Lifetime

9 We both break free if we make it on top


Notas iniciais
(What You Need — Les Friction) 4.000 palavras, senhor

“Me encontre em frente aos dormitórios em dez minutos”

“Não se atrase, odeio atrasos”

Max bloqueou a tela de seu celular com um sorriso no rosto. Jogou-o na cama e abriu seu armário, encontrando as mesmas roupas de sempre. Mas ela sabia que no fundo do armário havia um vestido velho, o qual ela havia usado uma única vez, na formatura de sua prima Eve, há dois anos atrás. O modelo era simples, sem estampas ou qualquer detalhe luxuoso. Apenas a parte justa de cima e a parte rodada debaixo. Ela ficou analisando o vestido antes de colocá-lo estendido sobre a cama.

— É este? — Perguntou Dana, desgrudando os olhos da tela de seu celular. — Muito bonito.

— Acho que não serve — Max torceu a boca.

— Prove-o — a garota entregou o vestido para a outra e sorriu.

A jovem havia convidado a líder de torcida para ajudá-la pois ela sabia muito mais do mundo da moda do que ela. E também porque a companhia de Dana era boa. A garota concordou de primeira, ficando completamente entusiasmada com o pedido, já preparando sua maquiagem e roupas para oferecer à Max.

A pequena tirou sua blusa e seu jeans, colocando o vestido por cima de sua pele clara. Olhou para o espelho do lado da porta, virando-se de lado duas vezes antes de voltar seu corpo para Dana. A outra permanecia vidrada no vestido, acompanhada de um sorriso amigável.

— Ficou lindo, Max — comentou. — Serviu direitinho!

— Ainda bem.

— E o que você vai calçar? — Dana olhou para seu estojo de maquiagem. — Não me diga que vai usar seus tênis.

— Era o que eu planejava — Max mordeu seu lábio inferior.

— Não, de jeito nenhum — Dana disse ao se levantar da cama. — Eu vou buscar algo para você.

Dana deixou o quarto correndo, fazendo com que Max sorrisse para si mesma. Olhou para baixo, analisando seu vestido. Ela sentia-se bonita, e de verdade, pela primeira vez na vida. Levou seus olhos até o espelho novamente, vendo a maquiagem que Dana havia feito, e, por mais que não fosse nada pesado, havia deixado ela com um jeito mais arrumado. Dana era uma ótima amiga, por mais que não fosse tão chegada. Ela sempre estava disposta a ajudar e Max sentia-se grata por aquilo. Ela havia pedido ajuda à Chloe também, mas a garota tinha que ajudar sua mãe no Two Whales aquela tarde, então não pôde ajuda-la.

A outra garota voltou ao quarto com várias caixas de sapato, colocando-as lado a lado no carpete azul, abrindo uma por uma. Assim que encontrou a caixa que queria, colocou-a na frente de Max, tirando as duas sandálias de salto dos papéis que preenchiam o papelão. Max olhou para os pequenos saltos com certo pânico. Ela não sabia andar bem naquelas sandálias. A última vez que usara salto foi quando seus pais a obrigaram a ir ao casamento de seu tio. E foi uma catástrofe tão grande que ela teve de tirá-las durante a festa. E Max optava pelo conforto de seus All-Stars.

— Não acho que isso possa dar certo, Dana…

— Por que não?

— Eu não consigo andar de saltos — disse a outra garota.

— É só colocar um pé na frente do outro, andar de pernas quase juntas. Não é difícil.

Max assentiu e agachou-se para calçar as sandálias, que se encaixaram perfeitamente bem em seus pés. Eram bonitas, com algumas faixas que cruzavam as costas dos pés e pequenos detalhes brilhantes. O salto era bem fino, e este seria o desafio de Max. Mas ela levou na esportiva, logo terminando de ajustar o fecho. Ajeitou sua postura e colocou um pé na frente do outro, tentando andar sem tombar para os lados.

— Mantenha a postura — Dana disse, levantando o queixo. — E não olhe para seus pés enquanto anda, só vai te distrair.

— Não garanto que essas sandálias voltarão inteiras até o final da noite — Max olhou para baixo novamente, sendo repreendida pelo olhar rígido de Dana.

— Sem problemas — sorriu a outra. — Você está linda. Agora vá, antes que se atrase.

A garota sorriu para a mais alta e abraçou-a com rapidez, logo soltando a jovem e abrindo a porta de seu quarto.

— Obrigada.

— Quando quiser, Max — Dana disse ao agachar-se para pegar as caixas de sapatos.

Max caminhou até a escrivaninha, pegando sua pequena bolsa de mão, também emprestada de Dana. O presente que ela havia comprado para Nathan estava ali, então ela não podia esquecer de maneira alguma. Sorriu mais uma vez para Dana e saiu do quarto, deixando a porta aberta. Enquanto andava no carpete, tudo estava tranquilo, até chegar à escada, onde sentiu que qualquer erro de troca dos pés faria com que qualquer tombo levado fosse mortal.

Por sorte, seu trajeto não teve nenhuma queda. Assim que desceu os três degraus que davam para a fachada, encontrou um Nathan nervoso, coçando as costas das próprias mãos, encostado ao muro. Ele olhava fixamente para o chão, sem notar Max ali.

E ele estava lindo. Bem arrumado, e Max podia sentir seu perfume de onde estava. Ele vestia uma camisa social cinza e calças escuras também, junto de seus sapatos marrons. Seu topete continuava impecável, e ele não fumava, para não cortar o cheiro de seu perfume caro. Assim que Max deu um passo à frente, ele virou a cabeça em sua direção, deixando escapar uma expressão de surpresa, assim como ela. Ela se aproximou dele, parando ao seu lado, encarando seu rosto fino com pequenas marcas de arranhões sobre as bochechas.

— Acho que nunca te vi tão arrumada — comentou ele.

— Nem eu — a garota olhou para baixo novamente.

— Está… bonita.

Ela não fez mais nada além de sorrir para o garoto, que logo, desencostou da parede e fez um sinal para que ela o acompanhasse. Os dois foram caminhando juntos até o estacionamento, onde Max teve alguns problemas em manter seu equilíbrio, pois seus olhos estavam fixos no chão. Logo, chegaram à caminhonete vermelha de Nathan, onde Max sentou-se no banco do passageiro enquanto o garoto sentava-se no banco do motorista, ligando o carro.

A viagem fora silenciosa, exceto pelo rádio tocando músicas apenas na base do piano ou violão, o que Max achou muito agradável. A casa era longe de Blackwell, então o trajeto durou quase meia-hora, e meia-hora gasta em um silêncio de dois jovens envergonhados. A garota não havia lhe desejado “feliz aniversário” porque guardava isto para mais tarde, na hora em que fosse entregar o presente. Mas ainda assim, Nathan não parecia muito animado em estar completando mais um ano de vida. Na verdade, ele parecia bem desapontado na visão de Max.

Quando chegaram, a garota soltou um suspiro de surpresa. A casa era completamente diferente de tudo que ela havia imaginado. Pelo menos três andares completavam a casa, e era maior do que tudo que ela já havia visto em toda sua vida. As paredes eram de tijolos e as janelas de madeira branca. Haviam quatro grandes pilares logo na entrada, e Nathan estacionou de frente para a pequena fonte de porcelana dentro de um jardim projetado. Desceu do carro, mas deixando seu cavalheirismo de lado. A garota abriu a porta por conta própria, saltando da caminhonete, tentando equilibrar-se sobre os saltos. Ele olhou para trás, esperando que a morena o acompanhasse até a entrada.

Olhando para a casa — o que a distraiu de olhar para os próprios pés, uma vantagem — sentiu que era uma pequena formiga no meio de um jardim imenso. As luzes estavam acesas, por mais que ainda não estivesse totalmente anoitecido. Nathan agia de maneira indiferente, mas porquê ali era sua casa. Quando chegaram aos degraus da entrada, uma mulher de vestido cinza e com uma prancheta em mãos abriu a porta grande, sem olhar para os dois.

— Bom te ver novamente, Martha — Nathan revirou os olhos e adentrou a casa, fazendo um sinal para a garota. — “Sinta-se em casa”.

— Agora não, Nathan — disse a mulher, logo atendendo seu celular e caminhando para a direita, desaparecendo nos corredores da casa gigante.

Max ficou ainda mais impressionada com o interior, vendo a escadaria giratória no centro da sala. O local era bem iluminado e preenchido por vários quadros artísticos e estátuas caras. A garota fixou seus olhos em um retrato da família, onde estavam presentes Sean Prescott, a mãe de Nathan, um Nathan de mais ou menos quinze anos e mais três irmãos. Todos sorriam naquela foto, exceto por Nathan e seu pai. Um garoto mais velho, suposto irmão de Nathan, estava com o braço sobre os ombros de sua mãe, com um sorriso contagioso em seu rosto, e os fortes olhos verdes iluminando a foto. Do lado dele, uma garota que parecia ser um pouco mais nova, de cabelos arruivados e olhos castanhos, sendo bem alta. Em sua frente, um garoto pequeno com um sorriso mais tranquilo no rosto, e um topete bem feito. Nathan estava parecendo um jovem infeliz ali, e não parecia ter mudado muito. Seus olhos continuavam os mesmos, e sua expressão era a mesma também. Exceto pelo cabelo, que antes, era penteado de lado, sendo mais uma onda na franja do que um topete.

E Sean Prescott, o famoso pai de Nathan. Max não havia visto uma foto sequer do homem, mas os boatos já eram suficientes para formar uma imagem mental dele. E o que ela havia formado não era nada comparado à foto do homem. Ele vestia um terno fino e mantinha a postura perfeita. Seus cabelos eram quase grisalhos, exceto por algumas partes que continuavam castanhas. Seu rosto era frio. Sem expressão alguma, o que transmitia uma imagem de sem sentimentostambém. E ele olhava para a câmera como se tivesse mais coisas para fazer além de estar ali. Impaciente.

Nathan notou que Max ainda observava a imagem e aproximou-se dela, parando logo ao seu lado, olhando para a moldura também.

— Não sabia que você tinha irmãos — disse a garota, olhando para ele de relance.

— Não menciono muito para os outros — disse ele. — Todos estudaram em Blackwell também, exceto por Ian — apontou para o garoto do sorriso amigável e cabelos louros.

— Por que?

— Porque ele fugiu de casa quase dois meses depois que esta foto foi tirada — disse Nathan, com tristeza na voz. — Os outros dois são Noah e Kristine.

Max faria mais perguntas sobre sua família, mas a mãe de Nathan apareceu na sala, com um vestido preto de mangas compridas, mas que batia nos joelhos da mulher. Ela tinha seu cabelo louro-grisalho preso em um coque e seu pescoço fino repleto de joias caras. A mulher não estava sorrindo, parecia totalmente séria e rígida, e olhou de cima para baixo para Max, o que deixou a garota constrangida.

— Nathan — disse ao olhar para o filho, posicionando suas mãos sobre o próprio colo.

— Mãe — disse ele, desviando o olhar da foto para a mulher.

— Seu pai está te esperando no salão — disse ela, como se ignorasse a presença de Max ali.

O garoto olhou para a menor, indicando com a cabeça a direção em que teriam de ir. Max assentiu com um sorriso leve no rosto e caminhou ao lado dele, até a próxima porta, onde se localizava um salão de jantar imenso, com uma mesa central, revestida em madeira fina. Max não queria parecer muito curiosa, mas não conseguia manter-se quieta ao ver todos aqueles quadros e esculturas incríveis. Seus olhos analisavam o local todo até pararam em Sean Prescott, o homem que estava de pé, logo atrás da mesa, vestido de um terno cinzento que combinava com a cor de seus olhos. Ele aproximou-se de sua mulher, parando em frente aos dois.

Max notou que seu olhar não havia mudado nada desde aquela foto. Ele continuava a exalar frieza. Seus cabelos estavam totalmente grisalhos agora, e ele usava um par de óculos. Seu cavanhaque estava perfeitamente bem feito e seus lábios eram secos como uma flor velha. Estendeu uma mão para a garota, que logo cumprimentou-o.

— Senhorita.

Ela sorriu para ele, mas não obteve nada em resposta. Logo, ele olhou para Nathan, que antes, mostrava toda a indiferença do mundo, e agora parecia totalmente dominado pelo nervosismo. Quando os olhos cinzentos do pai encararam os do filho, ele desviou seu olhar, com medo. O homem soltou uma risada quase de deboche do filho e convidou os dois à se sentaram. Max pegou o lugar logo ao lado de Nathan, de frente para a mãe do garoto, que lhe lançava um olhar superior.

— Acho engraçado que meu filho nunca nos disse nada sobre a senhorita — Sean disse ao colocar seu guardanapo sobre o colo, e Max fez o mesmo. É claro que Nathan nunca havia lhes contado sobre o relacionamento dos dois. Até porque não era um relacionamento verdadeiro. — Mas é a primeira garota que Nathan traz para casa.

Max jurava que suas bochechas estavam mais vermelhas do que nunca, e torcia para que ninguém ali notasse sua vergonha ao ouvir aquilo. A primeira garota?! Talvez Nathan apenas não gostasse de apresentar suas namoradas para seu pai. Ela não podia ser sua primeira namorada na vida.

— Espero que goste de camarões, senhorita — pronunciou-se a mãe de Nathan, fazendo um sinal para a mesma mulher que havia atendido a porta. Martha.

Logo, a mulher soltou alguns gritos pela cozinha, fazendo com que dois homens de meia-idade trouxessem bandejas com taças de molho e camarões mergulhados nelas. Foi a primeira vez na noite em que Max viu a mulher sorrir.

— Perdoe-me minha secretária, Martha — disse Sean, devido aos gritos.

Ela já havia comido camarões anteriormente, e gostava bastante deles, mas eram caros demais para refeições em sua família, então não comia há tempos. Nathan pegou a cauda de um deles e colocou a carne do camarão gordo entre seus dentes, mastigando e olhando para seu próprio prato. Um dos homens que estavam servindo a família trouxe uma jarra e começou a servir um por um com vinho. Max bebeu um gole de sua taça e sentiu o gosto ácido queimar sua língua, mas ainda assim, sendo bom demais. Ela provou um dos camarões também, sentindo o gosto extraordinário e quase fazendo caretas de prazer na mesa.

— Como anda a escola, Nathan? — Perguntou Sean, mantendo a postura enquanto bebericava o vinho.

O garoto acabou de beber outro gole de sua taça e permaneceu com seus olhos fixos nos camarões enquanto seu pai aguardava respostas.

— Anda bem, como sempre — disse ele ao torcer a boca.

— Olhe para mim — disse o homem em um tom mais alto. — Repita.

Nathan levantou o olhar para seu pai e Max pôde notar que seu medo fora substituído pela raiava agora. Suas sobrancelhas estavam formando uma ruguinha bem no centro da testa, fazendo seu olhar parecer o mais mortal possível.

Anda bem. Como sempre. — Repetiu o garoto, rangendo os dentes.

O homem assentiu com a cabeça e voltou a saborear seus camarões. Max olhou para a mãe de Nathan, que olhava para baixo, ainda sem expressão alguma devido à situação que havia acabado de ocorrer. Max não conseguia imaginar aquilo sendo normal em uma família. Sean Prescott não só parecia horrível, tanto quanto era de verdade. Seu jeito de superior só tornava tudo pior.

O restante do jantar fora tranquilo, sem mais discussões de pai e filho. Sean havia perguntado algumas coisas sobre a família de Max, ou sobre seus estudos, mas nada que a fizesse sentir-se constrangida como ela havia imaginado que ocorreria. Quando acabaram de saborear a sobremesa, que eram pequenos pedaços de bolo de limão cobertos com chocolate belga, Sean recebeu uma ligação em seu celular e levantou-se para atender, sobre o olhar de sua mulher. Quando voltou da sacada, olhou para a esposa e em seguida, para Max.

— Perdoem-me minha retirada — disse com seriedade. — Tenho alguns assuntos para resolver.

Sua esposa assentiu e Nathan também. Max olhou para baixo em resposta. O homem saiu do salão e logo, o barulho da porta da frente sendo fechada ecoou pela sala vazia. A mulher pediu licença e levantou-se da mesa também, mas antes de ir para a cozinha, parou e virou-se de volta para os dois que continuavam sentados.

— Comprei lençóis novos para sua cama, Nate — disse a mulher em um tom mais amigável e Max se perguntou se ela apenas mantinha postura na frente do marido. — Mas se a senhorita preferir dormir em outra cama, temos os quartos de visitas também, e você pode mostra-los para ela — terminou de falar olhando para Nathan.

O garoto assentiu, agora olhando para ela e logo a mulher saiu do salão. Max não tinha ideia de onde ela havia ido, e por que, mas não questionou. Notou que o olhar do louro estava sobre ela e virou-se para ele.

— Seus irmãos não vieram? — Perguntou ela, para quebrar o silêncio.

— Kristine está no Brasil e Noah mudou-se para Nova York. E Ian está em algum lugar, pouco se fodendopara sua família.

Max resolveu que não deveria dizer mais nada e posicionou seus olhos no prato de porcelana à sua frente.

— Quero te mostrar algo — disse o garoto, arrastando a cadeira para sair da mesa.

Ela levantou o olhar e observou o louro parado à sua frente, esperando para que ela saísse também, e ela o fez. Os dois caminharam para fora do salão, tendo seus passos ecoados por toda a casa que parecia tão vazia. Nathan guiou-a à escada e subiram juntos, dando em um corredor imenso, estendido para todos os lados. O garoto seguiu reto, até parar em uma porta logo no começo, abrindo-a com cuidado e olhando para a pequena, fazendo um sinal para que ela o acompanhasse.

Max adentrou a sala e ali encontrou um piano preto centralizado. Um lustre luxuoso pendia sobre ele, deixando o material negro iluminado. Ao lado, havia um sofá e algumas estantes atrás, com alguns discos de vinil na parede. Alguns violões e uma bateria velha em outro canto. Nathan caminhou até o piano, onde sentou-se ao banco e ergueu a tampa. Max aproximou-se dele, ficando parada de pé, atrás do jovem que parecia hipnotizado pelas teclas.

Seus dedos começaram a dançar pelo material branco até que ele começou a tocá-las de verdade, em uma melodia triste, porém profunda. Max ficou encantada com os rodopios que seus dedos faziam pelas pequenas teclas e sorriu. Sorriu e deixou-se levar pela melodia, pelo ritmo. Havia várias coisas que ela não sabia sobre Nathan, e uma delas era que ele tocava piano.

— Eu escrevi esta música quando fui participar de um concurso — disse o garoto. — Parece que todos gostam de notas sentimentais.

— Legal você tocar piano.

— É, talvez — disse ele ao virar-se para ela. — Você toca?

— Não. Nunca tive oportunidade de fazer aulas.

— Tive aulas a infância toda — disse o garoto com um sorriso. — Um inferno.

Ela sorriu para ele e olhou profundamente nos olhos do garoto, tentando explorar seus segredos apenas com seu olhar.

— Para onde sua mãe foi?

— Ela gosta de beber às noites. Fica mais chapada do que eu em festas — disse ele com tanta tranquilidade, como se já estivesse acostumado.

Na verdade, Nathan tinha motivos para tomar remédios e sofrer do jeito que ele sofria. Sua vida toda fora tomada pelas obrigações de seu pai. Max reconhecia isto agora. Sua mãe era alcóolatra, seu pai era rígido demais, seus irmãos não estavam presentes para ele e sua vida era mísera. Sem ninguém, exceto por Victoria e por Max, a partir de agora. E ela sentia-se na obrigação de ajuda-lo com o que precisasse, já que havia conhecido o inferno que ele chamava de família.

— Estava me esquecendo — ela pegou sua bolsa e abriu-a, pegando a pequena embalagem de plástico e colocando-a sobre as teclas do piano sobre o olhar curioso de Nathan. — Feliz aniversário.

A garota sorriu enquanto observava o choque de surpresa do jovem. Ele pareceu tão feliz e tão confuso naquele instante que aqueceu o coração de Max. A morena já não aguentava mais esperar para entregar o presente, e pareceu o momento certo logo depois do jantar desastroso com sua família ignorante, que não fizeram questão de, sequer, lembrar o aniversário do próprio filho.

Ele abriu o pacote com ansiedade, encontrando ali uma pulseira revestida em couro com o pingente de uma cauda de baleia. Ele segurou o presente com as mãos trêmulas e sorriu. Não sorriu para ela, ou para o presente, mas para si mesmo, como se sentisse feliz de verdade. A garota não pôde evitar um sorriso formando em seus lábios também.

— Você gostou? — Perguntou a garota enquanto via o jovem colocar a pulseira de volta ao pacote.

— Por que está fazendo isso, Max?

— Achei que merecesse algo — disse ela. — Todos merecem ter o aniversário lembrado.

— Só você e Vic se lembraram — murmurou ele, mas ela escutou. — Obrigado.

Ela sorriu mais uma vez e olhou para a porta.

— Eu não havia pensado que teria de dormir aqui… Não trouxe pijamas — disse ela, preocupada.

— Pode dormir sem roupas também — Nathan sorriu malicioso e ela revirou os olhos, junto de um sorriso. — Tenho algumas camisetas velhas que você pode usar no meu quarto.

Ela assentiu e o viu colocar o presente no bolso detrás, levantando-se do banco do piano e caminhando para fora da sala. Assim que caíram no corredor novamente, seguiram reto em direção ao final, onde havia outra porta acompanhada de um vaso com flores silvestres logo ao lado. Nathan girou a maçaneta e empurrou a porta, dando entrada ao seu quarto. Max pensou em quantas garotas já haviam sentido vontade de estarem em seu lugar.

Seu quarto não era muito diferente de seu dormitório. Exceto pelo fato de ser muito maior. A cama era imensa e ficava logo no canto, encostada à parede. Uma grande janela com sacada se estendia de frente para a porta, mostrando o céu negro iluminado com poucas estrelas. Cortinas abertas pendiam sobre o vidro e um sofá que parecia ser muito confortável ficava logo abaixo, junto de mais algumas poltronas. Duas estantes juntas permaneciam ao lado da janela, lotadas de livros, certificados, porta-retratos e troféus. Mais para frente, uma escrivaninha com algumas prateleiras por cima, com algumas lentes das câmeras modernas de Nathan e alguns pôsteres de bandas que Max nunca havia ouvido falar preenchiam o quarto.

— Estava bagunçado da última vez que vim — disse ele em um tom quase que triste.

— Seu quarto dá uns três do meu — disse Max olhando para a janela e o garoto apenas riu em resposta.

— Não é para tanto.

— Exagerei um pouco, mas ainda assim…

Ele sentou-se na beira da cama, olhando para o piso de mármore escuro. Max aproximou-se dele, sentando-se logo ao seu lado. Ela retirou as fitas que prendiam a sandália em seu tornozelo e coloco-as de lado, ficando descalça sobre o piso gelado, mas não era pior que a dor e dificuldade que ela teve ao calçar aqueles sapatos.

— Desculpe — disse ela ao ver que Nathan encarava seus pés. — Não aguento ficar de salto.

Ele sorriu e descalçou seus sapatos também, ficando apenas de meias e olhou para ela, com suas mãos cruzadas sobre o colo e as costas inclinadas para frente.

— Sem problemas — colocou os sapatos ao lado dos dela e olhou para seu rosto fino mais uma vez, analisando cada uma das sardas incontáveis sobre o nariz da garota.

Logo, suas mãos tocaram as bochechas dela, acariciando a pele macia e clara da jovem, assim passando elas para o pescoço e logo, descendo para a cintura. Ela não fez nada para impedir, já que continuava com aquela cena da noite anterior em sua cabeça, e cada vez que repassava aquilo, queria mais. Os lábios dele logo encontraram seu pescoço e começaram a mover-se por todo o perímetro, depositando beijos suaves e o calor de sua respiração.

— Nathan… eu preciso de roupas para dormir — disse a garota ao perceber que aquilo já estava indo longe demais.

Ele afastou seu rosto do pescoço dela, mordendo seu lábio inferior e assentindo com a cabeça, de olhos ainda fechados. Nathan retirou as mãos de sua cintura e caminhou até o guarda-roupa e puxou uma gaveta, retirando uma camiseta larga cinza, com a estampa de Oregon. Ele colocou a camisa sobre a cama e a garota sorriu para ele, pegando-a em suas mãos e levantando-se da cama.

— Aonde vai? — Perguntou o garoto.

— Me trocar em algum banheiro.

— Troque-se aqui mesmo — disse ele. — Não vou olhar.

Ela sorriu ao vê-lo virando-se de costas para a jovem.

— Se eu te pegar espiando, você sofrerá graves consequências.

— Juro que não espiarei — disse ele com um sorriso malicioso. — Só um pouco.

Nathan!

— Ok, ok, não espiarei — disse ele por fim, virando-se totalmente de costas.

A garota retirou o vestido por cima colocou a camisa rapidamente, para que não sobrasse tempo para o garoto espiar, já que ela tinha tanta certeza de que ele o faria.

— Tenho de arrumar um quarto de visitas para você, Caulfield? — Perguntou o garoto, alterando o tom de sua voz para sério.

— Sem necessidades.

— Você é tarada.

— Só estou te privando de mais trabalho! — Respondeu ela, fazendo-o rir. — Mas tenho uma regra: sem me agarrar durante a noite.

Ele revirou os olhos como se aquilo fosse totalmente improvável e a garota sorriu, sentando-se de volta na cama, virada para ele. O garoto encarou-a mais uma vez e suas mãos voltaram a acariciar seu pescoço ainda quente pelos beijos dele. Novamente, seus lábios úmidos entraram em contato com a pele macia da garota, fazendo os arrepios subirem-lhe à espinha. As mãos dele agarravam sua cintura com força, e empurraram o corpo dela contra a parede, ainda beijando o pescoço fino dela.

Nathan começou a morder a pele dela, o que lhe causou certo pânico de ter marcas deixadas por lá. Ela não saberia explicar para Chloe de onde vieram aqueles roxos. Os beijos dele subiram pelo pescoço e chegaram às bochechas, logo se aproximando dos lábios rosados dela. Ele parou logo em frente ao rosto da garota, ainda com os olhos fechados, sentindo a respiração quente contra seu rosto e sorriu enquanto ela mordia seu próprio lábio inferior. Quando avançou o rosto, ela abaixou o dela.

— Qual o problema, Max? — Perguntou ele, com calma, quase que num sussurro.

— Eu… não sei.

— Por que não me beija?

Ela não sabia o motivo. Não mais. Antes era porque não o conhecia e não queria desperdiçar um momento de sua vida com ele, mas agora já não era mais por isso. Fora que seus lábios já foram selados anteriormente, por mais que numa fração de segundo, e ela não tinha motivos para estar arisca novamente.

Nathan abriu seus olhos e assentiu, afastando-se dela, levantando até seu armário e pegando calças de moletom e despindo-se de frente para ela, sem se importar. Sua expressão parecia um tanto de incômodo, irritação, e era por causa dela. E ela sabia disso. Max enfiou-se debaixo das cobertas, colocando sua cabeça sobre o travesseiro macio e virando seu corpo para a parede. Quando Nathan acabou de se vestir, deitou-se na cama, na direção contrária da garota, colocando sua cabeça sobre o travesseiro também.

Max virou-se para as costas nuas do garoto, observando cada músculo visível através de sua magreza e da palidez refletida na luz da lua. Ele mexeu-se um pouco até acomodar-se na cama e ela observava cada movimento com atenção.

— Nathan — chamou-o e ele virou-se para ela.

Sem perder tempo, Max puxou o rosto do garoto para perto do seu e selou seus lábios juntos, dando espaço para um prolongado beijo. E as mãos dele logo alcançaram a cintura da jovem por debaixo da blusa larga, apertando-a com força, fazendo-a perder o fôlego durante os movimentos do beijo.

Seria uma noite longa.