Livro 3: Terra
14 Bem-vinda - Parte 7
Notas iniciais
– Mas o que você faz aqui? – perguntou ela aflitamente. Imaginou que alguém do grupo havia contado sobre Zuli.
– Eu é que pergunto. – respondeu ele. – Aqui é a casa do meu tio.
– Você é o sobrinho? "Droga, mas é claro, como eu não me lembrei do general Iroh?" – falou ela para si, se sentiu idiota, como não percebeu antes?
– Mamãe, se afasta, vou te mostrar o que eu aprendi. – falando isso ela dá um urro e de sua boca e mãos saíram fogo. – Gostou? Foi o tio Zuko que me ensinou. – Mayumi ainda estava petrificada com aquela história, até que se abaixou na altura da filha.
– Foi lindo, minha princesinha. – A menina sorriu. – agora vai buscar suas coisas, tia Toph mandou fazer torta de limão, aquela que você adora.
– Eba. – gritou a menina e correu para os fundos.
– E então... Como vai? – perguntou Zuko sem saber mesmo o que dizer.
– Bem, obrigada por perguntar.
– Então, você teve uma filha, não é? Como eu não fiquei sabendo disso? Pediu segredo?
– Que absurdo, claro que não, se não contaram é porque não acharam cômodo contar.
– Sei, então você se casou?
– Para falar a verdade, não casei. – Zuko franziu o cenho na tentativa de entender. Zuli veio correndo e segurou na mão de Mayumi.
– Eu estou pronta.
– Então é melhor a gente ir andando. – falou a mulher e deu espaço para que a filha saísse. – A gente se vê.
– Que tal amanhã de manhã? – perguntou ele segurando no braço da jovem.
– Não posso, eu trabalho pela manhã.
– Eu sei, vou passar lá na loja as nove em ponto. – Ele a encarou seriamente. – Querendo ou não, a gente precisa conversar sobre o que houve naquele dia.
– Tudo bem. – falou ela e puxou o braço. – Adeus, Zuko.
– Até amanhã. – corrigiu ele e Mayumi apenas assentiu com a cabeça. Pegou na mão da filha e saiu pelas ruas de Ba Sing Se.
– Ele é legal, não é mamãe? – falou a menina.
– É querida, ele é legal.
...
18:00
Zuko permanecia sentado no sofá, as mãos estavam unidas em baixo do queixo e o homem estava pensativo até demais. Quando chegou a Ba Sing Se, nunca imaginou encontrar Mayumi ali, ainda mais com uma filha. Cinco anos, a menina havia dito, alguma coisa não estava se encaixando.
– Ah! Mas ela já foi? – falou Iroh quando chegou em casa.
– É, foi. – respondeu ele. Estava no automático.
– A menina é um doce e a mãe adorável.
– Tio, o senhor se lembra daquela garota por quem eu levei aquele açoite quando eu era menino? – perguntou Zuko e observou o velho homem a sua esquerda.
– Mas é claro que sim, fiquei três meses sem falar com seu pai por causa daquilo.
– É ela. – respondeu o homem.
– A mãe da garota?
– Sim e isso não é tudo.
– O que mais poderia ter?
– Aquela não foi a ultima vez que a vi, há cinco anos, a gente meio que... dormimos juntos.
– Eu não acredito. Como você pôde trair a Mai?
– Não foi consciente tio, estávamos bêbados.
– Um homem pode ter a sua consciência afetada pela bebida, mas a moral, por mais afetada que esteja, ainda permanece. Vocês fizeram porque quiseram.
– Tio, sério, não estou com cabeça para isso. – O homem se sentou ao lado do sobrinho.
– O que é que te preocupa tanto? – perguntou ele.
– O senhor não percebe? A menina.
– É um doce de criança, não é?
– Tio, presta atenção, ela é uma dominadora de fogo e tem cinco anos. Mayumi domina a água e até onde sei, o antigo noivo dela também tinha a água como elemento. Sem contar que enquanto eu a treinava, parecia que eu me via nela.
– Você não está achando que ela pode ser...
– Eu não estou achando, tio, eu tenho certeza. — falando isso, Zuko se levantou do sofá pegou a capa.
– Você vai sair?
– Vou tio! Vou fazer a Mayumi me contar tudo, vou colocá-la contra a parede.
...
Mayumi se aproximou de Toph e Haru que conversavam na sala. Haru fazia massagens no pé da esposa, que por causa da gravidez, estavam inchados.
– Massagens nos pés, não era você que não gostava que ninguém tocasse neles?
– O Haru pode, além do mais, ele sabe como fazer uma massagem. – Todos na sala sorriram até que Mayumi ficou triste de repente.
– Qual o problema Mayumi? seu coração praticamente deu um salto agora. – falou Toph.
– Eu vi o Zuko.
– Como é que é? – falou Toph e se levantou com dificuldade, a barriga já não deixava mais fazer aquilo com rapidez.
– Ele está aqui em Ba Sing Se.
– Ele viu Zuli? – perguntou Haru e abraçou a sua mulher.
– Viu e agora é só questão de tempo até ele ligar as coisas.
– O que pretende fazer agora? Vai contar para ele? – perguntou Toph.
– De forma alguma. – falou Mayumi e encarou a amiga. – Eu vou passar um tempo fora.
– O que? – Toph ficou aflita. – Você prometeu, disse que não ia me deixar sozinha nesse estado. – Ela começou a chorar. Haru olhou Mayumi e apenas mexia os lábios.
– “São os hormônios”. – Mayumi sorriu e balançou a cabeça.
– Eu entendi o que você falou Haru.
– É só por alguns dias, Toph. EU volto antes dela nascer.
– Eu não vou deixar você ir, sabe disso.
– Eu sinto muito. – Mayumi se despediu dos dois e deu as costas para eles. Subindo as escadas apressadamente.
– Volte aqui Mayumi, ainda não terminamos. – gritou Toph. Quando percebeu que ela não voltaria, pegou a capa e colocou nas costas.
– Para onde vai? – perguntou Haru.
– Atrás do Zuko. – ela amarrou a capa e saiu da sala, caminhando rápido para uma grávida de sete meses. – Não vou deixá-la me abandonar.
– O que pretende fazer? Contar da Zuli para ele?
– Exatamente. – falou ela e parou assim que chegou na porta.
– Eu vou com você. – falou Haru e pegou sua capa.
– É engraçado como as coisas acontecem sem nem ao menos percebermos. – Ela abriu a porta e lá estava o senhor do fogo pronto para bater.
– Ei Toph! – falou Zuko.
– Ei esquentadinho. – falou ela e o abraçou.
– Desculpe vir tão tarde. – ele olhou os dois. – Estão de saída?
– Íamos, mas já desistimos. – falou ela. – Entre, por favor.
– Eu vim falar com a Umi, ela tá ai?
– Lá em cima. – Ela apontou. – Terceira porta a direita.
– Obrigado. – respondeu ele e subiu. Assim que o senhor do fogo sumiu no andar de cima, Toph deu um pulo, lançou os braços em volta de Haru e deu um beijo nele.
– Eu não precisei mover nenhuma palha para que isso acontecesse. – ela sorriu. – Eu amo o destino.
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