Little Souls Almas Pequenas
2 Prólogo
Viajar sempre pareceu crucial, uma parte essencial para o descobrimento da pessoa enquanto ser vivo, quanto ao que é. Vivemos numa época em que ser diferente é bom , ser igual é aborrecido, e não saber quem somos é ser invisível. Desde criança, fui instruída, ou antes, amoldada para fazer algo de incrível, ser diferente, tornar-me superior a todos os outros e gerar diferença. Tudo isto tornou-se uma obrigação na minha vida, e uns anos depois a minha obsessão em ser perfeita. Desde pequena que participava em todo o tipo de actividades escolares, até as que não me diziam nada, e mesmo nessas era obrigada a ser melhor a alcançar o primeiro lugar.
Por essa razão não fazia ideia do que esta viagem tinha para me oferecer, o que poderia acontecer num lugar desconhecido onde não tinha de ser a primeira em algo?
Não sabia que a escolha que estava a fazer se poderia tornar no meu mais profundo medo, era ingénua nessa altura, deixei-me levar por aquilo que chamam de amor e foi ali que parei, naquele pequeno buraco preto, sem vida, rodeado de lixo e sangue por todo o corpo, apenas o meu espírito a observar aquele que em tempos fora minha forma de movimentação e conexão com o mundo real.
Porém havia valido a pena. Foram os melhores 6 meses que poderia ter vivido. Os seis meses em que a minha vida ficou de pernas para o ar, em que não tivera de ser perfeita, de me preocupar com o que os outros achavam e mim. Os seis meses em que o amar valeu a pena. Tudo por ele valeu a pena.
Os sacrifícios parecem sempre melhores quando os fazemos por aqueles que ama-mos, e eu amava-o, com todas as minhas forças, amava-o mais do que alguma vez seria capaz de amar alguém, e de certa forma sentia-me grata por me encontrar ali, pois se ele morre-se a minha vida iria com ele , e nunca mais seria capaz de encontrar alguém tão incrível, como Harry.
É única certeza que tenho.
Fale com o autor