Livro II: O Eco dos Nossos Passos

18 Ritmos da Noite e a Alvorada de Fogo



​O sol começou a se deitar no horizonte dos Hamptons, tingindo o céu com nuances de terracotta e dourado, mas a energia na mansão de Ricardo parecia apenas se renovar. O churrasco havia se transformado em uma autêntica roda de samba sob o pergolado iluminado por cordões de lâmpadas quentes. Amigos de Ricardo tocavam tantã, pandeiro e cavaquinho, ditando um ritmo frenético e contagiante.

​No centro da roda, Hope Styles era o foco absoluto de todos os olhares. Por ter sido líder de torcida durante os anos de escola e faculdade, ela possuía uma consciência corporal absurda; pegava qualquer ritmo com facilidade, adaptando a ginga brasileira ao seu próprio molejo natural. Ela segurava uma caipirinha de maracujá em uma das mãos, enquanto a outra jogava o cabelo loiro para trás. Vestindo apenas a saída de praia de renda branca por cima do biquíni preto, ela sambava com Ricardo. Seus quadris moviam-se em perfeita sincronia com o repique do tambor, descendo até embaixo com uma sensualidade que arrancava aplausos dos convidados.

​— Isso, Hope! Quebra tudo! — Ricardo incentivava, tocando o pandeiro perto dela, rindo com os olhos brilhando de admiração. — Você tem sangue brasileiro nessa veia, não é possível!

​— Eu tenho ritmo, Ricardo! — ela gritou de volta por cima da música, rindo alto, a cabeça já levemente tonta pelo efeito do álcool. Ela girou, fazendo a barra da saída de praia rodar, e jogou um olhar desafiador na direção do bar.

​Lá estava James. Ele segurava o mesmo copo de uísque há uma hora, mas o gelo já havia derretido por completo. Ele respirava com visível dificuldade, o peito nu subindo e descendo de forma pesada. O ciúme que sentia era uma substância física, ácida, que queimava sua garganta. Ver aqueles homens aplaudindo o corpo de Hope, ver a intimidade com que Ricardo a cercava na dança... era uma tortura medieval. James trincava os dentes com tanta força que a musculatura de seu maxilar estava exausta. Ele havia bebido muito pouco justamente para manter o controle, mas o controle era a última coisa que lhe restava.

​Por volta das dez da noite, a festa começou a dispersar. Hope estava visivelmente alterada pela bebida; seus passos vacilavam de leve e a risada saía mais alta e descontraída que o normal. Ela tentava colocar as sandálias rasteiras, encostada no pilar do deck, quando uma mão grande e firme segurou seu pulso.

​James havia vestido uma camisa de linho preta, deixada completamente aberta, e exalava uma autoridade inquestionável.

​— Você vai embora comigo, Hope — James sentenciou, a voz grave e sem margem para discussões.

​— Ah, qual é, Lâfrer... a festa está boa... — ela balbuciou, os olhos azuis ligeiramente semicerrados pela embriaguez, sorrindo de forma travessa. — O Ricardo disse que ia abrir uma pista de dança lá dentro...

​— O Ricardo já bebeu uma garrafa de cachaça e você mal consegue parar em pé — James cortou, pegando a bolsa de lona dela com grosseria. Ele olhou para Ricardo, que se aproximava cambaleando sutilmente. — Andrade, estou levando a Styles. Ela passou do limite e amanhã tem relatório para entregar. Boa noite.

​— Com certeza, chefe... cuida bem do nosso pitel... — Ricardo deu um tapinha no ombro de James, que quase o fuzilou com o olhar.

​James guiou Hope até o estacionamento, segurando-a firmemente pela cintura para que ela não tropeçasse. Ele a colocou no banco do passageiro de seu SUV escuro, afivelou o cinto dela com força e bateu a porta. Durante todo o trajeto de volta para o Greenwich Village, o silêncio dentro do carro era elétrico. Hope acabou pegando no sono com a cabeça encostada no vidro, murmurando coisas incompreensíveis.

​Ao chegarem no apartamento dela, James a pegou no colo de forma viril, subindo os lances de escada sem qualquer esforço. Ele abriu a porta com a chave que tirou da bolsa dela e a deitou na cama de casal.

​O quarto estava na penumbra, iluminado apenas pelas luzes da rua que entravam pela grande janela. O choque do colchão fez Hope despertar. O efeito do álcool havia se transformado em uma onda de calor e audácia. Quando James fez menção de se afastar para pegar um copo de água, ela prendeu as pernas ao redor da cintura dele, puxando-o pela camisa de linho com força.

​— Não vai embora... — ela sussurrou, a voz arrastada, densa de desejo. Ela puxou o rosto dele para baixo, colando seus lábios nos dele.

​O contato inicial foi como jogar gasolina em uma brasa viva. Eles pegaram fogo instantaneamente. James soltou um rosnado baixo, esquecendo a razão, e atacou a boca dela com uma força selvagem. Suas mãos subiram pela saída de praia, rasgando os nós da renda com urgência, espalhando-se pela pele quente das coxas dela. Hope arranhou as costas nua dele por dentro da camisa, arqueando o corpo, entregando-se ao beijo barulhento e faminto. James desceu os lábios pelo pescoço dela, mordendo a pele macia com posse, fazendo-a soltar um gemido agudo na escuridão.

​Ele subiu o corpo, ficando por cima dela, a mão grande descendo pelo biquíni preto, prestes a arrancar o tecido de uma vez por todas. O nível de tesão no quarto era sufocante. No entanto, quando ele olhou nos olhos dela, viu as pupilas excessivamente dilatadas e o modo como ela lutava para manter o foco.

​James parou abruptamente, a testa colada na dela, a respiração saindo em jatos violentos e quentes.

​— Droga... Hope... — James arfou, fechando os olhos com força, os nós dos dedos brancos de tanto segurar o próprio impulso. — Não assim. Eu não vou te foder enquanto você estiver bêbada. Não quero que amanhã você ache que foi um erro da bebida.

​— James, por favor... eu quero você... — ela murmurou, tentando puxar o rosto dele de volta, os lábios entreabertos.

​— Amanhã, Styles. Amanhã você é minha — ele sentenciou, a voz rouca de frustração.

​James saiu de cima dela com um esforço sobre-humano. Ele tirou os sapatos dela, puxou o edredom pesado até os ombros de Hope e deitou-se ao seu lado por cima das cobertas, apenas de calça e camisa aberta. Ele a puxou pelo quadril, colando as costas dela ao seu peito, exatamente como faziam no passado, mas com o corpo inteiro rígido de desejo reprimido. Hope soltou um suspiro pesado e, em poucos minutos, desabou em um sono profundo e seguro nos braços dele. James passou o resto da noite encarando o teto, contando os minutos para o amanhecer.

​Às seis da manhã, a luz cinzenta e fria da alvorada de Nova York começou a cortar a penumbra do quarto.

​Hope abriu os olhos devagar. A cabeça latejava de leve, mas a mente estava perfeitamente límpida. A primeira coisa que sentiu foi o calor esmagador que vinha de trás. Ela virou o corpo lentamente no colchão e deparou-se com James acordado, observando-a com aqueles olhos escuros, profundos e desprovidos de qualquer máscara. Ele estava deitado de lado, com o braço apoiando a cabeça, o peito nu a centímetros do dela.

​Não havia álcool. Não havia Ricardo. Não havia escritório. Havia apenas a verdade crua entre um homem e uma mulher que se desejavam há anos.

​— Bom dia, Styles — James sussurrou, a voz matinal ainda mais grave e arrastada, arranhando os sentidos dela. — A ressaca passou?

​Hope não respondeu com palavras. Ela sorriu de canto, aquele deboche Styles que agora exalava pura luxúria madura. Ela esticou a mão e tocou o maxilar marcado dele, descendo os dedos lentamente pelo pescoço até arranhar de leve o peito definido.

​— Eu estou perfeitamente sóbria, James — ela respondeu, a voz aveludada, sustentando o olhar dele. — E eu lembro de cada palavra que você me disse ontem à noite. Você disse que eu era sua hoje.

​James trancou os dentes, o olhar dele descendo para a boca dela. O tempo da espera havia terminado. Em um movimento rápido e bruto, ele segurou a cintura de Hope e a girou na cama, ficando por cima dela de uma vez só. O peso do corpo dele esmagou o dela contra o colchão, e o fogo que havia sido contido na noite anterior explodiu com força total.

​— Você não tem ideia do inferno que me fez passar ontem, Hope — James sibilou perto do ouvido dela, a voz trêmula de desejo, enquanto suas mãos grandes subiam pelas laterais do biquíni preto dela. — Agora você vai pagar por cada segundo.

​James atacou os lábios dela com um beijo devastador, mas dessa vez não era urgente; era possessivo, profundo e lascivo. A língua dele invadiu a boca de Hope com domínio, arrancando dela um gemido abafado. Com um puxão firme, James rasgou a amarração lateral do biquíni preto dela, jogando o tecido longe na escuridão do quarto. Hope soltou um arquejo quando sentiu as mãos grandes e calosas de James espalharem-se pela pele nua de seu quadril, apertando a carne macia com força, deixando marcas vermelhas que ela ostentaria com orgulho.

​— Hummm, James... sim... — Hope gemia alto, jogando a cabeça para trás na almofada enquanto os lábios dele desciam pelo seu maxilar, cravando os dentes com força na lateral de seu pescoço e descendo até o colo.

​James usou as duas mãos para erguer o sutiã do biquíni dela, expondo os seios fartos e empinados. Ele engoliu um dos mamilos rígidos de uma vez só, sugando com uma fome selvagem, fazendo círculos com a língua enquanto a outra mão descia pelo ventre liso de Hope, penetrando entre as coxas dela.

​Hope deu um grito agudo, cravando as unhas compridas nos ombros largos e musculosos de James. Suas pernas se abriram instintivamente, totalmente entregues ao toque dele. Os dedos de James encontraram-na completamente ensopada, quente e pulsante. Ele começou um movimento lento e firme de vaivém, estimulando-a com uma ousadia que a fazia rebolar o quadril contra a mão dele de forma desesperada.

​— Você está tão molhada para mim, Hope... olha como você aperta os meus dedos — James sussurrou de forma suja perto do ouvido dela, a respiração totalmente ofegante, acelerando o toque. — Diz que você é minha. Diz quem é o único homem que pode te tocar assim.

​— Sou sua... meu Deus, James, eu sou sua! — ela gritava, o peito subindo e descendo com violência, as lágrimas de puro prazer escorrendo pelos cantos dos olhos azuis. — Tira isso... entra em mim, por favor, eu não aguento mais!

​James soltou um rosnado puramente animal. Ele levantou-se de joelhos na cama por um segundo, desabotoou a calça social com pressa e a jogou no chão, revelando seu membro completamente ereto, rígido e pulsante de desejo.

​Ele voltou para o vão das pernas de Hope, segurando as coxas longas dela e jogando-as por cima de seus ombros largos, abrindo-a por completo. O posicionamento deixou o corpo nua de Hope totalmente exposto sob a luz da manhã. James olhou para ela, os olhos escuros brilhando com uma devoção quase religiosa, e posicionou a cabeça do seu membro contra a entrada úmida dela.

​Sem pressa, ele empurrou o quadril para a frente.

​A entrada foi lenta, apertada e absurdamente quente. James entrou por completo em um único impulso longo, preenchendo-a até o limite. Hope soltou um grito alto na sala silenciosa, arqueando as costas para fora do colchão, os olhos arregalados pelo impacto do prazer avassalador. Era uma sensação de completude que nenhum dos dois jamais havia experimentado.

​— Ahhh... caralho, Hope... você é tão apertada... — James urrou, fechando os olhos enquanto os músculos dela se contraíam ao redor dele em espasmos violentos. Ele segurou as mãos dela, entrelaçando os dedos firmemente contra o colchão, e começou o ritmo.

​As estocadas eram fortes, profundas e ritmadas. O som dos corpos colidindo com força — a pele úmida de suor batendo contra a pele — preenchia o quarto. James não tinha mais nenhuma frieza; ele era puro fogo, movendo o quadril com uma energia primitiva, indo até o fundo e puxando quase toda a extensão para depois afundar novamente.

​Hope gemia sem parar, o som saindo em um ritmo descontrolado: — James... mais forte... hummm... assim... mais!

​Atendendo ao comando, ele mudou a posição, puxando-a pelo quadril para que ela ficasse de quatro na cama. James segurou a cintura fina dela com as duas mãos, os nós dos dedos cravando-se na pele dela, e a penetrou por trás com uma violência lasciva. A cada estocada profunda, o corpo de Hope era empurrado para a frente, o cabelo loiro balançando pelo rosto. Ela olhava para trás por cima do ombro, vendo as feições de James totalmente transformadas pelo êxtase, o suor brilhando em seu peito nu.

​O clímax estava se aproximando como uma tempestade perfeita. O nível de tesão e a eletricidade entre os dois era algo que Nova York nunca havia testemunhado.

​— James... eu vou... eu vou vir... — Hope arfou, os músculos de sua intimidade esmagando o membro dele com uma força absurda.

​— Vem comigo, Styles! Olha para mim! — James ordenou, a voz totalmente rouca. Ele deu as últimas três estocadas mais violentas e profundas de sua vida, afundando-se nela por completo.

​Hope soltou um grito longo e agudo, o corpo inteiro tremendo quando seu orgasmo explodiu em ondas de calor avassaladoras que pareceram paralisar o tempo. Logo em seguida, James soltou um rugido baixo e arrastado, contraindo o abdômen com força enquanto despejava seu sêmen quente e abundante bem no fundo dela, pulsando várias vezes dentro de sua intimidade.

​Eles desabaram juntos no colchão ensopado de suor. James deitou-se de lado, puxando Hope para o seu peito largo, os braços envolvendo-a com um carinho e uma atenção transbordantes. Suas respirações ainda eram curtas e barulhentas, acalmando-se lentamente enquanto o sol da manhã terminava de iluminar o quarto.

​James beijou o topo da cabeça loira dela, segurando-a como se ela fosse o seu bem mais precioso. Não havia mais dilemas, não havia mais mentiras. Ali, na calmaria daquela manhã no Greenwich Village, eles sabiam que haviam atravessado a linha definitiva, e que o campo de Nova York agora pertencia inteiramente ao amor avassalador que os unia.