Lifetime
19 Pieces of peace in the sun's peace of mind
Notas iniciais
Semana 1
Max havia acabado de aliviar sua consciência ao entregar sua ficha de dados nas mãos de um dos colaboradores. Sua mente dançava em rodopios com seus pensamentos oblíquos sobre temas para seu trabalho. Ao ver seus concorrentes entregando suas fichas com confiança no olhar, sentiu-se menor. Uma voz interior agora parecia gostar da ideia de pedir sua ficha de volta. A garota notou que Victoria e Kate estavam na fila também, ambas segurando seus envelopes, e Sean Prescott havia acabado de descer os degraus do prédio principal e sentar-se atrás de uma mesa. Agora, a voz interior de Max exclamava para render-se e buscar por seus arquivos.
Quando a garota estava prestes a voltar para a fila, seu celular vibrou em algum canto de sua bolsa, e Max caçara pelo aparelho em meio aos livros e outras coisas inúteis que trazia consigo.
— Max? — Chamou a voz do outro lado da linha.
— Chloe?
— Pode me encontrar no Two Whales?
Max olhou para o relógio da escola, que apontava 9:35 e lembrou-se de que suas aulas estavam suspensas pelo resto da semana. E ainda era quarta-feira.
— Claro. Pode me buscar aqui? Acho que os ônibus demorarão.
— Sim, sim. Estou no caminho.
Ao desligar a chamada, devolveu seu celular à bolsa e caminhou até as escadarias principais, sentando-se no último degrau. Seus olhos moveram-se quase de imediato para a praia. Pouco se ouvia das ondas quebrando sobre rochas grandes, aquelas que Max lembrava-se bem de passar a infância escalando, como os piratas faziam. Aquele era o dia perfeito para refrescar-se no mar: final de verão, início de outono; mas os residentes de Arcadia Bay estavam mais preocupados com suas vidas medíocres, esquecendo de apreciar o paraíso oferecido pela natureza.
Max não havia notado, mas Kate estava ao seu lado, de pé. A loira vestia um suéter azul com a estampa de um coelho branco, junto de sua saia escura. O cabelo estava preso, como de costume, e seus lábios rosados estavam formados em um sorriso dócil, o qual Max fez questão de retribuir.
— Posso me sentar? — Perguntou a loira, embora já soubesse a resposta. A morena assentiu e deu espaço à outra garota. — Vi que você entregou sua ficha, não imaginei que fosse participar.
— Eu também não — assumiu Max. — Sendo Sean Prescott um dos jurados, este concurso me dá nós no estômago.
— Mas e você com Nathan?
— Mesmo assim, esse homem me traz calafrios.
— Tenho que concordar neste ponto — Kate pareceu pensativa por um instante. — Bem, mas sobre o concurso, o que achou do tema?
— Estou com várias ideias, mas nenhuma concreta — Max notou uma caminhonete velha, mas não era a de Chloe. — Ainda temos tempo, então estou me convencendo a não ficar ansiosa.
— Ficar ansiosa não faz bem mesmo. O certo é manter a calma e fazer aos poucos — Kate sorriu mais uma vez, iluminando qualquer escuridão ambiente.
— Só odiei o fato de colocarem o concurso próximo das provas finais. Minhas notas não estão as melhores.
— Que bom que tocou no assunto! — A loira pareceu lembrar-se de algo, e o entusiasmo dominou sua expressão delicada. — Eu e Warren estamos conseguindo mais gente para o grupo de estudos. Não está muito cheio, mas estamos caminhando bem. Nos encontramos toda terça e quinta-feira na biblioteca da escola. O convite ainda é válido para você.
— Warren não vai me querer no grupo — Max umedeceu os lábios e pousou o olhar em seus pés. — Ele ainda está estranho comigo.
— Só mais um tempo, Max. Tenho certeza de que vocês se entenderão mais rápido com estes encontros.
— Bem, então levarei o convite em consideração — logo que terminou a frase, uma caminhonete estacionou em frente à escola, e agora Max tinha certeza de que era sua amiga. Baixando o vidro da janela, sorriu para a morena. — Preciso ir agora, até mais, Kate!
— Até, Max — a loira levantou-se dos degraus junto da morena e abraçou as laterais do próprio corpo. — Sempre bom conversar com você.
Max sorriu mais uma vez e caminhou apressadamente em direção ao carro de Chloe. Sentou-se no velho banco de passageiro e colocou sua bolsa entre seus pés. A garota ao seu lado tinha um cigarro entre os dentes e soltava a fumaça pelas aberturas na boca, apenas não inundando o espaço com cheiro de tabaco graças às janelas abertas.
— Você precisa ouvir isto — Chloe disse sem qualquer saudação, ligando o motor ranzinza da caminhonete. — Não é algo bom.
— Diga — Max olhou para a amiga que estava concentrada na direção.
— Ontem, à noite, eu vi um sócio do Sean Prescott negociando com Frank — Max sabia que o Frank que Chloe falava era Frank Bowers, o traficante da cidade, o qual os adolescentes conheciam muito bem, inclusive Nathan.
— Negociando o que? E como soube que era sócio dele?
— Negociando pôneis, Max — Chloe revirou os olhos. — Drogas. O que mais seria? — A garota parecia nervosa, então a morena soube que havia mais história a ser contada, e não estava com um bom pressentimento sobre isso. — Eu estava passando pela praia para falar com o Bowers quando vi o cara. Me escondi atrás de uma pedra e ouvi uma ligação dele para seu chefe, comentando sobre alguns assuntos que quase não entendi nada. Só soube que era o próprio Sean porque o cara disse algo sobre mudança para Boston e o concurso que você está participando.
Max havia contado tudo para Chloe. Já havia se passado alguns dias desde o ocorrido, então Nathan estava mais calmo, considerando toda a ajuda com a presença da morena. A garota dos cabelos azuis não estava mais com tanta raiva do herdeiro Prescott, mas havia avisado que ela acabaria com ele se machucasse sua amiga. Max ria, mas no fundo, sabia que ela falava sério.
Já o garoto não estava nas melhores condições. Sua saúde mental estava numa corda bamba por causa da falta de seus remédios. Max sempre lhe dizia que os comprimidos fariam com que ele ficasse mais tranquilo, e tudo se resolveria, mas Nathan não acreditava. E seu pai não colaborava com esse tipo de situação.
— Você viu qual o tipo de droga que ele pegou? — O carro estava parando no estacionamento do Two Whales, e Max inclinou-se para o lado, encarando a outra.
— Ele comentou sobre uma suposta droga, Max. Mas eu duvidei que fosse, porque não é algo comum.
— Qual droga era?
— Quetamina.
[...]
Assim que Joyce colocara os pratos com ovos mexidos sobre a mesa, Max retirou as mãos do cabelo e parou de franzir o cenho. Chloe não estava muito incomodada, mas a morena sabia que quetamina nas mãos de Sean Prescott não era um bom sinal.
Quetamina é uma droga utilizada em cavalos, mas possui efeito hipnótico. Para o Prescott estar comprando aquele tipo de medicamento, não seria para tratar uma simples gripe. E Max sabia que ele nunca daria as caras para Frank Bowers, ou tudo se tornaria mais suspeito.
Chloe estava devorando suas omeletes enquanto Max ainda não havia tocado em seus ovos mexidos. Pegou seu celular de dentro da bolsa e decidiu mandar uma mensagem para Nathan. Seu maior objetivo era conversar com ele sobre o que avistou. E ela pretendia fazê-lo tomar ao menos um de seus remédios.
"Você está ocupado hoje?"
Cortou um pedaço de bacon ao deixar o celular de lado. Foi o tempo de levar a comida à boca para o celular vibrar em resposta.
"nunca estou ocupado, Caulfield."
"Passarei em seu dormitório mais tarde. Você almoçou hoje?"
"não"
"Vou levar algo para comer também"
"você é incrível"
"Eu tento" Max sorriu para a tela e comeu mais um pedaço de bacon.
"até mais tarde então"
— Desligue esse celular e curta seus ovos, antes que eu coma eles também — disse Chloe ao soltar um audível arroto.
Max revirou os olhos e guardou o celular na bolsa novamente. Pegou os talheres e voltou a petiscar os ovos, saboreando cada pedaço. Joyce tinha mãos sagradas e os dotes para a culinária. Se ela soubesse fazer metade do que a mulher fazia, seria uma jovem realizada na vida. Chloe não parecia sequer sentir o gosto da comida, apenas pela velocidade em que comia. Sério, a garota estava ingerindo suas omeletes à velocidade da luz.
— Você não acha mais saudável ir com calma? — Perguntou Max ao acabar de engolir outro pedaço de bacon.
— Eu sou uma mulher em fase de crescimento — respondeu Chloe de boca cheia, o que fez o estômago de Max se revirar um tanto, mas ela riu da mesma maneira. — Preciso comer muito.
— Mas vá com calma — passou Joyce enquanto segurava um bule com café, colocando um pouco em cada uma de nossas xícaras. — Senão passará o resto do dia com as omeletes entaladas na garganta.
— Bom dia, Joyce — cumprimentou Max ao sentir o fabuloso aroma de café invadindo suas narinas.
— Bom dia, Max — sorriu a mulher. — Como está? Degustando de seus ovos?
— Estou bem, apenas cansada da rotina — respondeu a jovem ao colocar os talheres sobre o prato novamente —, os ovos estão fantásticos, aliás.
— Se já está cansada agora, imagine quando atingir a idade adulta — riu a mais velha e cruzou os braços. — Eu vi isto, Chloe!
— O que? — Max olhou confusa para a frente e viu Chloe petiscando de seu prato, com dela agora vazio. — Chloe! Você já comeu!
— Valeu, mãe — Chloe revirou os olhos e cruzou os braços, emburrada.
— Pode ficar com o resto — respondi ao empurrar meu prato para a garota. — Não estou com tanta fome mesmo.
— Você não quer mais nada, Max? Comeu pouco… — Joyce protestou ao lançar um olhar repreendedor para Chloe, que a ignorou.
— Eu vou levar um x-burger para viagem — disse Max, já sabendo do gosto infantil de Nathan.
— Certo, vou mandar fazer — disse a mulher ao sorrir e caminhar para trás do balcão novamente.
Assim que Joyce estava fora de vista, e Chloe havia dado seu arroto final após ingerir ambos os pratos, Max olhou em sua direção e cruzou os dedos uns nos outros.
— Você não acha muito suspeito Sean Prescott estar comprando quetamina? — Perguntou a morena.
— Sim, mas o que isso tem a ver com nós?
— Não tem nada, mas pode ser algo problemático no futuro, talvez — disse Max, mesmo sem saber que Chloe poderia estar no mesmo nível de raciocínio que ela. — Eu não sei, Chloe… mas isso me dá arrepios.
— Não precisa se preocupar com nada disso, Max. Vai ver ele gosta de estar chapado às vezes — respondeu a garota, ajeitando a touca nos cabelos azuis. — Por que não pergunta para Nathan, talvez ele saiba de algo.
— Os dois não tem uma boa relação — Max baixou o olhar, lembrando da postura fria do homem. — Nathan não gosta dele, e odeia ser a decepção, do mesmo jeito.
— Nathan Prescott, a decepção? Não consigo ver isso — Chloe riu.
Joyce apareceu novamente na mesa, agora segurando uma sacola marrom de papel e entregou-a para mim.
— Aqui está, Max — sorriu e colocou as mãos na cintura. — Espero que volte mais, você deu uma sumida.
— São as provas que estão chegando — Max mordeu o lábio inferior. — Mas prometo que voltarei em breve.
— Isso mesmo — sorriu a mulher. — Tchau meninas, tomem cuidado.
— Sempre tomo, mãe — Chloe piscou com um olho.
— Juízo para você, minha filha.
Chloe revirou os olhos e caminhou na direção de fora do restaurante, e Max acompanhou-a enquanto segurava a comida de Nathan. Assim que as duas saíram pela porta de entrada, sentiram a brisa da chegada do outono. Max adorava o outono. Não era calor, nem frio, era um clima adequado para passar o dia bem sem tremedeiras ou suor. O que ela mais gostava na estação era a situação das árvores alaranjadas. As fotos ficavam incríveis! E o horário de ouro fica ainda melhor!
A garota notou que havia um urubu em cima do muro que separava o restaurante da vista para a praia. Ela sabia que aquela seria uma foto ideal para o portfólio inicial de outono. E ela não perderia aquela oportunidade por nada. Aproximou-se dali e retirou sua câmera de dentro da bolsa, centralizando o urubu e tirando a foto. O barulho do processo assustou o pássaro, que saiu voando, mas não foi o único som que colaborou para a fuga do animal. Max ouviu uma conversa não muito audível, mas aproximou-se.
Os sons vinham do outro lado da grade onde ficava o depósito de lixo do restaurante. Chloe estava logo atrás de Max, e pareceu confusa por expressão naquele mesmo instante. As duas se entreolharam e aproximaram ainda mais, ao concordar telepaticamente com a ideia. Observando de perto, a morena notou que havia um homem não muito alto, de topete negro e uma barba falha. Ele tinha algo brilhando em sua boca, e Max notou que era um dente de ouro. Mas o homem não estava só, havia a presença de uma garota mais nova. Aparentando ter a idade delas, e a morena sabia que a conhecia de algum lugar. Seus cabelos curtos e escuros lhe pareciam familiares.
— Max, é aquele cara — disse Chloe ao estreitar os olhos.
Agora ela lembrara da garota. Seu nome era June? Julie? Apenas sabia que havia visto ela em uma festa do Vortex Club. Mas também não era do grupo. Era apenas uma garota de Blackwell. E estava conversando com o sócio de Sean Prescott. Algo estava errado.
— Tire uma foto! — Sussurrou a garota dos cabelos azuis.
E Max não perdeu tempo. Ainda com a câmera em mãos, achou um ângulo que retratasse ambos os rostos e tirou a foto. O barulho saíra alto, e os dois haviam escutado também, por consequência. As duas garotas congelaram, e sabiam que tinham de correr dali.
— Venha! — Chloe puxou Max pelo braço e correu na direção de sua velha caminhonete.
Assim que a morena adentrou o carro, olhou de relance pelo retrovisor, tremendo por causa do motor repentinamente acionado, e notou que o homem estava olhando para o estacionamento através das grades. Assustada, baixou o rosto e fingiu não saber de nada.
[...]
Nathan abriu a porta de seu dormitório com uma expressão totalmente sonolenta, vestindo as calças de seus pijamas e nada para cobrir o peitoral. Max sentiu-se quente na região do rosto assim que viu a cena, e notou que, mesmo com sono, o garoto havia colocado um sorriso malicioso nos lábios.
— Gostando da visão, Caulfield?
— Eu… trouxe sua comida — ela umedeceu os lábios e mostrou o pacote de papel.
O garoto encostou-se ao aro da porta, para dar-lhe espaço para adentrar o quarto. Max então o fez e ficou parada no centro do local escuro, sentindo o ar gélido ali dentro. Havia apenas uma fresta da janela aberta, e ainda estava coberta pelas cortinas. A garota estava apenas com uma camiseta estampada com borboletas, então fora atingida pelo frio.
— Quer minha jaqueta? — Perguntou ele ao indicar a peça que estava pendurada em cima do sofá. — Parece estar com frio.
— Não precisa, eu…
— Pegue — ordenou o garoto ao se sentar no mesmo local onde estava o paradeiro da jaqueta.
Sem negar novamente, Max pegou a jaqueta e enfiou os braços nas mangas vermelhas e sentiu-se bem mais confortável. Ainda mais pelo acréscimo do perfume que estava preso ao tecido e agora lhe abraçava delicadamente. Nathan aproximou-se da escrivaninha e pegou uma camiseta cinza que estava ali por cima. A morena nunca havia observado seu peito nu de tão perto, mas sentiu-se terrível por ter pousado seus olhos ali. Mesmo que o garoto fosse magro, havia algumas definições em seu corpo. Ela só pôde se imaginar se ele se incomodava com o físico.
— Obrigada — agradeceu-o e ele deu de ombros, colocando a camiseta e aproximando-se dela, sentando-se no sofá.
Max fez o mesmo e o viu pegando o pacote e abrindo, retirando o lanche de dentro. Seus olhos pareceram brilhar por um curto instante.
— Pegue duas cervejas no frigobar — disse ele e só então a garota notou que havia uma mini geladeira naquele dormitório. Quantas mais surpresas terei com Nathan Prescott?
A garota levantou-se do sofá e caminhou na direção da escrivaninha, abrindo o frigobar logo abaixo da mesa. Pegou duas latas de cerveja e levou-as de volta ao local onde estavam sentados. Nathan já havia dado duas pequenas mordidas e parecia saboreá-las. A garota então tomou liberdade de abrir as duas latas e entregou uma ao garoto.
— Você tomou seus remédios hoje, Nathan? — Perguntou ao loiro, que assentiu e olhou para ela. — Você não está mentindo, está?
— Não. Tomei todos hoje de manhã. Coloquei até um despertador no celular.
— Uau, estou orgulhosa — Max sorriu ao abrir sua lata e beber um gole.
— Mas tem um motivo também, pois os remédios têm a duração máxima de 6 horas, então queria tomá-los cedo para não ter problemas mais tarde.
— Por que mais tarde?
— Eu já tinha contado, Max — Nathan pareceu um tanto entediado. — Onde andou com a cabeça?
— Desculpe, talvez não tenha me lembrado. O que era? — Perguntou a garota.
— A festa do Vortex hoje, não se lembra? "Vortex Liberty"? — Encarou a morena e não obteve respostas. — Os cartazes estão espalhados pela escola toda, Max!
A garota tentou-se lembrar de qualquer cartaz, foto, conversa, mas não teve sucesso.
— Bem, de qualquer modo, já havia colocado nosso nome na presença — respondeu o garoto. — Mas se não puder ir, eu entenderei.
— Eu não tenho nada para hoje. Eu vou sim — Max sorriu e o garoto pareceu tentar esconder seu sorriso também.
— Você poderia ficar por aqui até a hora de ir à festa — sugeriu Nathan ao morder um dos últimos pedaços do lanche e beber um gole de cerveja. — Trazer suas roupas, maquiagem, essas coisas que você usa para se arrumar…
— Não seria uma péssima ideia — resmungou a garota, mais para si mesma. — Mas eu precisaria tomar um banho antes.
— Quando foi a última vez que tomou banho?
— De manhã — disse a garota ao observar o loiro lambendo molho de seus dedos.
— Então ainda está válido. Aí você poderia ficar mais tempo por aqui.
— Mas eu só vou buscar minhas roupas — sorriu Max.
— Do mesmo jeito — sua sobrancelha estava agora erguida, como superioridade em seu olhar.
— Vou buscar minhas roupas agora então — a garota sorriu e levantou-se do sofá.
— Agora? — Os dedos finos de Nathan estavam ao redor de seu pulso, fazendo-a quase cair sobre as almofadas novamente.
— Sim, Nathan, agora — Max soltou seu pulso de seus dedos esguios e ajustou a alça de sua bolsa em seu corpo. — Não levarei mais de cinco minutos. Meu dormitório é logo no outro lado do prédio.
— Eu esperarei — Nathan mordeu mais um pequeno pedaço de seu lanche e colocou as pernas acima da mesa de café, onde Max havia acabado de colocar sua lata.
A garota caminhou em direção à porta e saiu pela mesma. Daquela vez, não encontrara Warren pelos corredores. Apenas vira Zach saindo do banheiro com apenas uma toalha enrolada na virilha, e sentira suas bochechas se esquentarem com a situação.
Abriu a porta de seu quarto e começou a separar algumas trocas de roupa que lhe serviriam para a festa. Max sabia que as pessoas que costumavam ir bem arrumadas acabavam sempre no pior de seus estados ao fim da festa, e sabia que ir muito simples não era muito agradável, então decidiu apenas colocar uma roupa fora de seu comum: escolheu uma camiseta de decote V e estampa de uma câmera antiga, mas não chegava ao nível de sua polaroid. Ela havia ganhado de seu pai quando dissera que adoraria estudar fotografia. Para combinar, pegara shorts brancos. Também havia selecionado o básico da maquiagem, já que não havia tantas imperfeições em sua face, e não queria todo o conteúdo escorrendo de seu rosto até o final da festa.
Colocara tudo dentro de sua bolsa ao retirar o material escolar, liberando espaço ali dentro. Max decidira não levar nenhuma roupa para o frio, pois tinha certeza de que usaria a jaqueta de Nathan a noite toda. Peguei meu diário, que estava logo acima da escrivaninha, e o coloquei dentro da bolsa também.
Ao posicionar a alça transversal em meu corpo, saí de meu quarto, trancando a porta. Caminhei corredor abaixo até chegar à divisória do feminino para o masculino. Havia demorado menos de dez minutos, praticamente. Cheguei mais uma vez ao quarto de Nathan, e surpreendentemente, não havia nenhuma pessoa sequer no caminho. Talvez todos estivessem estudando para as provas, o que não era um problema para Max, já que estudava durante as madrugadas. A garota girou a maçaneta e encontrou Nathan ainda nas mesmas roupas.
— Sua cerveja esquentou — disse o garoto, apontando para a mesa de café. — Então tive que tomá-la.
Max sorriu. Ela não gostava muito de cerveja, afinal.
— O que pretende fazer até a hora da festa? — Perguntou a garota enquanto colocava sua bolsa ao seu lado no sofá. — Temos, no mínimo, quase três horas de descanso.
— Escolha um filme — apontou para sua estante.
Algo que vinha matando Max ao longo do tempo era a organização e fissuração que Nathan tinha por aquela estante. Ela tinha certeza de que a coleção tinha mais de duzentos filmes armazenados e separados por ordem alfabética. Para o garoto deixar que seus dedos curiosos tocassem algo tão precioso para ele, lhe era uma honra. Ela sabia, agora, que sua confiança nela valia, realmente.
— Qual você sugere? — Perguntou a garota.
— Se fosse para eu sugerir, não pediria para você escolher — ouch.
Max revirou os olhos e olhou todas as capas duras organizadas, quase escolhendo aleatoriamente, mas um título lhe chamou atenção, e era uma de suas adaptações favoritas, a qual já tinha lido anteriormente, sendo "It", de Stephen King. O rei do terror.
[...]
Quando o filme acabara, Max desgrudou-se dos braços de Nathan e descolou o rosto de seu peito. O garoto a encarou enquanto ela pegava sua bolsa e olhava o horário no celular. Faltavam dez minutos para a festa começar.
— Quanto tempo temos? — Perguntou.
— Começa em dez minutos — respondeu a morena e colocou suas roupas acima de sua cama.
— Podemos nos atrasar, sem problemas — ele respondeu e levantou-se, pegando suas roupas no guarda-roupas. — O rei do Vortex Club pode chegar quando quiser.
Max revirou os olhos e abriu um genuíno sorriso. Foi só quando estava prestes a retirar sua camisa que notou que se posicionava a frente do garoto. Mesmo que seu olhar estivesse no armário, a garota ainda sentiu suas bochechas esquentando. Procurou se vestir o mais rápido possível, para que seu olhar não pousasse em sua estrutura fina. Colocou sua camisa e os shorts subiram pelas pernas magras e só quando se virou que notou que o Nathan a encarava. Mais uma vez, as bochechas ficaram quentes.
— Não me diga que está com vergonha de mim — o loiro apoiou o rosto em suas palmas, inclinado na cama.
A garota umedeceu os lábios e abraçou ao próprio corpo, evitando o olhar severo do Prescott. Caminhando em direção à bolsa, pegou seus itens de maquiagem e posicionou-os dentro do armário de Nathan, perto do espelho. Assim então começou a arrumar-se. Aplicou um tanto de sombra preta acima de sua pálpebra e um tanto abaixo, junto de máscara para cílios. Em seguida, colocou pretor para lábios, sabendo que os seus eram ressecados.
— Seu amigo vai à festa? — Perguntou Nathan ao ajeitar suas costas no travesseiro.
— Que amigo? — Max virou-se enquanto passava a mão no cabelo, para ajeitar a franja.
— O Gayram.
— O Warren. — Max revirou os olhos. — Talvez ele vá, não o perguntei.
— Hm, entendi — Nathan bufou e se jogou no travesseiro mais uma vez.
— Qual foi a do mau-humor repentino? — Perguntou a garota enquanto sentava-se à cama novamente, para amarrar seus cadarços.
— Nada — o garoto esticou as pernas e pegou seu celular, digitando freneticamente.
Max deu de ombros e também pegou seu celular, vendo se Chloe havia lhe mandado alguma mensagem. Nada. A garota esperava qualquer complemento do assunto tratado anteriormente, sobre a suposta compra de Sean Prescott. A morena olhou para Nathan de relance, que estava concentrado nas mensagens, e baixou o olhar novamente. Ela queria perguntar, mas sabia que tratar de seu pai não o deixava bem, e aquela noite era a noite de descanso da vida, onde os dois curtiriam e deixariam de se preocupar com o mundo real durante algumas horas.
— Posso emprestar sua jaqueta? — Perguntou a garota e o loiro desgrudou os olhos da tela, inclinando a cabeça em direção ao sofá, onde estava a peça.
A morena então enfiou seus braços pequenos nos buracos das mangas e ajeitou a gola. A jaqueta de Nathan ficava um tanto grande dela, alcançando a coxa, e era pesada. Mas era uma das peças de roupas mais confortáveis que Max já vestira. E o melhor de tudo, acompanhava o cheiro do perfume importado do garoto.
Nathan levantou-se da cama e pegou um pacote que não havia notado antes acima de sua escrivaninha. O garoto guardou-o em seu bolso traseiro e retirou a blusa escura, jogando-a em um canto do quarto. Em seguida, caçou uma outra blusa, agora azul-marinho e com um decote V. Enquanto trocava, Max pôde ver os poucos músculos em seu corpo, o que a deixava preocupada. Ela sabia que ele já não comia bem, e agora, após todo aquele drama que havia ocorrido durante a semana, ele estava comendo cada vez menos.
— O que tem no pacote? — Perguntou a garota.
— Algumas coisas que eu tenho que entregar para Hayden.
Max soltou um "ah" quase que silencioso e posicionou sua bolsa transversalmente em seu corpo. O garoto desligou o ar-condicionado, mas deixou o projetor ligado, com as fotos em monocromo passando lentamente. A garota não questionou, já que sabia que era um de seus passatempos favoritos.
Os dois caminharam para fora do quarto e até o primeiro andar, saindo dos dormitórios, agora vazios. A festa já havia começado há meia-hora, e os dois eram os únicos que estavam a caminho naquele momento. Max sentiu a brisa gélida bater em suas pernas nuas, o que a fez estremecer um tanto, mas lembrou-se que o clima dentro da área da piscina era mais morno, então não teria problemas com o frio. Nathan passou a mão por sua cintura enquanto os dois andavam, causando arrepios na nuca da garota. Sua outra mão estava dentro do bolso dos jeans escuros.
Assim que chegaram ao local, Max pôde sentir as batidas de seu coração em uníssono com o ritmo da música alta que soava em meio ao silêncio da noite.
— Eu tenho que ir pelos fundos — disse Nathan ao indicar a porta de entrada. — Te encontro lá dentro.
— Fundos? Por que?
— O Merdsen está próximo à entrada, e de marcação comigo — afirmou. — Se ele ver o pacote, vai me dedurar e é só mais uma caralhada de gente para me encher o saco.
Max riu com o palavreado e assentiu. Nathan deu um passo para trás e virou-se por completo, apressando o andar. A garota adentrou a área da piscina, deixando a música claramente audível, até alta demais para seus ouvidos. A piscina fora coberta, e em seu lugar, estava uma pista de dança que mudava de cor. Max perguntou-se como haviam feito aquilo, e simplesmente achou genial. Várias pessoas estavam dançando, outras em forma de casais, e havia o bar. O grande bar que estava ainda maior do que ela se lembrava da última festa, com vários barmens.
— Max! — Chamou uma voz atrás da garota, que se virou e encontrou Kate.
A morena nunca imaginou a garota presente em uma festa daquelas, mas ainda assim, ficou feliz em vê-la. Kate estava esbanjando beleza com seu ar puro e tímido. Ela usava um suéter grande para seu corpo, em tons claros e feito à lã. Vestia uma saia azul-marinho rodada e com três botões abaixo do umbigo, mais seus tênis brancos e o cabelo normal. Max a abraçou e sentiu a essência suave de seu perfume.
— Não esperava te ver por aqui — afirmou a morena, sorrindo enquanto trocava o peso de seu corpo para a outra perna.
— Eu não vinha, mas então Warren e Alyssa começaram a implorar, aí acabei por vir — disse a garota ao abraçar o próprio corpo.
— Entendo — sorriu Max.
— Onde está Nathan?
— Ele já está chegando — disse a morena. — Precisou resolver algo, mas logo estará aqui.
— Isso será difícil para Warren — Kate sorriu de canto, mas com preocupação evidente no olhar.
— Nós ficaremos a maior parte da festa na área VIP, já que Nathan pretende ficar com o Vortex Club — assumiu Max enquanto agarrava as extremidades da jaqueta. — Vou procurar cumprimentar Warren agora, para que ele não tenha que me ver junto de Nathan mais tarde.
— Certo… bem, vou procurar Alyssa — a loira deu um passo para trás e sorriu para Max em despedida.
— Curta a festa! — Disse a morena, por fim.
Max olhou ao seu redor assim que Kate sumiu de seu campo de visão. A festa estava lotada, e com várias pessoas que a garota nunca havia visto antes, sugerindo, assim, que fossem de outros colégios. Mas mesmo que a quantidade de pessoas presentes fosse imensa, a morena não conseguira encontrar nenhum conhecido. Imaginou que estivessem todos na área VIP, onde ainda não entraria.
A garota decidiu então caminhar até o bar, para pedir qualquer coisa que não tivesse álcool para confortar seu estômago. Ao chegar, um homem alto e moreno atendeu-a e ela pediu um copo de refrigerante. Assim que recebera seu pedido, agradeceu e debruçou-se sobre o balcão, bebendo curtos goles enquanto tentava adaptar seus ouvidos à música alta.
Max olhou para trás, pois sentiu a sensação de ter escutado uma voz conhecida, e estava certa: Warren estava logo ali, com um copo na mão e conversando com Brooke, que havia acabado de sair. Max tomou sua retirada como sua entrada, para cumprimenta-lo.
— Oi, Warren — disse quase que gritando perante ao som.
O garoto, vestindo uma camiseta preta com a estampa de vários elementos de Cloro em fileira, com a legenda abaixo sendo "clorofila". Max sorriu, lembrando de seu bom-humor constante. Ele não parecia tão feliz ao vê-la, mas tentou apostar em seu melhor sorriso.
— Oi, Max — o garoto aproximou-se.
— O que achou da festa? Bem legal o que fizeram com a piscina, não?!
— Foi uma jogada criativa — disse Warren. — Ainda mais para agora, saindo do outono e o frio ainda por perto. Não acho que muita gente entraria na água.
— Exato!
— O que está bebendo? — Perguntou para a garota, cortando o assunto.
— Só refrigerante por hoje — respondeu, sorrindo. — E você?
— Não é refrigerante, isso eu garanto — o moreno sorriu, agora mais realista.
— Espero que não exagere — Max cruzou os braços.
— Você parece minha mãe falando desse jeito — Warren revirou os olhos.
Max ficou alguns segundos apenas o encarando, pensando na melhor maneira de continuar a conversa. Ela gostava demais do garoto, mas sabia que ele ainda estava chateado com ela, mesmo que não fosse sua culpa. Logo, o olhar dele se tornou gélido, como se estivesse assustado. Só então Max reparou que ele podia ter visto a jaqueta que ela vestia, mas era estranho que fosse apenas naquele momento. Um braço passou pelos ombros de Max, pousando uma mão ao lado de seu pescoço. Suas dúvidas para o olhar de Warren acabaram naquele instante, ao sentir a essência de cigarro com perfume importado.
— E aí, cara — Max não sabia que uma frase podia soar tão ameaçadora.
Os olhos de Warren descolaram de Nathan e voltaram a pousar em Max, trazendo toda a decepção de volta. Antes que pudesse reagir de qualquer outro modo, o Prescott continuou:
— Curtindo a festa?
— Eu… hm… vou procurar a Kate — disse o garoto, dando um passo para trás. Max tentaria intervir, mas sabia que não teria efeito. — Com licença.
Assim que o garoto saiu de perto, Max olhou para o lado e encontrou Nathan com um sorriso cínico estampado nos lábios.
— Agora ele nunca mais falará comigo — a garota mordeu o lábio inferior, dizendo mais para si mesma do que para o jovem.
— Isso não será um problema — Nathan puxou-a para mais perto, deixando ambos os rostos frente a frente, respirações compartilhadas. Toda vez que o loiro fazia isso, o coração de Max disparava de maneira absurda, como se fosse vomitá-lo a qualquer instante. Olhos compartilhando os olhares mais profundos, e corpos unidos, faltando pouco centímetros para que os lábios colidissem. Mas Nathan mirou para a bochecha da morena, onde depositou um beijo. — Vamos para a área VIP. Vic está nos esperando.
Os dois se afastaram, mas não totalmente, já que a mão do garoto continuava firme em sua cintura durante o caminho. Todo o campus sabia que eles estavam juntos, então não era surpresa para ninguém que eles andassem com tanta proximidade.
— Gostei do que fizeram com a piscina — a garota sorriu.
— Foi ideia de Vic. Ficou do caralho.
— Tem mais espaço que a festa anterior — Max gritava em meio à música alta.
— Era esse o objetivo. Agora temos mais espaço na área VIP também — Nathan enfiou a outra mão no bolso do jeans.
Max bebeu um gole de seu copo e o garoto observou-a, analisando o conteúdo. Seu olhar era de deboche, como se estivesse surpreso por ela estar bebendo refrigerante.
— Acho que falta algo na sua bebida — o loiro analisou enquanto mantinha o sorriso 100% sarcasmo.
— Eu acho que não — Max revirou os olhos. — Ainda estou me recuperando da primeira noite.
— Um dia você se acostuma.
Courtney estava na entrada da área VIP, checando a lista dos incluídos. Ao ver Max e Nathan, cumprimentou-os e sorriu de maneira alegre, voltando os olhos para a lista novamente. Após Max ter começado a sair com Nathan, percebeu que muita coisa havia mudado: as pessoas estavam começando a gostar dela por perto. Como Victoria, Taylor, Courtney, entre outras. Será que Nathan estava falando bem dela pelas costas, induzindo as pessoas a gostar de sua personalidade? Max só conseguia rir ao pensar em algo assim.
Não só o novo piso de dança e as luzes neons que mudaram, como a área VIP também. Pelo que Max se lembrava, a iluminação era vermelha e tinha alguns sofás espalhados, onde as pessoas estavam caídas ou ficando loucas. Agora, ao passar pela cortina, Max havia visto a ampliação do espaço: a mesa do DJ se localizava mais para a frente, alta igual, mas agora tinha a pista de dança própria para os membros do Vortex Club. Além disso, uma própria mesa de bilhar, onde Zach e Logan estavam jogando.
— Hayden está logo ali — Nathan apontou para um sofá, onde o garoto estava sentado e com um braço passado nos ombros de uma garota que parecia sonolenta.
O loiro pegou-a pelo braço, puxando-a em direção ao seu amigo, como se quisesse cumprimentá-lo. Ao chegar ali, Hayden não pareceu ter notado a presença dos dois, o que fez Max rir internamente, já que ele estava tão alto, quase tocando as nuvens.
— Nathan, grande cara! — A voz do moreno soou engraçada. — Sempre tem as melhores coisas.
— Puta merda, você está mais doidão do que eu já fiquei a vida toda — Nathan gargalhou.
— Isso é impossível, Nate, até para você — o moreno levantou um baseado e colocou-o entre os lábios. — Será que tem problema fumar com o efeito dessa merda?
— Só tentando para saber — disse Nathan e puxou Max para mais perto, só então Hayden notou sua presença.
— Max, não te vi aí! — O garoto riu. — Opa, calma, agora eu vejo duas de você.
— Não te culpo por isso — Max sorriu enquanto posicionava uma mão no peito de Nathan, mas sem tirar os olhos de Hayden.
— Ei, Nate, por que suas pupilas estão normais? — O moreno estreitou os olhos. — Você não está chapado?
— Ainda não — Nathan mordeu o lábio, Hayden lhe entregou o baseado e sorriu.
— Guarde esse para depois — o garoto riu alto, com o efeito de qualquer coisa que ele tivesse tomado. — Talvez a pequena Max queira experimentar.
Nathan e a garota trocaram olhares, como se fosse uma questão a ser respondida. Logo, Max desviou o olhar e afastou-se um tanto de Nathan.
— Veremos — o loiro riu e deu um passo para trás. — Curta aí, Hayden.
Assim que os dois saíram de perto, passaram por perto do palco, mas no caminho, Max fora prensada na parede. As mãos de Nathan se encontravam uma na parede, ao lado do rosto da garota, e a outra em sua cintura, puxando-a para o encontro de seu corpo. Seu nariz batendo ao dela, corações palpitando e pálpebras já fechadas, e então os lábios se encontraram. Da cintura, a mão de Nathan subiu para a nuca da morena, aprofundando o beijo a cada movimento feito. A garota tinha suas mãos em seu pescoço, puxando-o sempre para perto e respirando fraco perante à intensidade, tentando não derrubar o copo.
— Espero não estar atrapalhando — uma risada soou atrás dos dois.
O casal se separou no mesmo instante, recompondo-se, tentando parecer plausível para Victoria. Max umedeceu os lábios com sua língua e sentiu-os um tanto adormecidos e inchados por causa do beijo. Sorriu para si mesma e notou Nathan tentando esconder a risada enquanto coçava a nuca.
— A festa mal começou e vocês já estão quase indo para o quarto — Victoria cruzou os braços e soltou uma risada. — Céus, comportem-se!
— Nos deixe em paz, Vic — Nathan revirou os olhos.
— Você sabe que eu te amo — continuou a loira.
— Eu sei.
— Ia perguntar se vocês estavam curtindo a festa, mas acho que já tenho a resposta — Victoria fez Max corar na região das bochechas, parecendo um pimentão. — Bom, eu vou dar espaço. Nos encontramos mais tarde.
Assim que a loira os deixou à sós, os dois se entreolharam e soltaram gargalhadas perante à situação.
— Venha, vamos acender esse baseado — Nathan concluiu e puxou-a na direção de um sofá.
Ali, a dupla se sentou. O garoto procurou por algo em seus bolsos e dali tirou um isqueiro metálico com o desenho de um dragão chinês. Max lembrou-se das histórias que sua avó lhe contava sobre o calendário chinês, e o signo do dragão, que significava determinação, inteligência e generosidade. Ela perguntou-se se Nathan sabia sobre o significado. O garoto queimou a ponta do papel e tragou uma vez, soltando a fumaça lentamente. Toda vez que Max via seu ritual da fumaça, ela apenas admirava, observando os lábios abrindo e esvaindo todo o conteúdo. Sempre apreciou Chloe, e agora apreciava Nathan.
— Ok, vou fazer o shotgun em você — disse o loiro, segurando o baseado entre os dedos.
— Espera, o que?!
— Shotgun, para você não inalar direto, senão pode ser forte o efeito.
— Como funciona?
— Eu trago, seguro a fumaça em minha boca e solto na sua, aí você inala — Nathan aproximou-se da garota, virando-se no sofá. — Como um beijo, mas sem beijar, necessariamente.
Ela assentiu e aguardou. Novamente, ele levou o baseado à sua boca e inalou tudo que tinha de inalar. Um sinal com seus dedos e Max aproximou-se, abrindo levemente a boca, colidindo com os lábios, mas sem qualquer movimento de beijo. Quando ele começou a soltar a fumaça, Max passou a sugá-la, inalando. A garota tossiu, bebendo um gole de refrigerante para que a sensação de boca seca passasse.
Não deu tempo para limpar as lágrimas que se formaram nos olhos, pois a boca de Nathan estava novamente à sua, e ela não havia sequer o visto tragar. Inalando a fumaça novamente, tossia cada vez menos, já se adaptando à sensação. Assim que ele se afastou dela, tragou uma última vez, para si próprio e jogou o resto do baseado no chão, pisando com a ponta de seus sapatos caros.
Tudo parecia girar na visão de Max. Seus olhos começaram a ficar frenéticos, e a voz de Nathan soava longínqua, e engraçada, assim como tudo ao seu redor. A garota começou a rir enquanto passava os dedos pelos fios macios do loiro, sorrindo feito boba.
— Nathan, isso é engraçado — sua voz parecia longínqua, também. — Você está ouvindo?
— Ouvindo o que, Caulfield?
— Porra, eu odeio quando você me chama pelo sobrenome — Max aderiu-se à expressão de emburrada. — Sua voz parece mais grave. Não parece?
— Esse é o efeito da primeira vez — Nathan riu enquanto colocava a mão na nuca dela, brincando com seu cabelo. — Depois de um tempo, ele passa.
— É normal ficar com sono? — Perguntou ela.
— Sono e fome, sim e muito.
— Eu quero dormir, Nathan. Eu quero muito dormir — Max deitou no sofá, bocejando.
— A fome você só sentirá quando acordar — Nathan sorriu e curvou-se, aproximando-se da orelha da jovem. — Ei, Max. Vamos dar o fora daqui.
— Para onde? — A garota se levantou, com o cabelo sobre os olhos.
— Meu quarto — ele retirou a mecha de sua visão e beijou a ponta do nariz da garota.
— Mas e a festa?
— Foda-se a festa.
— Ok — Max levantou-se e caiu sobre Nathan, que a segurou. — Acho que eu não consigo ficar em pé.
— Eu te carrego — o garoto passou a mão pela parte de trás dos joelhos e pelas costas, pegando-a no colo. A garota riu com a ação inesperada.
Max não conseguiu acompanhar o resto do percurso, mas ela se lembra de ter descido dos braços de Nathan e começado a caminhar normalmente. Também se lembra de que o sono passara, e que a visão já estava voltando ao normal. Apenas quando chegaram à porta do quarto de Nathan que tudo pareceu retornar ao comum.
— Dessa vez, você não vomitou na porta do Gayram — Nathan riu ao abrir a porta.
A morena ignorou o comentário e se jogou na cama do garoto, sem qualquer outra palavra. Em seguida, escutou o clique da porta se fechar e uma tranca em funcionamento. A garota estava com a cabeça repousando sobre o travesseiro, olhando fixamente para o teto, quando o loiro subiu em cima dela, cercando-a por seus braços. Mais uma risada escapou da boca da morena, que permaneceu estática abaixo do herdeiro Prescott.
— Nathan — Max olhou para o garoto severamente. — Eu preciso te dizer algo.
— O que é? — Ele se aproximou ainda mais, encostando as pontas dos narizes.
— Maconha tem gosto de merda — ela disse e selou seus lábios rapidamente. — Mas seus lábios têm gosto de vodca, que não é tão ruim assim.
Sem mais delongas, o garoto selou os lábios inteiramente aos dela. Nathan encaixou-se entre suas pernas, beijando-a intensamente. Max voltou a sentir o sabor de vodca em seus lábios, mas não se lembrava dele com qualquer copo em mãos. Apenas o baseado, que já não tinha tanto gosto, ou efeito. A morena segurava em suas costas magras, e logo suas mãos se soltaram, já que ele estava tirando a blusa azul.
Max voltara a beijá-lo e agora suas unhas cravavam em suas costas enquanto uma das mãos dele puxava seus cabelos da parte de trás. O garoto desgrudou seus lábios dos dela e passou a descer os beijos, pelo maxilar fino e pescoço da jovem, onde a pele estava fervendo. A garota apenas sentia sua língua fazendo magia naquela região, e não sabia se ele estava deixando rastros.
As mãos dele desceram para a jaqueta de Max, que logo parara no chão, ao lado da cama. E em seguida, até a barra da camiseta que ela vestia, que logo também não estava mais em seu corpo. Agora, mesmo que no escuro, Nathan tinha visão para o sutiã preto de Max. Seus lábios desceram até os seios, depositando beijos calorosos por onde passava, até que a garota sentiu os dentes prensando sua pele, e agora tinha certeza de que teria marcas na manhã seguinte.
Logo, Nathan removeu seus sapatos com os próprios pés, e ela fez o mesmo. Os lábios do garoto voltaram aos dela enquanto seu quadril requebrava contra o short da jovem. Max não conhecia uma sensação como aquela, nem nunca havia experimentado nada parecido. Naquela noite em que dormiu na casa do herdeiro Prescott, eles haviam apenas trocado beijos afetuosos, nada além. Então tudo lhe soava diferente e sua mente apenas pensava em continuar.
Algo nas mãos de Max formigavam para desfazer o botão da calça do garoto, mas ela se segurou, pois não sabia se seria apropriado. No mesmo instante, Nathan pareceu perceber sua inquietação e ler sua mente, já que suas próprias mãos se direcionaram até a calça, onde abaixou-a, removendo-a por completo e jogando, também, ao chão. O mesmo ele fez com o short de Max, cujo estava sujo devido à um tombo que ela levou no gramado do campus.
Agora os dois estavam praticamente expostos, e Nathan desceu os beijos até a barriga da garota, ali deixando sua língua dançar em sintonia aos movimentos prazerosos que o corpo dela respondia. Ela estava adorando tudo aquilo, e a sensação da maconha já parecia ter sumido. Seus olhos estavam com a visão clara e limpa, fixados no cabelo do garoto, onde seus dedos procuraram pousar em seguida.
— Eu posso continuar? — O garoto aproximou-se dela, pegando uma de suas coxas com força e encaixando-se no meio, com um sorriso malicioso pregado no rosto.
Max assentiu, nervosa, pois sabia do que se tratava, e então aguardou o garoto que estava no comando. Os dedos dele dançavam em suas costas, e desciam cada vez mais, subindo pela barriga e retornando às coxas, onde arranhava levemente, para não a machucar.
— Caulfield — ele a chamou, assim parando de beijá-la. — Eu te amo.
Ela sorriu, mas sabia que era o efeito da maconha agindo sobre ele. Em seguida, os lábios do garoto voltaram para sua pele que fervia sobre o toque.
[…]
Max não acordou como acordava em seu quarto: com o sol entrando pela janela e iluminando seu rosto, como se a manhã à convidasse para uma festa. Na verdade, ela acordou com suor escorrendo em sua testa e a cabeça deitada sobre uma superfície macia. Não demorou muito para decifrar qual era a suposta superfície, já que o cheiro de perfume importado ainda jazia ali. A garota esgueirou seu braço e abraçou o peito do loiro, ajeitando-se ali.
Em seguida, o celular do loiro tocou, e ele fez um sinal para que Max se levantasse. A garota o fez e sentou-se sobre os cobertores de Nathan, sentindo a textura da qual se familiarizou bem na noite passada. Ela percebeu que estava vestida apenas com as roupas íntimas, e o garoto estava na mesma situação.
— Pobre Gayram — Nathan disse ao se colocar sentado sobre a cama, também. — Deve ter sido sofrido escutar seus gemidos ontem.
Max deu-lhe um tapa no ombro e o garoto riu, atendendo o telefone. Alguns segundos depois, o sorriso dele caiu, tornando-se sombrio, como algo que ele não quisesse ouvir estivesse sendo dito através do aparelho. A garota se preocupou, sentando mais perto dele.
Ao desligar o celular, Nathan baixou o olhar e deixou os olhos fixos às cobertas macias, ainda quentes com o calor dos dois corpos.
— Quem era? — Perguntou a garota.
Nathan levantou o olhar, dobrando uma de suas pernas, onde posicionou o cotovelo e pareceu pensativo, preocupado.
— Era Ian.
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