Lifetime

15 You build castles in the clouds


Notas iniciais
(Masterpiece - Emily Kinney)

Max não conseguia tirar os olhos de Nathan, que o tempo todo da viagem estava vidrado na paisagem que corria pela janela do carro. Ela se perguntava o motivo dele ser tão fissurado pelas paisagens alheias. Era como se não tivesse tempo suficiente para olhar o mundo que se estendia afora de sua zona de conforto, tanto triste quanto belo na visão da morena. Os dois estavam no banco de trás do carro enquanto os pais da garota conversavam sobre viagens antigas e riam das memórias, convidando os dois para a conversa de vez em quando.

Quando chegaram ao hotel, que era à beira do mar. Max pôde avistar um mirante distante, e soube que aquele seria o local perfeito para fotografar. Nathan não havia trazido sua câmera, mas não parecia sentir falta do mesmo jeito. Os pais de Max estacionaram o carro no estacionamento particular e deixaram a chave com o manobrista. Quando caminharam para dentro, Max não fez nada além de analisar o teto desenhado com colunas antigas e um céu brilhante no final. Ela se perguntou como alguém poderia ter se candidatado a pintar em lugar tão alto.

O saguão era grande, tendo um balcão de recepcionista ao canto e uma sacada dentro do local. Havia um piano branco no centro, sendo iluminado por um lustre de cascata também centralizado. As paredes altas e claras davam uma impressão de fineza ao ambiente. Cada um estava com sua mala, e Max não conseguiu impedir o intuito de olhar para as fotografias nas paredes. Uma mão tocou seu ombro e a garota olhou para cima no mesmo instante.

Parada ali, estava uma figura esguia e alta, com longos cabelos louros e um sorriso encantador. Tia Sophie. Ela vestia um vestido verde listrado e usava saltos pretos, cheia de diamantes nas orelhas e no pescoço. Max havia visto ela pela última vez em seu último casamento. Ela estava se casando com um dono de empresas famosas pelo país. Max não sabia se havia alguma química envolvida em seus casamentos, ou se era apenas pelo dinheiro. Sua família era estranha.

— Maxine — a mulher envolveu-a em um abraço. Mesmo na flor dos trinta e poucos anos, ela continuava parecendo mais jovem que nunca. — Você está tão linda!

— Sophie — chamou Vanessa, agora caminhando para um encontro no abraço da irmã mais nova.

Ryan e Nathan estavam ali atrás, segurando suas malas e sorrindo. Nathan estava um tanto intimidado pelo homem tão grande ao seu lado. Max soltou-se da tia, sorrindo forçado, e voltou para onde estava. Nathan olhou para ela com um sorrisinho cínico e ela apenas revirou os olhos, ignorando-o. Ela já sabia que ele faria outro comentário sobre seu nome.

— Fico muito feliz que puderam comparecer — Sophie colocou as mãos na cintura, sentindo-se orgulhosa. — Sinto que desta vez é para sempre!

Max tentou esconder seu riso, virando-se para o lado, fingindo estar interessada no balcão da recepção. Ela assistiu todos os casamentos de sua tia, e em todos, ela disse esta mesma frase. Já havia se tornado um clichê na família. Toda vez que se reuniam com tios e primos de graus elevados, faziam piada da mulher. Max apenas ria.

— Espero que sim — Vanessa tocou o ombro da irmã, sorrindo levemente. — Se nos dá licença, faremos agora o check-in.

— Se precisarem de mim, estarei ali — apontou para a sala que atravessava o aro da porta.

A loura sorriu e caminhou na direção do bar que ficava em outra ala, rebolando sobre os saltos finos. Max se perguntava quem seria seu novo noivo.

— Bom, talvez demore um tanto — Ryan disse ao avistar sua mulher atravessando o saguão em direção ao balcão —, podem se sentar por aí enquanto isso.

Os dois assentiram e aguardaram o homem sair de onde estava. Nathan virou no mesmo instante, voltando seu olhar para o grande piano no centro. Max sabia que ele estava sofrendo para tocá-lo, e sorriu de canto. Ele continuou ali, parado, enquanto ela o analisava.

— Você pode parar de me encarar, Maxine? — Disse ele, evitando contato visual.

— Maxine é apenas para a família, Nathan.

— Namorados não são família?

— Nós não somos namorados.

— Aparentemente, sim — ele sorriu e caminhou para uma poltrona preta, onde sentou-se e posicionou as mãos sobre os braços da cadeira.

— Ainda não tem este direito — ela sorriu de volta ao se sentar no sofá ao lado.

Ele começou a olhar para o teto, mas agora Max analisava a grande janela que tinha vista para o mirante. Ela não se lembrava do nome da cidade, mas perguntaria por ele depois, já que amou cada paisagem presente ao seu redor. O hotel ficava em um ponto alto, o que levava Max a pensar que o mirante mostrava grande parte da mata abaixo. Ela não se aguentava de curiosidade para explorar melhor o local com sua câmera.

— Nós iremos ficar por aqui, para resolver os assuntos do casamento — Vanessa apareceu atrás do sofá onde Max se sentava e a tirou de seu transe e jogou duas chaves na mão de Max. — Mas vocês podem subir e relaxarem um pouco, sei que estão cansados da viagem.

Max olhou para as chaves e, em seguida, para a mãe, que sorriu de canto.

— Sim, Maxine. Duas chaves. Aqui só fazem pacotes para quartos de casais ou de solteiros, e como deduzimos que Nathan não gostaria de dormir na mesma cama que Ryan, alugamos três quartos, sendo um para nós, outro para você e outro para Nathan.

— Eu vou subir — Max levantou-se do sofá e pegou na alça de sua mala.

— Nos vemos mais tarde — disse Ryan ao passar a mão pela cintura da esposa e caminhar para fora do saguão.

A morena encarou o louro enquanto ele pegava sua mala e se levantava do sofá lentamente, caminhando em direção ao elevador, junto dela. Os dois adentraram o pequeno espaço e pressionaram o andar que as chaves indicavam. Ao que parecia, eles ficariam no mesmo corredor, de frente.

— O que você vai vestir amanhã? — Perguntou o garoto, surpreendendo Max.

Ela não sabia exatamente. Não havia planejado nada, mas havia posto seus três melhores vestidos na mala, levando-os consigo.

— Talvez meu vestido azul. E você?

— Agora que disse, minha camisa azul-marinho.

— Você está querendo combinar comigo?

— Eu não disse isso.

Logo, o elevador já estava no segundo piso, onde os dois estavam hospedados. Não era um local gigante, mas ainda assim, luxuoso demais para os bolsos de Max. Ela mal sabia como seus pais estavam pagando a estadia.

Nathan enfiou as mãos nos bolsos de sua calça e olhou para a chave. Max só conseguiu focar seu olhar na paisagem que se estendia na varanda livre. Pôde ver o mar e sentir o cheiro da maresia. Em Arcadia Bay ela não costumava prestar atenção nesses mínimos detalhes, já que vivia correndo com seus projetos e sempre distraída com as fotografias, esquecendo de apreciar as vistas de modo verdadeiro.

O corredor não era muito longo, mas era pintado em cores quentes, como um laranja pôr-do-sol e as portas eram brancas. Max notou a quantidade de vasos de flores colocados entre as portas e sentiu vontade de fotografar mais uma vez, mas pensou que seria melhor apenas apreciar com seus olhos. Fotos para depois.

Nathan começou a caminhar pelo corredor, procurando o número que coincidisse com sua chave, e encontrou uma no meio do corredor, do lado esquerdo. Por sinal, a chave de Max indicava um quarto que ficava de frente para o dele. Aquela não parecia ser uma ideia muito boa, já que eles ainda não estavam “bem” um com o outro. Nathan ergueu o olhar e encarou ela com desdém.

— Eu não tenho culpa — disse ela, ao destrancar a porta.

Ele revirou os olhos e destrancou a porta mais uma vez, logo voltando para trás e olhando para a garota:

— Max?

Ela virou-se no mesmo instante, sentindo seu coração se acelerar. O modo que ele havia chamado por seu nome foi quase como se ele precisasse lhe dizer algo, e ela só necessitava ouvir dele.

— Pode me devolver minha jaqueta?

A garota jogou fora todas as esperanças que havia adquirido naquele instante e tirou a jaqueta do corpo, entregando para ele, que logo, fechou a porta em sua cara.

Notas finais
O cap ficou curto porque foi mais para enrolar, sabe? O próximo terá bastante palavras porque será sobre o casamento, e aí vai ter treta