Like a Vampire 3: Lost Memories

27 Capítulo 27- A volta dos que já foram


Notas iniciais
E aiiii, mais um cap saindo! Espero que gostem e que estejam cumprindo a quarentena bonitinho!!! Besos!!!

Narração Anna

Eu bufei em frustação quando errei mais uma flecha.

—Você é pior nisso que eu pensei.- Cousie opinou, praticamente engolindo a taça de vinho que bebia.

Não respondi nada ao ataque pessoal. Mesmo sendo a grosseria e o deboche personificados num ser só, Cousie continuava sendo uma das mulheres mais poderosas e inteligentes que eu conhecia.

O que significava que não era esperto ficar de mal dela. E ela já tinha sido paciente demais em começar a me dar aulas de arco e flecha.

Cousie suspirou:

—Tenta de novo.

—Eu sou péssima.- Murmurei.

—Ah, sim. Isso com certeza.- Cousie deixou a taça ao seu lado.- Mas se parar de treinar, vai ser péssima pro resto da vida.

Dei de ombros. Me joguei na grama do jardim.

—Posso te fazer uma pergunta?- Cousie me questionou.

Concordei com a cabeça.

—Você é virgem?- Ela questionou, e eu faltei morrer sufocada pela saliva ou pelo calor que subiu em mim.

Olhei pra Cousie, completamente abismada e chocada pela pergunta.

—Ah, pelo amor, menina!- Cousie revirou os olhos- Não vem pagar de anja imaculada! Não pra mim!

—Eu só… fiquei assustada.- Ajeitei meu suéter, percebendo que eu estava suando.- Eu nunca… é.

—Ah, então é um sim.- Cousie pensou.- Interessante...

Olhei pra ela de novo, mais confusa ainda.

—Não se paga de burra. Você leu a profecia da Daayene sobre a Eve-sei-lá-o-que. "O ventre não será dominado", ou uma palhaçada dessas.

—E…

—E que provavelmente a menina que for essa super heroína nunca transou, menina.- Cousie me explicou, emburrada.

—Tá, mas o que tem a ver?- Perguntei de novo.

—Se considerarmos que só uma de nós treze é a Eve, já tiramos algumas opções. Victoria, por exemplo.- Cousie suspirou.

—E todo o resto das minhas irmãs..- Suspirei também.

Cousie me olhou, mas foi rápida em desviar.

—E eu e minhas irmãs.- Ela disse, mais baixo.

—Então só sobra…- Fiquei assustada com a realização.- Enfim… Mas do que isso interessa? A gente nem sabe pra que serve essa tal Eve.

— Bem, sabemos que ela vai ter um poder grandioso, e sabemos que envolve gravidez e que os meninos não querem contar pra vocês, o que significa que não deve ser coisa boa.- Cousie se levantou.- Eu já considero informação demais.

—Mas os meninos…- Eu comecei, mas Cousie me interrompeu.

—O que? Eles querem o bem de vocês?- Cousie deu um sorriso irônico.- Eles querem o bem de algumas de vocês. Você acha que algum dos Sakamaki dá a mínima sobre o que acontece com você e suas irmãs? Eles só se importam com as namoradinhas deles, e olha que depois do lance da Victoria até disso eu duvido!

Fiquei calada. Os Mukami eram até que gentis conosco, mas não adiantava nada discutir com Cousie.

A Creedley mais velha respirou fundo e deu as costas pra mim, entrando na Mansão Mukami.

Senti uma mão no meu pulso, me queimando. Me virei pro lado, e dei de cara com a mulher esquelética da praça.

—Você está no caminho certo…- Ela disse, rouca.- Vai fazer uma grande descoberta logo.

Gemi de dor, tentando afastar sua mão queimante de mim.

—Mas se lembre, que para ir pra frente…Você deve ir pra trás.- Ela sussurrou, me deixando mais agoniada ainda.

Eu vi um vulto estranho passando pelo jardim. Um homem alto, pálido. De cabelos negros e verdes e olhos vermelhos. E roupas todas pretas.

Eu não o conhecia, mas o olhar frio que ele me lançou foi o suficiente pra fazer todos os pelos do meu corpo arrepiarem e um calafrio me subir.

—E…ve?- Ouvi a voz de Azusa me chamando. Olhei pra trás.- Pediram pra eu te…chamar…as meni…nas.

Concordei com a cabeça, meio acanhada e ainda assustada. Quando voltei o olhar pra minha frente, percebi que a mulher havia indo embora. Assim como o vulto. Só havia deixado pra trás uma marca esbranquiçada no meu pulso, ainda ardida.

Resolvi sair da varanda, ainda tremendo. Encontrei as meninas reunidas na sala. Apenas as Creedley não estavam presentes.

—Cadê as outras?- Perguntei bem baixo.

—Ah. Foram se reunir pra pensar em planos de fuga.- Priya estava com os dedos lambuzados.- Aceita pizza? É quatro queijos.

Sofie grunhiu. Ela estava andando em círculos.

—Eu não sei como vocês conseguem estar calmas.- Ela ainda usava vestidos longos, o que parecia ser ruim quando eu via ela praticamente chutando a cauda entre passos furiosos- Fomos ameaçadas. Devíamos estar junto com as Creedley pensando em alguma coisa.

—Calma, princesa.- Nikki riu.- Quer que eu chame seu ruivinho pra te acalmar?

Sofie olhou séria pra irmã:

—Não tem graça.

—É melhor deixar pras mais experientes fazerem isso, de qualquer jeito.- Victoria devorava um pedaço de pizza.

—Sim. E no fim das contas, pode ser nossa última chance de aproveitar um papo e lanche bom.- Daayene deu de ombros.

—Não, a Sofie está certa!- Marie se levantou- Sabe o que vai acontecer se não juntarmos nossas cabeças e pensarmos em algo? A mesma coisa que aconteceu com a Mansão Sakamaki!

—Por que eles queimaram a Mansão Mukami?- Lua questionou.- A Mansão lá pelo menos pertencia a realeza...

—Eu acho que vocês ainda não entenderam a gravidade da situação.- Sofie riu de nervoso.- Temos duas monarquias e os profetas atrás da gente. Provavelmente a rebelião também. Recebemos ameaças bem claras. Sabe quem corre risco de morrer caso não façamos nada? TODO MUNDO! Nossas famílias, nossos amigos… Victoria, você não tá preocupada com seu filho?

Victoria fechou a cara:

—Não é meu filho.

—E lá vamos nós de novo…- Brunna grunhiu.- Vocês são ridículas. Não é hora nem de brincar nem de rir, gente. Isso é sério. Se vocês permanecerem nesse estado, acho que não dá pra eu continuar aqui.

—Como se fosse fazer falta.- Uma das meninas murmurou baixo demais. Mas, pela tensão no cômodo, era claro que todas haviam escutado.

—…O que?- Brunna parecia chocada.

Ninguém ousou soltar um pio. Exceto Priya, que se levantou:

—Eu acho que o que… a pessoa que falou isso… quis dizer é que… Talvez você só não seja uma das mais úteis do nosso grupo.

Como se fosse possível, Priya tornou a situação 10 milhões de vezes pior.

— Isso foi rude.- Sofie opinou.

—É só que… as Herbert são as Herbert. A Vic e a Sofie tem drakons. A Nikki é a melhor guerreira daqui. A Marie é meio que a nossa mãe e tem uma espada legal.- Daayene começou a explicar.- A Sarah e a Lua são nossos alívios cômicos. Eu tenho meus poderes e…

—Não precisa terminar.- Brunna parecia chateada- Eu já entendi. Eu sou o resto do grupo. Apesar de eu saber falar umas seis línguas diferentes e ajudar nos planos de todo mundo. É isso. Eu sou inútil.

Brunna e o resto de sua dignidade sairam encolhidos pela porta.

—O que vocês fizeram agora foi péssimo.- Opinei.

—É melhor do que ser falsa.- Victoria deu de ombros.

—POR DEUS, quem vocês se tornaram?- Sarah se levantou com raiva.- A gente não era assim. A gente se apoiava e se ajudava não importando o que acontecesse.

—Você beijou o cara que a Anna gostava e brigou com 90% da sua família, não vem com esse papo, amiga!- Priya revirou os olhos.

—Existe uma coisa chamada perdão, não sei se já ouviram falar nisso.- Sofie retrucou.

—Esse ano mudou a gente, sabe?- Victoria comentou- Nos fez repensar muita coisa.

—Ah, tudo bem. Vamos entrar nesse quesito então.- Sofie estava começando a ficar estressada.- Eu não subestimo sua dor e a sua traição, Victoria. Mas sinceramente, se você vai descontar sua raiva toda em pessoas inocentes, talvez você realmente não seja tão apta assim pra ser mãe.

—Sofie…- Marie tentou acalmar a irmã.

—Nikki, eu te compreendo ter sofrido na prisão. Mas não vem pagar de louca porque todo mundo dessa sala sabe que você só pagou pela merda que você fez.- Sofie estava ficando vermelha de raiva.- Daayene, você nasceu com poderes maravilhosos e horríveis ao mesmo tempo e criou uma narrativa de heroína coitada pra sair do esquema dos profetas ainda tirando proveito de tudo o que podia fazer. Então não vem se pagar de coitada.

—Ai, Sofie. Me poupa, sério mesmo.- Nikki interrompeu a irmã.- Você se paga de coitada adorável desde quando eu te revi. A rainha do gelo super inteligente que tem um passado trágico. Você ficou de cu doce por causa de um cara idiota desde o ano passado, pra no final ficar com ele. E se pagou de agente secreta dizendo que queria mais informações. Você se acha mais esperta do que nós, mas é tão idiota quanto.

Eu senti Sofie começando a respirar fundo.

—…Acho que vocês tão pegando pesado demais.- Lua opinou- Eu só não queria trabalhar mas eu não concordo...

Sarah puxou Sofie pela mão pra fora da sala. Marie parecia sofrer internamente.

— Nós passamos mais um ano juntas.- A loira choramingou- E também mais separadas do que nunca. Agora mal sabemos nos suportar.

Marie foi embora atrás das irmãs.

—Vocês deveriam ter vergonha.- Eu falei pras meninas.- É como se eu nem conhecesse mais vocês.

E fui atrás das meninas.

As encontrei na cozinha. Brunna estava apoiada na parede tomando uma xícara de café. Sofie estava deitada entre as pernas de Marie, ao lado de Sarah. Elas pareciam conversar baixo.

—…Desculpa pelo que tiveram que ouvir.- Falei baixo.

Brunna deu um sorriso:

—Relaxa. Vem cá.

Me sentei ao lado de minha irmã, apoiando a cabeça no ombro dela.

—Acho que elas nem acham disso de verdade.- Suspirei- Estão frustradas e nervosas por tudo que aconteceu.

—Continua não sendo motivo.- Sofie tremia.- Eu também exagerei. Ás vezes eu faço isso.

—Tá no nosso sangue descontar raiva nos outros, eu acho.- Sarah deu um sorriso fraco.

—Todas famílias brigam.- Marie passou a mão no cabelo.- A nossa nunca brigava direito, então a gente ficou acumulando e acumulando até explodir.

Ficamos um tempo em silêncio. Cousie, Eliza e Haruka chegaram meio confusas.

—Fomos lá na sala procurar todo mundo e tava num clima de velório. Quem morreu?- Haruka questionou.

—Nossa dignidade. Brunna fez um joinha com a mão.

—Justo.- Cousie pareceu considerar.

—Vocês brigaram?- Eliza questionou, mas se interrompeu antes de qualquer coisa.- Quer saber? Não me fala. Se não vamos ter que consolar vocês e vai acabar sobrando pra mim.

—Estamos indo encontrar Jackson, Yui, Sol, Mao e Akira.- Haruka respondeu.- Precisamos passar nosso plano pra eles.

—A Haruka só quer ver o namorado, na verdade.- Cousie bufou, e Haruka pareceu ficar com raiva:

—Quem me dera.

Nos despedimos das três. Não muito tempo depois, Ayato, Laito, Kanato e Ruki apareceram.

—Ah, bem que eu senti um cheiro mórbido daqui.- Ayato comentou.

—…Você ao menos sabe o que significa mórbido?- Ruki questionou.

—Sei. É forte.- Ayato disse. Sofie segurou a risada.

—Podem ficar de casal gente, eu não ligo.- Respondi.- Já tô acostumada a ser vela.

—Eu já te disse que você só fica de vela porque quer.- Brunna reclamou. Ruki se sentou atrás dela.- Se quisesse um boy, já teria ficado com o A…

—BRUNNA!- Gani mais alto do que eu esperava. Fiquei vermelha.

—Uuuh, alguém tem um crush~- Laito cantarolou.

—Por falar em crush, alguém sabe se a história da Vic Vic com o Yuma é verdade?- Kanato questionou.

Todos olharam confusos pra ele.

—Lua me falou, que Daayene falou pra ela… que Priya falou pra ela…- Kanato parecia raciocinar- Que Yuma e Victoria dormiram juntos essa noite.

Escancarei a boca.

—É a cara da minha irmã.- Marie começou a mexer num colar de borboleta prateada que tinha no pescoço. Não estou surpresa.

—É a cara do Yuma, também.- Ruki concordou.

—Não é o Yuma que o Reijii odeia?- Sarah questionou.

—É. Mas o Reijii é um chato que odeia tudo.- Ayato respondeu.- Mas ele ficou bem mal com o trem da Victoria.

—Bem feito. Quem mandou ser babaca?- Sarah deu de ombros.

—Até eu não faria isso. E eu sou eu.- Laito suspirou.- Mas eu aposto que até metade do ano que bem eles já vão ter feito as pazes.

—Eu espero.- Marie suspirou.- Victoria tá péssima. Até rejeitou o filho dela.

—Os dois podem negar isso o quanto quiserem. Mas eu acho que os dois são alma gêmeas.- Brunna suspirou.- Mas pode ser só loucura minha.

Todos demos de ombro.

—As meninas deviam vir aqui pedir desculpas.- Kanato reclamou.

— Vocês nem sabem qual foi o motivo da briga.- Sofie suspirou.

—Não. Mas pra pessoa brigar com vocês cinco, é obrigatório ela estar errada.- Laito sorriu.

.

Uma pequena risada se espalhou pela cozinha.

Marie tirou o colar do seu pescoço de repente, e colocou ele no de Sofie.

—Ficou bonito em você.- Marie opinou.- Não acha, Ayato?

Ayato ignorou a pergunta, mas todo mundo viu ele apertando a mão de Sofie. A gêmea riu e depositou um pequeno beijinho na mão dele.

—Engraçado.- Ela apertou o colar. — Ele me deixa mais quente… Me faz sentir… bem e…

Ela olhou sorridente pra nós:

—Protegida.

Estávamos todos felizes com a mudança de humor. E apesar das intrigas , eu conseguia pensar numa coisa:

Tudo ia ficar bem. Narração Anna

Eu bufei em frustação quando errei mais uma flecha.

—Você é pior nisso que eu pensei.- Cousie opinou, praticamente engolindo a taça de vinho que bebia.

Não respondi nada ao ataque pessoal. Mesmo sendo a grosseria e o deboche personificados num ser só, Cousie continuava sendo uma das mulheres mais poderosas e inteligentes que eu conhecia.

O que significava que não era esperto ficar de mal dela. E ela já tinha sido paciente demais em começar a me dar aulas de arco e flecha.

Cousie suspirou:

—Tenta de novo.

—Eu sou péssima.- Murmurei.

—Ah, sim. Isso com certeza.- Cousie deixou a taça ao seu lado.- Mas se parar de treinar, vai ser péssima pro resto da vida.

Dei de ombros. Me joguei na grama do jardim.

—Posso te fazer uma pergunta?- Cousie me questionou.

Concordei com a cabeça.

—Você é virgem?- Ela questionou, e eu faltei morrer sufocada pela saliva ou pelo calor que subiu em mim.

Olhei pra Cousie, completamente abismada e chocada pela pergunta.

—Ah, pelo amor, menina!- Cousie revirou os olhos- Não vem pagar de anja imaculada! Não pra mim!

—Eu só… fiquei assustada.- Ajeitei meu suéter, percebendo que eu estava suando.- Eu nunca… é.

—Ah, então é um sim.- Cousie pensou.- Interessante...

Olhei pra ela de novo, mais confusa ainda.

—Não se paga de burra. Você leu a profecia da Daayene sobre a Eve-sei-lá-o-que. "O ventre não será dominado", ou uma palhaçada dessas.

—E…

—E que provavelmente a menina que for essa super heroína nunca transou, menina.- Cousie me explicou, emburrada.

—Tá, mas o que tem a ver?- Perguntei de novo.

—Se considerarmos que só uma de nós treze é a Eve, já tiramos algumas opções. Victoria, por exemplo.- Cousie suspirou.

—E todo o resto das minhas irmãs..- Suspirei também.

Cousie me olhou, mas foi rápida em desviar.

—E eu e minhas irmãs.- Ela disse, mais baixo.

—Então só sobra…- Fiquei assustada com a realização.- Enfim… Mas do que isso interessa? A gente nem sabe pra que serve essa tal Eve.

— Bem, sabemos que ela vai ter um poder grandioso, e sabemos que envolve gravidez e que os meninos não querem contar pra vocês, o que significa que não deve ser coisa boa.- Cousie se levantou.- Eu já considero informação demais.

—Mas os meninos…- Eu comecei, mas Cousie me interrompeu.

—O que? Eles querem o bem de vocês?- Cousie deu um sorriso irônico.- Eles querem o bem de algumas de vocês. Você acha que algum dos Sakamaki dá a mínima sobre o que acontece com você e suas irmãs? Eles só se importam com as namoradinhas deles, e olha que depois do lance da Victoria até disso eu duvido!

Fiquei calada. Os Mukami eram até que gentis conosco, mas não adiantava nada discutir com Cousie.

A Creedley mais velha respirou fundo e deu as costas pra mim, entrando na Mansão Mukami.

Senti uma mão no meu pulso, me queimando. Me virei pro lado, e dei de cara com a mulher esquelética da praça.

—Você está no caminho certo…- Ela disse, rouca.- Vai fazer uma grande descoberta logo.

Gemi de dor, tentando afastar sua mão queimante de mim.

—Mas se lembre, que para ir pra frente…Você deve ir pra trás.- Ela sussurrou, me deixando mais agoniada ainda.

Eu vi um vulto estranho passando pelo jardim. Um homem alto, pálido. De cabelos negros e verdes e olhos vermelhos. E roupas todas pretas.

Eu não o conhecia, mas o olhar frio que ele me lançou foi o suficiente pra fazer todos os pelos do meu corpo arrepiarem e um calafrio me subir.

—E…ve?- Ouvi a voz de Azusa me chamando. Olhei pra trás.- Pediram pra eu te…chamar…as meni…nas.

Concordei com a cabeça, meio acanhada e ainda assustada. Quando voltei o olhar pra minha frente, percebi que a mulher havia indo embora. Assim como o vulto. Só havia deixado pra trás uma marca esbranquiçada no meu pulso, ainda ardida.

Resolvi sair da varanda, ainda tremendo. Encontrei as meninas reunidas na sala. Apenas as Creedley não estavam presentes.

—Cadê as outras?- Perguntei bem baixo.

—Ah. Foram se reunir pra pensar em planos de fuga.- Priya estava com os dedos lambuzados.- Aceita pizza? É quatro queijos.

Sofie grunhiu. Ela estava andando em círculos.

—Eu não sei como vocês conseguem estar calmas.- Ela ainda usava vestidos longos, o que parecia ser ruim quando eu via ela praticamente chutando a cauda entre passos furiosos- Fomos ameaçadas. Devíamos estar junto com as Creedley pensando em alguma coisa.

—Calma, princesa.- Nikki riu.- Quer que eu chame seu ruivinho pra te acalmar?

Sofie olhou séria pra irmã:

—Não tem graça.

—É melhor deixar pras mais experientes fazerem isso, de qualquer jeito.- Victoria devorava um pedaço de pizza.

—Sim. E no fim das contas, pode ser nossa última chance de aproveitar um papo e lanche bom.- Daayene deu de ombros.

—Não, a Sofie está certa!- Marie se levantou- Sabe o que vai acontecer se não juntarmos nossas cabeças e pensarmos em algo? A mesma coisa que aconteceu com a Mansão Sakamaki!

—Por que eles queimaram a Mansão Mukami?- Lua questionou.- A Mansão lá pelo menos pertencia a realeza...

—Eu acho que vocês ainda não entenderam a gravidade da situação.- Sofie riu de nervoso.- Temos duas monarquias e os profetas atrás da gente. Provavelmente a rebelião também. Recebemos ameaças bem claras. Sabe quem corre risco de morrer caso não façamos nada? TODO MUNDO! Nossas famílias, nossos amigos… Victoria, você não tá preocupada com seu filho?

Victoria fechou a cara:

—Não é meu filho.

—E lá vamos nós de novo…- Brunna grunhiu.- Vocês são ridículas. Não é hora nem de brincar nem de rir, gente. Isso é sério. Se vocês permanecerem nesse estado, acho que não dá pra eu continuar aqui.

—Como se fosse fazer falta.- Uma das meninas murmurou baixo demais. Mas, pela tensão no cômodo, era claro que todas haviam escutado.

—…O que?- Brunna parecia chocada.

Ninguém ousou soltar um pio. Exceto Priya, que se levantou:

—Eu acho que o que… a pessoa que falou isso… quis dizer é que… Talvez você só não seja uma das mais úteis do nosso grupo.

Como se fosse possível, Priya tornou a situação 10 milhões de vezes pior.

— Isso foi rude.- Sofie opinou.

—É só que… as Herbert são as Herbert. A Vic e a Sofie tem drakons. A Nikki é a melhor guerreira daqui. A Marie é meio que a nossa mãe e tem uma espada legal.- Daayene começou a explicar.- A Sarah e a Lua são nossos alívios cômicos. Eu tenho meus poderes e…

—Não precisa terminar.- Brunna parecia chateada- Eu já entendi. Eu sou o resto do grupo. Apesar de eu saber falar umas seis línguas diferentes e ajudar nos planos de todo mundo. É isso. Eu sou inútil.

Brunna e o resto de sua dignidade sairam encolhidos pela porta.

—O que vocês fizeram agora foi péssimo.- Opinei.

—É melhor do que ser falsa.- Victoria deu de ombros.

—POR DEUS, quem vocês se tornaram?- Sarah se levantou com raiva.- A gente não era assim. A gente se apoiava e se ajudava não importando o que acontecesse.

—Você beijou o cara que a Anna gostava e brigou com 90% da sua família, não vem com esse papo, amiga!- Priya revirou os olhos.

—Existe uma coisa chamada perdão, não sei se já ouviram falar nisso.- Sofie retrucou.

—Esse ano mudou a gente, sabe?- Victoria comentou- Nos fez repensar muita coisa.

—Ah, tudo bem. Vamos entrar nesse quesito então.- Sofie estava começando a ficar estressada.- Eu não subestimo sua dor e a sua traição, Victoria. Mas sinceramente, se você vai descontar sua raiva toda em pessoas inocentes, talvez você realmente não seja tão apta assim pra ser mãe.

—Sofie…- Marie tentou acalmar a irmã.

—Nikki, eu te compreendo ter sofrido na prisão. Mas não vem pagar de louca porque todo mundo dessa sala sabe que você só pagou pela merda que você fez.- Sofie estava ficando vermelha de raiva.- Daayene, você nasceu com poderes maravilhosos e horríveis ao mesmo tempo e criou uma narrativa de heroína coitada pra sair do esquema dos profetas ainda tirando proveito de tudo o que podia fazer. Então não vem se pagar de coitada.

—Ai, Sofie. Me poupa, sério mesmo.- Nikki interrompeu a irmã.- Você se paga de coitada adorável desde quando eu te revi. A rainha do gelo super inteligente que tem um passado trágico. Você ficou de cu doce por causa de um cara idiota desde o ano passado, pra no final ficar com ele. E se pagou de agente secreta dizendo que queria mais informações. Você se acha mais esperta do que nós, mas é tão idiota quanto.

Eu senti Sofie começando a respirar fundo.

—…Acho que vocês tão pegando pesado demais.- Lua opinou- Eu só não queria trabalhar mas eu não concordo...

Sarah puxou Sofie pela mão pra fora da sala. Marie parecia sofrer internamente.

— Nós passamos mais um ano juntas.- A loira choramingou- E também mais separadas do que nunca. Agora mal sabemos nos suportar.

Marie foi embora atrás das irmãs.

—Vocês deveriam ter vergonha.- Eu falei pras meninas.- É como se eu nem conhecesse mais vocês.

E fui atrás das meninas.

As encontrei na cozinha. Brunna estava apoiada na parede tomando uma xícara de café. Sofie estava deitada entre as pernas de Marie, ao lado de Sarah. Elas pareciam conversar baixo.

—…Desculpa pelo que tiveram que ouvir.- Falei baixo.

Brunna deu um sorriso:

—Relaxa. Vem cá.

Me sentei ao lado de minha irmã, apoiando a cabeça no ombro dela.

—Acho que elas nem acham disso de verdade.- Suspirei- Estão frustradas e nervosas por tudo que aconteceu.

—Continua não sendo motivo.- Sofie tremia.- Eu também exagerei. Ás vezes eu faço isso.

—Tá no nosso sangue descontar raiva nos outros, eu acho.- Sarah deu um sorriso fraco.

—Todas famílias brigam.- Marie passou a mão no cabelo.- A nossa nunca brigava direito, então a gente ficou acumulando e acumulando até explodir.

Ficamos um tempo em silêncio. Cousie, Eliza e Haruka chegaram meio confusas.

—Fomos lá na sala procurar todo mundo e tava num clima de velório. Quem morreu?- Haruka questionou.

—Nossa dignidade. Brunna fez um joinha com a mão.

—Justo.- Cousie pareceu considerar.

—Vocês brigaram?- Eliza questionou, mas se interrompeu antes de qualquer coisa.- Quer saber? Não me fala. Se não vamos ter que consolar vocês e vai acabar sobrando pra mim.

—Estamos indo encontrar Jackson, Yui, Sol, Mao e Akira.- Haruka respondeu.- Precisamos passar nosso plano pra eles.

—A Haruka só quer ver o namorado, na verdade.- Cousie bufou, e Haruka pareceu ficar com raiva:

—Quem me dera.

Nos despedimos das três. Não muito tempo depois, Ayato, Laito, Kanato e Ruki apareceram.

—Ah, bem que eu senti um cheiro mórbido daqui.- Ayato comentou.

—…Você ao menos sabe o que significa mórbido?- Ruki questionou.

—Sei. É forte.- Ayato disse. Sofie segurou a risada.

—Podem ficar de casal gente, eu não ligo.- Respondi.- Já tô acostumada a ser vela.

—Eu já te disse que você só fica de vela porque quer.- Brunna reclamou. Ruki se sentou atrás dela.- Se quisesse um boy, já teria ficado com o A…

—BRUNNA!- Gani mais alto do que eu esperava. Fiquei vermelha.

—Uuuh, alguém tem um crush~- Laito cantarolou.

—Por falar em crush, alguém sabe se a história da Vic Vic com o Yuma é verdade?- Kanato questionou.

Todos olharam confusos pra ele.

—Lua me falou, que Daayene falou pra ela… que Priya falou pra ela…- Kanato parecia raciocinar- Que Yuma e Victoria dormiram juntos essa noite.

Escancarei a boca.

—É a cara da minha irmã.- Marie começou a mexer num colar de borboleta prateada que tinha no pescoço. Não estou surpresa.

—É a cara do Yuma, também.- Ruki concordou.

—Não é o Yuma que o Reijii odeia?- Sarah questionou.

—É. Mas o Reijii é um chato que odeia tudo.- Ayato respondeu.- Mas ele ficou bem mal com o trem da Victoria.

—Bem feito. Quem mandou ser babaca?- Sarah deu de ombros.

—Até eu não faria isso. E eu sou eu.- Laito suspirou.- Mas eu aposto que até metade do ano que bem eles já vão ter feito as pazes.

—Eu espero.- Marie suspirou.- Victoria tá péssima. Até rejeitou o filho dela.

—Os dois podem negar isso o quanto quiserem. Mas eu acho que os dois são alma gêmeas.- Brunna suspirou.- Mas pode ser só loucura minha.

Todos demos de ombro.

—As meninas deviam vir aqui pedir desculpas.- Kanato reclamou.

— Vocês nem sabem qual foi o motivo da briga.- Sofie suspirou.

—Não. Mas pra pessoa brigar com vocês cinco, é obrigatório ela estar errada.- Laito sorriu.

.

Uma pequena risada se espalhou pela cozinha.

Marie tirou o colar do seu pescoço de repente, e colocou ele no de Sofie.

—Ficou bonito em você.- Marie opinou.- Não acha, Ayato?

Ayato ignorou a pergunta, mas todo mundo viu ele apertando a mão de Sofie. A gêmea riu e depositou um pequeno beijinho na mão dele.

—Engraçado.- Ela apertou o colar. — Ele me deixa mais quente… Me faz sentir… bem e…

Ela olhou sorridente pra nós:

—Protegida.

Estávamos todos felizes com a mudança de humor. E apesar das intrigas , eu conseguia pensar numa coisa:

Tudo ia ficar bem.

Notas finais
E aí? Curtiram? Eu espero que sim! Não esqueçam de comentarem suas opiniões e teorias hein? Bye bye e até o próximo Cap ♡