Linha do Tempo

4 4 - Karo Haru - Parte 1


— MechamoNaoMitsu, esouodonodoArgos.

Era bom ver que Argos tinha reencontrado seu dono, mas... Nao Mitsu... Havia algo de estranho nele, mas o quê? Eu fiquei olhando enquanto Nao dava uma pequena bronca em Argos por ter saído correndo sem ele. Depois, o garoto me olhou.

— Bem, obrigado- disse ele.- Felizmente, ele acabou encontrando alguém de bem.

— Como pode ter tanta certeza de que eu sou de bem?- Perguntei.

Assim que disse isso, ele sorriu, mas era um sorriso diferente do de Kevin, ele não estava zombando.
Nao fez carinho em Argos e se levantou.

— Argos tem um dom para encontrar pessoas boas- disse ele.- Mas me diga, qual é o seu nome?

— É Karen- respondi.- Karen de Souza.

Você não imaginou que eu diria meu nome inteiro, né? Seria ridículo!

Nao sorriu e estendeu a mão. Nisso, pude ver algo que me chamou a atenção: ele possuía uma espécie de tatuagem em forma de espada na ponta do indicador. Ela era pequena, e, se eu não estivesse acostumada a ver aquilo, não teria reparado.

— Bem, foi um prazer te conhecer- disse ele.

— Espera, essa marca...- disse eu.- Você não seria um... Viajante dimensional?

Nao recuou a mão. Seu semblante ficou um pouco mais sombrio. Ele me fitou com um misto de curiosidade e receio, mas foi tão incômoda aquela sensação que eu me arrependi de ter perguntado aquilo.

Ele me olhou durante algum tempo antes de perguntar:

— Viajante do tempo?

Assenti. Não era muito comum encontrarmos por acaso um tipo diferente de viajante, então era normal sua reação.

Em seguida, ele sorriu novamente.

— Ora, nesse caso, só devo ter sorte- disse ele.

Eu não havia entendido direito seu comentário, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Nao puxou Argos e saiu.

— Ei! Espere!- Eu exclamei.- Vai embora assim?

Depois de ter dado alguns passos, ele se virou. Em seu rosto, tinha um sorriso.

— Não precisa se preocupar- ele disse.- Farei de tudo para nos encontrarmos novamente, mas, por hora, até mais!

Eu sorri.

— Até mais!

E, assim, ele foi embora. Voltei para casa em seguida, para me preparar pra ir à escola. Nana havia preparado tudo, meu lanche, o dinheiro pro ônibus de volta, meu material e, o mais importante, meu trabalho de literatura.

Peguei as coisas e saí.

Lá fora, só me restou esperar o ônibus, mas alguém me chamou a atenção. Do outro lado da rua, um homem de aproximadamente um metro e noventa centímetros olhava para mim. Ele aparentava ser um lutador de UFC, com os dedos bem grossos. Ele me saldou com a cabeça e eu retribui.

Em seguida, meu ônibus apareceu e eu subi. Assim que me sentei, o homem simplesmente desapareceu.
O ônibus seguiu seu trajeto até parar em frente a uma casa simples, abriu as portas e... Nao Mitsu subiu, estava com o uniforme da escola e uma bolsa. Assim que me viu, sorriu.
Ele se aproximou e pediu para sentar ao meu lado.

— O destino se encarregou de cumprir minha promessa- ele disse.

Eu sorri. Realmente me senti muito bem ao ver que Nao estaria na minha escola.

— É novo no bairro?- Perguntei.

Ele assentiu.

— Me mudei para cá há poucos dias- ele respondeu.- Minha mãe me matriculou na escola que ela julgou ser capaz de...

— Aproveitar suas habilidades ao máximo?- Perguntei, o interrompendo.

Ele não ficou bravo, apenas riu.

— Exatamente- ele respondeu.- Argos deu muito trabalho?

— Não- respondi.- Foi um anjo.

— Que ótimo.

Minha conversa com Nao se estendeu até chegarmos na escola. Ele me disse que estava matriculado no 1° ano B. Não vou negar que fiquei um pouco decepcionada.

Fui para minha sala e me sentei na minha carteira. A primeira aula era de Física, a matéria que eu mais detestava de todo meu coração. Literatura começava depois.

Quando chegou o intervalo, senti um arrepio percorrer meu corpo. Não sabia o que era, mas algo extremamente ruim iria acontecer.
Saí. Lá embaixo, na cantina, havia um pequeno tumulto. Eu passei, empurrando todos e vi Nao caído no chão, um rapaz de cabelos brancos estava apontando uma espada para ele. Nesse instante, o diretor apareceu.

— O que está acontecendo aqui?- Ele gritou.

Quando o garoto se virou, o diretor ficou sem palavras ao ver a espada em sua mão, mas o que me chamou a atenção foram seus olhos que eram vermelhos. Ele sorriu.

— Quem é você?- O diretor perguntou.

— Karo Haru- ele respondeu-, primeiro caçador.

Ele me olhou diretamente. Nesse instante, aprendi a confiar na minha intuição. Eu já tinha ouvido falar dele, o primeiro caçador, aquele que trabalha para os Conselheiros.

Karo voltou a olhar para Nao. Seu lábio inferior estava sangrando.

— E Nao Mitsu é o próximo- ele disse.