Locked Out of Heaven
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Santana mal entrara no carro e seu celular já estava tocando. “I say a little prayer” estava em seus primeiros versos e aquela música só poderia indicar uma pessoa:
– Santana Maria Lopez, quem era aquele com quem você estava conversando num parquinho de praça agora há pouco? – Quinn Fabray falava em um fôlego só. Santana ficou um pouco intrigada, pois Q não tinha a curiosidade como uma de suas características. Entretanto, aquela noite já tomara rumos tão inesperados, que ela já desistira de fazer grande caso dos acontecimentos. A latina simplesmente suspirou e respondeu:
– Boa noite pra você também, Fabray. Suas habilidades estão cada vez melhores. Eu nem mesmo percebi que você tinha me seguido, Q. Parabéns! – Santana era irônica, mas sabia que aquilo em nada incomodaria Quinn.
– Não seja boba, S. Você não percebeu onde está? Olhe pela sua janela esquerda. – A confusão de Santana durou apenas dois segundos, tempo o suficiente para que ela olhasse pela janela e visse uma Quinn acenando para ela com uma mão enquanto a outra segurava o celular junto à orelha. Santana podia ver que a loira estava no primeiro andar de sua própria casa e então se deu conta de que estava na vizinhança de Quinn.
– Obrigada por ajudar com a minha orientação, Quinn. Era só isso? – Santana sabia que a resposta era não, mas isso não a impediu de tentar se esquivar.
– Boa tentativa, Lopez. Você tem três minutos. – A loira desligou e Santana revirou os olhos, enquanto começava a dar a volta na praça. Ela estacionou bem na porta da casa de Quinn e suspirou mais uma vez antes de sair do carro.
[…]
Trinta e cinco minutos foi o tempo que Santana levou para chegar ao quarto de Quinn, se jogar na cama da amiga e contar tudo o que tinha acontecido desde aquela tarde: Brittany, o Breadstix e Sebastian.
– Uau. Então… Aquele era o Sebastian Smythe. Ele é bem bonito, sabe? – Foi tudo o que Quinn disse depois que a latina terminara o seu relato.
– Qual é o seu problema, Fabray? Por acaso você finalmente deixou a cor do seu cabelo afetar seus neurônios? Eu acabei de te contar que briguei com a minha namorada, fui importunada por um cara que mal conheço e tudo que você diz é que ele é bonito? Acorda, Quinn! – Santana estava impaciente e seu tom de voz mostrava indignação.
– Quero te lembrar de que a Britt também é loira, Santana, então tenha mais respeito. E, você não tem muito pelo que me culpar. Em todo esse tempo que você falou, você focou mais na parte do Smythe do que na parte sobre a “briga” com a Britt. É claro que você não me falou exatamente sobre a parte da história de como ele saiu do armário, mas, ainda assim, tenho a impressão de que você até preferiu falar sobre ele.
– Não é isso, Q. Eu estou chateada com tudo que aconteceu. E, eu sei que não deveria, mas estou chateada com a Brittany.
– Estou vendo… Você está se referindo a ela como “Brittany” e isso nunca é um bom sinal. Sabe de uma coisa? Eu estou chateada com você. Você não veio conversar comigo uma vez sequer sobre toda a história do comercial e a sua avó e, se eu não tivesse te visto hoje à noite, eu tenho quase certeza de que você não me contaria de qualquer forma. Em vez disso, você contou tudo a um cara que, como você mesma disse, mal conhece e, pra falar a verdade, você está se aproximando dele, S. E eu não sei se isso é uma coisa boa. Ele ainda é um Warbler e você sabe o quanto de confusão isso pode trazer. Sem falar na parte em que ele supostamente está apaixonado pelo Blaine e é um rival do Kurt. – Santana podia ver que Quinn estava mais preocupada com ela do que chateada sobre ter sido “trocada” por Sebastian. Mesmo assim, achava que a amiga não deveria dar tanta importância a isso.
– Você está exagerando, Q. Não foi nada demais. O idiota simplesmente apareceu lá e nós começamos a conversar. Mas isso foi tudo. E foi só um momento de fragilidade minha, você sabe que as chances de isso se repetir são mínimas. Mas, sobre você, eu não queria te importunar sobre os meus problemas. Eu sei que você tem estudado muito ultimamente e eu não queria te atrapalhar com isso.
– Você é mesmo uma babaca, Lopez. – Quinn falou, revirando os olhos.
– Bom, já que você insiste tanto, da próxima vez eu corro pros seus braços, meu amor. Combinado?
– Então… Haverá uma próxima vez? – A loira arqueou a sobrancelha para a latina.
– Eu realmente espero que não. – Santana disse séria. – Estou liberada? Uma boa noite de sono seria legal agora. O dia foi bem estranho, sabe?
– Por que você não dorme aqui? A gente podia assistir algum filme, comer alguma coisa… Ou, pela sua cara, você pode só dormir mesmo.
– Judy não vai reclamar? Quer dizer, agora que ela e todo mundo sabe que eu sou gay…
– Ela sabe que minha inocência já foi tirada há algum tempo e, bem, estamos falando de você. Não é como se você representasse algum perigo. – Quinn disse, se levantando da cama. Quando se virou para olhar a morena, percebeu a boca de Santana aberta, o queixo caído.
– Você não disse isso, Fabray! – A latina franzia o cenho.
– É só a verdade, querida. – A loira disse, atirando uma toalha de banho para Santana.
[…]
Sebastian não levou muito tempo para chegar em casa. Lima não era uma cidade de trânsito difícil e, àquela hora, poucos carros ainda estavam nas ruas. Ele estava no automático desde que entrara em seu carro e começara a dirigir; no entanto, ele sabia que aquilo não duraria. Assim que deitasse a cabeça em seu travesseiro, seria atingido pelas lembranças das horas anteriores. E foi exatamente isso que aconteceu.
Quando ele imaginaria que sua noite teria sido assim? Nunca. Mas era um fato: ele trocara confidências com Santana Lopez, a latina vadia… Que faz parte de um coral rival e que tem uma namorada linda. Espera aí! O último detalhe era mesmo relevante? “Ah, foda-se!” – era o que ele pensava. Havia tantas outras coisas para se preocupar… Ao ver o lado frágil da garota, Sebastian se viu mais conectado a outra pessoa do que jamais estivera em anos; aquilo era intrigante e assustador. Ele não fazia ideia do que pensar, do que sentir, do que fazer… Como seriam as coisas daqui pra frente? Ela tinha sua vida, seu coral, amigos… Sebastian não podia se abrir com ninguém. E, pela primeira vez, aquilo o incomodou. Ele percebeu que não faria a mínima falta para Santana manter contato com ele ou não, mas, para ele, faria toda a diferença. Com esse pensamento, Sebastian ficou irritado. Aquilo soava como depender da Lopez e isso estava definitivamente fora de cogitação.
“O que diabos está acontecendo, seu idiota?!” – era a pergunta que se repetia em sua mente. A falta de uma resposta era torturante.
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