Lifetime

17 Will you stay with me, my love?


Notas iniciais
(Run — Daughter)

A Academia Blackwell parecia ainda maior de longe. Principalmente se vista do farol que ficava no ponto mais alto da cidade. Quando menor, Max sentia que podia tocar as nuvens dali, então ficava saltando sobre o banco, junto de Chloe, falando que havia tocado os formatos engraçados. Agora, o mesmo banco estava ocupado pelo garoto de jaqueta vermelha, que fumava um cigarro e soltava a fumaça diretamente para as nuvens, logo evaporando em formatos diferentes.

Max sentava-se ao seu lado, analisando os movimentos que seus lábios faziam enquanto a fumaça escapava pelas frestas. Os olhos dele se abriram e olharam diretamente para os dela, fazendo com que um sorriso abrisse repentinamente na boca de ambos. A garota desviou o olhar e cruzou as pernas, encarando a praia. Eles estavam naquele local há quase meia-hora, mas que parecia uma eternidade maravilhosa de viver. A brisa suave movia as árvores e colidia em seus rostos com certa leveza agradável.

O garoto jogou o cigarro no chão e pisou sobre ele, apagando o resto de fogo que ele ainda portava. Virou o olhar para a garota e pegou sua mão entrelaçando seus dedos aos dela. A morena teria se surpreendido se fosse a mesma atitude há duas semanas, mas aquela já era a terceira semana junto dele, e ela já tinha conclusões suficientes para chocar-se com os indícios de carinho vindos do louro.

[...]

Ao pôr-do-sol, os dois voltaram para a escola, já que teriam aula no dia seguinte. Antes, as viagens que não tinham assunto algum, agora eram cheias de conversas e risadas. Ambos estavam carregados pela energia positiva exalada um do outro. Ao chegar no campus, deixaram o carro e caminharam lado a lado até os dormitórios.

Nathan ainda estava com seus dedos enlaçados aos dela, e sorria como nunca havia feito antes. A garota não podia conter a alegria ao vê-lo daquele jeito, e ainda mais, por saber que o motivo de seu sorriso era ela.

Como era quase noite, os alunos estavam ou em seus dormitórios, ou jantando fora. Domingo não era um dia movimentado no campus. Nathan resolveu que deveriam ir para seu quarto, e assim, viraram à esquerda, na direção das escadas que levavam ao andar de seu dormitório. Max sabia que ficava logo de frente para a porta de Warren, então procurou calar-se ao chegar mais perto. Ela não queria ser bombardeada por perguntas.

O garoto destrancou a porta e jogou-se na cama, logo em seguida. Max girou a maçaneta ao entrar e sentou-se ao lado dele, encarando seus olhos que pareciam mais claros que antes. Seu quarto ainda era o mesmo, mas o ar presente no ambiente era estranho, porém, bom.

— Está ficando escuro, não acha? — Max posicionou seus dedos sobre os cabelos dele.

— Não.

— Esqueci que seu quarto sempre é escuro — ela riu.

Ele revirou os olhos e ligou o projetor para passar suas fotos. Aquelas projeções e os barulhos de baleias o acalmavam até o sono. Max olhava para a parede, vendo as fotos passando e sorrindo para cada uma delas. O estilo fotográfico do garoto era escuro, triste e até um pouco depressivo, mas era o que ele gostava de retratar, e parte do que ele era também.

— Você poderia dormir aqui — ele disse ao enfiar o rosto no pescoço fino da jovem.

— Eu não posso. Você sabe…

— A única pessoa que descobriria seria aquele garoto esquisito que dorme aqui em frente — ele sussurrou ao depositar um beijo atrás da orelha da garota.

Todos me veriam saindo daqui de manhã — disse ela, quase caindo nas tentações do rapaz.

— Você não precisaria sair — ela jurou poder sentir seu sorriso malicioso em sua pele.

— Achei que você fosse mais esperto — ela se afastou e sorriu para ele.

Ele a encarou com desdém até a expressão se quebrar com o sorriso dela.

— Boa noite, Nathan — ela sorriu e depositou um beijo em sua bochecha, partindo na direção da porta.

Quando a garota saiu, fechou a porta atrás de si e encontrou uma figura saindo pela porta em frente. Assim que Warren a notou, torceu o lábio e olhou para o chão.

— Warren, oi — Max tentou sorrir para ele, que apenas ignorou.

O garoto caminhou na direção do banheiro, sem qualquer contato visual com ela.

Max não pôde sentir-se pior. Para ela, Warren era um de seus melhores amigos, e ela não conseguia se perdoar por todos aqueles momentos em que o deixou só, trocou-o. Fez soar como se ela tivesse apenas usado ele para seu próprio bem-estar. E quando não precisou mais, o jogou fora.

Não, Max, pensou ela, você não é assim.

Ao ver o garoto partir na direção contrária, resolveu que seria melhor voltar para seu dormitório, e o fez. Caminhou até a porta de saída e desceu as escadas, chegando à entrada dos dormitórios femininos. Quando subiu os degraus para seu andar, encontrou Kate, que parecia sair dos chuveiros, vestida em seus pijamas, segurando uma toalha enquanto ajeitava o coque que nunca mudava no cabelo. Max começou a se aproximar e sorriu.

— Oi, Kate.

— Oi, Max — pegou sua toalha e começou a dobrá-la. — Como está?

— Bem. Um pouco cansada — sorriu genuinamente.

— Você faltou ontem — disse ela, agora levantando o rosto. — Achei que estivesse doente.

— Eu voltei de viagem.

— Ah sim, é que também não foi ao grupo de estudos — fez uma pausa. — Warren também notou.

— Duvido muito — abaixou seu rosto, agora olhando para os tênis velhos.

— Ele só precisa de um tempo, Max — Kate tocou seu ombro. — É muita coisa para a cabeça dele.

— Fico mal por ele, não queria vê-lo assim.

— Acredite ou não, eu conheço Warren há um bom tempo. Ele é mais novo, ainda está desenvolvendo seus sentimentos por tudo, sabe? — Kate sorriu. — Antes mesmo de você chegar, ele teve outras quedas. Inclusive em Victoria.

Victoria?! — Max sussurrou em meio às risadas, para que a garota mencionada não escutasse.

— Sim, mas acordou depois de um tempo — retirou a mão de seu ombro e sorriu novamente. — Ele ainda não teve seu coração partido, então ainda não descobriu o mundo real.

— Eu não entendo… Eu já estava com Nathan antes. Por que ele só começou a agir desta maneira agora?

— Não sei — Kate olhou para outro lado. — Talvez porque ele tenha visto você saindo do quarto de Nathan ou algo assim.

— Como…?

Perfume masculino, Max — ela sorriu e abriu a porta de seu quarto. — Boa noite.

Max sorriu de volta e caminhou na direção de seu quarto. Assim que entrou, trancou a porta e jogou sua bolsa sobre o sofá. Suas mãos se voltaram para o interior da bolsa, de onde tirou seu diário, que dentro, estavam as fotos que haviam tirado naquela tarde. Olhou para cada uma delas com um sorriso delicado no rosto, pegando a fita adesiva e colando atrás, para deixar no mural de fotos.

Assim que ajeitou uma por uma na parede, passou alguns instantes as olhando, pensando se não seria cedo demais para coloca-las ali. Caminhou na direção do armário e começou a se despir, pegando seus pijamas para vesti-los depois. Assim que estava pronta para dormir, deitou-se sobre o travesseiro e começou a encarar as fotografias na parede, mesmo as que não eram de Nathan.

Decidiu que precisava dormir, já que estava tarde e teria aula de manhã, então virou-se para o outro lado e fechou os olhos, esperando a onda de sono bater contra ela.

Mas algo a assustou.

Ela ouviu a porta abrir e abriu um dos olhos para tentar enxergar o que estava ocorrendo, mas nada viu, já que estava no escuro. Assim, a luz se acendeu, revelando um Nathan de camisa e calças folgadas, olhando para ela com pânico no olhar.

— Nathan? — Ela sentou-se na cama. — O que faz aqui?

— Meu pai… ele me ligou, Max — o jeito que ele disse seu nome soou como se ela fosse sua heroína.

— O que ele queria?

— Eu… eu não posso. Não quero — ele se aproximou da cama, sentando-se na ponta.

— Venha cá — disse ela ao envolve-lo num abraço.

Ela pressionou a cabeça dele contra seu peito, acariciando os cabelos lentamente enquanto bocejava.

— Você quer dormir aqui? — Sussurrou ela enquanto os braços dele envolviam seu corpo.

A garota sentiu a cabeça dele balançar, como se estivesse assentindo, então sorriu e se separou dele, que se deitou de costas para a parede agarrando o corpo dela mais uma vez. A garota se encaixou sobre o peito dele, depositando um beijo em seu pescoço antes de fechar os olhos.

— Ele vai me machucar — ele sussurrou mais para si mesmo.

— Tudo vai ficar bem — ela passou a mão sobre o coração dele, sentindo as batidas agitadas se acalmarem e sorriu. — Boa noite.