Light-Moor
7 A lenda da floresta.
Notas iniciais
Primeiro final de semana dentro da escola. Os alunos até podiam sair, porém só em casos de extrema urgência, ao contrário dos professores. Para comemorar o primeiro dia sem aula, Nigel chama seu amigo felino para um piquenique a beira do rio que partia para as piscinas. Com muita insistência, ele consegue tirar o colega, que estava escondido atrás de uma pilha de livros, da toca que ele chamava de quarto.
Chegando ao local combinado, tudo já estava pronto, a espera dos dois. Uma toalha quadriculada, vermelha e branca, se estendia pela grama. Em cima, duas almofadas e uma grande cesta artesanal. Nígel estende a mão para o amigo, o pedindo para se sentar. Várias pessoas ficavam nas piscinas durante os fins de semana, mas o rio era um local que poucas pessoas procuravam para o lazer. O garoto cobra começa a arrumar o local, tirando pratos e copos da cesta, assim como várias coisas para comerem. "Isssso parece cena de filme" Comentou rindo.
O felino se surpreende ao ver que o local já estava todo arrumado. "Você fez isso tudo sozinho? Não sabia que tinha capacidade para tanto." Disse de forma irônica, dando um sorrisinho de canto. Ele senta em uma das almofadas e ajuda o companheiro a arrumar as os petiscos que tinha ali. "E ainda caprichou na comida. Estou impressionado."
"Confesssso que tive uma pequena ajuda na comida... Essspero que gosste. E sse não gossstar, pelo menos finja, sssó pra não correr rissscos de magoar meu coração." Acabou forçando uma expressão triste. Sem dizer nada, em um rápido movimento, Nígel avança até Chris, de um modo a fazê-lo deitar no chão, e começa a beijar-lhe o pescoço.
O felino dá uma gargalhada com gosto quando cai ao chão. "Você triste? Sei sei..." Ele segura os cabelos do amigo e puxa a cabeça dele para o encarar de perto. "Estamos em publico safadinho. Não se importa de alguém nos ver?" Perguntou um pouco mais baixo. Seu sorriso de canto permanecia em seu rosto.
"Tenho cara de quem ssse importa com o que oss outrosss dizem?" Disse, deixando suas bocas a menos de um centímetro de distância. Porém, quando Chris se movimenta, demonstrando que iria beijá-lo de volta, Nígel se levanta em um pulo. "Masss, não estamoss aqui para isssso. Vamoss comer!" Sentado, serviu um pequeno prato com as variedades de comidas que haviam na cesta. Serviu um copo de suco para si mesmo e também para o parceiro. Seus olhares se encontram por alguns instantes, e um sorriso se abre no rosto de cada um.
Chris se levanta pronunciando algumas palavras incompreensíveis, provavelmente xingando o companheiro pela atitude que acabou de ter. Ele arruma os seus óculos e acabou se servindo com um pouco de comida. Ao mexer na bolsa que havia trago consigo, ele retira um livro de mão e começa a ler enquanto comia.
"Você passssou a manhã inteira lendo... Vai passssar a tarde toda também? Jussto quando consssigo te tirar daquele quarto." O garoto de cabelos verdes resmunga. "Pode pelo menosss converssar comigo?" Disse, jogando uma semente de fruta na cabeça do amigo. Aquela era a primeira vez que saíam juntos sozinhos depois que demonstraram o que sentiam um pelo outro. E ver que isso não mudou em nada a relação de amizade que tinham deixava Nígel muito feliz.
Soltando um suspiro, Chris fecha o livro e o guarda em sua bolsa. "Ok. Sobre o que quer falar então, escamado?" Ele encara o amigo com aquela sua cara tediosa de sempre. Ele estava cheio, pois comeu bastante enquanto lia. A tarde estava se passando e estava quase na hora de anoitecer.
"Deixa eu pensssar... JÁ SSEI! Você já ouviu falar nass lendass da essscola? Conheço algumass." Sua animação era contagiante, esse era exatamente o tipo de assunto que se poderia esperar do Nígel. Ele sempre gostara de videogames, e qualquer coisa que se parecesse com jogos na vida real chamava sua atenção, como monstros, fantasmas... "Como por exemplo..." Diminui o tom da voz. "Ouvi dizer que bem aqui, nessse messsmo rio, foi visssto um monssstro aquático de duass cabeçasss."
“Monstro de duas cabeças..." Repetiu incrédulo o guepardo. "Certeza que não era ninguém brincando com uma mascara ou algo assim?" Chris era sério demais para creditar nesse tipo de coisa. Para ele tudo se resolvia com a lógica, ou então que tudo aquilo não passava de uma brincadeira de criança. "E outra, onde tu ouviu falar nisso?"
"Issso não importa!" Sua animação diminui um pouco ao perceber que Chris não acreditava no que estava dizendo. Mas, não iria desistir. "Tem também a lenda da coelha do banheiro. Dizem que a mataram usando um pente, no banheiro dasss garotas. E desssde então, ela assssombra todasss asss meninas que tentam pentear o cabelo dentro do banheiro."
"Você nem conversa com as meninas para saber se isso é verdade." Retrucou de forma seca. "E além do mais, como se mata um coelho com um pente?" Sua cara de inconformado chegava a ser engraçada.
"Esssa é verdade. Até algunss professsoress já dissseram que viram." Ele olha para Christopher, apertando os olhos. "Dizem que na floresssta, onde ficam oss animaiss, ass vezess aparece um animal nunca visssto igual. Algunss acreditam que ele seja o deusss de todoss oss animaiss. Outross dizem que ele é tão poderoso que poderia desstruir esssa esscola somente com um pissscar de olhoss. Ele é indomável. Ouvi de algunsss garotoss da nossssa turma que se você conseguir olhar noss olhoss dele, sua vida mudará completamente, e pra melhor. Eu adoraria encontrar o deusss branco." Terminou, cruzando os braços.
"Hm..." Ficou pensativo o outro rapaz. "Ok... Dessa vez eu devo concordar. Já ouvi falar em algo parecido. Meus pais mesmo, disseram que havia algum espirito protetor da floresta que temos aqui no colégio. Talvez tenha alguma coisa escondida lá mesmo." Ele colocou a mão no queixo enquanto deixava escapar tudo que ouviu como se estivesse pensando alto.
A noite chegava, e Nígel acabara de ter uma ideia. "Que tal sse formos passsear por perto da floresssta? Vai que temosss a ssorte de encontrá-lo por lá?! E messsmo sse não tivermoss, podemosss considerar somente como um passseio por ali..." Ele começou a juntar toda a bagunça que deixaram pela toalha, colocando tudo de volta na cesta, que agora estava vazia.
O felino ajuda o seu amigo a arrumar toda a bagunça que tinham feito. "Bom... ir de noite para a floresta é proibido, não? Que eu saiba, podemos andar somente pelo prédio principal depois das 10 horas. Talvez a inspetora de alunos reclame." Ele dobra o pano que os dois usaram e estava segurando as almofadas.
"Ela não pode reclamar ssse não noss ver, certo?" Nígel olha para o parceiro, como uma criança fazendo travessuras. "É melhor irmosss logo, ssse não quisermosss sser pegoss." Desde pequeno, Nígel sempre foi o garoto que atentava os outros a fazerem coisas erradas. Seguir ordens não era algo que fazia com frequência. Porém, Christopher não era assim. Dava pra ver em seus olhos que ele não estava aceitando a ideia tão bem. Seria preciso algum incentivo... "Vamosss, por favor... Por mim." diz Nígel, puxando-o em um beijo.
Com uma cara de desconfiado, o felino tira o rosto do beijo, assim como o escamado negou o beijo mais cedo. "Hm.. Se acontecer algo por causa disso, você vai arcar com as consequências, ok?" Ele terminou de arrumar tudo e olhou para o sol. "Vamos esperar escurecer um pouco mais então..."
—
"Agora já podemosss ir." Disse Nígel, quando a única iluminação vem da Lua e estrelas no céu. "Vamosss logo, se o Deusss branco estiver lá vamosss perdê-lo." Puxando o braço do amigo, era perceptível que sua animação estava cada vez maior. Depois de alguns minutos de caminhada, se esforçando para não serem vistos, os dois chegam a floresta. "Venha." Chamou, passando por baixo da cerca de madeira. A cerca era alta, composta por várias estacas de madeira paralelas horizontalmente e verticalmente, com espaços entre elas. Mesmo com os espaços, nenhum animal ali presente conseguia passar, por serem de grande porte. Os animais menores ficavam em outra ala, assim como os voadores.
A floresta era um lugar sinistro aquela hora. A luz do luar iluminava o caminho entre as árvores através dos buracos que haviam entre as copas. Barulho de grilos cantando e o coaxar de sapos faziam o barulho ambiente. As árvores eram altas e com os troncos grossos, indicando que a floresta já era de certa idade.
"Certeza que devemos ir mesmo..?" Disse relutante. Todo aquele ambiente era ameaçador demais para o guepardo.
"Deixa de ssser covarde." Disse o outro puxando-o pelo pulso. "Acho que devemosss ir um pouco maisss adentro." Ainda sem soltar o braço de Chris, o garoto cobra conduz o caminho. Poucos passos depois de começarem a explorar o lugar, uma sombra espreita pelos arbustos. "Essspere, o que foi issso?" Com medo, ele puxa Chris e o abraça. "Temos companiha... Você também viu essssa sssombra? Venha, vamosss ver o que pode ssser." Ele torna a segurar o pulso do amigo e o puxa na direção do vulto. E é quando eles vêem. Era majestoso! Ele é grande, tão branco como a neve. Seus olhos verdes brilhavam no meio da escuridão. Aquilo era a coisa mais linda que Nígel já viu. Era um lindo... Cavalo? Um simples cavalo? "Sssó pode ssser brincadeira." Olhou pra Chris, incrédulo.
"Aparentemente ele fugiu do estábulo." Disse entediado o felino. "É óbvio que não vamos achar logo de cara, boboca." Ele se aproxima do imponente animal e faz carinho em seu rosto. Chris tinha uma certa facilidade em lidar com animais. O garoto até se animou e realmente correu com esperanças, porém desanimou total ao ver que era só um cavalo.
"Talvez tenha ssssido um sssinal dele pra gente." Nígel olha de cara feia para o guepardo. "Deve essstar querendo dizer pra não pararmosss de procurar. Eu não vou desissstir tão rápido asssim." De repente um chacoalhar de folhas seguidas por outra sombra assusta os garotos novamente. "Você também sssentiu isssso ou eu essstou ficando louco?" Apesar de parecer durão, Nígel estava se borrando de medo.
O rapaz de óculos sente uma presença forte vinda mais para dentro da floresta. Realmente, o que seria isso? Era diferente da última vez. "Acho que dessa vez vale a pena investigar..." Disse se afastando do cavalo.
"I-invessstigar? Mass... E ssse for algum assssassssino? Ou algum animal muito feroz?? Nossa podemosss até ssermos mortosss!" Sua cara de medo agora era inconfundível. "Acho melhor voltarmosss pro quarto. Issso não foi uma boa ideia, porque... AAAAH!" Nígel grita de susto e pula em Christopher ao ver outro vulto por entre as sombras das árvores. Apesar de um pouco exagerado, seu medo era compreensível, pois a floresta era um lugar sombrio a noite.
Chris acabou segurando o amigo no colo, mas ele não consegue negar que sentiu alguns pelos do seu corpo arrepiando. Aquela silhueta branca que parecia brilhar entre as árvores acabou sumindo após o grito do serpente. Depois de um tempo em silêncio, o felino arrisca dizer: "Seja lá o que for... Acho que você o espantou com o grito."
"E-eu acho que... Talvez pudesse ssser ele. MERDA! Merda, merda, merda!" Nígel vai até uma árvore e começa a bater com a cabeça. "Eu o essspantei Chrisss! Essstavamosss tão perto de vê-lo..." Encarando o companheiro com uma expressão triste e culpada. "Desssculpe por fazer você vir aqui por nada.."
"Cala a boca. Você é muito precipitado. Vamos investigar." Chris realmente ficou curioso com o que poderia ser aquilo, então ele começa a caminhar até onde os dois viram a luz misteriosa. Ao chegar bem ao centro da floresta, eles acham uma camisa pendurada na árvore.
"Mas o que isso significa...?" Porém antes mesmo que o felino pudesse terminar seu raciocínio, uma mão atravessa a escuridão e o toca pelo ombro.
O grito dele ecoa pela floresta e acabou acordando alguns pássaros que levantaram vôo.
"Calma!! SHH." Rito tapa a boca do rapaz de óculos. "Sou eu. Calma."
"Rito?!" Perguntou Nígel, confuso. "O-o que essstá fazendo aqui a essssa hora? E... Por que sem camisa?" Inevitavelmente, seu olhar para no abdômen do amigo, isso acabou lhe custando um cutucão de Christopher. "E onde esstá o Kurt? É difícil ver um de vocêsss sozinhos, essstão sssempre juntoss...."
"Eu vi uma luz daqui na floresta e vim investigar." Disse de forma calma. "Ah.. A camisa.." Diz pegando ela e levando no seu ombro. "Eu estava com calor."
Depois de se recuperar do susto, o felino achou aquilo muito suspeito, porém não tinha palavras para contestar.
"Acho que o Branquelo está no QUARTO DELE." Respondeu de forma estranha, gritando a última parte.
"Tudo bem mass.. Não precisa gritar." Nígel o encara, também um pouco desconfiado, mas nada diz. "Que tal ssse fosssemoss contar a ele o que vimoss? É melhor irmoss embora messmo, pra não arranjamosss problemass com a Niber... Aquela mulher dá medo ass vezesss. Poderiamosss passsar no quarto dele no caminho." Ele se vira pra Chris e cochicha em seu ouvido. "E ssse quiser, podemosss ir ao meu quarto depoiss..." Seu sorriso malicioso dita as intenções.
"VAMOS PASSAR NO QUARTO DO KURTHEE ENTÃO?" Gritou outra vez Rito. Ele estava realmente esquisito.
"Qual o seu problema cara? Já estamos no meio da floresta e tu fica gritando?" Perguntou olhando feio para o colega. "Não estou achando nada convincente esse seu teatrinho. Me diga logo o que você veio fazer aqui."
Rito levanta a sobrancelha e solta um suspiro.
"Tudo bem. Vocês me pegaram." Ele dá de ombros.
"Yes. Sabia que tinha algo." pensa o felino.
"A verdade é que eu tenho insônia e fico andando por aí até ter sono. Eu estava aqui na floresta para observar as estrelas." Ele põem a mão na testa de forma dramática. "Nunca pensei que seria pego praticando um dos meus segredos."
"Insssônia? Issso parece ssser muito ruim, porém não sssei como é. Acho que o sssono já faz parte de mim." Comentou o escamado, coçando a cabeça, visivelmente convencido pelo que o colega disse. "Masss andar não me parece a melhor sssolução.. Bom, masss enfim, é melhor irmosss embora. Ssserá que o Kurt já essstá dormindo?" Ao terminar de falar, entrelaça sua mão com a de Christopher em um movimento involuntário, tomando a dianteira para guiá-los para fora da floresta.
O guepardo ainda estava meio desconfiado, mas acabou sendo puxado pelo companheiro.
Rito solta um suspiro inaudível de alívio quando os dois se viram e começam a andar. "Eu sei que não, mas não tenho muitas opções... Provavelmente o branquinho deve estar indo dormir."
"Quer mesmo ir ao quarto dele?" Pergunta Chris ao rapaz com quem estava de mãos dadas.
"Bom... Acho que podemosss falar com ele amanhã. Temoss que resolver algumasss coisasss no meu quarto, certo?" Ao terminar de falar, Nígel se aproxima rapidamente, lambendo o pescoço do amigo. "A não ssser que tenha algo melhor a fazer... Talvez terminar aquele livro que essstava lendo no piquenique sseja mais importante que eu." Cruzando os braços, fingiu estar com ciúmes.
Chris dá um soco no braço do amigo e sussurra: "Não sei por que eu gosto de você." Ele se vira para o rapaz sem camisa. "Não está com frio não?"
"Está tudo bem, obrigado." Respondeu de forma seca.
"Ainda bem que eles não descobriram..." Pensou o rapaz de undercut.
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"Até maisss Rito!" saindo do elevador assim que chegam ao sexto andar, sem soltar a mão de Chris, Nígel se dirige ao quarto, em silêncio. Já tinham infringido a norma da escola de passear a noite depois do horário, se fossem dedurados por causa do barulho eles teriam grandes problemas. Chegando a porta do quarto, Nígel para, e beija a ponta do nariz de Christopher. "Hoje foi um dosss melhoresss diass da minha vida." Ele abraçou Chris e ambos entram no quarto.
"Mas.. O dia não acabou ainda..." Disse o felino pegando o companheiro no colo. Ele o joga na cama e sobe por cima do seu corpo. "A noite está apenas começando." Ao terminar de falar ele tira a camisa.
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Rito sobe mais um andar, envoltos em pensamentos. Ao chegar ao quarto do seu amigo ele bate na porta e o chama. "Kurthee? Está ai? Sou eu, o Rito."
"Até que enfim, pensei que não viria mais." Kurt abre a porta, se escondendo de modo tímido, pois só estava de cueca. "Achei que eles viriam aqui. Ainda bem que consegui fugir antes. Imagina se tivessem me visto?" Ao sentar na cama, se enrola no cobertor. Estava com uma expressão preocupada no rosto. "Eu não esperava que isso se espalhasse tão rápido... O Julian sempre se esforça pra esconder."
"Relaxa. Eles caíram direitinho na minha história. O Nigel é um cabeça oca, porém o que me preocupa é o Christopher. Ele é muito perspicaz." Comentou fechando a porta e entrando no quarto. "Uma pena que perdi a minha camisa na floresta." Suspira entregando a camisa branca que estava no seu ombro para o menor.
"Obrigado por me ajudar a disfarçar. Da próxima vez tomaremos mais cuidado." Ele se ajeita na cama para deixar o colega se sentar. "Mas, de todo jeito, foi um dia bem divertido, não? Podemos fazer mais vezes." Mesmo preocupado, era possível ver a felicidade no rosto de Kurt. Esse era o primeiro fim de semana dos dois na escola, porém estava sendo o melhor.
"Sabe... Eu estive pensando... " Ele senta no canto da cama e continua falando sem olhar para o menor. "Você.. Tem algo para fazer amanhã?" Mesmo sua pele não sendo tão branca quanto o do companheiro, era visível que seu rosto estava levemente corado.
"Bom... Acho que tenho." Kurt se deita, apoiando a cabeça na perna de Rito. Em seu rosto um pequeno sorriso se formava, por perceber que o amigo estava com vergonha. "Mas então, aonde vamos?" Há uma semana Kurt nunca imaginaria que aquele garoto marrento estaria agora passando por essa situação.
"M-mas eu não..." O rapaz cora por inteiro com isso. "Er.." Ele coça sua bochecha e encara o amigo no seu colo. "Podemos tomar um sorvete..." Ele acabou desviando o olhar do amigo, pois estava muito envergonhado.
Kurt ri. "Como um encontro?" Aquela situação estava muito divertida, pois Kurt sempre era o que ficava com vergonha. Era muito raro ver Rito tímido, por ser um garoto grande e quase sempre sério. Isso só comprovava que as aparências realmente enganam. "É claro que eu aceito. E... Será que eu posso te fazer um convite agora?" Kurt estava começando a ficar com vergonha também, mas não desistiu de dizer. "Que tal você... Hum... Dormir aqui hoje?"
"D-d-d-dormir aqui?!" Ele cora mais ainda e encara o amigo. Era impossível ele não reparar no corpo do menor. Automaticamente ele começa a pensar mais do que deveria. O estereótipo de Kurt era tudo aquilo que mais o excitava. Ele acaba levantando da cama, deixando o amigo deitado. "Melhor não. A gente se vê amanhã as 3 então?" Disse coçando a cabeça olhando para o lado.
Kurt cora instantaneamente. Rito com certeza tinha entendido o convite de outra forma. O garoto de cabelos brancos era muito inocente, e só estava pensando em dormirem juntos, abraçados talvez, mas, nada demais. "S-sim, as 3." Concordou, se levantando, abrindo a porta e deixando o colega passar. "É.. Rito.." Assim que o maior se vira para ouvi-lo, ele lhe dá um selinho. "A-até amanhã." Rapidamente fechou a porta, sem nem ver a reação de Rito. Ele corre em direção a sua cama, se jogando e agarrando o travesseiro. O abraçando muito forte, pensou "o que está acontecendo comigo?!"
Com as mãos nos seus lábios, Rito solta um pequeno sorriso. "Espero que amanhã chegue rápido."
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