Locked Out of Heaven

27 I'm going... It's all over.


Notas iniciais
Primeiramente, eu gostaria de agradecer especialmente (já que deixei essa parte de fora nas notas do último capítulo) às meninas que recomendaram lindamente à fic. LauPrado e HunterGleekForever: vocês merecem todos os agradecimentos que eu já fiz, faço e continuarei fazendo. Esse capítulo não tem muitos diálogos, mas eu espero que gostem. Nem demorei tanto assim, neh? :D

Santana amassou o bilhete, soltou-o no mesmo lugar em que o encontrara e se largou na cama. Ela encarou o teto por alguns minutos enquanto pensava na única coisa que lhe ocorria: “Acabou.”

Agora era pra valer. Quando saísse pela porta da frente daquela casa, não o veria mais. Não havia mais nenhuma desculpa para qualquer encontro, não havia mais nada a se fazer. Ela seguiria sua vida como sempre fora, com a única diferença de que ele deixara um rastro de destruição por onde passara. Sebastian causara danos à Blaine, Kurt, a ela e a Brittany. “Brittany” – Santana suspirou. Será que elas ainda estariam juntas, se ele não tivesse aparecido e bagunçado tudo? Provavelmente sim. Santana tinha um carinho imenso por Brittany. Ela chegava até mesmo a pensar se tudo o que sentia pela garota não era amor. Talvez até tenha sido, por algum tempo. Mas, quando ela pensava em tudo que vivera com Sebastian, ela não conseguia lamentar o fato de seu namoro com Brittany ter acabado. Ela ainda demoraria muito a se perdoar pela mágoa e tristeza que causara à loirinha, mas não tinha como negar que, se elas não tivessem terminado, Santana nunca teria tido coragem para se deixar levar até Sebastian. E disso ela não se arrependia. Afinal, também não dava pra negar que ela sentiria falta daquele sexo incrível que ela tivera – ironicamente – com o cara gay.

Santana esticou um braço e pegou o travesseiro do lado da cama em que Sebastian dormira. Tinha o cheiro dele... Ela suspirou. Não se sentia triste, mas também não dava pra dizer que estava feliz, porque não estava. Agora que ele escolhera ir embora, como ela mesma já tinha escolhido uma vez, o que sobrava daquilo tudo? Foram apenas noites divertidas – ela queria acreditar. Mas se fosse só isso mesmo, ela não deveria estar se sentindo como se algo estivesse faltando, como as peças finais de um quebra-cabeça. Santana se sentia frustrada. Ela inspirou, sentindo mais uma vez o cheiro do que era provavelmente o shampoo dele e revirou os olhos. Estava sendo uma idiota. Ela largou o travesseiro e sentou-se num ímpeto. Ela levantou-se e esquadrinhou o quarto, procurando por suas peças de roupa. Ficou feliz de constatar alguns pacotes de camisinha rasgados pelo chão, o que significava que não tinha sido totalmente inconsequente durante a noite. Menos mal. Pelo menos não precisaria se entupir de pílulas que de modo algum faziam bem ao seu organismo. Ela até mesmo tinha cogitado voltar a tomar anticoncepcionais depois que transara com Sebastian, mas – agora que haviam tido sua última vez – ela não precisava mais se preocupar com isso. Não pretendia transar com outros garotos. Preferia pensar que ele fora apenas um deslize, e que seria o único.

Santana levantou-se e recolheu sua calcinha e seu sutiã, vestindo-os em seguida. Ela olhou para o vestido, mas apenas o recolheu e deixou-o em cima da cama. Terminaria de se vestir depois que comesse alguma coisa.

A meio caminho da porta, uma ideia lhe ocorreu: já que estava ali, por que não se divertir? Era sua oportunidade única, e ela nunca mais pisaria ali. Ela sorriu maliciosamente e voltou-se, olhando para o quarto. Por onde começar? Pelo óbvio — o guarda-roupa. Ela foi até o móvel e o abriu, começando a mexer em tudo. Pegou um moletom e o vestiu, porque sabia que logo começaria a sentir frio, mesmo tendo sangue quente por natureza. Ela virou-se para olhar no espelho e achou engraçado como a peça ficara enorme nela – cobrindo parcialmente as mãos e descendo pelas suas coxas. Foi nesse momento que, mais uma vez, ela reparou nas marcas em seu pescoço. Santana revirou os olhos. Será que ele não podia se controlar um pouco? Qual era a necessidade de ficar mutilando seu pescoço daquele jeito? “Ontem você não estava reclamando, não é mesmo?” – ela quase pôde ouvir uma voz distante dizer em sua cabeça. Uma careta passou pelo rosto latino e ela voltou-se novamente para o guarda-roupa. Era tudo muito organizado para o gosto dela. Santana era uma pessoa que gostava de bagunça. Se aquele fosse o seu quarto, tudo seria bem diferente, mas ela imaginou que aquele traço da personalidade de Sebastian fosse algo aflorado pelo seu lado gay. Não era possível um homem ser tão organizado. Ela lembrou-se rapidamente das vezes em que estivera nos quartos de Finn, Puck e até mesmo Sam, embora não tivesse chegado a transar com o Boca de Truta, e todos eles tinham graus variados de bagunça. Enquanto continuava a abrir e fechar gavetas, Santana percebeu o que realmente havia de estranho ali: toda aquela organização dava um ar de formalidade ao lugar. Havia seriedade demais. Então ela deu-se conta de que aquela era uma casa, mas não era um lar. Ela virou-se mais uma vez para observar o quarto inteiro e percebeu que o lugar inteiro era impessoal demais. Aquilo a incomodava e, por um momento, ela sentiu pena de Sebastian. Devia ser difícil não poder viver com a própria família. Por mais que ela mesma tivesse passado por momentos difíceis com sua abuela, seus pais não a abandonaram e seu pai nunca cogitaria colocá-la para fora de casa – mesmo que fosse para viver no conforto que Sebastian tinha ali. Ela perdeu-se nesses pensamentos e percebeu que podia fazer um milhão de perguntas ao garoto – perguntas que não estariam nem um pouco relacionadas a eles dois. Ela pegou-se querendo saber o que mais tinha acontecido entre ele e os pais, como era a relação deles agora e por que ultimamente ele falava do pai com tanta naturalidade; queria também saber por que a mãe dele nunca intervira e como era a irmã de quem ele falara uma vez... Bonnie. Era esse o nome. Ela deveria estar perto de fazer um ano agora e Santana se surpreendeu com a riqueza de detalhes do que ela se lembrava das poucas conversas reais que tivera com Sebastian. Por que ela estava se importando tanto? Mais uma vez, estava sendo idiota. Ela impacientou-se e saiu do quarto.

Foi até o banheiro no fim do corredor e lavou as mãos, o rosto e a boca o melhor que pôde. Por mais que tivesse acabado de acordar, ficou feliz ao notar que sua aparência não era das piores. Seus cabelos estavam bagunçados, mas brilhantes como sempre; a pele, apesar de ter sido esfregada alguns segundos antes, não tinha nenhum aspecto de cansaço. Ela deu mais uma olhada no lugar e saiu dali. Não havia muito mais o que fazer. Ela notou uma segunda porta e adentrou o cômodo sem hesitar. Não era muito diferente do quarto de Sebastian: tinha uma cama de casal e um guarda-roupa, bem como uma penteadeira; aquele quarto deveria hospedar o Sr. e a Sra. Smythe, quando eles faziam alguma visita. Santana notou um amplo espaço vazio, no lado oposto à janela, e ela imaginou que a bebê fosse, de alguma forma, instalada ali, mesmo que não houvesse nenhum berço. A latina não tinha ânimo, nem paciência, para mexer em nada daquele cômodo e acabou, mais uma vez, fazendo uma careta, por notar que nada que não tivesse relação direta com Sebastian a interessava realmente. Ela virou-se e saiu do quarto.

Santana desceu as escadas rapidamente e, ao cruzar o pequeno hall em direção à sala de estar, percebeu que nunca antes havia estado naquela parte da casa. Ela sorriu maliciosamente, lembrando-se da urgência com que eles entraram e subiram as escadas direto para o quarto de Sebastian das outras vezes em que estivera ali. Ela sentou-se no sofá ao lado de uma mesinha que servia de suporte ao telefone, e abriu a pequena e única gaveta do móvel. Se surpreendeu ao encontrar uma pequena agenda ali. Quem, em pleno século XXI – ainda mais sendo um adolescente -, tinha uma agenda telefônica manual? Ela folheou a agenda e percebeu que eram poucos os contatos registrados ali. Na letra “m”, Sebastian tinha escrito: “meu número” e Santana riu levemente. Ela observou que só havia mais dois contatos naquela página – “mãe” e “Matt” – e, cuidadosamente, ela rasgou o pedaço do papel que continha o número dele. Depois disso, Santana pulou até o “s” e, com a caneta que encontrou na gaveta, escreveu seu próprio número ali. Sua letra não era feia, mas era muito diferente da caligrafia de Sebastian. Não seria difícil notar aquela modificação, uma vez que ele checasse aquela parte da agenda. Santana não sabia por que estava fazendo aquilo, mas sentia que devia dar uma chance ao destino. Além disso, trocar telefones era algo absurdamente normal, depois de tudo o que acontecera, mesmo que ela estivesse fazendo isso de uma maneira peculiar. Ela fechou a agenda e guardou-a na gaveta. Ela levantou-se e enfiou o pedaço de papel no bolso, sem perceber que deixara a caneta cair no chão.

Santana seguiu seu caminho e foi parar na cozinha, só aí percebendo o quanto estava com fome. Ela abriu a geladeira e puxou uma garrafa de iogurte de frutas vermelhas – seu sabor favorito – e, verificando que o líquido já estava razoavelmente perto do fim, removeu a tampa e bebeu direto da garrafa. Quando terminou, largou a garrafa na pia e voltou-se mais uma vez para a geladeira. Encontrou queijo e presunto de peru e colocou-os sobre a pequena bancada que havia ali, ao mesmo tempo em que procurava pelo pão. Encontrou um pacote em cima do micro-ondas e pegou alguns utensílios, levando-os para a mesa. Já estava terminando um segundo sanduíche bem recheado quando se deu conta do quanto estava faminta. Deu de ombros e terminou de comer. Levantou-se e devolveu os alimentos ao seus lugares, mas largou o prato e uma faca na pia. Não ia lavar. Ele dissera pra ela comer e ela havia comido. Ele que limpasse tudo quando voltasse.

Santana espreguiçou-se, fazendo o moletom subir um pouco por suas coxas, e olhou em volta. Era hora de ir embora. Ela voltou ao quarto de Sebastian e releu o bilhete dele. Mais uma vez, teve raiva. Ela encontrou uma caneta por ali, provavelmente a mesma que ele usara, e rabiscou algumas palavras, deixando para ele o seu próprio bilhete. Ela tentou desfazer o amassado da folha, mas não adiantou muito, então apenas largou-a em cima da mesa de cabeceira, dessa vez, entre os livros que estavam ali, com uma grande ponta para fora. Ele com certeza perceberia a folha ali.

Ela virou-se e puxou o moletom por seus braços, já começando a sentir falta do calor que ele lhe proporcionava. Ela largou-o sobre a cama e pegou o vestido. Era uma das roupas de competições que ela mais gostara de usar. O tecido caiu com perfeição sobre o seu corpo e, depois disso, ela foi até a penteadeira para ajustar a pequena tiara em seus cabelos. Santana recolheu suas sandálias de salto e calçou o par. Também gostara daqueles sapatos. Ela dançou confortavelmente com eles no dia anterior. Abriu um sorriso, porque se lembrou de que ganhara as Regionais. Ela levantou-se e saiu do quarto, fechando a porta. Ela desceu as escadas e recolheu a chave do seu carro, que soltara em cima da pequena mesa ao lado da porta em algum momento da noite anterior. Ela destrancou a porta que liberaria a sua saída e puxou a chave da fechadura; passou para o lado de fora e trancou a casa.

Sem olhar para trás, foi em direção à casa da esquerda, esperando que a tal da Sra. Jenkins estivesse acordada.

[...]

~No domingo...~

– Você não vai mesmo esperar seu pai chegar? – Emma perguntou, enquanto Sebastian guardava seus pertences no carro. Eles haviam almoçado há algumas horas e agora Sebastian estava pronto para voltar a Lima.

– Mãe... Não.

– Mas o Robert estará aqui e faz tempo que ele não te vê. – A mulher argumentou.

– Eu também sinto falta dele, mãe. – Sebastian depositou as duas mãos sobre os ombros de Emma. — E ficarei feliz se você puder dizer isso a ele, mas eu preciso ir. Tenho que ver se a casa está em ordem...

– O quê? Por quê? – Emma franziu as sobrancelhas.

– Nada, nada. É que eu deixei algumas coisas pra fazer e ainda tenho que estudar... Enfim. Vai me visitar logo? – Sebastian perguntou.

– Sim. É claro que sim. – Ela acenou com a cabeça. Odiava aqueles momentos, os momentos em que Sebastian ia embora. Ela sempre tinha vontade de chorar.

– Tudo bem, já chega. – Holly finalmente se pronunciou. — Em, pare com essa cara de enterro. Sebastian não vai morrer, nem nada. – A loira disse, enquanto passava Bonnie para os braços de Sebastian. A garotinha tocou o rosto do irmão e Sebastian encostou o nariz no dela, fazendo-a rir com seus dois dentinhos da frente. Ela levou a outra mão gorducha até ele e segurou seu rosto, mas Sebastian recuou. Ele beijou a testa dela e entregou o bebê à Emma. Bonnie fez um biquinho, como se fosse começar a chorar, mas a mãe começou a acalentá-la no mesmo instante, prevenindo o choro. Sebastian beijou a testa de Emma e ela começou a se afastar. Ele suspirou. Era sempre assim.

Sebastian virou-se para Holly, que tinha um sorriso no rosto. Eles se abraçaram e ela disse:

– Talvez uma certa mudança te faça bem, Seb.

– Como assim? – Ele questionou, enquanto se soltavam.

– Nada... Você só precisa saber que, de uma forma ou de outra, tudo dá certo quando não temos medo de seguir nosso coração. – Ela tocou o rosto do garoto, enquanto ele olhava para os próprios pés. – Um dia, eu serei dama de honra no seu casamento, seja com a Santana ou com qualquer outra pessoa.

– Outra pessoa então. Santana e eu... Não temos futuro, Holly. – Sebastian disse, voltando seu olhar para ela.

– Bem, isso você logo descobrirá.

– Promete que não vai sumir? E que não vai ser presa? – Sebastian perguntou, mudando de assunto. Já estava farto de falar de Santana.

– Prometo. – Ela disse, rindo.

– Então até logo, Holly.

– Até logo, Seb. – A loira deu um passo para trás e Sebastian virou-se, indo até o carro. Ele deu a partida e começou a dirigir, enquanto Holly acenava e ficava para trás.

[...]

~De volta ao sábado de Santana...~

– Hum... Sra. Jenkins? – Santana perguntou incerta quando uma mulher de aproximadamente 30 e poucos anos abriu a porta a sua frente.

– Sim? – A mulher olhava a latina com curiosidade.

– É que... Sebastian me pediu para deixar a chave aqui. – Ela disse, estendendo o pequeno molho de chaves para a mulher.

– Ah, sim. Sem problema. – A Sra. Jenkins sorriu. – Sebastian é um ótimo garoto. – Ela comentou e, depois de observar Santana atentamente, concluiu: — E você deve ser a namorada dele.

– O quê? – Santana exclamou, começando a rir. – Não, não. Não. Não. Não! Não sou a namorada dele. Você, quer dizer, a senhora realmente o conhece?

– Não muito. Eu e John, meu marido, nos mudamos há poucos meses. Pouco tempo depois de Sebastian, pelo que sei. – A Sra. Jenkins respondeu. — Bem, desculpe se fiz algum comentário equivocado, mas é que você é a primeira pessoa sem ser da família que eu vejo frequentar a casa dele.

Santana esbugalhou os olhos de surpresa.

– Sério? Quer dizer, nem mesmo alguns, ou vários, hum... Amigos?

– Não, pelo contrário. Às vezes, fico até me perguntando se ele tem mesmo amigos. John acha que sim, mas eu não sei. – A mulher divagou. – Mas fico feliz que seja amiga dele, querida.

Santana não soube o que responder.

– Era só isso? – A Sra. Jenkins perguntou, sem abandonar seu tom simpático.

– Sim, sim. Era só isso. – Santana respondeu. – Obrigada.

– Não há de quê. – Ela disse e fechou a porta.

Santana virou-se e caminhou até o carro, que estava estacionado na frente da casa de Sebastian. Não sabia o que pensar. Mas sabia que não deveria mais pensar. “Já chega, Santana!” – Ela repetiu mentalmente, enquanto colocava o cinto de segurança.

Deu a partida e começou a dirigir de volta para casa e para a sua vida.

[...]

Notas finais
Eu faço essas quebras no tempo das ações quando acho necessário pro texto fluir melhor, mas se vocês acharem estranho/miga, é melhor parar, me avisem, que eu paro com isso. Enfim. Um grande beijo e até os comentários!