Locked Out of Heaven
30 Home is wherever I'm with you...
Notas iniciais
“Um vilão é apenas uma vítima cuja a história não foi contada.”
– Chris Colfer
Emma Smythe estava perdida em pensamentos. Ao seu lado, no banco do motorista, Thomas dirigia. Ele parecia muito feliz. Bonnie estava entretida com a paisagem do lado de fora da janela. Sentada em sua cadeirinha, ela não parava de olhar para o lado de fora ou para seu grande unicórnio de pelúcia, sacudindo-o de vez em quando. Eles estavam indo para Lima e, quando Emma percebeu um sorriso se formando no rosto do marido, ela resolveu finalmente se manifestar:
– O que foi? – Thomas olhou-a e ela continuou: — No que está pensando?
– Em Sebastian. – Ele disse, aumentando o sorriso. – Ele vai voltar para casa conosco, Em. Eu sei!
– Como pode ter certeza disso? – A mulher franziu as sobrancelhas.
– Ora, por que mais ele iria querer mudar de escola? Para onde mais ele iria? McKinley High? – Thomas perguntou, começando a rir abertamente. Emma não parecia tão convicta como o marido.
– E por que não? Você acha mais provável que ele volte a morar conosco, como se nada tivesse acontecido? – Ela disse, em um tom sério. Thomas parou de rir.
– Eu pedi desculpas.
– E acha que uma dúzia de palavras pode consertar tudo o que ele passou? – Emma perguntou. – Ele sofreu, Tom. Por nossa causa. Provavelmente ainda sofre. – Ela suspirou. — Você pode ter falado coisas que não deveria, mas eu... Eu não disse nada. Eu simplesmente não disse nada. Eu deveria ter dito!
– Em, não se culpe. Você não estava em condições de se alterar por qualquer motivo naquela época.
– Qualquer motivo? Era o meu filho, Thomas! – Emma disse, embargando a voz.
– E meu também! – Ele retrucou. – Mas era você quem estava quase morrendo. Acha que eu suportaria? Acha que eu aguentaria perder você? Por acaso esqueceu que teve uma gravidez de risco? Toda aquela situação entre mim e Sebastian não estava te fazendo bem e você sabe disso, então eu o tirei de casa. Foi uma decisão estúpida? Sim! E você não tem ideia do que eu sofri durante todos esses meses. Estive longe do meu filho por todo esse tempo, mas eu nunca aguentaria ficar longe de você. Ainda mais se fosse... Permanentemente.
Emma ficou em silêncio, enquanto sabia que Thomas lutava para não começar a chorar. Ele continuou:
– Você sofreu, Sebastian também... E a culpa foi toda minha. Então, por favor, Emma... Por favor! Não tente assumir a culpa por algo que você não fez.
Thomas agora não tirava os olhos da estrada e Emma suspirou.
– Eu sei que você agiu pensando no que era melhor. Talvez você tenha mesmo me salvado. A mim e à Bonnie. Se não fosse pelo seu cuidado... – Ela disse, sendo interrompida por uma risada seca do marido.
– Também não tente fazer eu me sentir melhor. A única coisa que pode fazer eu me sentir melhor é ter meu filho de volta. Tudo o que quero e tudo de que preciso é de uma segunda chance.
– Então eu espero que você esteja realmente certo e que Sebastian queira voltar conosco para Columbus. – Ela disse, mas ainda não estava muito certa de suas palavras. Algo lhe dizia que não era isso que Sebastian queria de verdade.
– Sim, eu estou certo. – Thomas disse, respirando fundo. – Preciso estar.
Emma apenas levantou uma mão e apertou o ombro do marido enquanto seguiam viagem.
[...]
Sebastian andava de um lado para o outro em sua pequena sala de estar. Ele esperava pelos pais, sem ter a mínima ideia de como seria a conversa que teria com eles, quando ouviu o som de um carro estacionando na frente da casa. Sebastian parou de andar e respirou fundo. Então caminhou até a porta.
Quando passou pela porta, Sebastian pôde ver Emma retirando Bonnie da cadeirinha no banco traseiro e Thomas abrindo o porta-malas. Ele caminhou até o carro.
– Precisa de ajuda, pai? – Sebastian tentou soar amigável.
– Hum... Pode pegar essa mala e a bolsa da Bonnie? – Thomas estendeu uma mala para o filho. — Eu levo o berço.
– Claro. – Sebastian concordou. Ele pegou a bagagem e entrou em casa, seguido pela mãe, que tinha Bonnie nos braços.
Eles subiram as escadas e foram até o segundo quarto, onde Sebastian guardou as malas que carregava. Em seguida, Thomas veio e depositou o berço armável de Bonnie num espaço vazio que havia no chão. Quando o homem virou-se para sua família, Sebastian já tinha a irmã em um braço, enquanto o outro abraçava Emma. Thomas sorriu.
– Eu estou feliz de estar aqui, filho. – Ele disse.
Para Sebastian, ainda era estranho ver Thomas sendo carinhoso novamente. Era como se nada tivesse acontecido. Se não fossem as lembranças ruins das quais ele não conseguia se livrar, Sebastian poderia jurar que nunca brigara com o pai antes.
– Pode vir mais vezes, se quiser. – Sebastian respondeu e Thomas franziu o cenho.
– Por que não descemos? – Emma interviu. – Tom, você podia fazer aquela macarronada para nós, o que acha?
– Se Sebastian tiver todos os ingredientes...
– Macarrão, presunto, queijo e molho de tomate... Acha que eu deixaria faltar esse tipo de coisa na minha cozinha? – Sebastian perguntou.
– E orégano, não se esqueça! – Thomas disse.
– Ah, deve ter no armário também. – Sebastian deu de ombros.
– Então vamos lá! – O homem disse, esfregando as mãos.
Todos começaram a sair do quarto.
– E legumes? – Emma perguntou enquanto desciam as escadas. – Eu queria fazer uma sopa pra Bonnie.
– Está com sorte, mãe. A Sra. Norton trouxe uma sacola cheia de legumes e verduras “bons para o meu crescimento” essa semana. – Sebastian contou e Emma riu.
– Ela é mesmo um anjo... Se dependesse de você, aposto que você não comeria nada saudável.
– O quê?! – Sebastian fingiu indignação.
Emma riu novamente e eles continuaram conversando amenidades, enquanto os pais preparavam o almoço e Sebastian brincava com Bonnie.
[...]
Só algum tempo depois do almoço, quando Bonnie estava dormindo tranquilamente em seu bebê conforto, é que finalmente Thomas e Emma sentaram-se em um dos sofás e Sebastian sentou no outro, em frente aos dois, na sala de estar.
– E então, querido? – Emma foi a primeira a se pronunciar. – Por que quer mudar de escola?
Sebastian respirou fundo e respondeu:
– A Dalton é legal e é uma ótima escola, mas, desde que perdemos as Regionais, a rotina por lá está meio chata. – Ele não estava contando nenhuma mentira... Ainda.
– Então você quer mudar de escola porque está entediado? – Emma perguntou, franzindo o cenho. No entanto, antes que Sebastian pudesse responder, Thomas interviu.
– Eu não vejo problema nenhum. Se Sebastian quer mudar de escola, ele pode mudar de escola. Tenho certeza de que acharemos algum lugar em Columbus que seja bom e que tenha um coral classificado para as Nacionais. – Ele disse, com muita segurança.
– Na verdade... – Sebastian começou, atraindo a atenção dos pais, que antes estavam se entreolhando. – Eu já sei onde quero me matricular.
– Ótimo! – Thomas respondeu. – Não precisaremos nem mesmo procurar uma escola. É só cuidar da mudança e...
– Pai! – Sebastian interrompeu o pai, enquanto Emma apenas observava. – Eu... – Sebastian tomou coragem e disse: — Eu quero estudar no McKinley.
– O quê?! – Thomas perguntou, enquanto Emma entreabriu a boca em espanto.
– Eu já conheço o coral de lá e eles estão classificados pras Nacionais. – Sebastian esclareceu. – Eles têm mesmo chance de ganhar.
– Não pode estar falando sério... – Thomas disse.
– Uma escola pública? – Emma questionou. Ela não era muito fã de escolas públicas.
– Eu sei, mãe, eu sei. O McKinley perde muito em qualidade pra Dalton. Mas eu vou continuar me dedicando ao máximo, não vou me descuidar dos estudos. É só que... Eu realmente quero vencer as Nacionais. – Sebastian assegurou aos pais em um tom decidido.
– E o lacrosse? – Thomas perguntou. – Tenho certeza que o McKinley não tem um time de lacrosse.
– Não, o esporte deles é o futebol americano. – O garoto confirmou.
– Então você quer largar o lacrosse? – Thomas parecia incrédulo.
– Eu não queria ter que escolher entre uma coisa e outra, mas... Sim. Prefiro parar de jogar a parar de cantar.
– O coral é assim tão importante pra você? – Emma perguntou. Seus olhos a denunciavam e Sebastian sabia que ela achava que o coral não era um motivo suficiente para uma decisão tão grande. Antes que ele pudesse responder, no entanto, Thomas novamente começou a falar:
– Você tem certeza disso? O ano letivo não está assim tão longe de acabar. Você ainda tem o ano que vem pra tentar novamente, Sebastian.
– Mas esse ano também pode ser uma tentativa, pai. Se eu for para o McKinley, ainda posso ganhar. – O garoto argumentou.
– Então por que não procuramos uma escola em Columbus? – Thomas insistiu. – Deve haver alguma, com certeza...
– Pai, eu quero ir para o McKinley. – Sebastian também insistiu, num tom firme.
– Você tem amigos lá? – Emma voltou a falar.
– Pode ter amigos lá, mas tem uma família em Columbus! – Thomas exclamou, sem dar chances de Sebastian responder à mãe.
– Então não tem problema eu mudar de escola, desde que seja uma escola em Columbus? – Sebastian retrucou, encarando os pais. – Se for assim, não há nenhum motivo para estarmos discutindo, já que vocês nem estão levando o meu pedido em consideração.
A sala mergulhou no silêncio, até que Emma falou novamente.
– Sebastian, você tem certeza disso? Quer se mudar para uma escola pública, para se juntar a um clube do coral que, até alguns dias atrás, era seu rival, apenas pela esperança de ganhar um campeonato? E se vocês perderem? – Ela cogitou.
– Pelo menos terei tentado. – Sebastian respondeu e eles ficaram em silêncio novamente.
– Você tem noção de como é a realidade em escolas públicas? – Thomas perguntou. – Tem noção de como tratam... – Ele hesitou antes de continuar: — De como tratam pessoas como você?
Sebastian franziu o cenho.
– Pessoas gay, filho. – Emma esclareceu.
– Ainda com vergonha de ter um filho bicha, pai? – Sebastian perguntou sarcástico.
– Eu estou preocupado com você! – Thomas exasperou-se. – Será que você não percebe? Está disposto a aguentar idiotas querendo te maltratar só porque se recusa a esperar até o ano que vem ou porque não quer ir à outra escola particular em Columbus?
– Eu aguentei coisa muito pior dentro da minha própria casa. – Sebastian disse, calando Thomas. – Posso lidar com meia dúzia de encrenqueiros sem cérebro.
– Precisamos pensar. – Emma anunciou, após alguns segundos de silêncio.
– Tudo bem. – Sebastian assentiu, percebendo que aquela era a melhor resposta que poderia ganhar no momento. Pelo menos, não era nenhuma negativa.
Thomas se levantou, sem dizer mais nada e saiu da sala, subindo as escadas. Emma suspirou e foi atrás dele. Sebastian recostou-se mais no sofá e suspirou.
– Eu espero mesmo que isso seja a coisa certa. – Ele disse, esfregando os olhos com ambas as mãos.
A pequena Bonnie remexeu-se no bebê conforto e Sebastian sorriu, aproximando-se dela.
Agora só restava esperar.
[...]
No outro dia, Sebastian acordou mais cedo do que o habitual para um domingo. Ele permaneceu deitado por mais alguns minutos e então se levantou, indo direto para o banheiro.
Depois, desceu as escadas e foi até a cozinha, de onde emanava um delicioso cheiro de café recém-preparado. Emma já arrumava a mesa de café da manhã.
– Bom dia, querido. – Ela sorriu.
– Bom dia, mãe. – Sebastian respondeu, sentando-se à mesa. Emma encheu uma xícara para si e outra para o filho e então a estendeu para ele, que prontamente aceitou. Sebastian tomou um gole e suspirou. – Incrível, como sempre.
– Obrigada. – Ela sorriu, também bebendo de sua xícara. Eles ficaram alguns momentos em silêncio, até que Emma tornou a falar, enquanto Sebastian passava geléia em uma torrada. – Seb?
– Hum?
– Aquela garota... Estuda no McKinley? – Emma perguntou, escondendo parcialmente o rosto com sua xícara de café. Sebastian parou o que estava fazendo por um momento, mas logo em seguida recomeçou a passar a geleia na torrada.
– Que garota? Não sei de quem está falando mãe. – Ele disse, sem encarar Emma.
– A dos chupões. – A mulher disse, se segurando pra não rir.
– Ah... – Sebastian disse simplesmente.
– Não vai me responder? – Emma ergueu as sobrancelhas. O garoto continuou em silêncio, concentrado em sua tarefa. – Tudo bem. Mas não acha que já está bom de geleia?
Sebastian parou o que estava fazendo. Ainda sem olhar para a mãe, ele disse:
– Sim, ela estuda lá. – E então mordeu a torrada, como se prestasse muita atenção na comida.
– Eu já desconfiava. Afinal, a Dalton é só para garotos, não é? – Emma observou. – Imagino que ela cante também...
– É, ela canta. – Sebastian confirmou, totalmente desconfortável com aquela conversa.
– Hum... – Emma assentiu.
– Mãe! – Ele exclamou, finalmente olhando para a mulher. – Vocês já se decidiram, não é?
A mulher suspirou.
– Sim. – Ela disse, simplesmente.
– E você não vai me dizer a resposta? – Sebastian incitou. Emma bebeu mais um gole de sua xícara antes de responder.
– Não.
Sebastian engoliu seco.
– Não, você não vai me dizer, ou não, eu não posso estudar no McKinley?
– Não, eu não posso te dizer. E, por favor, não insista. Seu pai e eu concordamos que falaríamos juntos. – Ela esclareceu. – É mais complicado do que você imagina, Sebastian.
– O que quer dizer com isso? – Sebastian questionou, parando de comer para encarar a mãe.
– Sebastian. – Emma começou – Eu... Eu...
– Você... – Sebastian a encorajou.
– Eu preciso te pedir desculpas. Tenho sido uma péssima mãe. No momento em que você mais precisou de mim, eu não estive lá por você. Assisti você sair de casa para morar sozinho, numa cidade que você não gosta, sem mover um dedo para parar o que seu pai estava fazendo. – Emma já tinha lágrimas nos olhos. Naquele momento, ela parecera ter envelhecido 10 anos ou mais, e parecia sofrer verdadeiramente. Sebastian sabia que ele era o filho dela, que ele era a criança ali, mas nunca sentiu tanta necessidade de acalentar a mãe como agora. Ele a viu quase definhar enquanto estava grávida, quase passando por um aborto. Foram meses de exames, internações e medicação tão alta, que Emma chegava a ficar inconsciente por um tempo muito acima do normal. Quando finalmente deu à luz, ela estava tão fraca e debilitada, que Sebastian só pedia a Deus que ela não morresse. Ele não se sentia no direito de cobrar qualquer proteção da mãe, ou qualquer apoio, e nunca a incomodaria com suas angústias sobre o pai. Não com ela naquele estado. Com todas aquelas lembranças, seus olhos também se encheram de lágrimas e, quando Emma voltou a falar, uma lágrima percorria sua bochecha esquerda. – Seu pai te disse tantas coisas... Mas eu... Eu não te disse nada. Uma palavra de alívio ou conforto, nenhuma promessa de que tudo ia ficar bem. E eu senti tanto a sua falta por todos esses meses e, mesmo assim, não tive coragem de falar ou fazer alguma coisa. Talvez eu seja mesmo uma fraca. Talvez eu não mereça o seu perdão, não mereça você. Sei que estou atrasada para te dizer tudo isso, e sei também que não tenho esse direito, mas... Por favor, filho. Por favor! Me perdoa. – Emma soluçou, finalizando seu discurso.
Assim que a mãe parou de falar, Sebastian a abraçou. Ele sentira tanta raiva do pai, que nunca lhe ocorrera se revoltar contra a mãe. Em sua cabeça, ele não tinha motivos para sentir ódio, rancor ou amargura por causa dela, porque, quando pensava nela, Sebastian a via tão frágil, tão necessitada de carinho e cuidados, que ele simplesmente não podia sentir raiva dela. Todo o seu referencial de família, quando brigara com Thomas, recaíra sobre ela e, quando Sebastian viu Bonnie pela primeira vez, sabia que ela era um presente para ele; no meio de tanta dor e sofrimento, Sebastian ganhara Bonnie e fora Emma quem lhe dera a irmã. Ele jamais esqueceria aquela tarde, no quarto do hospital, quando segurou Bonnie nos braços pela primeira vez, e fora justamente Emma quem lhe passara o bebê, ainda tão pequeno. Por tudo isso, não havia o menor cabimento em Emma se sentir tão culpada e estar agora ali, aos prantos, lhe pedindo desculpas por algo que ela não fizera.
– Mãe... Mãe, por favor. Para. – Sebastian começou. – Não chora. Você não teve culpa, mãe. Você quase morreu. Você e Bonnie quase morreram. Eu não tenho nada que te desculpar, porque simplesmente não há motivo algum para você me pedir perdão.
Emma olhou para o filho, estendendo a mão para tocar-lhe o rosto. Ela olhou no fundo dos olhos azuis e disse:
– Eu olho para você e vejo... – Ela disse, passando o polegar pela bochecha do filho. – Eu vejo tanta beleza. É tão jovem... Mas tão forte. Você tem um bom coração, Sebastian, e é uma boa pessoa. Uma boa pessoa, a quem coisas ruins aconteceram. E eu sei que você vai mesmo ser muito feliz. Você merece, para compensar tudo o que passou.
– Eu tenho você, mãe. – Sebastian afirmou, segurando a mão dela, que ainda estava em seu rosto. – Tenho Bonnie... E, de uma forma ou de outra, estou voltando a ter o papai. – Ele admitiu e os olhos de Emma brilharam.
– Eu te amo, meu filho. E tenho muito orgulho de você. Não me importa que você goste de meninos, de meninas ou de chupões. – Emma disse, rindo. Sebastian balançou a cabeça, sorrindo também.
– Eu também te amo, mãe. Obrigada por me dizer tudo isso, mesmo que tenha me constrangido um pouco no final. – Sebastian falou e a mãe deu uma leve risada, enquanto ainda tentava enxugar as lágrimas.
Eles voltaram a tomar o café da manhã e, logo depois, Thomas entrou na cozinha segurando uma Bonnie sonolenta no colo. Assim que a garotinha viu Sebastian, estendeu os braços para ele, que prontamente a pegou.
Naquele momento, aquela casa parecia verdadeiramente um lar.
[...]
– Bom... – Thomas começou, quando eles haviam terminado de almoçar. – Acho que Em realmente não abriu a boca hoje de manhã e você ainda não sabe a nossa resposta, Sebastian. Parabéns, querida. Estou orgulhoso de você. – Ele se virou para dar um selinho na mulher, mas ela desviou o rosto, levemente irritada.
– Eu sei guardar segredos! Não sei por que você desconfia de mim o tempo todo... – Emma cruzou os braços, enquanto Thomas e Sebastian riam.
– Então... – Thomas recomeçou, ainda sorrindo. Sebastian ficou sério. – Nós tomamos duas decisões.
– Duas? – Sebastian estranhou.
– Sim. – Emma confirmou. – A primeira é que... Sim. Você pode estudar no McKinley.
– Sério? – Sebastian tinha torcido tanto para uma resposta positiva, que parecia não acreditar que realmente recebera uma.
– Sério. – Emma sorriu com a reação do filho. Ela continuou: — A segunda decisão é que...
– Nós estamos nos mudando pra Lima. – Thomas completou. Seu tom de voz denunciava que ele tinha receio pela reação do filho.
– O QUÊ?! – Sebastian praticamente gritou. Não podia acreditar...
– Se não quer morar em Columbus, nós também não queremos. – Emma afirmou.
– Mas nós não vamos mais ficar longe do nosso filho. – Thomas disse, com uma expressão séria. – Emma não suporta mais viver longe de você. E eu também não.
Sebastian encarou o pai, ainda estupefato. Mil coisas passavam por sua cabeça. Ele queria dizer que não precisava da presença dos pais, que não queria que eles se incomodassem, mas... Ele queria sim. Deus, como ele queria! Ter sua família de volta... Estar presente quando Bonnie dissesse suas primeiras palavras ou quando ela desse seus primeiros passos... Era mais do que ele poderia sonhar. Era por isso que, secretamente, ele tinha resolvido que – se os pais não o deixassem se matricular no McKinley – ele se mudaria de volta para Columbus. Agora que poderia ter as duas coisas, ele mal podia acreditar em sua sorte.
– Diz alguma coisa! – Emma pediu.
– Você... – Sebastian começou, dirigindo-se a Thomas. – Você pode fazer isso? – Ele perguntou, referindo-se ao trabalho do pai.
– Bem, terei que viajar muito a princípio, mas Lima não é tão longe de Columbus, então eu sempre posso voltar pra casa. Com o tempo, talvez eu possa transferir a maior parte das atividades pra cá. – Thomas respondeu. E acrescentou, ainda sério: – Não importa, Sebastian. A nossa casa é onde quer que estejamos juntos.
– Eu... Obrigado! – Sebastian exclamou e, pela primeira vez em quase um ano, abraçou o pai.
Thomas se surpreendeu, mas logo passou os braços em torno do filho, abraçando-o também. Emma levou as mãos ao rosto, sorrindo com a cena, até que Sebastian passou um braço pelo ombro dela, puxando-a também para o abraço. Eles permaneceram assim por um longo minuto, até que Sebastian se afastou.
– Depois que transferirmos você de escola, voltaremos a Columbus para cuidar da mudança. – Thomas anunciou e Sebastian assentiu. – Talvez eu demore um pouco, porque preciso acertar algumas coisas no trabalho. De qualquer forma, assim que encontrarmos uma nova casa, sua mãe e Bonnie virão, mesmo que eu não possa vir. Robert nos ajudará com isso.
– Uma nova casa? – Sebastian perguntou.
– Sim. Precisaremos de uma maior. – Emma confirmou. – Um quarto só pra Bonnie e talvez você possa ter o seu próprio banheiro...
– E uma grande garagem também. – Sebastian pediu. – Quer dizer... Eu vou poder continuar com o meu carro? – Ele indagou. Quando ainda morava com os pais, ele costumava usar o carro de Emma quando precisava.
– Vou pensar no seu caso. – Thomas respondeu.
– Ah, pai... – Sebastian disse, num tom que fez os dois adultos começarem a rir.
Eles continuaram conversando a tarde toda, fazendo planos. E, para Sebastian, o futuro nunca parecera tão promissor.
[...]
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