Notas iniciais
Olá! Só para explicar... Essa história está sendo escrita em Roleplay. Estamos upando aqui apenas por diversão. (Caso não saiba o que é Roleplay, é como se fosse a visão de um personagem a cada paragrafo. No caso são dois principais, então fica fácil saber quem é quem.) Espero que se divirtam tanto quando eu e a Yuko estamos ao escrever! ^w^

Na tarde daquele dia, o céu estava completamente limpo, o dia estava fresco, e Kurt podia ver através de suas janelas o vento balançando as árvores próximas ao seu quarto. Ele estava feliz. Aquele dia seria muito importante, e após um banho um pouco demorado, o garoto abriu o armário tentando escolher uma roupa para a ocasião. Nada muito social, mas teria que ser algo bem bonito. No final, acabou escolhendo uma camiseta branca simples, uma calça jeans e tênis. Na cintura, amarrou uma camisa quadriculada vermelha, de manga comprida. Mas, e o cabelo? Não poderia usar sua boina azul, pois não combinaria com o resto da roupa, e deixar o cabelo solto era algo muito normal. Revirando novamente o armário, Kurt tentou encontrar algo para colocar na cabeça.

O quarto a frente estava bem animado. Ouvindo uma musica de estilo rock no seu celular, Rito estava terminando de fazer a barba. O dia ia ser cheio e bem diferente. Fazia muito tempo que ele não tirava um momento para ficar a sós com ninguém. Ainda mais depois daquele beijo... Só de pensar no que havia acontecido seu coração disparava. Apesar de parecer sempre tranquilo, aquilo realmente estava o tirando do seu prumo normal. Será mesmo que estava apaixonado? Bem, só de lembrar do rosto do companheiro, ele soltava um sorriso bobo. Talvez investir nisso não faria mal a ninguém. Após terminar a sua barba, ele logo vai se vestir. Acabou optando pelo seguinte modelito: Uma camiseta branca de mangas compridas acompanhadas por um colete preto de botões. Usando uma calça marrom confortável e com um sapato preto. "Acho que está bom..." Pensou ele mesmo se observando no espelho. Mas para completar o visual, ele precisava arrumar aquele ninho de passarinho que ele chamava de cabelo. Foi ao banheiro o penteou para trás com gel. Estava com uma cara mais séria do que o comum, porém estava bem no estilo empresário e sexy.

"É ISSO!" Kurt gritou, logo se arrependendo por perceber que saiu mais alto do que imaginara. Era bem simples, mas ficaria bonito. Se posicionando na frente do espelho, ele penteou seus cabelos e colocou uma toca, um pouco folgada, de cor cinza, porém deixando os cabelos e a franja aparecendo. Depois disso, o garoto passou todo tipo de coisa que poderia deixá-lo cheiroso, por motivos bem óbvios. Uma última conferida no espelho para ver se estava tudo ok, e agora só restava esperar. Sentando na cama, Kurthee pegou seu celular para conferir as horas. Pensou em mandar uma mensagem para o vizinho, dizendo que já estava pronto, mas isso poderia parecer meio desesperado da parte dele.

Após passar o desodorante e seu perfume, ele coloca a carteira e o celular nos bolsos da calça e sai do quarto. Com alguns passos, chegou até a porta da frente. Ele para e fica olhando fixamente para o pedaço de madeira a sua frente. Com as mãos no bolso, estava na sua tradicional pose de delinquente, mas elas estavam suando e seu coração estava disparado. Será que ele estava arrumado o suficiente? Ter feito a barba foi bom? Ainda dava tempo de vestir um terno... Com um suspiro, ele respira fundo e toca a campainha aguardando resposta.

Em um pulo, Kurthee se levanta e joga toda a bagunça que não tinha arrumado pra trás da cama. Dá uma espiada rápida no espelho pela quinta vez, e vai até a porta. Ao abrir, era como se o tempo passasse em câmera lenta, naqueles filmes de romance. Rito estava deslumbrante, e a vontade de Kurt era simplesmente agarrar aquele homem e não soltar nunca mais. "Er.. V-você ta muito lindo.." Disse corando e olhando para o chão.

O rapaz fica levemente corado com o elogio e sem graça pelo comentário. "Eu estou normal. Não precisa elogiar assim." Disse coçando a nuca. "Você está pronto? Eu sei que cheguei meio cedo... Nem são 3 horas ainda." Ele realmente tinha se adiantado, faltavam 15 minutos ainda para o horário que os dois combinaram na noite anterior.

"Só está um pouco mais 'galã de novela'. Não que eu não goste do seu estilo no dia-a-dia..." Ele riu de sua própria fala. Depois, se vira para trancar a porta. "Estou pronto sim, estava só te esperando mesmo." Prestando um pouco mais de atenção, Kurt reparou que Rito tinha feito a barba, e isso o agradava bastante. "Podemos ir?"

O garoto do undercut dá uma risada curta e concorda com a cabeça. "Podemos" Os dois caminham pelo corredor como todos os outros dias. "Você já tem algo em mente? Eu estava pensando em irmos para o parque de diversão." O dia estava realmente agradável lá fora, sem nenhuma nuvem no céu e com um vento fresco para quebrar o sol. Rito até parecia estar andando com uma postura mais ereta, já que normalmente ele era todo largado, tanto na forma de se vestir quanto andar.

"SIM!" Kurt se empolgou. "Er.. Pode ser o parque mesmo..." Corando novamente, se envergonha pela reação um pouco exagerada. Kurthee era como uma criança: adorava parques de diversão, e amava todas as comidas que normalmente eram vendidas lá. O menino de cabelos brancos, sem dizer mais nada, movimenta a mão até próximo do amigo, e juntos andam de mãos dadas pelo corredor.

A mão do rapaz mais alto estava toda suada, apesar dele estar transparecendo calma, ele estava nervoso por dentro. "Então você gosta de parques?" Perguntou sorrindo encarando o menor. Geralmente os alunos não podiam sair da escola, somente em casos urgentes, mas como a família de Rito tinha certa influencia sobre todo o território, foi fácil conseguir os dois passes para eles ficarem o dia inteiro fora.

"Na verdade sim. Eu só fui uma vez, mas faz muito tempo..." Respondeu, enquanto caminham pelo pátio da escola. "Eu sempre quis ir de novo, você acertou ao escolher esse lugar. Eu adoro comer aquelas nuvenzinhas de açúcar... Não lembro o nome." Kurt estava tão empolgado que não conseguia parar de falar. A única coisa que calou sua boca foi um campo de força no portão de saída, que os empurrou pra trás impedindo que os dois garotos fossem em frente.

Rito bateu de testa na barreira e acabou dando uns passos para trás, largando a mão de Kurthee. Sua expressão, que estava tranquila até o momento, acabou se alterando completamente.

"EI! EU CONVERSEI COM VOCÊ ONTEM. PODE ABRIR LOGO ESSA PORRA?!" Ele gritou visivelmente sem paciência. Todas as pessoas que estavam no pátio e ali perto param para olhar a situação. Logo após terminar a gritaria um holograma em forma de tela de televisão se forma a frente deles. "Identifique-se." Disse a voz eletrônica e totalmente sem emoção.

"Rito Sonnan." Disse o rapaz de forma ríspida. "E convidado." Completou.

A tela fez alguns barulhos e logo apareceu uma ficha com uma fotografia de corpo inteiro do rapaz.

"Rito Sonnan, herdeiro das indústrias Sonnan. 18 anos, 1.78 de altura. Personalidade forte e facilmente irritável. Constam dois passes livres. Podem passar."

"Obrigado, tela idiota." Respondeu de mal humor. Ele odiava quando alguém falava sobre sua família. Acabou fechando a cara, colocando as mãos no bolso e passando para fora da barreira.

Kurt correu para alcançar o garoto. "Ei, seu irritadinho." Disse, puxando o outro rapaz pelo braço, fazendo-o parar. "Já saímos, já deu certo. Agora vamos nos divertir, okay?" Passando os braços ao redor do pescoço dele, os dois se encaram de perto. Era estranho ver Rito naquelas roupas, mas Kurt tinha que admitir, era extremamente sexy. Aquela tarde mal começara, e já estava sendo uma das melhores. Por dentro, Kurt explodia de alegria por ser ele ali, naquele momento, abraçando o garoto esquentadinho que nem o olhava nos olhos no início do ano.

Rito soltou um suspiro demorado. "Vamos esquecer isso." Ele diz, se vira e continua andando em direção ao parque.

Conversa vem e conversa vai, depois de alguns minutos de caminhada os dois chegam ao grandioso parque. Não era maior que a escola, mas também tinha proporções enormes. Havia uma fila para entrar, mas a única coisa que Rito fez foi passar tranquilamente pelos portões como se nada estivesse acontecendo.

"Não precisamos entrar na fila?" Como Kurt saiu pouquíssimas vezes da escola, não sabia muito bem como era o ‘mundo lá fora’ mas era obvio que todos tinham que enfrentar a fila... Ou quase todos. Por mais que sabia que deveriam estar na fila, o pequeno agradecia por não estarem. Ele estava deslumbrado com o tamanho daquele parque, não era nada parecido com o parque de diversões que tinha ido antes. Eram tantos brinquedos que Kurthee não sabia em qual queria ir primeiro.

"Não é preciso." Disse de uma forma despreocupada. Não demorou muito e um guarda do local acabou interceptado os dois.

"Garotos, vão já para a fi...." O senhor, que fazia uma pose autoritária, mudou totalmente o discurso quando seus olhos pousaram no rapaz do Undercut. "S-senhor Rito!! Tudo bem? Que visita inesperada! Fique a vontade e se precisar de algo, chame. Ok?" Se curvando de forma respeitosa, o homem acabou saindo de perto e voltando ao seu local. Rito não pronunciou nenhuma palavra, apenas um olhar bastou para causar isso.

Kurt ficou sem reações, parado no mesmo lugar. "Er... Rito?!" Kurthee olhou para seus pés, corando. "S-será que eu poderia segurar sua mão de novo?" O garoto não sabia muito bem como agir em um relacionamento, pois nunca esteve em um, e tinha muito medo de estar parecendo um idiota. Parecia que ele estava acompanhando uma celebridade. "Tô saindo com o presidente sem saber?" Disse, tentando quebrar a tensão.

Rito olhou para o rapaz com aquele mesmo olhar de desprezo com que ele o encarava nos primeiros dias que eles se conheceram. Ele respira fundo e estende a mão para o menor. "Não sei se já ouviu falar... Mas eu sou filho único dos donos das empresas Sonnan. E não me orgulho nada disso." O rapaz olhava para frente enquanto falava. Ele era realmente grato por tudo que aprendeu e gostava das mordomias, mas nada daquilo apagava o ódio que ele sentia pelos seus pais.

"Nossa sério?" Kurthee fica impressionado. "Deve ser muito legal, e pelo visto você tem moral em qualquer lugar. Se eu fizesse algo assim sozinho, talvez fosse até preso." Disse rindo. "Mas então, Sr. Sonnan, conte-me como é ser importante? Ah, e desculpe perguntar, mas essa empresa da sua família é responsável por fazer o que? Não conheço muitas empresas grandes..." Ele ficou curioso pelo que acabou de ouvir, mas não sabia que era um assunto delicado.

Rito ficou em silêncio por um tempo e acabou respondendo no automático. "Cuidamos de todo tipo de empresas. Desde revendedoras de carros até parque de diversões. Esse é o lema, 'Quanto mais dinheiro melhor.' É um saco sinceramente." Era notável que só de falar nisso ele estava realmente entediado. "Não quero mais falar sobre isso." Disse de uma forma nada carinhosa.

"Ah... Me desculpa, eu não queria... Não sabia que você não gostava disso... Não vou perguntar mais..." Kurt ficou sem graça, e com medo de ter estragado o dia com essas perguntas. "Que tal começarmos por aquela ali?" Perguntou apontando pra montanha russa mais alta. "Nunca fui em uma dessa... É meio estranho porque as pessoas sempre ficam gritando, e saem vomitando, mas querem ir cada vez mais... Deve ser muito ruim, mas muito bom.." Dava pra para perceber que ele tentava desesperadamente trocar o assunto.

Depois de um tempo em silêncio, o rapaz do undercut finalmente responde. "Está tudo bem. É divertido sim, vamos nesse." Ele ainda estava de mãos dadas com o pequeno. Se fosse com qualquer outra pessoa, ele já teria xingado de todos os tipos de nomes possíveis e imagináveis, mas alguma coisa o fazia ter muita paciência com aquele pequeno de cabelos brancos.

Ao entrar na montanha russa, os dois se sentam nas primeiras cadeiras. Antes de andar, o coração de Kurthee já estava quase saltando pela boca. Aquele sem dúvidas era o dia em que ficara mais empolgado em toda sua vida. Uma pontada de medo atingia sua mente, mas não iria desistir. Segurando as mãos uns dos outros, eles esperam até todas as cadeiras serem preenchidas.

O rapaz mais alto já estava acostumado com os brinquedos. Ele praticamente nem gritava quando eles iam a brinquedos perigosos assim como a montanha russa ou a big tower. Mas ele acabou se divertindo muito e rindo da cara do Kurthee várias vezes. Além de que achou super fofo ele segurando a sua mão quando estava com medo. Após uma leva de uns 4 ou 5 brinquedos, ele ficou com fome. "Quer comer algodão-doce?" Perguntou despreocupado.

"Algodão-doce? O que é... AHHH! Nuvenzinha de açúcar! Eu quero." Sua expressão era de uma criança ao ganhar um brinquedo novo. Juntos, caminharam até as barraquinhas de comida. Haviam várias coisas gostosas, e Kurt estava na dúvida se realmente queria comer algodão-doce. "Acho que vou querer um rosa..." Disse o pequeno.

"Nuvenzinha de açúcar..." Riu o maior. Aquilo era muito bonitinho em vários aspectos. "Tudo bem, o seu pode ser rosa e o meu azul." Os dois vão em direção ao carrinho de algodão-doce e acabou que os dois pegaram sem nem mesmo pagar. Aquele era um dos poucos privilégios que Rito já estava acostumado a ter. Assim que estavam prontos, ele entrega o rosa para o companheiro. "Tó." Disse ao estender o braço que segurava o doce.

"Obrigado" Agradeceu o outro, se lambuzando com o doce. "Quando terminarmos, será que podemos ir na casa mal assombrada?" Perguntou olhando para o maior. "Acho que vai ser legal, já que está anoitecendo... Vai ser mais assustador." Por mais medroso que Kurthee fosse, deveria aproveitar ao máximo aquele dia. E ainda por cima, poderia aproveitar para abraçar Rito se ficasse assustado.

"Vamos sim." O outro concordou com a cabeça. Fazia muito tempo que ele não se divertia assim sem preocupação. Até parecia que ele estava esquecendo alguma coisa. O céu que estava limpo e sem nuvens, agora tinham algumas nuvens soltas perambulando por ai. A noite estava chegando. Os raios alaranjados do sol se pondo, faziam o céu ficar com uma cor magnifica. Os dois acabaram entrando na casa com um grupo de adolescentes bem animados. A ambientação era muito escura, quase não dava para ver um palmo a frente do seu rosto. O clima de terror e a musica colaboravam.

"AAAAAH" Gritou Kurt ao ver um homem morto se levantando, com as roupas completamente sujas de sangue. "Acho que isso não foi uma boa ideia... Tô com medo." Disse se agarrando ao braço do Rito. Ao fazer isso, podia sentir os grandes músculos do amigo. Sem poder enxergar muito, os dois seguiram em frente, acompanhando o grupo.

Como a infância do cachorro foi praticamente naquele parque, ele não se impressionava nem um pouco com as atrações ali. Estava realmente muito escuro... O rapaz conhecia o labirinto como se fosse a palma da mão dele. Foi então que ele teve uma brilhante ideia: começou a andar mais devagar e se distanciou do grupo. Por fim acabou entrando em um beco sem saída. "Acho que aqui já é longe o suficiente..." Comentou baixinho.

Seguindo o amigo sem saber o que estava fazendo, Kurt também se distanciou dos outros adolescentes. "Isso é algum caminho mais rápido? Não tem problema, eu tô com um pouquinho de medo, mas consigo ir até o fim." Comentou. "Acho que deveríamos continuar com eles."

Rito acabou ignorando o garoto. Ele o segura pela cintura e o empurra contra a parede. "Eu estou esperando por isso o dia inteiro." Disse baixinho perto dos lábios do pequeno. Sem algum tipo de aviso, ele apenas avançou para cima do companheiro o beijando com energia. Ele precisava provar mais daquela boca que o deixava perdido somente de pensar. O corpo do Kurthee era muito menor do que o de Rito, por isso ele tinha que se curvar levemente. O seu braço na cintura fina do outro rapaz, o segurava com força e tinha como sentir bem os seus músculos trabalhados.

Ainda surpreso com o que acabara de acontecer, Kurt continuou e seguiu o amigo no beijo. Como já havia pensado antes, deveria aproveitar esse dia ao máximo... E aproveitar a companhia também. Deslizando levemente as mãos pelo corpo do colega, Kurt podia sentir cada músculo. "O que acha de dormir no meu quarto hoje?" Perguntou ingenuamente.

A respiração do maior estava alterada. Seu corpo era bem definido e por ser saudável, era obvio que o seu corpo ia responder de alguma forma ao beijo. "Não me faça esse tipo de convite se não está preparado para ir até o final." Sua voz era grave e agradável. Ele sempre falava com os lábios próximos aos do companheiro, então havia como sentir sua respiração. Acabou prendendo o corpo do menor na parede e assim tinha como sentir que ele estava 'animado'. "E não se faça de desentendido dessa vez..."

O rosto de Kurthee estava mais vermelho que um pimentão, pois estava muito envergonhado com o comentário e com o que ele sentiu ali em baixo. "A-acho que deveríamos ir... Já deu tempo de todos saírem, daqui a pouco outras pessoas vão entrar..." Falou empurrando levemente Rito. "Estou com um pouco de fome também..." Suas tentativas de trocar de assunto sempre eram ruins, deixando totalmente na cara o que Kurt estava tentando fazer.

"Tsc." Soltou um pouco frustrado o maior. Ele estava com um volume notável em sua calça, mas o pequeno tinha razão: os dois não podiam demorar muito. Acabou dando um passo para trás, desprendendo o menor da parede. "Vamos antes que alguém dê conta do nosso sumiço." Ele coloca as mãos no bolso e fica visivelmente irritado.

"Para com isso, esquentadinho" Tentou o alegrar, se agarrando em sua cintura. "Que tal irmos comer algo? Eu pago dessa vez... É meio estranho não pagar as coisas assim... O que você gosta de comer?" O céu já estava completamente escuro e coberto por nuvens assim que eles saem do labirinto. Kurt não tinha comido nada o dia inteiro, fora o algodão doce, pois por mais que o parque fosse lotado de coisas gostosas, a companhia de Rito e os brinquedos tiravam toda a atenção do pequeno.

“Eu gosto de bife." Respondeu mais calmo. Ele havia ficado frustrado por não conseguir fazer o que queria, mas entendeu que a situação realmente não permitia. "Podemos comer em um restaurante..." Por algum motivo ele sentiu seu sangue ferver, de dentro para fora. Seu corpo treme de maneira bruta e ele se afasta de Kurthee. "Q-QUE dia é hoje?!" Perguntou de forma agressiva ao menor ao seu lado.

"É dia 13, por quê?" Kurt se espanta com a mudança repentina. "O que tá acontecendo? Você está bem?" Suas feições não escondiam o quanto o garoto estava assustado. Ele sabia que Rito escondia alguma coisa, mas depois de descobrir sobre a família bem sucedida, pensava que esse era o único segredo que o colega guardava.

Rito olha para cima com uma expressão desesperada. A lua estava começando a se mostrar do meio das nuvens, mas logo ela foi coberta de novo. "Eu..." Disse pensando em alguma coisa rápida. "Kurthee, vou chamar um motorista para te levar para a escola. Eu tenho que ir." Outra vez a lua se mostra entre as nuvens e o rosto do rapaz começa a tomar uma forma pontiaguda por alguns milésimos de segundo, porém antes que o pequeno pudesse ver ele tapa o rosto com a mão.

Kurthee se aproxima de Rito, sem entender o que estava acontecendo. "Você quer que eu chame um médico?" Perguntou, preocupado. "Se quiser até posso te levar voando. Só me diz o que está acontecendo... Eu te ajudo." A situação era muito estranha. Era notável que algo estava errado, e algumas pessoas até paravam pra olhar o que estava acontecendo.

"NÃO ENCOSTA!" O rapaz grita. Havia um brilho amarelo incomum nos seus olhos, além das pupilas estarem alongadas. Alguns seguranças se aproximam.

"Está tudo bem Senhor??" Perguntou um homem de terno que era maior até mesmo que o próprio Rito. "Esse meliante está te incomodando?" Disse encarando Kurthee de forma séria.

"NÃO!" Respondeu ainda alterado. Ele acabou tirando a mão de seu rosto e logo voltou a sentir o sangue esquentando novamente. "Levem ele até a escola e paguem tudo que ele quiser." Ordenou de forma seca. Ele acaba olhando para o garoto de cabelos brancos outra vez. "Não se preocupe comigo." Com isso, ele corre em direção a saída do parque, de forma tão rápida que chegava a ser assustadora.

Kurt tenta correr na direção em que Rito estava indo, mas é barrado pelos seguranças. "Por ordens do Sr. Sonnan, devemos acompanhá-lo até a instituição Light-moor." Disse um dos seguranças, pegando firmemente o braço do menor. Ainda um pouco confuso, Kurthee foi obrigado a acompanhar os seguranças que o guiam até um carro preto. Estava tudo dando certo, por que aquilo tinha que acontecer? Era pra ser a melhor noite da vida deles... Ele tinha que dar um jeito de descobrir o que estava acontecendo.

O rapaz correu até chegar a um bairro afastado da cidade. Era um lugar mal iluminado e não muito bem estruturado. Não tinha nada a ver com o que ele normalmente era acostumado. "Eu tinha me esquecido... Estava tudo indo bem..." Ele estava cansado, pois havia gastado muito energia para correr aquela distancia em tão pouco tempo. O rapaz acabou caindo de joelhos no chão e soltando um suspiro demorado. "Acho que aqui é longe o suficiente para não machuca-lo..." Ao olhar para cima, a lua cheia estava brilhando com força total. Seu corpo volta a queimar como antes, mas agora ele sofre várias mudanças: Suas pernas e braços começam a aumentar e no lugar de onde havia unhas, crescem garras. Os pelos do seu corpo crescem de forma absurda e seu rosto passa por uma transformação assustadora: Seu nariz cresce, formando um focinho canino. Seus dentes quase triplicam de tamanho, saindo de sua boca e se cruzando de forma aleatória. Completando tudo, orelhas caninas e uma cauda felpuda terminam a transformação. Talvez fosse esse o maior segredo que ele carregava consigo. Porém a pior parte não era a mudança em si, mas sim que ele perdia o seu controle nessa forma.

"Eu sabia que isso não daria certo. Uhum, sabia sim." Pulando de cima de uma casa, Julian se aproxima do cachorro. O diretor vestia um sobretudo e usava um chapéu, ambos de cor preta. Segurava um pedaço de bambu, que em pé, atingia a altura de seus ombros. "Se eu tivesse interferido antes, nada disso teria acontecido, não, não, não teria mesmo. É tudo culpa sua!" Ele aponta o bambu para a lua. "Mas estava tudo tão bonitinho, ah, como estava." Disse, agora se dirigindo a monstruosidade que se encontrava a sua frente. Assobiando, o chama: "Vem com o tio, vem! É, agora as pessoas estão em perigo, uhum, estão sim."

O garoto que media 1,78 de altura, agora estava com quase 2 metros e duas vezes mais massa muscular que antes. Seus sapatos acabaram saindo dos seus pés que agora eram patas enormes e poderosas. O animal estava com as quatro patas ao chão. Seus olhos amarelos brilharam mesmo naquela rua mal iluminada. Ele encara o homem a sua frente e solta um uivo alto que ecoa de forma maligna por todos os lados. Quando o lobisomem ouve o Panda assobiar, suas orelhas se movimentam para a direção do som e aquela enorme criatura o encara nos olhos.

Rapidamente, o lobo utiliza suas grandes pernas para avançar com as garras para cima do homem com o bastão. A transformação fez boa parte da roupa de grife do rapaz rasgar, mas por dentro daquele monte de pelos ainda estava vivendo o rapaz. Ele realmente não conseguia se controlar. Por algum motivo, ele tinha certa consciência do que estava fazendo, mas não conseguir ter controle nenhum sobre seu corpo.

Em um movimento rápido, o Panda consegue se desviar, e utiliza o bastão de bambu para bater no corpo do animal e jogar Rito para longe. Mesmo sendo de bambu, o bastão tinha recebido uma magia, deixando-o resistente como ferro. "Não vou te machucar Totó. Eu adoraria dançar tango agora, mas vou cuidar de você antes, uhum, vou sim."

Com o a batida que o animal recebeu do homem, ele acabou voando e batendo no muro de uma das casas emitindo um choro baixo. Ele deforma a construção demonstrando o tamanho da força que o Panda tinha. O animal cai ao chão e logo em seguida avança novamente para atacá-lo. Com uma arrancada monstruosa ele consegue acertar uma garrada na altura do estômago do inimigo.

"Tsc tsc.. Minha mãe não gosta de violência, não, não, não gosta." O Panda vira um mortal pra trás e se posiciona de pé em cima do bambu, com um equilíbrio descomunal. Ele retira o sobretudo e a camisa, e os joga na cabeça do animal sem perceber. "Até que não tá tão mal. Humm..." Disse observando o ferimento, que sangrava um pouco. Seu físico não era ruim, como todos pensavam. Mesmo um pouco magro, era possível perceber alguns músculos que se saltavam. Julian se vira para a lua, observando-a despreocupado. "Que noite bonita, uhum."

O animal estava mesmo querendo comprar briga. Ele chacoalha a cabeça, jogando as roupas do homem para longe. Sem dar tempo para ele respirar, avança de um modo diferente: ele corre na diagonal do homem, pula quicando em uma parede das casas ali perto para pegar impulso e tenta agarrá-lo de cima do seu bastão.

Julian dá uma cambalhota no ar e acerta a cabeça do animal com o bastão. Ele se senta no chão, com as pernas cruzadas, uma em cima da outra. "Miau miau, o gatinho diz, miau miau, correndo atrás do giz." o Panda canta, balançando de um lado para o outro. "Você não tá cansado? Já está tarde, devíamos acabar com isso logo, uhum, devíamos sim."

O lobo gigante acabou sendo jogado com força ao chão, deixando um buraco na calçada de pedra. Seu corpo estava todo cheio de arranhões e cortes superficiais, mas ele não iria desistir. Outra vez ele parte para cima do Panda, dessa vez, ao invés de desferir uma garrada, ele chuta a cabeça do panda, revidando as duas vezes que ele o fez voar.

O diretor é lançado para trás e acaba batendo de costas na parede de uma casa. Sua cabeça sangrava, e suas costas doíam com o impacto. "Hahaha..." O Panda se levanta, rindo como se alguém tivesse contado algo engraçado. "Não precisa ficar brava mamãe, já está acabando, uhum, tá sim." Ao terminar de falar, o homem de cabelos brancos corre em direção ao lobo, e usando o bambu como apoio, chuta a lateral do animal.

Com o impacto, ele é arrastado alguns metros no chão e acabou cuspindo sangue. Fez o máximo de força que conseguia para se manter em pé, porém sem sucesso. Suas feridas estavam ficando cada vez maiores, mas sua força de vontade não diminuiu nem um pouco. O ser corre com as 4 patas ao chão, lhe dando mais impulso. Consegue morder o bastão do rapaz e tenta quebrá-lo com a força da mandíbula, além de também tentar arrancá-lo das mãos do mesmo.

"Você quer emprestado?" Julian inclina um pouco a cabeça para o lado, observando o animal com curiosidade. "Acho que tá na hora de dormir, uhum, tá sim. Boa noite, amiguinho. Amanhã a gente se vê." O diretor golpeia a cabeça de Rito com uma joelhada, seguida de um chute no ar. Aquele golpe faz o animal cair, inconsciente no chão. Ele pega o bastão de bambu e suas roupas com uma mão, e com a outra segura as patas traseiras do animal, arrastando-o pela rua sem muitas dificuldades, mas com cuidado para não feri-lo.

Era como se alguém tivesse desligado a luz na mente de Rito. Ele ficou completamente inconsciente com os dois golpes certeiros. Na escuridão dos seus pensamentos, ele se encontra sozinho. Sozinho... Uma coisa que ele sempre esteve.

Kurthee aparece a sua frente. Os dois em pé em um lugar totalmente branco.

"Kurthee..?" Se surpreendeu o rapaz do undercut.

"Não encosta." Respondeu o menor de forma seca.

"O que...?" Perguntou assustado.

"Não. Encosta. Seu tarado. E além de tarado ainda é um monstro. Nunca mais me procure." Ao terminar suas palavras, o garoto anda para longe e se afasta cada vez mais.

"Kurthee?! Kurthee..!” Rito começa a correr atrás do seu amigo, mas parecia que quanto mais ele corria, mais o Kurthee se distanciava. “Volta!! Não!! Me desculpa, eu não queria... VOLTA!"

Com um pulo, Rito acorda em uma cama. Ele estava em seu quarto e já era de manhã.