Listen To Your Heart
3 Capítulo 3 - But Baby It's Cold Outside
Notas iniciais
- Essa minha foto está H-O-R-R-Í-V-E-L! Troque agora! Você irá sujar meu nome, minha honra e o meu senso de moda com esta imagem do século passado.
Kurt Hummel estava em pé olhando com desprezo para uma enorme foto dele mesmo na parede creme do quarto de Rachel Berry. Ao seu redor, vários posters de musicais antigos, uma cama gigante cheia de vestidos, muitos porcos de pelúcia e uma poltrona rosa.
— Mas Kurt, amo essa foto! Lembre-se que fui eu mesma que tirei! E aí, como estou?
Rachel saiu do banheiro onde passara os últimos quarenta minutos. Kurt analisou cada detalhe de seu visual.
— Como seu melhor amigo de toda a vida, devo ser honesto. Então, estou sendo sincero ao dizer que você está terrível.
— Mas, como assim? É meu vestido novo!
— Onde comprou, num bazar?
— Ah, Kurt, pega leve!
— Leve? Se quiser ir horrorosa para o seu primeiro encontro, vá em frente, eu já tenho namorado.
— Eu não quero ir parecendo uma mulher da vida! Preciso demonstrar classe.
- Você precisa parar de usar essas roupas! Parece Carrie, a estranha! Tem que parecer a Carrie Bradshaw! E esses porcos? Que coisa tosca! Você não tem mais treze anos, querida.
Um dos maiores problemas de Rachel Berry, era que ela achava que qualquer roupa acima do joelho ia lhe fazer uma vadia.
-Toma, coloca esse aqui.
-Ai, como você é complicado!
— Rachel, hello, Finn é surdo, não cego. Ele vai adorar.
A menina revirou os olhos e perguntou:
- Já que você conhece Finn há tantos anos, mesmo não tendo me apresentando a ele antes, deve saber de sua história. Como ele ficou daquele jeito?
- Daquele jeito? Que jeito, Berry? Atraente? Não sei, nunca me interessei por homens do tipo dele, altos. Estou feliz com o meu baixinho. E com você também, que é uma espécie de anã.
— SEM OUVIR, HUMMEL! Como ele ficou surdo?
— Finn servia á pátria desde que completou idade o suficiente para se inscrever no exército. Estava na sua base quando jogaram uma granada. Seu melhor amigo, Noah Puckerman, estava perto e morreu. Ele escapou, mas perdeu a audição quase por completo.
— Ah, tadinho.
- O pior é que além disso, sua namoradinha da época, Lucy, o largou por não ter paciência para lidar com suas limitações. Desde então nunca vi Finn com outra mulher. Sem pais, sem Puck e sem Lucy, ele sempre me pareceu ser alguém meio carente.
Rachel permaneceu em silêncio para processar as informações. Kurt se encaminhou para a varanda e acendeu um cigarro. Tinha esse vício desde que completara seus dezoito anos, e nunca conseguiu largar.
— Uma sacanagem, ficar assim por essas guerras sem pé nem cabeça.
Antes que Kurt terminasse seu raciocínio, Rachel apareceu no quarto.
-E agora, Hummel?
-Maravilhosa! Divina! Vamos?
Kurt jogou o cigarro pela sacada e pegou Rachel pelo braço, ajeitando seu bracelete.
- Vamos.
A sala do lar que pertencia Finn Hudson era humilde. Rachel sentara no sofá imundo e esperava seu amigo ir chamar seu... seu... pretendente? O termo lhe parecia tão inadequado. Ela gostaria mesmo de já poder chamá-lo de namorado.
Rachel suspirou. Finn estava mais bonito ainda do que no dia anterior. Seus cabelos molhados (agora de água, e não de suor) o deixavam ainda mais atraente.
Os três saíram do prédio e seguiram até á BMW. Kurt falou em língua de sinais para onde os três iam e Finn acenou com a cabeça. Era bem distante do lar do rapaz.
Blaine já os esperava com o cardápio na mão dentro do restaurante. Era um lugar agradável, todo de vidro, um pianista estava em uma ponta, e alguns casais dançavam na outra.
-Bela escolha de restaurante, Engomadinho. Parece que estamos em um baile de idosos.
-Cala a boca, você só quer saber de lugares para encher a cara!
Kurt explicou a Finn que Blaine e Rachel eram amigos, mas adoravam implicar um com o outro.
Em mais um dos seus (péssimos, vale constar) hábitos infantis, Rach estirou a língua para Blaine, que repetiu o gesto. Os quatro não sabiam o que realmente faziam ali, porém logo Rachel começou a entender, a falar gesticulando, e Finn começou a tentar falar com a voz rouca. Claro, sem muito sucesso. Em meio a tanto bom humor, as caras só fecharam na hora de escolher alguém para pagar a conta. Depois de tanta insistência, Finn e Blaine dividiram o dinheiro, e automaticamente saíram do restaurante.
Estava chovendo de forma descontrolada há minutos e nenhum deles perceberam. Os quatro saíram correndo em direção ao carro que estava estacionado no meio da rua, e mesmo com pressa, ainda se molharam. Kurt encaixou a chave no carro e deu partida. Não, pelo menos tentou dar partida. O veículo fazia questão de não funcionar. Tentaram de novo. Nenhum resultado. Hudson estava abrindo a porta do carro para dar uma olhada no motor quando Kurt o impediu. Conversaram algo em língua dos sinais como se estivessem brigando, mas no final, Hummel o proibiu de ir olhar o motor e deu uma sugestão melhor. Ele deveria ir levar Rachel em casa, já que era próximo, e ficasse lá até a chuva passar. Klaine ficaria bem, era só ligar para um táxi. Desta vez ele não resistiu como quando pediram para ele não consertar o carro. Desceu abraçado com Rachel, cobrindo-a com seu casaco e com o guarda-chuva que Blaine havia os emprestado e saíram correndo até a casa dos Berry. E quando os dois puseram os pés no gramado coberto apenas pelo céu escuro e as gotas de chuva que caiam constantemente, em meio a risadas por causa do ridículo da situação, Finn deixou seu casaco que cobria os dois escorregar, assim como o guarda-chuva. Deixando-se levar pelo coração, acariciou o rosto dela e a beijou. Aos seus lábios finalmente descolarem, Finn foi puxado pelo braço e o levado para o subsolo da casa dos Berry, onde poderiam esperar a chuva passar.
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