Linha do Tempo
3 3 - Nao Mitsu
— E o pior é que o próximo será um residente desse bairro.
Eu cerrei os punhos. Aquilo não podia acontecer!
Davi me olhou.
— Escute, não estou dizendo que seja ele, mas...
— Como você sabe disso?- Perguntei.- Como você sabe de que isso acontecerá?
Ele olhou para Adele. Provavelmente ela também sabia de alguma coisa. Kise suspirou e se levantou. Ele veio em minha direção e segurou meus ombros.
— Ora, ora- disse-, não vamos começar a tirar conclusões precipitadas, né? Afinal, não há provas de que...
Eu me esquivei dele. Kise me olhou assustado. Eu simplesmente não iria acreditar e aceitar que Bruno poderia estar correndo risco de vida, além do que, se for verdade, eu iria protegê-lo, não importando as regras!
— Mas, Karen, acalme-se!- Kise exclamou.
Ele tentou se aproximar, mas eu o empurrei.
Kevin riu. Eu o encarei com toda raiva visível.
— O que é tão engraçado?- Perguntei.
— Você- ele respondeu.- Afinal, ninguém disse que seu namoradinho seria o próximo da lista.- E completou:- Além do que, caso seja ele, como você pretende ajudá-lo? Seria idiotice furar as regras por causa disso.
Eu tentei me aproximar dele, mas Kise me segurou. Kevin riu e andou lentamente até a porta.
— Se era só isso, vou me retirar- disse.- Afinal, como já falei, tenho mais o que fazer.
Quando passou por mim, mexeu nos meus cabelos, rindo. Assim que abriu a porta, se virou para mim.
— Se você descobrir uma maneira de ajudar seu amado Romeu, então venha me dizer, caso contrário...
Ele sorriu.
— Boa sorte.
E saiu, fechando a porta por trás dele.
Assim que Kevin foi embora, eu olhei para Kise. Ele me soltou rapidamente. Davi se levantou, suspirando.
— Se querem saber, ele é bem irritante- disse Davi.- Não sei o porquê de você tê-lo chamado, Kise.
Kise respirou fundo e colocou a mão na cara.
— Bem, não tive escolha- disse ele.- Ele me ameaçou...
Deixei eles para pensar um pouco em Bruno. Eu não sabia como tentar salvá-lo, mas tinha que ser rápido.
Fiquei perdida tentando achar um jeito de fazer isso que nem havia notado um cachorro. Só o notei quando ele já estava em cima de mim.
Se tratava de um golden retriever com pêlos escuros. Ele lambia minha cara bem agitado. Coloquei minha mão na frente.
— Ei, calma!- Exclamei.- Calma, rapaz!
Consegui empurrá-lo para o lado e me sentar. Nesse movimento, vi que ele usava uma coleira com algo escrito. Eu me aproximei para ler.
— Argos? É esse o seu nome?
Em resposta, ele latiu. Eu ri e fiz carinho nele.
— Certo, Argos- disse ele.- Você não morde, não é?
Ele somente virou a cabeça.
Voutomarissocomoumnão, pensei.
Me levantei e respirei fundo.
— Deve estar perdido- comentei-, afinal é meio raro ver um cachorro como você ser abandonado por aí. Quer que eu o ajude a encontrar seu dono?
Ele latiu novamente. Eu me aproximei e peguei uma corrente presa à sua coleira.
Nós andamos durante algum tempo, procurando alguém que Argos reconhecesse, mas não tivemos nenhum sucesso.
Nãopossolevá—loparacasa, pensei. Nana e minhatianãoiriamgostarnadadisso.
Eu estava passando em frente a uma loja qualquer que vendia comida, e Argos começou a chorar. Eu me abaixei para acariciar o cachorro. Infelizmente, Argos é um cão de raça pura, sendo assim, não pode comer as comidas que nós comemos. Procurei com o olhar um pet shop, lá tinha comida específica para ele.
Encontrei um do outro lado da rua. Me levantei.
— Vem, Argos- eu o chamei.- Vamos arrumar algo para você comer.
Eu levei o cachorro até o pet shop, onde comprei um saquinho de biscoitos caninos. Argos agradeceu cada um com uma lambida. No final das contas, eu me diverti muito com ele.
Quando estava prestes a dar mais um biscoito para ele, um menino se aproximou e me tocou. Eu me virei para vê-lo. Ele tinha a mesma altura de Bruno, os cabelos roxos escuros e os olhos azuis. A pele dele era branca. Ele me olhava com curiosidade.
— Com licença- disse ele-, de quem é esse cachorro?
Eu me levantei.
— Eu não sei bem ao certo- respondi.- Ele veio em cima de mim e... Espera, você o conhece?
O rapaz se ajoelhou, Argos correu para ele e o lambeu. Será que...
— Me chamo Nao Mitsu- disse ele-, e sou o dono do Argos.
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