Locked Out of Heaven
4 Coming Out
Notas iniciais
A noite já entrava pela madrugada e Santana Lopez estava inquieta em sua cama.
Os últimos dias não haviam sido fáceis. Entrara para as Troubletones, mas isso era o que tinha acontecido de melhor até então. Sua vida estava um inferno desde que havia insultado Finn – pela milionésima vez – e o babacão enfim resolvera revidar. Da pior forma possível. Agora, graças a ele, Santana tinha que lidar com o fato de ser empurrada para fora do tão seguro armário, da maneira mais brusca possível. Apesar disso, a única preocupação de Santana fora sua família.
Contar aos seus pais fora um dos momentos em que ela ficara mais nervosa em sua vida, mas não foi realmente difícil. Santana nunca tivera muito tato e, quando estava nervosa, as palavras jorravam de sua boca antes que ela sequer conseguisse assimilar o que estava dizendo. E foi isso o que aconteceu. Depois de dizer as tão difíceis palavras o mais rápido que conseguiu, o inesperado aconteceu. É claro que seu pai não dissera muitas coisas e logo saíra da sala; Jorge, assim como a filha, nunca fora um homem de muito tato. Mas Santana sabia que nunca deixaria de ser a princesinha de seu papi. Depois de ficar sozinha com sua mãe, ela sabia que Maribel não pouparia palavras. Entretanto, Maribel resumiu-se a abraçá-la, dizendo que a única coisa que lamentava era a falta de comunicação da filha, que não partilhava o que acontecia em sua vida com os pais. Apesar de não ser tão presente – até porque Santana nunca abria mão de sua independência -, Maribel sempre ansiava por saber qualquer coisa que tivesse relação com a filha, que amava tanto. Santana apenas a abraçou de volta e sorriu com alívio.
Encorajada pelo modo como seus pais reagiram, Santana decidira ir à casa da avó logo que pudesse. Ela queria muito acabar com tudo. A latina se recusava a pensar nessa hipótese, visto que ainda estava com muita raiva de tudo o que acontecera, mas, bem lá no fundo, pensava se isso tudo não era algo bom; depois que contasse à abuela, mesmo não sabendo ao certo como ela reagiria, tudo estaria acabado e ela não precisaria mais se esconder. Isso era o suficiente para que os cantos de seus lábios se levantassem em um mínimo sorriso.
Na outra noite, Santana fora então à casa de Alba Lopez. Sabia que seria mais difícil contar o segredo à ela, pois aquela não era uma mulher afável. Alba era uma das pessoas que Santana mais amava nesse mundo e o seu julgamento era de extrema importância para ela. Santana, em seu mais profundo íntimo, já sabia que não seria uma reação positiva, mas não esperava que fosse expulsa da casa em que passara grande parte de sua infância; a casa em que ralara os joelhos, comera pratos deliciosos e seguira a avó aonde quer que ela fosse. O olhar no rosto de Alba a ferira mais que qualquer pancada física. Santana chorara muito, pois sabia que aquele elo entre ela e a avó se rompera. Ela não queria pensar dessa forma, mas sentia que perdera a avó.
Depois de algum tempo, resolvera parar de chorar, porque sempre considerara aquilo inútil. Derramar lágrimas não tinha serventia alguma e sua abuela sempre a ensinara a “engolir o choro” e ela não a decepcionaria. Não mais do que já havia a decepcionado. Com essa resolução, restava à Santana se remexer em sua cama, sem conseguir dormir. Não. Decididamente, ser empurrada para fora do armário não tinha sido uma coisa boa.
[...]
Brittany S. Pierce afagava os cabelos da latina que mais adorava no mundo. Santana estava deitada em seu peito, em silêncio. Brittany não entendia muito bem o que acontecera na casa da avó de Santana, mas sabia que não fora algo bom. A loira não entendia porque alguém poderia ficar com raiva pelo modo como ela e Santana se amavam. Não era algo recente. Ela e a latina eram melhores amigas desde que ela conseguia se lembrar; Santana fora a primeira pessoa que ela tivera fora de casa que a aceitara do jeito que ela era. Até mesmo Quinn, que era sua outra melhor amiga, perdia a paciência às vezes. Britt percebia quando ela arqueava a sobrancelha depois de a loirinha dos olhos azuis dizer algo que a maioria das pessoas acharia estúpido. Estúpida. Brittany sabia que as pessoas a achavam idiota, mas ela não se importava realmente. É claro que ficava triste como um panda triste quando alguém a insultava, mas bastava Santana desmentir o fato ou mesmo ameaçar quem o havia dito, que Brittany sempre esquecia o ocorrido. Ela tinha Santana e faria de tudo para que sua latina favorita se sentisse melhor. Mesmo que isso significasse renunciar um pouco ao incrível sexo que as duas sempre faziam quando estavam a sós. Santana precisava se sentir amada, é claro. Mas não só desse modo. A loirinha sabia que ela só precisava de acolhimento e ternura. O sexo poderia esperar.
– San? – Britt a chamou do apelido que sempre usava quando as duas estavam sozinhas.
– Hum? – Santana não se mexera.
– Você quer ir ao Breadstix? Nós poderíamos ter um encontro... Quero levar minha namorada para jantar. – A loira usava seu tom mais dócil e sabia que Santana adorava ser chamada por ela de “namorada”.
– Você quer ir? – A latina não parecia muito animada, mas esse era o motivo pelo qual Brittany queria ir.
– Sim, eu quero.
– Ok, então... Podemos ir. Mas você volta pra casa comigo hoje?
– É claro, San! O que você quiser. – Brittany concordou rapidamente.
– Na verdade, eu preferia ficar em casa, B.
– Ah, vamos lá, San! Vai ser divertido. Podemos dar as mãos por cima do guardanapo dessa vez. – A loira argumentou, mas logo percebeu a tristeza no sorriso de Santana.
– Tá certo, B. Mas segure minha mão o tempo todo, não só em cima da mesa. Combinado?
– Pode deixar! – Brittany sorriu feliz e selou os lábios carnudos da morena rapidamente, levantando-se logo, para que Santana não mudasse de ideia.
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