Notas iniciais
Olá! Só para explicar... Essa história está sendo escrita em Roleplay. Estamos upando aqui apenas por diversão. (Caso não saiba o que é Roleplay, é como se fosse a visão de um personagem a cada paragrafo. No caso são dois principais, então fica fácil saber quem é quem.) Espero que se divirtam tanto quando eu e a Yuko estamos ao escrever! ^w^

No outro dia bem cedinho, no quarto de Rito: o despertador toca as 5:30 da manha. Aprendera muito bem no dia anterior que se acordasse mais tarde que isso, chegaria atrasado novamente. O jovem de pele não muito clara, resmunga alguma coisa incompreensível. Trajava apenas uma cueca box preta com detalhes vermelhos que parecia estar prestes a cair a qualquer momento. Estava de atravessado na cama, com o lençol e a coberta totalmente desarrumados e parcialmente jogados no chão, demonstrando que ele se mexia muito enquanto dormia. Em um movimento desencorajado, se arrasta até o canto da cama e desliga o despertador do seu celular.

Kurthee se levanta, eram 5:40. Depois de sentar na cama e esfregar os olhos, abre os braços, em um movimento preguiçoso, soltando um pequeno grunhido. Sua cama estava levemente desarrumada e ele vestia uma camiseta tão comprida que estava mais para um vestido. Se levantou e acendeu as luzes. Seu celular só despertava apenas uma vez pois tinha o sono leve. Ele separou suas roupas de uniforme em cima da cama e se dirigiu ao banheiro, para se arrumar e ir a aula.

Após desligar o despertador, Rito se força a sentar na cama para não voltar a dormir. Estava com o cabelo totalmente desarrumado, estava tão arrepiado que parecia que ele havia tomado o pior susto da sua vida. Com os olhos ainda fechados, ele abre bem a boca e solta um bocejo alto. Como era difícil acordar de manha. Ainda no modo automático, ele se dirige ao banheiro e vai se banhar.

Depois tomar banho, Kurt foi se vestir. Colocou o uniforme, sem a jaqueta, pois pelo visto esse não seria um dia frio. Depois de pronto, ele se olhou no espelho e arrumou o cabelo. Pegou sua boina de estimação, de cor azul escuro, e a colocou ao topo de sua cabeça. Pelas janelas, o céu azul, com poucas nuvens, indicava que já estava na hora de sair. Uma ultima olhada no espelho, e estava pronto, foi quando abriu a porta para o corredor do dormitório.

Um banho gelado era a única forma de acordar aquele cachorro sonolento. Quando consegue despertar, ele segue seu ritmo normal: vai escovar os dentes, colocar o uniforme e arrumar o cabelo. Hoje seria a aula do professor de biológicas, o Sr. Bermas, e dessa vez ele não chegaria atrasado. Ao se lembrar da aula, o rosto do seu vizinho passa por seus pensamentos. Mesmo agindo de um modo rude com o garoto, ele não pensou duas vezes em ajudá-lo... Garoto esquisito. Mais alguns momentos de reflexão e Rito volta a pensar naquilo que não deveria...
Seu único amigo de infância, separados de forma repentina e inexplicada. Os dois tem mesmo tom esbranquiçado de cabelos e aquilo o deixava incomodado... Ele pega a mochila e a apoia no ombro direito. Ao abrir a porta do seu quarto, encontrou aquele em que estava pensando a poucos minutos.
"Bom dia." Disse em um tom normal. Ele termina de trancar a porta e coloca as mãos no bolso.

Abrindo a porta, encontra seu vizinho saindo ao mesmo tempo. O destino não daria uma trégua? O garoto disse um "bom dia" sem muito entusiasmo, mas para Kurt, isso era algo completamente inesperado. "Bom dia, como vai?" Disse Kurt sorrindo, ao trancar a porta. O corredor não estava deserto, alguns alunos já se dirigiam à saída. O jovem de cabelos brancos aguardou gentilmente o garoto, para se dirigirem juntos a aula. E a sua cabeça então, lhe veio uma ideia. "Que tal irmos juntos às aulas todos os dias?" Sugeriu ele. "Acho que seria melhor do que ir sozinho ou ir calado todo o tempo."

Companhia não seria uma coisa tão ruim... Ainda mais depois de tanto tempo andando sozinho por ai. "Estou bem." Respondeu a primeira pergunta, se deslocando daquele lugar e andando ao lado do rapaz. "Pode ser." Disse ainda sem entusiasmo. Aquele era o seu jeito com conhecidos. Não era de distribuir sorrisos e sempre andava por ai com aquela cara de nada. Pelo menos isso era melhor do que aquele jeito estressado e selvagem que tinha com desconhecidos.

Kurt já estava se acostumando com o jeito 'neutro' de seu colega. Para os outros, não teria diferença. Mas Kurt já tinha visto seu lado estressado e a diferença era enorme. Eles entraram no elevador que acabou apertado no andar dos dormitórios femininos. No térreo, todos foram para direções diferentes. Kurt saiu primeiro e esperou Rito para irem ao prédio de biológicas.

Sem pressa, seguiram o seu caminho para o prédio, que ficava exatamente a esquerda do prédio principal. Estavam no horário já que saíram mais cedo dos seus quartos. Inevitavelmente, passaram pelo mesmo lugar onde houve aquela semi luta contra os 4 garotos.
"Será que aqueles meninos vão parar de incomodar os outros?" Perguntou sutilmente Rito. Ele era consideravelmente maior do que o seu colega e sempre fala observando o menino mais baixo.

"Tomara que sim.." Concordou Kurt, olhando para algumas árvores. "E se não pararem podemos dar um jeito neles." Comentou rindo. "Ou melhor, você pode." Disse, envergonhado, agora olhando para os próprios pés. Na porta do prédio, haviam algumas garotas, que conversavam e riam entre si. Passaram direto, subindo as escadas.

"Humph." Soltou Rito em resposta. "Ia ser um pouco trabalhoso 4 ao mesmo tempo, mas conseguiria." Por sua fala estar calma, não tinha como levar aquilo como uma brincadeira ou exagero. Realmente, ele havia treinado luta durante muito tempo em uma das melhores academias daquela cidade, além de que, sempre arranjava brigas nas ruas e batia em todos que entrassem em seu caminho sem perdão.

Kurt soltou uma risadinha. Depois de alguns degraus, eles chegam a sala de aula. Ao entrar, Kurt percebeu que o Sr. Bermas não estava na sala ainda. Os alunos conversavam, riam e bagunçavam, sem se importar. Ele se sentou, seguido por seu colega de classe. Observando a sala, era possível identificar alguns animais, que provavelmente não conseguiam esconder sua verdadeira forma. "Você já viu o Sr. Bermas?" Perguntou ao seu colega. "Ouvi dizer que é um professor... Diferente" Ao pronunciar a ultima palavra, um sorriso irônico escapa no seu rosto.

O garoto de cabelos negros coloca sua mochila ao seu lado no chão e se senta. "Não vi." Depois de responder ele abre bem a boca e boceja demoradamente. "Como assim diferente?" O jovem percebeu a demora do seu colega para dizer a qualidade do professor, o que o deixou intrigado. Antes que o garoto de cabelos brancos pudesse responder a pergunta, alguém abre a porta da sala repentinamente.
"E ai galera!!" Cumprimenta entusiasmado um jovem de cabelo verde néon, volumoso e arrepiado. Suas roupas eram desapropriadas para aquele local. Ele usava uma regata branca, uma calça camuflada do exercito e botas de cano alto. A reação dos alunos não foi nada mais do que o esperado: ficaram confusos mas em silencio, aguardando aquele cara dizer que o professor não daria aula hoje ou algo assim. Andando de forma animada, como se estivesse realmente marchando, ele se aproxima a frente da sala e se senta sobre a mesa do professor, virado para a turma. Apoiou o pé esquerdo em cima da mesa, se curvou levemente para observar a turma e apoiou o braço esquerdo em cima do seu joelho. "Que turma grande. Acho que vamos produzir bastante!"

Kurthee riu da reação dos outros. Ele já vira o professor nas redondezas da escola, sempre bastante animado, mas nunca conversara com ele e muito menos tiveram aulas juntos. Ao olhar para o lado, viu a expressão inconformada de Rito. Aos risos, perguntou: "Entendeu agora o que eu quis dizer?" Ele pegou seu material na mochila e o colocou sobre a mesa, esperando as instruções do estranho professor.

"Esse é o professor...?" Perguntou Rito com as sobrancelhas franzidas. Ele parecia tudo, menos um professor. Um aluno de cabelos loiros com as pontas pretas sentado ao lado dos dois, teve coragem de se pronunciar e perguntou em voz alta: "Você é o professor?!" Ele arruma os seus óculos com uma expressão confusa.
"Verdade. Nem me apresentei. Sim, eu sou o professor Bermas Neepaul, especialista em biológicas e vou ensina-los durante esse semestre. Prazer em conhecê-los!" Seu sorriso largo combinava com os seus olhos pequenos e vermelhos. "Eu tenho espírito de sapo, por isso esse cabelo estiloso." Disse ainda com o mesmo sorriso. Muitos alunos acabam rindo. "Dou aulas a pouco tempo aqui nessa instituição e como tradição de primeiro dia de aula, eu faço uma dinâmica para os alunos se conhecerem melhor."
"Sério que esse figura é realmente professor?" Perguntou baixinho o cachorro ao seu colega de mesa. Ele realmente ainda não estava acreditando.

Kurthee riu. "É sim, é nosso professor. E talvez seja uma das coisas mais normais que você veja por aqui". Sorrindo e olhando para baixo, pensou em sua forma original. Com um chacoalhar da cabeça, ele espanta esse pensamento e acaba derrubando uma mecha de cabelos sobre seus olhos. "Que tipo de dinâmica ele pode estar pensando em fazer?" Comentou em um pensamento alto, não exatamente para Rito.

"Quero que vocês se juntem em grupos com 4 membros e conversem entre si. Depois de um tempo passarei pelos grupos perguntando aleatoriamente: nome, idade, animal e elemento de um dos colegas de seu grupo, que também será aleatório." Após ouvirem as instruções muitos alunos conversam entre si. Aparentemente a proposta era inovadora para todos.
"Estão parados por quê?" Perguntou animado. "Vamos! Façam os grupos." Em poucos minutos, ouvia-se barulhos de cadeiras se arrastando para todos os lados. Pouco a pouco, a sala começou a ficar dividida em grupos de 4 alunos.

Kurt e Rito trocaram olhares. Eles provavelmente pensavam a mesma coisa. Não conheciam ninguém, diferentemente do resto da sala, que formavam grupos com seus amigos. Felizmente, dois garotos vieram ao encontro deles. "Podemosss ssentar com vocêsss?" Perguntou o garoto de cabelos verdes, sorrindo. O corte do seu cabelo verde musgo liso combinava muito com o seu estilo: usava um undercut mais ousado que o de Rito. Era praticamente metade da cabeça raspada com o restante do cabelo distribuído por cima. Em pouco mais alto que Kurt, possuia 6 argolas ao redor das orelhas, duas na boca e duas na ponta sobrancelha esquerda. Também usava um piercing ponte no topo do nariz entre os olhos vermelhos vivo. Aparentemente tinha língua presa e puxava o S ao falar. "A propósito, me chamo Nígel. Nígel Ssandersss."

Aquele mesmo jovem de cabelos loiros com as pontas negras, estava ao lado dele. Seu cabelo era liso e levemente arrepiado nas pontas. Era um pouco mais alto do que seu companheiro. "Parece que mesmo que não quisessem, não teriam escolha." Falou arrumando o óculos. O garoto tinha razão. Ao observar a sala, aparentemente todos os alunos haviam se encaixado em um grupo.
"Sem problemas." Respondeu educadamente o garoto de cabelos negros. Ele se levanta e arruma a cadeira para os 4 ficarem sentados em uma roda.

Todos se arrumam em seus lugares, inicialmente quietos, esperando alguém tomar a iniciativa. Então, o garoto do undercut verde é quem fala primeiro. "Bom, acho que precisamosss nosss conhecer. Vou falar um pouco de mim. Como dissse, meu nome é Nígel Sandersss. Tenho 19 anosss, minha familia desscende de cobrasss. Como já podem imaginar, o elemento que nossssa família utiliza, normalmente em lutasss, é o veneno" Disse, sem dar tempo aos outros. Ele parecia ser bem divertido e amigável. Kurt estava com medo, não sabia o que ia fazer pra esconder sua forma.

Somente pelo jeito que ele falava, já era de se imaginar que seria uma cobra. O garoto de cabelos loiros com as pontas negras acabou sendo o próximo a falar. "Eu me chamo Christoph Graunt. Também tenho 19 anos e estudei com esse réptil aqui do meu lado." Ao falar isso ele lança um olhar sutil e sorri para o menino de cabelos verdes. "Sou de uma família de guepardos e o meu elemento é terra. Prazer em conhecê-los." Completou com uma ajeitada nos óculos.

Kurt achou que estava na hora de falar. Depois de pensar um pouco, com medo, ele começou. "Me chamo Kurthee. Tenho 17 anos. Sou descendente de uma família de..." Ele parou. "Águias." Tentou voltar ao foco rapidamente. "Sendo assim, tenho mais facilidade com o elemento ar". Estava tremendo de medo. Será que alguém reparou que não dizia a verdade? Repararam que ele hesitou ao dizer? Ele tentou observar a expressão de cada um, disfarçadamente.

Depois que todos se apresentaram, Rito se viu na obrigação de falar. "Me chamo Rito Sonnan e tenho 18 anos. Sou descendente de uma antiga família de cachorros do elemento trevas." Com o seu jeito objetivo de ser, ele disse tudo que precisava em pouquíssimo tempo.
"Sonnan?" Perguntou o rapaz de óculos com o olhar atento. "Aquela famosa família de empresas que mexem com joias?" Para Chris aquilo era uma surpresa. Ele nunca imaginava encontrar alguém tão poderoso pessoalmente.
"Ah..." Respondeu desanimado o cachorro. "Sim, são as empresas do meu pai..." Era obvio que o seu tom não era de orgulho. Ele não podia reclamar da vida boa que tinha no quesito dinheiro mas no emocional ele não tinha nem mesmo uma base.

Kurt reparou que nenhum deles perceberam sua mentira. Ficou surpreso em saber que Rito era filho do grande empresário, mas também não se importava com isso. Não ligava pra dinheiro. Seu pai havia deixado o suficiente em sua conta, no dia que fora embora e o deixara na escola, há 15 anos. "Bom, acho que já esstamos todosss devidamente apresentadosss." disse Nígel, ao levantar a mão, chamando o professor. "Essstamoss prontoss, professssor."

O professor se aproxima e pergunta para Rito sobre o menino de cabelos verdes. Depois das perguntas devidamente respondidas, o professor pede para que eles voltem a formação original e esperem os outros alunos que não foram tão rápidos assim. Com aquele primeiro trabalho em grupo terminado, o professor Bermas passa uma introdução do que eles veriam o resto do ano. Seu grande compilado de coisas durou somente até a hora do almoço. Assim que o sinal para a refeição tocou, ele surpreende todos anunciando: "Caros alunos. Como hoje é a primeira aula vou aliviar para vocês. Estão dispensados. Mas não se esqueçam que semana que vem, já entramos com conteúdos. Entendidos? Bom, aproveitem o dia!" A comemoração dos alunos foi imediata. Muitos saíram saltitando ou comentando como "Aquele já era o seu professor preferido".
"Gente boa apesar de ser esquisitão." Disse Rito, arrumando os seus materiais.

"Ah, esses são os melhores" Respondeu Kurt, rindo. Arrumou seu material e juntos eles foram em direção ao refeitório. Seus dois outros colegas de classe foram junto, logo atrás.
"Ei, que tal sse comesssemoss juntosss?" Perguntou Nígel. Kurt concordou balançando a cabeça. Eles foram, em silêncio, até o refeitório. Chegando lá, ao sentir aquele cheiro de comida, Kurt percebeu que estava faminto. "Não posso esperar, vou me servir." Disse apressado.

"Tudo bem." Respondeu tranquilamente Rito se sentando a mesa com os outros dois.
"Então, Sonnan." O guepardo se dirigiu a palavra ao cachorro. "Como você entrou na instituição?" Ao se sentar, ele arruma novamente os seus óculos. Estava exatamente a frente do rapaz e o seu olhar desconfiado e sério deixava o clima tenso.
Rito fez uma leve cara de emburrado e respondeu um pouco mais seco: "Como qualquer outro aluno. Fiz a prova e passei." Um momento de silêncio paira no ar depois disso. Os dois se encaram em todo esse tempo, era como se fossem dois predadores disputando um pedaço de carne ou algo assim.
"He." Solta com um sorriso de canto o menino de cabelos loiros. "Achei que você fosse mais um daqueles riquinhos que entrou com a ajuda de mamãe e papai." Em seu rosto um sorriso sutil se formou. "Te julguei mal. Desculpe."
Um pouco mais calmo, Rito volta a ficar com aquele seu olhar neutro. "Tudo bem. Todos pensam isso."

Kurt chegou tão rápido quanto saiu. E ao se sentar, percebeu o clima tenso na mesa.
"Essstou indo me sservir." Afirmou o garoto cobra. "Quer ir comigo Chrisss?" Ele parou ao lado do loirinho. Kurt viu que Rito tinha ficado incomodado com alguma coisa enquanto ele estivera fora. Só esperava que a amizade do pequeno grupo, que ainda estava se formando, não fosse por água abaixo. Pensou no que disse na sala de aula. Águia... Foi a primeira coisa em que pensara. Será que daria certo? Ele sabia que na aula de magia ou luta precisaria ficar em sua forma animal. Talvez as pessoas não ficassem convencidas. Se ele ao menos soubesse fazer magia na forma completamente humana... A voz do garoto loiro o trouxe de volta a realidade.

"Vamos." Respondeu normalmente. Ele se levanta e se despede se curvando levemente. Os dois seguem para a fila da cantina.
Rito solta um suspiro baixo, como se estivesse se controlando para ficar calmo. "Sabia que isso ia acontecer..." Comentou em um pensamento alto.

Kurt terminou uma garfada e perguntou. "O que sabia que iria acontecer?" Ele parou, encarando Rito. Estava confuso. Ainda mais por não ter ouvido o que acontecera antes.

Por um momento o garoto ficou pensativo e em silencio. "O fato de eu ser um Sonnan não muda nada entra nós?" Perguntou receoso sem olhar para o rosto do menor. Ele não havia comentado com Kurt que era o famoso herdeiro das empresas de joias finas da sua família. Talvez não fosse o melhor jeito de se apresentar, mas por carregar esse nome uma hora ou outra todos ficariam sabendo.

Kurt se surpreendeu. Ele provavelmente estava vermelho e isso não passaria despercebido. "N-não, é claro que não. Não me importo com isso." Ele encara os olhos do outro, apesar de não ter a mesma resposta. Ao terminar de falar, Nígel e Chris voltaram a mesa, conversando alegremente. Kurt já estava terminando de comer.

Sem responder Kurt ou simplesmente terminar a conversa, ele se levanta e vai se servir.
"Então você lembra da vez que pegou meu lápis e me devolveu só uma semana depois né?" Disse Chris rindo. "Eu procurei aquele negócio um bom tempo até desistir." Os dois estavam lembrando de certas coisas de quando estavam estudando juntos.

Nígel soltou uma gargalhada. Ele se sentou a frente de Kurt.
"Vocêsss esstudam juntosss a quanto tempo?" Perguntou ele ao garoto a frente. "Parece que a bassstante tempo. Eu tenho que aturar essse aqui há trêss anosss." Falou no mesmo tom de suas risadas. Kurt sorriu.
"Conheci o Rito à dois dias."
Nígel pareceu espantado. "Eu nunca acertaria."

"Dois dias?" O óculos do guepardo até escorrega um pouco. "Você parecem que se conhecem a mais tempo." Ele dá uma garfada em seu prato de comida. "E você? É de uma família rica também?" O felino mastigava o pedaço de carne que levou a sua boca com facilidade.

Aquela pergunta o surpreendeu. O que deveria responder? Ele parou e pensou um pouco. "Não. Eu sempre morei aqui, não conheci minha família." Compartilhou receoso. Revelar algo sobre sua família, revelaria a verdade sobre sua forma. "É por isso que não sei meu sobrenome." Essa parte era um pouco verdadeira. Quando seu pai o deixara, teria largado ele no cercado dos animais, com apenas um bilhete. Neste, não continha seu sobrenome.
"Minha família é dona de uma farmácia. Não ganhamosss muito, mass é o sssuficiente pra nos ssussstentar e fazer algunsss agradosss." disse o menino cobra, depois de engolir o que estava mastigando. "E você Chrisss? Não dissse ao nossso colega como é sssua família."

"Minha família é simples. Trabalha em uma loja de tecidos. Só consegui entrar aqui por ter estudado muito mesmo." Se vangloriou de leve. Rito acabou retornando a mesa depois disso. Havia pegado uns 3 pedaços grandes de bife, mostrando que tinha um apetite feroz. Do mesmo jeito que ele saiu, ele voltou sem falar muita coisa e começou a comer. Nem mesmo olhou nos olhos de Kurt.
"Por isso não gosto de mauricinhos metidos." Completou o felino quando o Rito sentou. Era uma leve alfinetada, mas como descobria que o colega não era esse tipo de pessoa, aquilo não significava nada.

"Mauricinhos... Esses são complicados." Concordou Kurt. "Nos metemos em uma briga com alguns deles ontem. Não é, Rito?" Ele olhou o garoto que estava comendo. O viu balançar a cabeça levemente e continuou. "Mas também existem pessoas humildes, mesmo com dinheiro." Ele abaixou a cabeça sorrindo envergonhado e olhou Rito pelo canto dos olhos.
"É claro que sssim" Animou Nígel. "Tenho váriosss amigoss que não sse gabam por ter dinheiro."

Depois de um tempo, o único que não tinha acabado de comer era Rito. Pedindo licença, os dois novos conhecidos se retiraram da mesa. Levaram suas bandejas aos seus devidos lugares e partiram em direção aos dormitórios.
"Quem diria que iríamos nos encontrar novamente..." Comentou o guepardo, observando o seu amigo escamado.

Ele olhou sério para o garoto. "É. Pensssei que tinha me livrado de você." Disse com certa arrogância. Logo depois soltou uma gargalhada. Ele passou um braço ao redor dos ombros do outro e puxou-o para perto. Sua mão livre esfregou os cabelos de Chris, rapidamente. Ao soltá-lo, disse: "Que tal irmosss ao meu quarto? Podemossss jogar videogame, o que acha?"

O cabelo do menino certinho de óculos era sempre bem arrumado. "H-hey! Meu cabelo!" Disse colocando as mãos na barriga do amigo e o empurrando de leve. "Tudo bem, não temos lição para fazer mesmo." Concordou sem pensar duas vezes. Assim que o réptil o soltou, tratou de arrumar o cabelo e ajeitar os óculos. "Tenho a impressão de que vamos nos dar bem com aqueles dois."

"É, talvez sssim... O garoto-águia é legal. Mass o outro é meio marrento... Porque alguém como o Kurthee faria amizade com ele?" Eles haviam chegado ao prédio principal, estavam se dirigindo ao sexto andar, onde ficava o quarto.

"Vai saber. Ele não é muito de falar pelo que vi... Mas parece ser bom." O felino caminhava tranquilamente ao lado do seu amigo. Ele tinha um corpo esguio, porém seus músculos seriam notáveis se ficasse sem camiseta.

Chegando ao sexto andar, eles se dirigiram ao quarto de numero 6143, onde Nígel residia. "Sserá que todosss oss diass elesss vão querer ssentar conosssco? Talvez não queiram." Chegando a porta do quarto. Ao entrar disse: "Bem vindo." Era um quarto diferente dos outros. A frente da cama, uma grande televisão e embaixo, dois aparelhos de videogame. Nas paredes, pôsteres de bandas de rock. O quarto era todo decorado em verde e preto.

"Olha só. Muito legal o seu quarto. Fez isso em quanto tempo?" Perguntou entrando timidamente no quarto do companheiro. Ele sabia que o menino tinha preferência por rock, mas não sabia que seu quarto era decorado com pôsteres. Ele deixou sua bolsa de materiais em um canto e começou a observar tudo. "Acho que eles gostaram da nossa cara também. Provável que vamos sentar mais vezes juntos sim."

"Na verdade não demorou muito. Já tinha tudo que eu precisava pra issso. O que quer jogar? Tenho algunsss de luta bem legaisss." Ele se abaixou, arrumando o videogame e ligou a televisão. O outro garoto nem tinha respondido e ele já havia colocado o jogo. Ele deu um controle ao Chris e se sentou na cama. Acabou se levantando novamente e, retirando a camisa, disse: "Está calor, não?" Seu corpo era bem definido e musculoso, mas nada em exagero, porém tinha um detalhe a mais: os seus dois ombros eram cheios de escamas verdes. As escamas iam até a metade do braço e avançavam para trás. Se conectavam no começo das suas costas e desciam formando um V até um pouco mais da metade. Apesar da característica marcante, aquilo deixava seu corpo ainda mais atrativo.

O loiro se senta na cama, se acomodando mais confortavelmente. Com uma olhada nada discreta, Chris encara o amigo tirando a camiseta. Era notável que sua expressão havia mudado. Ele encara o corpo do companheiro e depois o fitava nos olhos. "Você andou malhando...?" Indagou interessado. Ele ainda estava com o controle em suas mãos mas o videogame era a ultima coisa com que ele ia se importar agora.

Ao observar o sorriso do seu amigo, Nigel já entendeu onde aquilo iria chegar. Com um sorriso pervertido em seu rosto, ele confessa palavras sinceras. "Sssabe... Tem algum tempo... Que eu gosstaria de fazer issso..." Com um ágil movimento, sentando na cama, puxa o garoto para mais perto de si, onde os seus corpos ficaram tão juntos que era possível sentir tranquilamente a respiração um do outro. "É, eu ando malhando ssssim." Ele respondeu sussurrando.

Chris acabou deixando ser levado sem nenhuma resistência. Estavam próximos demais para quem só iria jogar videogame. Deu uma bela encarada no amigo que estava a poucos centímetros de distância e sem pensar duas vezes ele passa a sua mão direita pelo rosto do companheiro. "O que você gostaria de fazer...?" Ao terminar de falar, o seu dedão pousa levemente sobre os lábios inferiores dele, o acariciando.

"O que eu gossstaria?" Disse com aquele mesmo sorriso pervertido. "Acho que talvez você já sssaiba." Aproximando o seu rosto do loiro, com muito entusiasmo, os seus lábios se encostam, até abrirem suas bocas e deixarem o momento tomar conta. Sua língua se agitava rapidamente, seguida do mesmo modo pelo parceiro. Já que estava querendo aquilo a muito tempo, o beijo tinha um gosto de vitória satisfatório. Na escola eles não se falavam muito, mas, ainda assim, Nígel não tirava os olhos dele. Puxou o garoto colocando a mão em sua nuca. E o controle do videogame ficou esquecido.

Os olhos do felino se fecharam ao ver o amigo se aproximar. O toque dos seus lábios era uma sensação distinta que ele também queria sentir a muito tempo. O jovem sempre se interessou por outros garotos e aquela cobra em especial sempre o chamou atenção. Era realmente uma pena que os dois só conseguiram se aproximar de verdade agora. Ele acompanhava o ritmo do beijo do parceiro, de maneira animada. Não demorou muito para sua respiração ficar descompassada e sem pensar, ele se entrega totalmente ao momento. Acabou segurando o cabelo do rapaz que estava a sua frente, mostrando que estava apto a continuar e que aquela noite seria longa....