POV NARRADOR

–-- Ao velho! --- a morena levantou sua garrafa e olhou para o homem que lentamente resolveu fazer o brinde.

–-- Ao velho que foi ele até o fim.

–-- Esse mundo é uma porcaria mesmo. O que foi? Por que ta me encarando?

–-- Para uma mulher madame até que você não tem frescura.

–-- E eu lá pareço uma madame? --- ela bufou e tomou mais um gole da sua bebida, ele a encarou por um tempo e também bebeu um pouco.

–-- As aparências enganam pelo jeito.

–-- Oh se enganam --- a menina riu irônica e voltou o olhar para o céu.

–-- Com quantos anos começou a beber? --- do nada ele perguntou e ela se assustou.

–-- Sério isso? Por que quer saber? Ta faz assim, vamos fazer assim. Eu falo uma coisa sobre mim, você fala outra e enquanto enchemos a cara, o que acha? Assim me ajuda a esquecer um pouco do inferno em que estamos.

–-- Certo. --- comentou desconfiado --- Sua vez começa porque eu já perguntei.

–-- Você é meio irritante, caipira. Ok, eu comecei a beber com 16 anos por aí. --- deu de ombros e bebeu um pouco --- E você?

–-- Nessa idade também mais ou menos.

–-- Hum... E fuma?

–-- Só às vezes. Você fuma?

–-- Às vezes também, não é como se eu pudesse aproveitar de uns 50 maços por dia ainda mais no apocalipse. Ah minha vez né? Como foi a sua primeira vez?

–-- O que? --- ele ergueu a sobrancelha e ela corou completamente.

–-- Pra bebida homem de Deus. Como foi?

–-- Ah... O Merle havia saído da prisão e enchendo a cara, então me deu uma cerveja e disse que era bom, bebida de macho e tinha passado da hora de eu provar isso.

–-- Seu irmão é doido. --- ela deu um risinho e bebeu mais --- Já sei o que vai perguntar, então... Eu estava sozinha em casa, meus irmãos haviam ganhado uma garrafa de Rum; eu havia visto um filme de piratas e quis provar para ver se era bom. Me ferrei bonito quando meus irmãos chegaram em casa e viram a irmãzinha bêbada já que acabou com a bebida toda deles. E qual foi sua primeira vez? É de sexo.

–-- Você ta bem curiosa pirralha. Eu tinha mais ou menos a mesma idade de quando comecei a beber, Merle me levou a um puteiro e já sabe o resto. Como foi com você?

–-- Ai que nojo, comer puta. --- ela fez uma careta e arrancou uma pequena risada do homem. --- Uii conversas profundas no meio da noite. Não sei se é noite ou madrugada. Podia ter relógio aqui pelo menos.

–-- Garota você é maluca, agora responde.

–-- Eu tinha 17 anos, com um badboy da minha escola, namorado escondido porque meus irmãos são mais que ciumentos, ele era a cara do Johnny Depp novinho, muito gatinho. Até que foi romântico e meio estranho, o namoro durou pouco tempo depois.

A conversa fluiu de coisas inocentes, sexo, sobre irmãos e enquanto isso bebiam mais e mais, o corpo começava a ficar pesado e leve ao mesmo tempo, a língua começar a enrolar e leves risinhos escaparem de sua boca.

Daryl ficou surpreso com a menina que tinha todo jeito de princesinha, apesar de ele mesmo ter visto ela batendo na Andrea e no Shane, por ela beber e não ficar tonta fácil. Devia admitir que a garota era forte, e conversa com ele de boa, não tinha medo do caipira ignorante e bruto, irmão de Merle Dixon. Tinha também um certo carinho com a garota que mesmo pequena parecia trazer paz e confusão por onde passava e ao que percebeu, ter um passado tão fodido como o seu.

A garota não parava de surpreendê-lo ao saber de carros e motos, não ter medo de encher a cara e falar o que pensa, usar a besta com precisão coisa que ele secretamente admirava, vários tipos de armas e aquela coisa de ser do FBI ainda o intrigava, a menina não tinha mais que um 1,60 e colocavam ela com bandidos com o dobro do seu tamanho?

Ele tinha uma decisão confusa e difícil para fazer, já estava tão bêbado que via dois de tudo na sua frente, a menina estava quase desmaiando de sono, pegou então em sua mão e a arrastou para sua barraca, ela resmungou e reclamou o tempo todo, por fim ele conseguiu colocar ela deitada no pequeno colchão. Foi o prazo de ele tirar os sapatos dos dois e deitar do outro lado, que ela se empoleirou no peito dele e dormiu profundamente, um leve sorriso surgiu em seus lábios e se entregou ao sono profundo.

[...]

POV BELLA

Acordei com o sol quente bem na minha cara e uma ressaca monstro querendo quebrar minha cabeça em vários pedacinhos, eu estava deitada em algo sólido, devia ter dormido abraçada com o Rob ou algo assim, mexi um pouco a mão e esbarrei numa coisa dura. Que porra é essa? Estiquei a mão e comecei a apalpar de leve dando pequenas apertadas pra descobrir o que era, isso era uma arma? Minha mente ainda estava nebulosa quando escutei um gemido baixo, fiquei assustada na hora. Que não seja um zumbi por favor! Olhei para cima e vi o Daryl dormir embaixo de mim, com a testa levemente franzida e os lábios entreabertos e... PUTA QUE PARIU! Eu tava apalpando o brinquedinho dele.

–-- Ai meu Deus! Eu me lembro de beber e conversar com ele, não sei como parei aqui. Pelo menos eu to de roupa, mas né... --- pensei em tom alto e olhei intrigada para ele, será que fizemos algo? Ele era bem bonito, seria uma pena não lembrar de nada. --- Oh Daryl.

Eu o cutuquei e nada, balancei o braço dele quase caindo em cima do coitado. Viu Rob, eu não sou a única com sono pesado por aí no mundo!

–-- Caramba, você é difícil de acordar. Bora caipira, agora aí! Dixon levanta agora!

Com o meu pequeno grito, ele abriu os olhos arregalados de susto e levantou com tudo, batendo a cabeça nele na minha. Desgraça, já não bastava a ressaca monstro que habitava em mim? Itaaai! Dóóii muito!

–-- O que ta fazendo aqui?

–-- Você acha que eu sei, Daryl? --- perguntei confusa e com dor --- Ai minha cabeça. Itai.

–-- Que diabos é isso?

–-- Itai? --- ele acenou com a cabeça e ri baixinho, massageando a minha testa --- Significa dói, doloroso em japonês.

–-- E sempre fala em japonês por aí?

–-- É um costume. --- dei de ombros --- Sei falar em mais línguas, fazia parte do trabalho.

–-- Depois fala que não é madame.

–-- Olha não é só porque tive umas “vantagens” na vida, que significa que minha vida foi sempre boa ouviu? Eu to bem longe de ser uma madame. Você nem deve ter sido tão bom assim, não me lembro de nada.

Deixei para trás um Dixon confuso e irritado, saí para a minha barraca e escondi ali. Maldição! O que eu tinha feito mesmo? Já bebi de várias vezes acabar por aí, mas parar na barraca do caipira era abuso demais, tínhamos feito alguma coisa? Ah céus... Eu peguei no pacote dele!