POV BELLA

Minha manhã não melhorou muito com o Rob na minha barraca me dando um sorriso malicioso pronto para o seu interrogatório. Ele de algum jeito sempre tirava o que queria de mim e eu não queria no momento falar que eu apalpei o pacote do Dixon enquanto eu dormia.

–-- Então... Você dormiu na barraca do Daryl, como foi?

–-- Rob, por favor! Essa hora da manhã não.

Neguei com a cabeça e comecei a separar uma roupa para tomar banho, o que seria uma besteira já que íamos enterrar o Dale e um dia longo na fazenda debaixo daquele sol escaldante que não conhecia limites de quentura.

–-- Dormiram tipo juntos mesmo?

–-- Robert, para de me perturbar! Eu fui lá, bebemos e conversamos, fiquei tão bêbada que apaguei na barraca dele. E foi só! Eu acho... Parece que não aconteceu nada apesar de eu não lembrar quase nada.

Não disse que ele conseguia arrancar tudo de mim? Fui para a casa e tomei um banho rápido, ainda era bem cedo o sol mal havia surgido e não tinham muitas pessoas acordadas. Que droga, já não bastava as perdas que tivemos, ainda tinha que pensar sobre meus sentimentos pelo caipira. Espera... Não, eu não tenho sentimentos por ele.

Deve ser a seca. É, isso mesmo. Só falta de sexo, eu não queria nada com um caipira grosso todo gostoso, com lindos e intensos olhos azuis, uma boca que dava vontade de beijar e morder, um corpo perfeito e delicioso e... Pode parar com isso, Isabella!

[...]

O velório foi triste e ao mesmo tempo vazio e Rob me amparava o tempo todo. Dale poderia ser superprotetor às vezes, mas tinha um bom coração e era quase um pai para mim, foi fiel ao que pensava até o fim e eu sentia orgulho dele por isso, faria o máximo para honrar sua memória.

Tudo o que o grupo fazia ultimamente era discutir mais e mais sobre toda decisão que poderia ser tomada, Andrea tapada toda derretida pelo Shane e a vadia da Carol dando em cima do Daryl, não sabia direito o porquê de isso me incomodar tanto, mas me irritava demais.

–-- Se eu te contar uma coisa Bella, você promete não contar para os meus pais? --- a voz do Carl me fez pular de susto e jogar meu livro para o alto, estava lendo tranquilamente debaixo da sombra de uma árvore quando o garoto surgiu do nada.

–-- Ah pode falar é claro, mas você sabe que se for muito sério terei que falar não sabe?

–-- Eu... --- ele ficou mudo por um momento e acenou com a cabeça --- Eu sei... --- ele abaixou a cabeça e me entregou uma arma --- Você conversa com o Daryl, peguei essa arma dele, devolve por favor. Eu tenho medo, nunca mais quero pegar uma arma.

–-- Puta merda! --- resmunguei em tom alto e ele arregalou os olhos assustado --- Desculpa Carl, isso não está certo, carinha...

–-- Eu queria ajudar, ser útil para o grupo, mas... É minha culpa o Dale estar morto.

–-- Hã? Como assim? Você mordeu ele e eu não estou sabendo?

–-- Não é isso. --- ele suspirou alto --- Eu vi um zumbi perto do riacho, eu ia atirar nele sabe. Fiquei jogando pedras nele, só que aí ele se soltou e veio pra cima de mim, eu corri dele. Se eu não tivesse feito isso, o Dale estaria vivo.

–-- Vem cá Carl, senta aqui. --- assim que ele se sentou, eu o abracei pelos ombros --- Vou te falar uma coisa, você tem que parar com isso e ficar se culpando também não ajuda, não teve culpa afinal não era você o zumbi que mordeu o Dale, poderia ter sido qualquer outro entendeu?

–-- Obrigado, entrega para o Daryl por favor. Eu sinto muito. --- o garoto saiu correndo mas acho que consegui o acalmar um pouco.

Ao longe vi Daryl conversar com o Rick sobre um mapa, pelo jeito dariam uma chance para o garoto, Dale na certa ficaria feliz em saber disso, ainda não havia me acostumado com a perda do velho. A situação com o caipira estava meio chata e minha cabeça ainda latejava um pouco, não sabia tinha feito algo com ele, mas ainda sim ficou um clima tenso entre nós.

–-- Daryl, eu preciso falar com você.

–-- Não.

–-- O quê? Não? Como assim não? A porra é séria e não é pra dar a louca quando eu falar.

–-- O que quer?

–-- Oh delicado como o coice de uma mula. O que foi garota?

–-- Bom, não tem como eu contornar a situação então vou falar logo de uma vez. --- entreguei a pistola para ele.

–-- O que? Eu tinha perdido a pistola, onde achou?

–-- O Carl pegou para ele.

–-- Ah eu vou matar aquele moleque!

–-- Não vai não. --- espalmei as mãos no peito dele para impedir de o louco cometer alguma loucura e senti o peito musculoso dele, me deixando brevemente sem ar. --- Ele fez isso porque sempre o tratam como criança e ele queria ajudar no acampamento.

–-- Tá. --- ele ainda estava nervoso, mas pelo menos não saiu procurando o garoto nem foi destruindo tudo pela frente, foi caminhando para o celeiro.

Puff! O que era isso? Eu estava me aproximando demais desse grupo, não gostava muito disso afinal não era o meu estilo, não me aproximava das pessoas, nunca gostei muito de estar no meio delas e tudo mais. Estava meio melosa esses dias e era a falta dos idiotas dos meus irmãos, no meu coração sabia que eles ainda estavam vivos. Se o Kee me ouvisse falando isso na certa me chamaria de bichinha mesmo eu sendo uma mulher.

–-- O meu pai deu o relógio da família para o Gleen e mesmo assim ele não quer dormir comigo.

–-- Calma jovem. --- ela havia se sentado na cerca na minha frente enquanto eu estava na cadeira de vovô na varanda --- Acho que ele só não quer porque seu pai está na casa e seria meio estranho as coisas aí...

–-- Você acha? E se ele não quiser nada comigo?

–-- Eita Maggie, de onde tirou isso? Ele é louco está na cara, acho que só seria meio estranho para ele se vocês ficassem no meio quarto e sei que o Hershell não ficaria muito confortável com isso também.

–-- Obrigada Bella. --- ela sorriu, me abraçou e deu um beijo no meu rosto.

Qual é? Eu virei conselheira amorosa no fim do mundo? Ignorei tantas coisas, tantos detalhes... Pensei que o Jason estava muito doente pela pneumonia grave e o que soldado o havia matado para acabar com seu sofrimento. Ignorei esses malditos zumbis e perdi meu noivo e ainda estava longe dos meus irmãos, queria simplesmente dar uma porrada no destino por ser tão ingrato comigo.