Livro II: O Eco dos Nossos Passos

25 Desejos em Dobro e a Invasão de Tribeca



​A imensa mansão em Tribeca, que inicialmente havia sido projetada para ser o refúgio sofisticado de James e Hope, acabou se transformando no quartel-general oficial de toda a família Styles. Diante das gestações simultâneas e de alto risco de dengo, a estrutura da casa mudou por completo. Garret e Sofia fecharam temporariamente a casa de West Valley para passar a reta final da gravidez perto dos melhores obstetras de Manhattan, trazendo a tiracolo Lucian e Elise.

​O resultado? Uma mansão bilionária virada de cabeça para baixo por hormônios, desejos exóticos na madrugada e dois maridos que andavam pelos corredores com as feições divididas entre o mais puro amor e o mais absoluto esgotamento físico.

​Eram duas horas da manhã de uma terça-feira quando James Lâfrer abriu os olhos na escuridão do quarto principal. O motivo do seu despertar não fora um pesadelo ou um alerta do mercado financeiro, mas sim o som nítido de dentes mastigando algo crocante ao seu lado.

​Ele virou a cabeça devagar. Hope, com sua barriga de sete meses pontuda e imensa sob a camisola, estava sentada na cama com as pernas cruzadas. Em seu colo, repousava uma tigela cheia de rabanetes crus, que ela mergulhava com gosto dentro de um pote de doce de leite cremoso.

​James piscou os olhos escuros, tentando processar a cena sob a penumbra do abajur.

​— Hope... — James chamou, a voz grave e arrastada pelo sono profundo. — Por que você está comendo rabanete com doce de leite no nosso lençol egípcio?

​— Porque o nosso filho acordou com uma vontade incontrolável de comer algo que seja azedo, amargo e muito doce ao mesmo tempo, Lâfrer — ela respondeu com a maior naturalidade do mundo, dando uma mordida ruidosa no vegetal. — E se eu não comesse isso agora, eu ia começar a chorar. Você quer que eu chore?

​— Não, por favor, não chore — James ergueu as mãos em sinal de rendição, conhecendo bem o poder das lágrimas gestacionais da esposa. Ele suspirou, sentando-se no colchão e passando a mão pelo rosto. — Só... tente não derrubar no edredom.

​Nesse exato momento, um estrondo ecoou no corredor, seguido pelo barulho de passos pesados vindo do andar de baixo e uma lamúria masculina bem conhecida.

​— Mas que caralho, Sofia! Onde eu vou achar isso em Manhattan a essa hora?!

​James e Hope se olharam. Hope soltou uma risada abafada, limpando o canto da boca. — Pelo visto, o seu sogro também foi convocado pelo comitê de desejos.

​Cinco minutos depois, James desceu as escadas de mármore vestindo apenas uma calça de moletom cinza. Ao entrar na cozinha americana de alta tecnologia, deparou-se com uma cena digna de uma comédia de Hollywood.

​Garret Styles estava escorado na ilha de granito, vestindo um pijama xadrez, com os cabelos completamente desalinhados. Ele segurava o celular na mão com os olhos arregalados, enquanto Sofia, ostentando sua barriga de oito meses, redonda e perfeita, estava sentada em uma das banquetas altas com os braços cruzados, a expressão irredutível de uma mulher grávida que sabe o que quer.

​— James! Graças a Deus! — Garret exclamou, olhando para o genro como se ele fosse um salvador. — Me diz que a sua holding de mídia tem algum aplicativo de entrega que funcione trinta e quatro horas para trazer um pote de azeitonas recheadas com anchovas e um milk-shake de morango do Brooklyn!

​James soltou uma risada limpa, caminhando até a geladeira para pegar um copo de água. — Garret, são quase três da manhã. Acho que nem o meu dinheiro compra um milk-shake do Brooklyn a essa hora.

​— Mas eu preciso, Garret! — Sofia interveio, a voz subindo um tom, os olhos castanhos marejando instantaneamente com aquela fragilidade hormonal avassaladora. — Se o nosso bebê nascer com cara de azeitona, a culpa vai ser toda sua por não querer dirigir até o posto de conveniência!

​— Meu amor, eu vou! Eu vou até o Brooklyn a pé se for preciso! Não chore, pelo amor de Deus! — Garret desesperou-se, correndo para abraçar a esposa, beijando o topo da cabeça dela enquanto trocava um olhar de puro pânico com James.

​Hope entrou na cozinha logo em seguida, ainda segurando sua tigela de rabanetes, e sentou-se ao lado da mãe. Em poucos segundos, as duas grávidas começaram a conversar animadamente sobre marcas de fraldas e dores nas costas, esquecendo completamente o drama que haviam causado nos respectivos maridos.

​Garret aproximou-se de James no balcão do café, os dois homens observando a cena de braços cruzados. O ex-quarterback de West Valley deu um suspiro longo, batendo no ombro do genro.

​— Sabe, Lâfrer... no passado eu quase te matei porque achei que você ia corromper a minha filha — Garret sussurrou, bem-humorado, embora estivesse exausto. — Mas hoje eu vejo que a justiça divina é implacável. Nós dois estamos na mão dessas duas Styles. Elas mandam nessa casa inteira.

​James deu um sorriso de canto, os olhos fixos na silhueta loira de Hope que ria alto com a mãe. — Elas merecem, Garret. Deixe que mandem. Mas se você for mesmo ao posto buscar as azeitonas... traga mais doce de leite. O estoque da Hope está no fim.

​No entanto, a verdadeira "tortura" para os homens da casa não eram os desejos culinários, mas sim os desejos da carne. Os hormônios do terceiro trimestre haviam transformado tanto Sofia quanto Hope em verdadeiras máquinas de luxúria, deixando os maridos loucos a cada noite.

​Por volta das quatro da manhã, após os ânimos culinários se acalmarem, os casais retornaram aos seus quartos.

​No quarto principal, James mal havia deitado quando sentiu o calor do corpo de Hope se aproximar. Ela jogou o edredom para o lado, revelando que havia tirado a camisola. Vestindo apenas uma calcinha de renda, ela engatinhou pelo colchão com uma lentidão felina, os olhos azuis dilatados de puro desejo sob a luz do luar.

​— James... — ela sussurrou, a voz aveludada e arrastada, sentando-se de pernas abertas por cima das coxas dele, deixando a barriga pesada roçar no abdômen trincado do marido. — Eu estou com calor. E o seu filho está chutando muito. Acho que você precisa dar um jeito de acalmar a sua esposa.

​James trancou os dentes, sentindo o sangue ferver instantaneamente. O tesão que sentia por aquela mulher parecia aumentar a cada centímetro que a barriga dela crescia. Ele segurou os quadris fartos de Hope com as duas mãos grandes, os nós dos dedos brancos.

​— Você não tem limites, não é, Styles? — James sibilou, a voz rouca, subindo as mãos pelas laterais do corpo dela até apertar os seios volumosos com posse. — Quer que o seu pai escute os seus gemidos de novo pela parede?

​— Deixa o meu pai para lá... — Hope arfou, jogando a cabeça para trás quando James puxou seu corpo para baixo e abocanhou um de seus mamilos rígidos, sugando com força, enquanto sua mão descia com pressa entre as pernas dela, encontrando-a completamente ensopada e pronta.

​No andar de baixo, na suíte de hóspedes principal, a dinâmica não era diferente. Sofia havia trancado a porta e enlaçado o pescoço de Garret com os braços, puxando-o para um beijo faminto que o deixou sem ar.

​— Sofi... o médico disse que precisamos ir devagar nessa reta final... — Garret tentou argumentar, a respiração já curta enquanto a esposa arrastava a calça do seu pijama para baixo com uma urgência impressionante.

​— O médico não está nesta cama, Garret Styles — Sofia respondeu entre os lábios dele, com uma audácia que o fez perder a razão por completo. — Agora cala a boca e me pega de uma vez.

​O resto da madrugada em Tribeca seguiu aquele curso intenso e barulhento. Entre gemidos abafados pelos travesseiros, estocadas cuidadosas por causa das barrigas imensas, mas cheias de uma paixão selvagem, mãe e filha deixaram os maridos completamente exaustos e entregues ao mais puro prazer.

​Quando o sol finalmente começou a nascer no horizonte de Nova York, preenchendo a mansão com uma luz cinzenta e fria, a calmaria voltou a reinar. Na cozinha, Lucian e Elise já tomavam o café da manhã em paz, escutando o silêncio absoluto que vinha dos andares superiores.

​Elise deu um gole em seu chá, olhando para o marido com um sorriso sábio e divertido.

— Sabe, Lucian... eu acho que os nossos meninos não vão conseguir acordar para a reunião da holding hoje cedo. Aquela mansão pode ser nova, mas o sangue dos Styles continua o mesmo. Que os berços fiquem prontos, porque o futuro dessa família vai ser barulhento.