Sebastian começou a sorrir. Ele só conseguia pensar no quanto Santana era adorável fazendo ameaças. “Que merda, Sebastian! Pare com isso, seu idiota!” – Admita que colocou alguma coisa na raspadinha. O que foi? Vidro? Asfalto?

– Corante vermelho.

– Você é um mentiroso. – Santana cuspiu as palavras e Sebastian viu a oportunidade perfeita:

– Ela questionou minha honra. Eu exijo reparação no estilo Warbler.

– Quer um duelo? – Ele assentiu. – Caras do violoncelo, vocês podem ficar? Preciso de vocês nessa.

– Todos os outros, saiam. Não quero que me vejam fazer uma garota chorar. – Não havia sido assim tão difícil se livrar de todas aquelas pessoas, afinal de contas.

– Vamos apenas nos focar nisso. – Santana disse, parecendo ler seus pensamentos. Ela não estava ali para gracinhas.

Os caras do violoncelo começaram a tocar, enquanto todos os outros saíam da sala. Santana sentou-se cruzando as pernas e os braços exageradamente. Sebastian apoiou-se brevemente numa cadeira, observando o movimento. Logo ele começou a movimentar-se pela sala:

Quando ele chegou na janela
Era o som de um ardiloso
Ele entrou em seu apartamento
Ele deixou as manchas de sangue no tapete
Ela correu por baixo da mesa
Ele podia ver que ela era incapaz
Então ela correu para o quarto
Ela foi derrubada, foi a sua desgraça

f

Annie você está bem?
Então, Annie você está bem?
Você está bem, Annie?

Annie você está bem?
Então, Annie você está bem?
Você está bem, Annie?

Tudo parecia diferente agora que os dois estavam cantando juntos. Os toques leves um no outro, as insinuações, os olhares que não se desviavam... Estavam fugindo e, ao mesmo tempo, correndo um para o outro. Em uma hora, Santana puxava-o pela gravata e, em outra, empurrava Sebastian com a mão. Ele não conseguia tirar os olhos dela e já começava a pensar na burrice de ter pedido para cantar com Santana. Tê-la tão perto era um desafio à sua sanidade.

Annie você está bem?
Então, Annie você está bem?
Você está bem, Annie?
Então, Annie você está bem,você está bem Annie?

Annie você está bem?
Você vai nos dizer que está bem ?
Tem uma marca na janela
De que ele lhe acertou — um ardiloso Annie
Ele veio no seu apartamento
Ele deixou as manchas de sangue no tapete
Então você correu para dentro do quarto
Você foi derrubada
Foi a sua desgraça

Annie você está bem?
Então, Annie você está bem?
Você está bem, Annie?

Annie você está bem?
Então, Annie você está bem?
Você está bem, Annie?


Annie você está bem?
Então, Annie você está bem?
Você está bem Annie?
Você foi atingida por um criminoso ardiloso

Eu não sei!
Annie, você está bem?
Você vai nos dizer se está bem?

Eu não sei!
Tem uma marca na janela
(eu não sei!)
De que ele lhe acertou — um ardiloso Annie
(eu não sei!)
Ele veio no seu apartamento
(eu não sei!)
Ele deixou as manchas de sangue no tapete
(eu não sei porque, baby!)
Então você correu para o quarto
(eu não sei!)
Você foi derrubada
Foi a sua desgraça, Annie!

“Por que a voz dele/dela tinha que ser tão incrível?” – Os dois pensavam.

Annie, você está bem?

(Papai se foi — baby!)
Você vai nos dizer se está bem?
(Papai se foi — baby!)
Tem uma marca na janela
(Papai se foi — baby!)
Ele golpeou você — um estrondo Annie
(Hoo! Hoo!)
Ele entrou no seu apartamento
(Papai se foi!)
Deixou manchas de sangue no tapete
(Hoo! Hoo!)
Então você correu para o quarto
Papai se foi!
Você foi derrubada
Foi a sua desgraça — Annie!
Você foi golpeada por
Você foi acertada por um criminoso ardiloso

Quando a música acabou, eles pararam frente a frente, a centímetros de distância um do outro. Seria tão fácil para Sebastian se abaixar um pouquinho e inclinar-se para frente...

– Eu fui melhor. – Santana adiantou-se. Ela resolveu falar antes que fizesse alguma besteira. Ele estava logo ali...

– Não chegou nem perto. – Sebastian virou-se.

– Agora me conta a verdade: o que você colocou na droga daquela raspadinha?

– Sal-gema. ­– Ele disse, de costas. Os Warblers já começavam a entrar na sala outra vez. Santana viu um copo de slushie e percebeu o que aconteceria em seguida, mas tudo bem, ela não recuaria. Que ele fizesse o serviço completo então, assim ela poderia odiá-lo em paz. Entretanto, Sebastian apenas virou-se para olhá-la outra vez e continuou: — Por que não vai embora agora? Conseguiu o que queria, não conseguiu?

Santana não soube o que responder. Ele estava deixando-a ir, sem mais nenhuma humilhação. O que aquilo significava?

– Espero que você tenha conseguido o que queria. – Ela disse, já se virando para voltar pelo caminho pelo qual viera.

– Depende do que você estiver falando, Shakira. – Santana não viu, mas Sebastian arqueou uma sobrancelha.

Enquanto isso, Trent dava mais um gole em sua raspadinha.

[...]

Santana jogou-se no banco de seu carro e bateu a porta. Em seguida, ela esmurrou o volante com as duas mãos e olhou pra baixo, respirando fundo; atou o cinto de segurança e começou a dirigir. Parecia um déjà-vu da última vez em que estivera ali. Agora que tinha saído de perto dele, a raiva voltara a dominá-la. Já era a segunda vez que sentira vontade de pular no pescoço dele. Mas não para matar aquele desgraçado. Não... Ela sentira vontade de beijá-lo. Aquilo era repugnante. Como ela podia sentir aquilo por Sebastian Smythe? Argh! Santana fazia caretas com cada pensamento.

Ela parou num sinal vermelho e aproveitou para retirar o gravador de dentro do seu top. Ela apertou um botão e ouviu a voz dele confessar que tinha alterado a raspadinha. Sal-gema... Não era à toa que Blaine tinha uma córnea arranhada. Mais uma vez, ela se deu conta de como Sebastian era um mau caráter. Ela precisava se afastar. Para o seu próprio bem.

[...]

Ela podia estar furiosa, mas agora Sebastian tinha pontinhas de esperança em seu íntimo. Ele não queria se apegar a isso, mas era inevitável. Ele vira o jeito como Santana o olhara e aquilo não podia ser coisa da sua imaginação. Ela também o queria... Ele sabia que sim. O problema agora era que ela estava furiosa com ele. E com razão.

Por que ele tinha que ter alterado o slushie? É claro que estava arrependido... Ele nunca antes tinha parado pra pensar na consequência de seus atos. Quando colocara as minúsculas pedras na raspadinha, ele tinha esperanças de que Kurt se engasgasse com o líquido. Ele nunca imaginara que, por sua culpa, Blaine poderia perder um olho... Ele fora inconsequente e irresponsável. Sabia disso. E se arrependia, de verdade. Santana só viera para agravar a situação. Ele não podia demonstrar fraqueza na frente dela ou de qualquer outra pessoa. Foi por isso que não se desculpou naquela tarde. Mas ele daria um jeito. Precisava consertar tudo. Agora, mais do que nunca.

Ele procurou por um nome na agenda do celular e logo discou um número. Depois de três toques, uma voz respondeu:

– Senhor Smythe? Que surpresa!

– Robert, você sabe que não precisa me chamar de “senhor”. – Sebastian repreendeu. Robert Lewis trabalhava com Thomas há muitos anos, como uma espécie de assessor. Mas ele era bem mais que isso, era também um amigo da família, alguém em que os Smythe podiam confiar.

– Desculpe, Sebastian. É que já faz muito tempo... – Sebastian percebeu pontadas de tristeza naquelas palavras.

– Eu sei... – O garoto respondeu, mas não queria entrar naquele assunto. – Escute, preciso de um favor.

– O que o senhor... Digo, o que você quiser, meu jovem. – Robert se prontificou.

– Preciso que você descubra um endereço de uma pessoa.

– Essa pessoa tem um nome? – Robert perguntou.

– Blaine. O nome da família é “Anderson”. Acha que pode fazer isso pra mim, Robert?

– É claro, Sebastian! Nem mesmo me tomará muito tempo. Mandarei uma mensagem quando descobrir.

– Você é incrível, Robert! Mas... Eu preferia que isso ficasse apenas entre nós, ok? Se puder, não comente nada com papai.

– Sem problemas, senh... Sebastian.

Sebastian desligou. Tudo o que poderia fazer agora era aguardar.

Não muito tempo depois, seu celular apitou a chegada de uma nova mensagem. “Caramba. Ele não brinca mesmo em serviço!” Sebastian checou o endereço, que não era muito longe de sua casa. Menos mal. Assim ele resolveria tudo naquela noite mesmo. Ou tentaria resolver, pelo menos.

[...]

Sebastian dirigia olhando atentamente as placas das ruas. Embora Blaine não morasse muito longe, ele nunca havia ido para aqueles lados, então não conhecia muito bem o bairro, mas dava para ver que era uma área bem residencial. Finalmente ele parou em frente à casa de número 37 e desceu do carro. Ele não sabia se era uma boa ideia, mas era a melhor que tinha.

Segundos depois, ele tocou a campainha e uma senhora simpática o atendeu. Ela tinha cabelos pretos e estatura mediana. Os olhos lembravam os de Blaine, então Sebastian presumiu que aquela era a mãe do garoto.

– Hum... Eu vim para ver o Blaine, Sra. Anderson.

– Ah sim, querido. Pode entrar. Quanto mais companhia para o Blaine, melhor! E, por favor, me chame de Pam. “Senhora” faz com que eu me sinta velha.

– Pam? De “Pamela”? – Sebastian começara a sorrir.

– Sim. Pamela Anderson. É uma coincidência horrorosa... Mas um pouco cômica também. – Disse Pam, sorrindo.

– Ele já está com visitas? Eu posso voltar outra hora... – Sebastian começou a falar, mas a mulher o interrompeu.

– Não, imagine! Ele está sozinho, por enquanto. Mas Kurt deve estar chegando. Aliás, qual é o seu nome mesmo? – A Sra. Anderson o conduzia pela casa.

– Anthony. – Sebastian não queria mentir, mas também não podia dizer seu nome e acabar sendo expulso daquela casa a pontapés. Não antes de falar com Blaine. Então optou por dar seu nome do meio.

– Hum... Você não é do New Directions, estou certa?

– Não. Eu estudo na Dalton. E sinto muito pelo que aconteceu com o seu filho, na verdade.

– É, eu imaginei que nem todos os garotos do seu coral tivessem concordado com o que o líder de vocês fez. Mas devo dizer que vocês deveriam repensar a posição que ele ocupa... Deve ser um garoto asqueroso esse tal de Sebastian. – Pam subia as escadas e não pôde ver a expressão no rosto de Sebastian que ela causara com aquelas palavras. Ele olhou para o chão com culpa e nada disse.

Quando os degraus acabaram, ela o guiou por um corredor, parando na segunda porta à esquerda. Ela bateu para anunciar sua entrada e abriu a porta devagar. Blaine estava deitado de pijamas na cama, usando um tapa-olho. Quando seu outro olho focalizou Sebastian, ele engoliu em seco, mas não de medo, e sim de raiva.

– Visita pra você, querido. – Disse Pam alegremente, alheia à tudo. – Vou deixá-los à vontade. – E então saiu, sorrindo para os dois. Sebastian, que estava parado na soleira da porta, entrou no quarto, fechando a porta.

– Eu te daria um soco. Mas preciso manter o máximo de repouso para a cirurgia. – Era estranho ver Blaine agindo de uma forma tão furiosa, considerando que o garoto era a gentileza em pessoa na maior parte do tempo. Mais uma vez, Sebastian sentiu o peso de suas ações. — Você sabia que graças a você eu posso ficar cego de um olho? – Ele estava ressentido. E com razão.

– Sabia. Santana me contou.

– Santana? – Blaine parecia surpreso.

– É. Ela dirigiu meio mundo até a Dalton pra chutar a minha bunda por isso.

Blaine limitou-se a sorrir, então Sebastian continuou:

– Olha, eu vim aqui porque estou arrependido. De verdade. Eu não sei se você já sabe, mas... Eu realmente coloquei coisas naquela raspadinha. Coisas que te machucaram. E eu realmente me arrependo disso. A última coisa que eu queria era te machucar, Blaine. – Ele falava agitado.

– Se você está aqui pedindo desculpas porque acha que existe qualquer tipo de coisa acontecendo entre nós, eu preciso esclarecer que você não tem nenhuma chance... Eu amo o Kurt, ok? E...

– Não, não é nada disso. Não! – Sebastian interrompeu. — Eu sei que deve ser difícil de acreditar, mas eu estou aqui apenas para te pedir desculpas, sem nenhuma segunda intenção. Quero que saiba que eu não pensei nas consequências do que, na minha cabeça, era só uma brincadeira. Me arrependo do que fiz. E espero que você possa me desculpar... Algum dia. De qualquer forma, não vou mais criar nenhum problema pra você ou Kurt... Não estou apaixonado por você, Blaine. Não se ofenda, mas eu nunca estive. Eu só não tinha me dado conta disso ainda. – Sebastian parecia sincero, mas era difícil para Blaine acreditar naquelas palavras.

– Não sei o que dizer, Sebastian. Eu pensei que fôssemos amigos. Mas o que você fez foi muito sério.

– Eu sei. Me desculpe. De verdade.

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. Sebastian olhava ansiosamente para Blaine, que parecia mais interessado em alisar uma parte de seu lençol. Sebastian resolveu continuar:

– Olha, eu sei que não tenho o direito de te pedir nada, mas... – Ele começou, mas logo foi interrompido.

– Não, você não tem. – Um par de olhos azuis o encarava furiosamente da entrada do quarto.

– Kurt? Há quanto tempo está aí? – Blaine perguntou confuso.

– Há tempo suficiente para saber que você – Ele indicou Sebastian com a cabeça. — está blefando. Você não presta, Sebastian. E se o Blaine não te expulsou daqui ainda, é porque ele não pode se alterar.

– Kurt, deixa ele terminar de falar. – Blaine interviu.

– Falar o que, Blaine? Ele quase te cegou! E ele realmente quis me machucar. A única coisa que ainda me surpreende é que ele tenha tido a cara de pau de vir até aqui. Além disso, eu não acredito que você deu seu endereço a ele! – Kurt falava ofegante.

– Não, Kurt. Ele não deu. Eu descobri... – Foi a vez de Sebastian intervir.

– E ainda por cima é um maníaco perseguidor... – Kurt balançou a cabeça, incrédulo.

– Olha, eu só tenho mais uma coisa pra falar e então eu vou embora. Acreditem ou não, eu vim aqui para me desculpar. Blaine, sei que o Kurt nunca me escutaria e ele tem razão. A raspadinha era pra ele, afinal de contas. Mas você foi o maior prejudicado nessa história toda. Então eu precisava falar com você. Você já sabe o quanto eu lamento o que aconteceu e eu deixo vocês com a promessa de que não vou mais interferir de qualquer forma no seu relacionamento ou no seu clube de coral. A única coisa que peço é que não contem a mais ninguém que eu vim aqui. Não me importo que todos pensem que sou um marginal. Eu só queria que vocês dois soubessem como me sinto a respeito, porque vocês tem o direito de me ouvir admitindo a merda que fiz. Então é isso.

Sebastian virou-se e saiu do quarto.

– O que você acha? – Blaine perguntou depois que Kurt sentou-se perto dele na cama.

– Eu sabia que você ia me perguntar isso e estava pronto para chover insultos sobre ele, mas... – Kurt balançou a cabeça.

– Mas...? – O moreno quis saber.

– Essa última parte. Me pegou de surpresa. Ele não querer que a gente conte aos outros sobre isso e...

– Significa que foi de verdade, não é? Essas desculpas... Foram pra valer.

– Detesto ter que admitir isso, mas... Eu acho que sim, Blaine. – Kurt encarou o namorado. – O que vamos fazer agora?

– Falar com Santana. Você sabia que ela foi até a Dalton?

– Não. Eu também descobri isso agora, embora ela tenha me dito que resolveria tudo.

– Ela realmente se importa, não é? – Blaine sorriu mais uma vez ao pensar em Santana.

– É. Ela pode ser uma cretina na maior parte do tempo, mas também é uma amiga de verdade.

– Então amanhã, na escola, você fala com ela.

– Tudo bem. Mas então... O que você quer fazer hoje à noite? How I Met Your Mother? – Kurt perguntou, levantando-se da cama e indo até o aparelho de dvd que havia no quarto.

– Você me conhece tão bem... – Blaine deu um selinho em Kurt quando o garoto voltou para a cama com um controle na mão.

Notas finais
Antes que me perguntem, o beijo será em um ou dois capítulos... Se eu não mudar de ideia. HAHAHAHAHAHA Continuem comentando! O capítulo ficou grandão porque vocês merecem! :*