Notas iniciais
Esse capítulo foi particularmente difícil de escrever. Comecei há tempos, mas só agora terminei e ainda nem sei se ele ficou exatamente como eu queria, mas eu até que gostei da versão final, que ficou bem diferente da inicial. Enfim, espero que gostem!

A semana na Academia Dalton não poderia estar sendo mais chata.

Era incrível como a ausência de encontros dos Warblers fazia diferença naquele lugar. Nem mesmo os treinos de lacrosse, que tinham retornado na segunda-feira, pareciam atraentes como antes. Sebastian estava cansado daquele lugar e daquelas pessoas. E, olhando por esse lado, ele estava feliz por ter dito aos pais que queria mudar de escola.

Thomas e Emma ficaram muito surpresos com o pedido do filho e concordaram em ir à Lima no fim de semana, pois Sebastian disse que preferia uma conversa pessoalmente a dar explicações por telefone. Ele pensou que seria mais fácil convencer os dois se estivessem cara a cara e, além disso, ele não estava 100% certo do que diria a seus pais, então alguns dias a mais para pensar no que dizer eram muito bem-vindos.

Ele tinha duas opções.

A primeira opção, que Sebastian considerava mais fácil e segura ­– e por isso mesmo se sentia extremamente tentado a escolhê-la -, era se mudar para Columbus e voltar a viver com seus pais. Eles prontamente concordariam com essa escolha, mas voltar a conviver com Thomas significava ter um medo constante de se decepcionar e acabar se machucando outra vez, porque ainda não voltara a confiar no pai plenamente. Todavia, essa confiança só poderia ser reconstruída se eles voltassem a viver juntos. Sebastian sabia que nada faria sua mãe mais feliz do que isso e ele mesmo sentia uma imensa falta dela e de Bonnie, então voltar a Columbus não seria algo tão ruim. Mas, para isso, ele teria que abrir mão de Santana de uma vez por todas.

A segunda opção era se matricular no McKinley. De acordo com Holly, Sebastian precisava dar uma chance ao que estava acontecendo entre ele e Santana. Entretanto, havia muitos “contras” nessa decisão. Seus pais não gostariam nem um pouco que ele dissesse que desejava estudar em uma escola pública, afinal, sua família tinha dinheiro e Thomas era uma espécie de figura importante do Estado. O próprio Sebastian não sabia como lidaria com essa parte da questão e isso representava o tamanho da gravidade daquela mudança. Tudo por Santana. E ele nem mesmo sabia como ela reagiria se ele realmente começasse a estudar no McKinley.

Como saber qual decisão valeria a pena?

Sebastian não tinha nenhuma espécie de compromisso com Santana. Ele nem mesmo sabia se ela chegara a experimentar as mesmas sensações que ele tivera em relação a ela ou se, para Santana, ele fora apenas sexo casual. Tudo o que tinha eram teorias improváveis e muitas incertezas. Se ficasse, ele poderia descobrir como essa história poderia acabar. Se partisse, aquela história acabaria ali mesmo.

Em meio a tantos pensamentos, Sebastian não prestara atenção à música que tocava no rádio em seu carro. Ele estava voltando da escola para casa e estava parado em um sinal vermelho, quando finalmente reconheceu aquele refrão.

“Está claro que você está com raiva de mim

Finalmente encontrou uma garota

Que não conseguiu impressionar

Mesmo que fosse o último homem na terra

Ainda não me conseguiria

Você está iludido, você é iludido

Garoto, você está ficando louco...

É confuso, você está confuso, não sabe?

Por que você está perdendo seu tempo?”

Aquelas palavras não eram muito animadoras, mas elas fizeram um sorriso nascer nos lábios de Sebastian. Ele lembrou-se de um fim de tarde envolvendo Santana Lopez sentada em seu colo enquanto cantava “Obsessed” na sala de coral dos Warblers. Parecia que fora há muito tempo, mas poucos meses haviam se passado. Meses de confusão, dúvida, raiva e desejo.

“Garoto, por que você está tão obcecado por mim?” – A música ecoava pelo carro.

– É uma ótima pergunta... – Sebastian murmurou.

Ele lembrou-se de como, já naquela ocasião, Santana exigira dele respostas. Respostas que ele não podia dar, porque simplesmente não tinha a mínima ideia do que estava acontecendo entre ambos. Os meses passaram e pouca coisa mudara. Ele continuava confuso. Ela continuava querendo respostas. Ele continuava sem saber como dá-las. Ela continuava furiosa. Ele continuava a desejando. Será que ela também continuava o querendo?

“Mas nós nunca fomos nada

Então por que você está viajando?”

“Nós nunca fomos, mas será que ainda poderemos ser?” – Sebastian pensou. E quanto mais pensava, mais achava improvável que eles pudessem ter algum tipo de futuro feliz. Se ele ficasse, será que sexo seria o suficiente?

Talvez fosse a hora de ele mesmo começar a exigir respostas e, com esse pensamento, Sebastian fez uma curva e afundou um pouco mais o pé no acelerador.

Em poucos minutos, chegaria ao McKinley High.

[...]

– Se você não melhorar essa cara, eu serei obrigada a tomar atitudes drásticas. – Quinn disse para Santana enquanto a latina mexia distraidamente em seu armário.

– Não sei do que está falando, Fabray.

– Começa com Sebastian e termina com Smythe. Refresquei sua memória? – A loira questionou. Santana suspirou.

– Eu já te contei tudo, Q. Acabou. E, você pode até não acreditar, mas estou feliz por isso. Transar com um gay é algo bem cansativo e não estou falando do lado físico da coisa. Transar, Quinn. Com um gay. Tem noção do tamanho da minha sobrecarga emocional? É mais do que meus nervos podem aguentar!

Quinn revirou os olhos.

– Ainda o paradoxo Lopez-Smythe? Quando é que você vai entender que a sexualidade de vocês não é assim tão relevante? Além disso, se Sebastian é gay, eu vou agora mesmo procurar a Berry e entrar nas calças dela, porque isso sim é ser gay. Ele é, no máximo, um bissexual tarado, assim como você.

Santana deu um tapa no braço de Quinn.

– Que foi? É a verdade! – A loira retrucou, esfregando o local onde Santana batera. – De qualquer forma, você é mesmo uma idiota se realmente achar que essa história acabou.

– E você acha que não? – Foi a vez de Santana revirar os olhos.

– É, eu acho que não. Pra falar a verdade, tenho certeza. – Quinn afirmou.

– E eu posso saber por quê?

– É simples. Essa história não tem pé nem cabeça. E é exatamente por isso que não pode ter acabado. E daí que ele te deixou sozinha na casa dele? Você também fez isso uma vez e, sinceramente, se ele tivesse ficado, vocês não teriam resolvido nada. – Quinn pontuou. As duas começaram a andar para a saída da escola, pois as aulas do dia já haviam terminado.

– E resolveríamos alguma coisa agora? – Santana rebateu.

– Eu não sei. Mas vamos descobrir em breve. – Quinn deu de ombros.

– É mesmo? – Santana perguntou em um tom descrente e a loira assentiu.

– Pelas minhas contas, essa é a vez dele de vir atrás de você.

A latina assumiu uma expressão confusa e Quinn continuou:

– Considerando que você foi a casa dele e tal... Então agora ele virá até aqui.

– Você é louca, Fabray. – Santana começou a rir.

– Talvez. Mas eu estou certa, olha só. – Quinn tinha um sorriso no rosto e Santana então seguiu a direção do olhar da amiga. Elas agora estavam na área externa da escola, caminhando para o estacionamento, mas o que Santana viu a fez estacar em seu caminho.

Sebastian estava parado do outro lado da rua, encostado em seu próprio carro. Ele tinha as mãos nos bolsos de seu uniforme da Academia Dalton e o típico sorrisinho cínico estava em seus lábios. Estava lindo como sempre e Santana quis se bater por ter pensado isso.

– Sinceramente, não sei o que você está fazendo indo para Yale. Deveria simplesmente abrir uma tenda esotérica e trabalhar como vidente. – Santana encarou a amiga. – E eu achando que o meu terceiro olho mexicano era poderoso...

– Pode até ser, mas ele deve estar meio cego ultimamente, considerando que você não consegue enxergar coisas que estão bem na sua frente. – Quinn comentou rindo pelo que Santana tinha dito.

– Tipo o quê?

– Tipo o fato de você ainda estar aqui parada, quando já deveria estar fora dessa escola, ouvindo o que ele veio falar pra você. – Quinn exasperou-se. – Vai logo, anda!

Santana olhou para ele, sem saber se realmente queria ir até lá. Sebastian não estava mais olhando para ela. Ele agora mexia no celular, até que Santana ouviu seu próprio aparelho sinalizar a chegada de uma nova mensagem. Ela tirou seu celular da bolsa e viu um número desconhecido na tela.

“Eu não tenho o dia todo, Shakira.”

Santana bufou.

– É, eu vou até lá! Ele tá precisando de um bom chute naquela bunda magrela.

– Essa é a minha garota! – Quinn sorriu. Ela passou os braços pelo pescoço de Santana e a beijou. A latina se sentiu um pouco melhor.

Santana recomeçou a andar e logo ultrapassou os portões da escola, até que chegou onde Sebastian estava.

– O que você tá fazendo aqui? – Ela perguntou.

– Vim te levar pra casa. – Ele respondeu simplesmente.

– O quê?! – Santana achou que não ouvira direito.

– Vou levar você pra casa, Lopez. – Sebastian reformulou as palavras e Santana só conseguiu pensar em como o seu sobrenome parecia sexy saindo da boca dele.

– Quem disse que eu quero a sua carona? Ou pior, que você saiba onde eu moro?

– Você sabe onde eu moro. E nem roubou minha casa, como eu esperava. – Sebastian observou. A latina revirou os olhos. – Não acha que está na hora de ter um pouco de confiança em mim?

– Acho que nunca será a hora de confiar em você.

– Assim você me magoa, Santana. – Sebastian deu a volta e entrou no veículo. – Você vem ou não?

Santana hesitou um pouco, mas acabou entrando no carro. Sebastian deu partida.

– Por que está aqui? – Ela tornou a perguntar.

– Você disse que não queria mais me ver em outra vida, mas não falou nada sobre voltar a me ver nesta. – Sebastian sorriu, sem desviar os olhos do caminho. – Sigo em frente?

– Dobre à esquerda na próxima rua. – Santana respondeu.

– Além disso, já combinamos muitas vezes de não voltarmos a nos ver e isso nunca funciona. Dizemos sempre que é a última vez e nunca realmente é. Talvez, se pararmos de nos despedir, finalmente funcione. – Sebastian deu de ombros.

A latina mexeu-se incomodada em seu banco.

– Poderia funcionar a partir de agora. – Ela disse. — Dobre à direita.

– Talvez. Mas você me deixou seu telefone, então achei que quisesse manter o contato. – Sebastian resolveu arriscar. — Sigo em frente?

– Sim. – Santana respondeu. — Talvez eu tenha feito uma bobagem. Afinal, você foi embora.

– Então você se arrependeu? Foi por isso que deixou o pedaço de papel com o meu telefone? – Sebastian perguntou seriamente.

– Eu o esqueci. – Santana disse simplesmente. – Vire à esquerda.

Eles permaneceram em silêncio, exceto pelas vezes em que Santana apontava as direções, até que finalmente chegaram à frente de sua casa.

– Imaginei que morasse em um lugar mais barra pesada, mas cães que ladram não mordem, não é? – Sebastian a encarou. Ele exibia seu típico sorrisinho.

Santana tirou o cinto de segurança e fez menção de abrir a porta, mas Sebastian segurou seu pulso. A mão dele estava gelada, entrando em choque com a pele quente dela e Santana involuntariamente se arrepiou.

– O que sente por mim, Santana? – Ele parara de sorrir. Seus olhos azuis estavam muito sérios.

– Raiva. – Ela respondeu prontamente. Mas acabou admitindo: – E muitas outras coisas que eu não consigo colocar em palavras.

Eles se encararam por alguns segundos, olhos pretos nos azuis, até que Santana perguntou:

– Desde quando você se importa com o que eu sinto ou com o que deixo de sentir?

– Se eu estou aqui é por que me importo, não acha?

– Não, eu não acho. Se você se importasse, não teria ido embora no sábado. – Santana já dava sinais claros de fúria em seu tom de voz.

– Queria que eu tivesse ficado? – Sebastian perguntou, franzindo as sobrancelhas.

– Eu só queria entender... – Ela ignorou a pergunta, balançando a cabeça. – Mas não consigo. E eu já sei que você não se importa, então vai embora.

Santana novamente fez menção de sair do carro, mas Sebastian apenas aumentou o aperto em seu braço.

– E se eu te dissesse que quero tentar? – Sebastian perguntou. Ele falava mais sério do que já falara em toda sua vida, mas Santana apenas riu, sem humor algum.

– Pare de tentar me fazer de boba, Smythe.

– Então me diga. Diga com todas as letras que você não sente nada, que não sentiu nada nas vezes em que eu te toquei. – Sebastian disse. Ele se aproximou ainda mais, sustentando o olhar de Santana. – Diga que não sentiu nada quando eu te fiz gemer o meu nome e quando ouviu a minha voz gemendo o seu. Diga que não me quer, Santana. Apenas fale. E então eu vou embora e você nunca mais me verá. Pra valer, dessa vez.

– Eu... Eu não... – Santana começou a falar, mas sentiu dificuldade em formular uma frase. Sebastian estava perto demais e, se ela dissesse mesmo que não sentia nada, que não o queria, seria uma tremenda mentira. Ainda assim, era isso que ela queria dizer: que era indiferente a ele. E desejava ainda mais que aquilo fosse mesmo verdade.

Ao ver que Santana estava prestes a rejeitá-lo, Sebastian a beijou. Ele a beijou, simplesmente porque não queria escutar a negativa dela. Não, ele não queria ser rejeitado. Desde que tivera seu primeiro beijo, Sebastian nunca levara um “não”. Quando chegou a hora de fazer sexo, ele continuava a ser desejado por todos os meninos por quem se interessava. E agora, prestes a ser rejeitado pela primeira vez, ele percebeu que não queria experimentar aquele sentimento. Mesmo que Santana fosse uma garota, ele a queria e, só naquele momento, ele percebeu que também queria que ela dissesse sim. Ouvir um não... Era inaceitável.

Foi apenas um encostar de lábios no início, mas logo ele sentiu a língua de Santana em sua boca. Em meio ao beijo, Sebastian sorriu. Ela era uma mentirosa. Santana estivera prestes a dizer o contrário, mas ela também o desejava. Ele então se lembrou das vezes em que fizeram sexo e então percebeu que, em nenhum momento, Santana o mandou parar. É, ela decididamente estava afim dele e, por mais que Santana negasse, Sebastian resolveu que não acreditaria nas palavras dela.

Ele chupou a língua dela uma última vez e finalizou o beijo. Quando Santana abriu os olhos, percebeu que Sebastian sorria. Ela fechou a cara. Aquele imbecil definitivamente estava brincando com a cara dela.

– Você disse que, se pararmos de nos despedir, talvez finalmente deixemos de nos encontrar. Então eu não vou me despedir. – Ela finalmente abriu a porta do carro e saiu. Fez questão de bater a porta enquanto dizia: — Até logo, idiota. – E, sem esperar resposta, virou-se e caminhou até a porta de casa.

Sebastian a observou até que ela entrasse em casa. Ele não parava de sorrir.

– Até breve, Santana. Até muito em breve.

Ele ligou o carro novamente e seguiu seu caminho, feliz por finalmente ter tomado sua decisão.

[...]

Notas finais
Opiniões, dúvidas, elogios, críticas, sugestões, palpites, teorias... C-O-M-E-N-T-E-M! Me digam o que esperam a partir de agora e, se encontrarem algum erro, me avisem. Tá tarde e eu não revisei muito bem. Enfim. Beijão pra vocês e "até breve"!