Lifetime

2 This is the road to ruin


Notas iniciais
(Alone Together — Fall Out Boy)

O dia seguinte foi um sacrifício para Max. Suas aulas passaram tão rápido e isso era tudo que ela menos queria. E nada fazia com que ela se concentrasse no que seus professores ensinavam. Ignorou seus amigos várias vezes que tentaram qualquer contato com ela, mas foi involuntário. Max não era tão má assim. Sua última aula era de Ciências, como a do dia anterior, e a Ms. Grant contava sobre uma experiência que seria realizada outro dia. Nathan não compareceu a aula, como previsto anteriormente, mas quando o sinal soou nos corredores da escola, ele estava logo ali, encostado à porta com seu celular em mãos, sendo visto por todos, inclusive pela professora, que encarou-o com o pior de seus olhares, mas novamente, respirou fundo e foi embora.

— O que ele está fazendo aqui? — Warren cochichou no ouvido da garota.

Max sabia, mas não respondeu nada, ainda em choque de ele estar ali, de verdade. No fim, ele havia levado o plano à sério. A garota caminhou apressada com sua bolsa batendo na cintura, tremendo um tanto de nervosismo. A expressão no rosto do rapaz era de “tanto faz”. Não como alguém que estava feliz de sair com ela. Mas era um plano, e Max sabia que não devia se deixar levar por ele. Quando se aproximou mais, o garoto olhou-a com surpresa nos olhos e guardou seu celular.

A garota sentiu-se mal por estar tão desajeitada enquanto ele parecia mais arrumado que o normal. Ela havia dormido pouco noite passada, por causa do susto que o Prescott havia lhe dado. Depois disso, abriu um de seus livros e começou a ler, perdendo noção do tempo. Tudo culpa dele, pois, a leitura fora para esquecer do ocorrido. E ela achou que Nathan esqueceria daquilo, mudando de ideia ou de pessoa. Mas não foi assim.

Sentiu sua respiração falhar quando a mão do garoto passou por debaixo de seu braço, tocando suas costas, puxando-a para mais perto e cumprimentando-a com um beijo na bochecha. Quando se separou dela, começou a caminhar pelo corredor ao seu lado, com os braços encostando. Max tentou esconder o vermelho em sua face enquanto Nathan forçava um sorriso.

Naquele instante, praticamente o corredor todo parou de fazer o que estava fazendo e começou a encarar os dois alunos juntos. Victoria estava ao lado de Courtney, encostada ao seu armário, e notou a cena, lançando um olhar confuso para o que ocorria. Max encolheu-se durante a caminhada, sentindo vergonha por estar sendo o alvo de vários olhares por toda a escola. Até Warren a encarava, mas com certa tristeza indescritível nos olhos. Logo, o garoto se virou e caminhou em direção contrária.

— Sorria também, Caulfield — o garoto empurrou seu corpo de lado contra o dela, de modo amigável.

— Não tenho que fingir que estou feliz. Já estou fingindo que sou sua namorada, é mais que o suficiente — a garota olhou para seus pés enquanto caminhavam.

— Tem sim. Já te contei a história da última vez em que alguém tentou me atingir? — Disse entre os dentes sorridentes. — O cara acabou numa cama de hospital, sendo transferido para outra escola.

Max quebrou a expressão fria e colocou um sorriso em seu rosto, fingindo a felicidade de estar com o Prescott. Seus olhos não se moviam de seus pés, mas pelo menos os cantos de sua boca continuavam movidos naquele gesto tãodesnecessário. Por mais que ela não quisesse estar fazendo aquilo, uma parte dela acreditava que ela estaria ajudando alguém. Seria sua boa ação do ano. Nathan não era a melhor pessoa para formar uma dupla, ou para ser ajudada, mas ainda assim, ela tinha de tentar. Sabia de um pouco de sua doença mental, imaginava também que ele tratava dela com um especialista, então nunca acreditou ter muito problema.

Quando chegaram à saída da escola, deram de cara com os mesmos degraus onde o cenário de fúria nos olhos do rapaz ocorrera no dia anterior. O ar em Blackwell era o mais puro possível. A escola não chegava a se localizar no litoral, mas no centro, onde a brisa suave também atravessava. Max gostava dos dias em que a brisa se tornava um tanto mais forte, pois não dispensava seu casaco cinza. Os dias frios também eram bons para usar cobertas e assistir filmes e séries com seu amigo, Warren. O garoto tinha um ótimo gosto para coisas desse tipo.

Nathan sentou-se abaixo de uma árvore, fazendo um sinal para que a garota sentasse ao seu lado. Max, ainda um tanto desconfortável sentou-se ali, sobre as folhas secas de outono. Alguns alunos estavam espalhados pelos gramados, agora secos, conversando ou até mesmo estudando. Max pôde alcançar Daniel e Brooke conversando ao lado de um banco enquanto Daniel traçava linhas em seu caderno de desenhos. Victoria havia acabado de sair da escola também, mas foi para perto de Taylor, que estava sentada sobre um dos baixos muros que cercavam o local. Max estranhou Warren não ter saído, mas procuraria por ele depois.

— Você sempre parece estar fora de si — Nathan disse enquanto retirava a caixa de cigarros do bolso.

— Não me diga que vai fumar do meu lado — indagou Max, encarando os pequenos rolos de tabaco.

— Algum problema, virgem?

— Além de matar, o cheiro disso fica na roupa — Max falou, puxando a barra de sua blusa para mostrar ao garoto.

— Se fumar matasse, eu já tinha morrido com meus quinze anos — Nathan tragou e soltou a fumaça no ar.

— Como você não cheira à cigarro?

— Chama-se perfume. E banho — Nathan olhou-a com desdém. — Devia tentar qualquer hora.

— Vou fingir que não ouvi isso.

O garoto seguiu inalando e soltando a fumaça segundos depois. Max o observava com calma, tentando entender como um cigarro funcionava. Logo, a partir de uma manga um tanto escorregada para baixo, Max pôde ver que Nathan tinha o pulso fino, e suspeitou de sua massa corporal visível. O rapaz logo passou o braço pelos ombros dela, fazendo-a corar. Max e garotos não era a melhor combinação possível. Ela ficava tímida demais com qualquer um, mas garotos com quem ela teria de fingir um namoro era mais complicado.

— O que você está fazendo? — Perguntou a garota, com as bochechas queimando em timidez.

— Seguindo o plano, coisa que você deveria estar ajudando a fazer também.

— A gente não combinou isto, Nathan.

— Você acha que um namoro consiste em quê, Caulfield? — Nathan retirou o braço de seus ombros, bufando de raiva.

— Não sei. Nunca namorei!

— Nem eu, mas tenho uma vaga noção.

Max permaneceu quieta, analisando o cenário vagamente. Seus olhos se posicionaram nas árvores que cercavam o campus. As mais próximas eram bem altas e possuíam imensas folhagens. O outono era sua segunda época favorita no ano, depois do inverno. A brisa fria também entrava nesta estação, mais os lindos pores-do-sol que davam fotos incríveis para sua coleção.

Pelo canto do olho, a garota pôde notar Nathan Prescott encarando-a sem qualquer sutileza, quando se virou, ele tornou a face para o outro lado e continuou a fumar. A garota sentiu o cheiro da fumaça invadindo e queimando suas narinas e colocou em seu rosto uma expressão de incômodo totalmente visível para o rapaz ao seu lado.

— Acho que vou para meu dormitório — Max levantou-se.

— Eu acompanho — Nathan fez gesto de levantar-se também, mas a garota fez um sinal com a mão, impedindo-o.

— Consigo ir sozinha.

— Eu não perguntei, Maxine — levantou-se por completo e começou a caminhar junto da garota.

Ela só queria morrer. Cair ali mesmo e sair daquele acordo totalmente idiota. Nenhuma vingança seria pior do que ela teria de passar junto do adolescente. Até pensou em voltar atrás novamente, mas sentia que aquilo só tornaria tudo ainda pior.

Quando chegaram aos degraus de entrada dos dormitórios, Nathan adentrou pela grande porta de madeira junto da garota, o que a fez a raiva de seu peito crescer ainda mais. Caminharam em silêncio até a porta do quarto da garota. Ele sabia onde ela dormia antes, então as chances de ele matá-la durante seu sono seriam as mesmas de antes.

— Bom... — a garota destrancou a porta e ficou parada no aro.

— Até amanhã, Caulfield — disse o garoto, com um sorriso cínico.

— É, até.

Em instantes, tudo ocorreu de forma tão rápida que Max não conseguira acompanhar bem. Nathan olhou para o lado e no mesmo segundo, puxou a menina para perto, lhe abraçando com força. A garota ficou sem ação, e tocou as costas dele com suas mãos, correspondendo ao abraço, mas não com a mesma força do rapaz. Sentiu seus lábios úmidos em sua bochecha e logo, o local do carinhoso beijo começou a ferver. Nathan afastou-se um pouco dela e sorriu, mas não como se fosse um sorriso falso, mas um de felicidade temporária.

— Para que foi isso? — A garota disse, tentando esconder seu sorriso.

— A Vic estava olhando — disse ele abrindo mais seu sorriso. — Acho que ela está caindo.

— Ela e toda Blackwell... — Max murmurou para si mesma, mas o garoto ouviu.

— Sua pele é macia, Caulfield.

— Hm, obrigada. Prescott.

— Você também cora facilmente — ele sorriu malicioso. — Se ficou vermelha daquela maneira com um abraço, mal posso esperar para ver sua cor quando te beijar.

A garota engoliu em seco vendo o louro se afastar dela e sair caminhando com as mãos nos bolsos corredor adiante.