Listen To Your Heart
4 Capítulo 4 - Yogoberry
Notas iniciais
Abriu os olhos. Não estava na sua cama. Estava espremida no sofá gigante do seu subsolo. Mas por que estava espremida num sofá que duas Berry poderiam ficar lá confortavelmente? Lembrou-se da noite anterior. Caberiam duas dela no sofá, mas não uma Rachel e um Finn Hudson. O rapaz fora deixá-la em casa e ficou lá esperando a chuva passar. A chuva não passou, na verdade, ficou mais intensa. Assim como o relacionamento deles. Kurt mandou vestir-se como Carrie Bradshaw, porém ela também resolveu agir como a mesma, nem que fosse só por uma noite. Talvez esse seu comportamento durasse mais tempo, afinal, aquele seu pensamento sobre usar roupas acima do joelho já foram extintos permanentemente.
Sem mais a presença dele compartilhando o sofá, Rachel levantou-se e procurou pelo namorado. Já eram namorados? Depois de tudo acontecido horas antes, ela podia afirmar. Não o encontrou, mas em cima da mesa havia um sanduíche congelado e um suco de caixinha junto a um bilhete.
Rach,
Precisei ir para casa trocar de roupa antes de ir trabalhar. Tentei fazer um café da manhã, mas as únicas coisas que achei no frigobar foram essas. Me procura no Burt depois.
Finn
Um sorriso de orelha a orelha estampou seu rosto. Comeu o “café da manhã” feito por Finn, recolheu sua própria roupa da noite anterior e vestiu antes de se encaminhar discretamente para o seu quarto. Mesmo dando passadas lentas para não chamar a atenção dos seus pais, Hiram falou:
- Onde estava, filha?
Ela gelou.
- No porão. Passei a noite lá.
- Por que fez isso?
Pensou rápido numa desculpa. Não poderia dizer que passou a noite com um homem bem mais velho. Só havia um homem em todo o mundo que ela poderia confirmar que estava na sua presença.
- Kurt veio dormir aqui.
- Ah. Fará o que agora?
- Vou na oficina do Burt.
Desta vez não precisou mentir, mesmo seu pai achando que seu objetivo em ir lá é outro. Ufa.
Finn estava com dois lápis nas mãos, batucando com agressividade a mesa de madeira. Rachel não entendia o prazer de batucar já que ele não poderia ouvir, mas achava bonito. Ele tinha ritmo. Posicionou-se em sua frente e falou:
- Ué, por que não está trabalhando?
O rapaz respondeu no mesmo tom de voz de sempre:
- Pouco trabalho, Jesse faz só.
- E seu chefe?
- Se recuperando.
- Pode sair?
Ele pegou o lápis e escreveu uma frase no verso de um papel avulso. Cutucou Jesse, que o encarou, e mostrou o bilhete.
- Vá.
O mais novo namorado de Rachel não entendeu, mas exatamente por Jesse não suportá-lo, deveria ter o liberado para livrar-se dele. St. James começou a trabalhar no estabelecimento pouco menos de um ano após Finn. Hoje eram os únicos funcionários de lá. Mantinham uma convivência pacífica, mas sempre que Hudson tentava aproximar-se, o colega era grosso. Nunca tentou aprender libras para comunicar-se com Finn e também recusava-se raspar a barba para que ele pudesse ler seus lábios. A comunicação entre os dois se restringia a bilhetes escritos, e com má vontade. Já acostumado com a grosseria, Finn ignorou e levou Rach para a sorveteria da esquina.
O sorvete com duas colheres logo chegou. Finn realizou a proeza de melar o macacão na primeira colherada. Bobão. Rachel riu, quase engasgando-se. Foi a vez dele rir dela. O grandão puxou assunto:
- Quero que você conheça umas pessoas.
Passando guardanapo nos lábios, respondeu:
- Que pessoas, Finn?
- Desculpa, não entendi.
Rachel ajeitou-se de modo que ele pudesse ler seus lábios:
- Quem?
- Uns amigos. Tem festa semana que vem. Queria apresentar você a eles. Quer ir?
- Claro! Só me avisa antes. Quem são esses amigos?
- Eles são especiais. Só te digo isso. Acho que vocês se darão bem.
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