Lifetime

3 Darling you're just soaking in it


Notas iniciais
(Soap — Melanie Martinez)

Completou uma semana que Max estava “saindo” com Nathan e ela já queria desistir de tudo aquilo, jogar para o ar e ser feliz de verdade. A realidade de tudo aquilo era que estava sendo um inferno. Nathan era insuportavelmente ignorante e estava sempre a fazer piadas com seu hímen ou seu rosto. Max passou sua semana escutando insultos que ela nunca imaginou existir. Céus, ela teve até que faltar à uma aula de Ciências porque ele precisava mostrar para Victoria que eles estavam saindo! Naquele final de semana, Nathan disse que lhe daria certa paz do plano, então, quando a garota resolveu festejar, o rapaz lhe enviou uma mensagem dizendo que haveria uma festa do Vortex Club e eles teriam de comparecer.

O fato era que a garota nunca esteve presente em uma festa daquele porte. A última vez em que fora convidada para algo, foi no aniversário de uma garota que conheceu em Seattle. Seu nome era Suzan e ela tinha quinze anos, assim como Max. Elas se conheceram na escola e trocaram algumas palavras durante as aulas de Inglês. Max ajudou-a com seus exercícios e a garota avistou-a sobre a festa que daria em sua casa e seria uma festa em piscina. A morena compareceu, mas não teve muita diversão por lá, justamente por ser tímida e não conhecer quase ninguém. Ainda assim, aquela festa nunca se compararia a qualquer uma do Vortex Club.

O relógio marcava 21:45 e a festa seria às 22. Max tinha exatamente quinze minutos para se trocar, passar maquiagem e tentar fazer uma cara melhor que sua verdadeira cara de idiota. A jovem vasculhou seu armário à procura de qualquer coisa que a diferenciasse de sua rotina. Encontrou uma camiseta cinza com a estampa de uma coruja colorida. Vestiu seus velhos shorts jeans e colocou a bolsa transversal passando por seu peito. Max olhou-se no espelho, virando de um lado para o outro. Ela não se sentia desconfortável com seu tipo corporal, por mais que às vezes desejasse ter um pouco mais de massa. Procurou por sua maquiagem na escrivaninha e pegou sua sombra preta e passou um pouco sobre as pálpebras. Perfeito. A única coisa que a diferenciava de suas vestes diárias agora era os shorts.

Quando olhou o relógio novamente, percebeu que ainda tinha oito minutos até Nathan bater em sua porta para busca-la. Deitou-se em sua cama e pegou seu celular, vendo que havia mais de dez notificações de Warren:

“Mad-Max, consegui aquelas anotações da aula de Ciências que você não foi”

“Posso te entregar quando?”

“Max?”

“Ok, entendi, me ignorando de novo”

“Está com o Prescott?”

“(Se ele estiver aí, não fui eu quem mandou a mensagem anterior)”

“MAX”

“Tá, entendi. Não vou mais incomodar”

“Vou deixar as anotações com a Kate”

“Espero que você me responda qualquer hora”

Max sentiu-se mal por não ter visto as mensagens antes e respondeu-o:

“Oi, Warren. Desculpe não responder antes, não estava com o celular em mãos. Obrigada pelas anotações, vou pegar com a Kate amanhã.”

Recebeu uma resposta logo em seguida.

“OK, desculpe o drama grátis”

Max odiava decepcionar Warren de qualquer maneira. Ele havia sido seu primeiro amigo em Blackwell e um dos únicos até agora. E o garoto se preocupava com ela de maneira tão sincera que a fazia não querer se afastar dele por nada. Ainda que Max sempre teve imenso medo de afastar as pessoas ao seu redor, então sempre procurou mantê-las o máximo possível. Warren era uma espécie de melhor amigo, e ela não o deixaria ir tão fácil, por mais que ela cresse que seria difícil tanto para ele quanto para ela.

Seus pensamentos foram interrompidos quando as batidas suaves soaram na porta de madeira. A garota jogou seu celular dentro da bolsa e girou a maçaneta. Por um instante, desconfiou que era Nathan ali, pois ele não havia gritado qualquer tipo de insulto ou batido com toda sua força. O garoto estava parado em frente à porta com seus braços cruzados sobre a jaqueta azul. A cor da jaqueta combinava perfeitamente com a cor de seus olhos e com o cabelo totalmente arrumado. Às vezes, a garota duvidava do tempo em que o jovem levava para arrumar todos os fios de modo certo.

— Já podemos ir? — Perguntou ele, impaciente.

— Claro — a garota passou para o corredor, trancando a porta atrás de si e saiu caminhando junto do outro.

Nathan era bonito. Sua beleza não era a típica, como todo garoto de filmes sobre escolas perfeitas onde a mocinha sempre ficava com o mocinho, mas ainda assim, era bonito. Seus olhos tinham um tom de azul parecido com os mares da baía. O cabelo louro estava sempre arrumado da mesma maneira, com um fio rebelde pendurado no centro de sua testa. Não se sabia se era intencional ou se o fio era rebelde mesmo. Apesar do rostinho bonito, ainda era possível enxergar suas fortes olheiras abaixo dos olhos e a magreza de seu corpo que era disfarçada pelas camadas de roupas que ele vestia.

O garoto olhava discretamente para Max enquanto ela caminhava. A garota não gostava de usar aqueles shorts, e não sabia por que os guardava ainda. Fez daquela ocasião uma premiada para poder usá-los mais uma vez antes de finalmente descarta-los.

— Belas pernas, Caulfield — Nathan comentou com um sorrisinho estampado em seu rosto.

Max nada fez além de corar. A garota ficava vermelha com qualquer elogio, e aquilo não facilitava sua coloração na área das bochechas. Ainda mais quando vinha de alguém que fosse bonito em seus critérios. Ela se assustou de tê-lo encaixado na categoria de bonito.

O resto da caminhada foi silencioso. Nenhum dos dois ousou falar mais nada até chegarem à entrada da escola. A piscina ficava do outro lado do gramado, então era mais uma rápida caminhada. Max sempre se perguntou como o Vortex Club conseguia pagar pelas festas que faziam a cada semana, praticamente. O dinheiro, na verdade, vinha dos Prescott’s. Sean deixava Nathan gastar seu dinheiro com as festas porque não prestava atenção sobre para onde iria parar os gastos. Nathan sempre dava a desculpa de que seria a celebração do aniversário de alguém ou da saída de outro, mas às vezes nem era preciso dar certa satisfação ao pai, já que, na maioria das vezes, ele apenas fingia ouvir e jogava o envelope com dinheiro para o filho parar de irritá-lo.

A entrada da piscina estava bloqueada por dois garotos altos com blusas pretas combinando. Ambos mantinham expressões sérias em seus rostos, o que fez com que Max desse alguns passos para trás, recuando. Nathan sorriu de canto para os garotos e fez um sinal para a jovem atrás dele entrar também. Ainda encarando os dois, Max adentrou o local.

A música eletrônica foi a primeira coisa a incomodar Max. Em seguida, foi o cheiro de bebida junto do cheiro de urina pelo local. A festa estava bem cheia, e encheria cada vez mais com o passar do tempo. O horário de encerramento seria entre as três e quatro da manhã. O próximo dia seria um domingo, então ninguém se importou de verdade. De longe, Max viu Dana sentada em um banco, ao lado de Juliet e as duas pareciam beber e rir de assuntos variados. No outro canto, estava Justin com um baseado em mãos, fumando como se não houvesse ninguém ao seu redor. Max surpreendeu-se ao ver que Brooke e Alyssa estavam naquela festa, ambas sentadas na borda da piscina com sapatos dos lados e os pés na água. Fora essas pessoas, ela não viu mais ninguém que conhecesse.

Nathan parecia vidrado no local, como se ali fosse sua principal zona de segurança. Seus olhos furiosos pareciam relaxados naquele momento, e tudo parecia mais calmo. Ele parecia mais calmo. Max sentiu-se melhor por ter visto ele daquela forma, e aquela fora a única vez na semana inteira.

— Se precisar de mim, estarei na área VIP — Nathan disse se aproximando dela. — Coloquei seu nome na lista, você tem acesso.

Max deu de ombros. Não era importante para ela ter acesso à área VIP. Avistou Nathan se afastando e adentrando as cortinas mais para a frente, sem mesmo consultar a garota que cuidava da lista. Ele era fundador do clube, afinal.

A garota sentiu-se abandonada por um instante, sem saber como reagir à festa, então lembrou-se que duas de suas amigas estavam por ali. Juliet e Dana. Olhou para o mesmo canto onde elas estavam anteriormente e caminhou até lá, sorrindo para as duas quando chegou.

— Veja só se não é a Max — Dana sorriu de volta, erguendo seu copo, oferecendo a bebida. — Onde está seu copo?

— Hoje não — Max sorriu novamente e olhou para Juliet, que parecia furiosa.

— O que há com ela? — Sussurrou para Dana.

— Ela está invocada que Zach deu em cima de uma garota aleatória.

Max fez um “ah” com a boca e olhou para trás, avistando Zach junto de Logan, ambos parecendo extremamente bêbados.

— Ele deu em cima dela, Dana — Juliet fechou mais ainda sua expressão.

— Zach é um babaca! — Dana revirou seus olhos.

— Quer saber? Eu vou falar com ele — a garota levantou-se do banco e saiu pisando duro em direção às bordas da piscina.

Max sentou-se ao lado de Dana, observando Juliet empurrar Zach com força. Dana soltou uma risada discreta e olhou para Max, com malícia nos olhos.

— Então... — pronunciou-se, quebrando o “silêncio”. — Maxine está apaixonada?

— Max... — Corrigiu a menor.

— Não fuja do assunto!

— Por que estaria?

— Talvez porque você esteja pegando o Nathan — Dana riu ao notar que Juliet empurrou Zach mais uma vez.

— Eu não...

— Qual é, Max, todos viram vocês juntos durante a semana toda. Se não estão saindo, estão fazendo o que juntos?

— Nós somos amigos que saem. Como todos os amigos fazem — Max cruzou seus braços e torceu a boca.

— Juliet é minha melhor amiga e nem por isso saímos todos os dias da semana, Max — sorriu Dana. — E eu notei as marcas no pescoço de Nathan.

Marcas? Isso não fora trabalho de Max. A garota fez uma pausa de alguns segundos, tentando imaginar quem mais poderia ter deixado aquelas marcas.

— Hm... Bem...

— Se não quiser falar, tudo bem, Max — Dana encarou-a durante alguns instantes, deixando a música eletrônica penetrar seus tímpanos. — Mas uma hora ou outra não será mais segredo. Agora tenho que tirar Juliet dali, senão ela vai acabar afogada na piscina.

Max observou a garota levantar-se ao seu lado e sair correndo em direção à melhor amiga, que, bêbada, brigava com seu namorado. Logo, a outra garota resolveu sair dali também, caminhando em direção do bar. Ela longe de casa, em um local onde as festas eram predominantes, e ela queria experimentar coisas novas, por mais que tivesse medo. Brooke e Alyssa estavam do outro lado do balcão, tomando bebidas bonitas, então Max só alimentou mais ainda sua vontade.

Quando o atendente perguntou o que ela iria querer, apontou para o copo do Brooke, que era composto por um líquido laranja com uma fatia de limão na borda. O homem demorou quase dois minutos para fazer a bebida e entregou-a para Max. Ela já havia colocado álcool na boca antes, quando era menor e estava junto de Chloe. As duas acabaram com a garrafa de vinho e ficaram fora de si que acabaram por derrubar o resto no carpete da casa de Chloe, deixando uma mancha eterna ali. Fora isso, tomou apenas pequenos goles de champanhe em festas de seus pais e ocasiões específicas. Mas quando colocou o canudo no líquido laranja, sentiu um gosto péssimo e incrível ao mesmo tempo, como se fosse uma explosão de sabores que, por pior que fosse, a fazia querer mais.

Em meia hora, Max já havia tomado quatro daqueles. E como era sua primeira vez tomando álcool de verdade, não podia resultar em coisa boa. Sua visão estava engraçada, e ela ria de seus próprios passos. Caminhou em direção da ala VIP e deu seu nome para a garota ruiva que estava cuidando da lista. Logo, um garoto que vigiava as cortinas puxou-as para a jovem e ela adentrou.

A área VIP não era nada demais. Era só um local mais isolado na festa, onde havia mais sofás e acesso para a plataforma de metal onde se estabelecia o DJ. Max não conseguiu enxergar muito bem, mas viu Taylor dançando junto de Courtney e as duas pareciam se divertir ao extremo. Logo, uma pessoa tocou seu braço e ela se virou, vendo a cabeleira loura e os lábios pintados de vermelho.

— Max Caulfield, você está bem? — Era Victoria. A garota parecia ainda mais bonita naquela noite. Usava uma blusa de gola com seu famoso colar de pérolas. A blusa tinha uma estampa floral escura, o que deixava ela maissexy. Usava uma saia preta também junto de meias-calças cinzas e sapatos refinados. Ela estava falando com Max, mas a garota não prestou atenção em uma palavra sequer. — Você está me ouvindo?

— Hm?

— Eu perguntei o que você bebeu.

— Um líquido laranja com limão... Não sei descrever, mas era bom.

— Céus, você tomou o especial do Vortex. Não deve passar de dois copos, Max, aquilo é pura vodca — Victoria torceu a boca. Ela realmente estava se preocupando com Max? — Você precisa se sentar, Maxine.

— É Max — disse quase gritando.

— Aqui — Empurrou Hayden para o lado no sofá confortável e guiou Max cuidadosamente até ele, sentando-se na poltrona da frente.

— Esse sofá é muito bom. Deve ser um sofá de gente rica também — Max disse sorrindo.

— Você está totalmente fora de si. Já bebeu antes?

— Claro. Mas nunca bebi no Vortex Club.

— E nem conseguiria — a loura sorriu e inclinou-se sobre suas coxas. — Diga-me, Maxine, você e Nathan estão saindo, certo?

— É, acho que sim.

— Por que ele está com outra garota então?

— Huh?

— Ali — Victoria apontou para o canto, onde haviam duas sombras estendidas. Max não pôde enxergar claramente, então estreitou seus olhos. — Vá até lá e veja com seus próprios olhos.

Max fez o que Victoria disse. Levantou-se do sofá, quase cambaleando, e começou a caminhar entre as pessoas até chegar ao canto. Quando estava próxima, escutou alguns gemidos bem audíveis no meio da música, e aproximou-se ainda mais. Logo, pôde ver a silhueta de Nathan pressionando uma silhueta feminina contra a parede. O louro beijava o pescoço da jovem enquanto suas mãos estavam fixas dentro de sua blusa. Max não podia acreditar no que estava vendo.

— Você é um... otário, Nathan — disse entre piscadas fortes.

O garoto não pareceu escutá-la, então ela procurou algo ao seu redor e encontrou uma vassoura, a qual bateu nas costas de Nathan. O garoto levou um imenso susto e soltou a morena que estava fazendo parte de sua diversão. Max ficou ali, parada, encarando os dois com os olhos estreitos.

— O que há com você? — Nathan fixou os olhos em Max, dizendo as palavras com calma, sendo uma incrível surpresa.

— O que há com você? — Respondeu Max, quase caindo no chão.

Logo, a garota não conseguiu mais aguentar o peso de seu próprio corpo e colidiu de lado com o chão, batendo a cabeça. Não foi forte o suficiente para deixa-la inconsciente, mas formou-se uma dor horrorosa naquela região. Nathan aproximou-se dela e tocou seu corpo, confuso.

— Max? Você está bem?

— Eu não sei — respondeu ela entre pausas. — Minha cabeça dói.

Nathan pegou-a por detrás dos joelhos e posicionou sua outra mão abaixo de suas costas, carregando-a firmemente. A morena que estava arfando do amasso ficou encarando o louro durante instantes, até tornar sua expressão raivosa.

— Ei! — Disse ela cruzando os braços e se aproximando. — E quanto a mim?

— Ela está bêbada — Nathan disse, acomodando o corpo de Max junto ao seu.

— Eu também!

— Mas este não é seu primeiro porre, querida — Nathan piscou com um olho e saiu caminhando.

Max ajeitou sua cabeça no conforto do peito do rapaz e sentiu o calor de seu corpo. Ela não tinha muita consciência do que estava acontecendo ali, e não se importou de estar sendo ajudada pelo garoto. Ah, se ela estivesse consciente...

— O que você bebeu? — Perguntou o garoto, severo.

— Victoria disse que eu bebi o especial.

— Especial Vortex?! Quantos?

— Acho que cinco.

— Você é louca, Max? — Nathan estava gritando. — Você realmente escolheu o Especial Vortex para ser seu primeiro porre?

— Não grite comigo! — A garota disse, se acomodando novamente. — Eu vi a Brooke tomando e quis provar também.

— Peça para a Brooke se jogar da ponte e se jogue também — o garoto murmurou para si mesmo, mas Max ouviu. Porém, estava cansada demais para discutir.

A última coisa que ela se lembrou da festa, foi de acabar dormindo sobre o peito de Nathan, no conforto do calor de seu corpo magro.