Lifetime
7 I'd say he needs medicine
Notas iniciais
— Por que você continua vindo às festas, Max? — Perguntou Victoria, com suas mãos na cintura.
Max estava parada em meio à área VIP, segurando seu braço com o outro, enquanto tentava cobrir seus olhos das fortes luzes verdes e vermelhas dos holofotes que se movimentavam. Ela também não sabia porque estava ali, não era seu lugar, mas ela estava porque Nathan havia lhe dito que ela tinha de ir junto dele. Ela estava tão cansada naquele dia que nem tentou argumentar, apenas aceitou e voltou para seu dormitório. Dois dias depois, estava recebendo as mensagens desesperadas do louro, dizendo para se arrumar que ele a buscaria em frente ao dormitório. E ali estava ela, sozinha, no meio de tanta gente se divertindo.
O fato é que ela não via sua diversão naqueles locais. Sua diversão era sentar-se em um sofá, debaixo das cobertas, assistir algum filme junto de algum amigo. Ela gostava de situações mais privadas, e não locais totalmente movimentados como aquele. Por mais que alguns conhecidos seus estivessem por ali, ela não estava tão agitada. Desconfortável, era sua descrição naquele momento. Olhou para o canto e viu Warren e Daniel conversando sobre algo, enquanto o mais alto fazia movimentos com suas mãos. Max gostava disso em Warren, seu ânimo, por mais que não pertencesse ao local, procurava fundir-se na multidão.
— Nathan me convida. Mas se é um incômodo, posso ir embora agora mesmo — Max torcia para que Victoria dissesse que sua presença a incomodava, assim ela poderia ir embora.
— Não, não quis dizer isso. Perguntei porque sei que não gosta daqui — bebeu um gole de seu copo vermelho e contraiu os lábios rapidamente.
— Como sabe?
— Está estampado em seu rosto, Max — Victoria sorriu levemente e voltou seu olhar para a piscina, onde viu Nathan fumando um baseado com outros garotos. — Ele não vai te ver como menos se não vier junto dele.
Ela sabia disso. Ela já era menos que o insuficiente, então não teria como afundar ainda mais nessa camada. Max não gostava de ir às festas, e nem queria, mas sabia do que Nathan era capaz, então resolveu não brigar com ele.
Victoria se virou e caminhou para outro canto, para beber e dançar junto de suas amigas. Warren estava fora da área VIP, com Daniel, e Max podia vê-los através da pequena divisória entreaberta da entrada. Nathan estava junto de seus amigos, e Max agradeceu por ele não estar pegando alguém, porque aí ela teria de voltar para os dormitórios sozinha novamente, e essa ideia era desagradável por causa dos garotos bêbados que costumavam cercar qualquer jovem solitária caminhando de volta para seu quarto.
A garota saiu da área, segurando a alça de sua bolsa. Por mais que fosse uma festa do Vortex Club, ela não se preocupou em vestir-se de maneira diferente do comum, mas foi pega no flagra por Dana, que resolveu dar uma repaginada na pobre jovem. Colocou nela seus jeans pretos justos e uma camisa de listras com um decote não tão grande. Mas Max não dispensou sua bolsa e seus All-Stars, então a outra não negou. Enquanto caminhava, Max pisou em alguns copos jogados e não pensou em nada além do nojo que sentia pelas pessoas que não sabiam jogar o lixo em seu lugar devido. Chegando ao bar, Daniel notou sua presença e cumprimentou-a. Warren parou de conversar com o outro e sorriu bobo.
— Ei, SuperMax, estávamos falando de séries agora mesmo — voltou seu olhar para o amigo.
— Warren estava me contando sobre Doctor Who, pareceu muito interessante — Daniel disse, e todas suas palavras se tornavam engraçadas devido ao sotaque espanhol. — Já teve a oportunidade de assistir, Max?
— Não, mas Warren me fala tanto dela que creio que terei de ver uma hora — sorriu para o mais alto.
— Bem, devia mesmo. Tudo fica mais interessante a partir do segundo episódio, onde... — Warren fechou seu sorriso no mesmo instante, causando certa preocupação em Max.
O garoto olhou fixamente para a frente, e Max acompanhou seu olhar, junto de Daniel. Entre a multidão, havia uma jaqueta vermelha andando firmemente e parou em frente ao geek, encarando-o de cima para baixo. Nathan estava bravo, mas de uma maneira bem diferente do normal. Warren já estava recuando os passos, até suas costas baterem contra o balcão do bar. O Prescott se aproximou ainda mais e o encarou com o pior dos olhares que ele era capaz de ter.
— Você pensa que é o rei de Blackwell? — Nathan disse com uma voz um tanto diferente, sonolenta. — Não é. Eu sou. Você não pode tirar o que é meu.
— Ele não está fazendo nada, Nathan. Volte para seus amigos — Max bufou do lado, cruzando seus braços. Por mais que não estivesse demonstrando, estava bem nervosa.
— Não se meta, Max — disse o garoto com ódio expresso no rosto.
— Eu só... não fiz nada, Nathan — disse Warren, com as mãos apoiadas sobre o balcão, tremendo um tanto.
— Fez, e vai se arrepender por ter feito.
Na visão de Max, tudo ocorreu como um tiro. Nathan fechou o punho e socou o outro garoto bem no olho, fazendo com que o impacto do soco o fizesse colidir contra o balcão e cair no chão, com as mãos sobre o rosto. Como se um soco não bastasse, o outro garoto chutou o geek e logo, ajoelhou-se para socar seu rosto. As pessoas que estavam na festa não haviam notado o que estava ocorrendo, então Max não tinha ninguém para lhe ajudar a parar a briga, exceto por Daniel, que estava mais chocado que ela. Então ela resolveu que precisava tomar atitude e sair do transe. Pegou Nathan pelo braço e tentou puxá-lo para longe, e, para a surpresa da garota, ele soltou o outro. Ela ainda segurava seu braço com força, unhas penetrando sua carne, mas ele não sentia nenhuma dor além da de seus punhos.
Ela pôs-se em sua frente, agora segurando seus dois braços. Sua expressão era de medo. Medo. Medo dele. Seus olhos estavam frenéticos, em puro movimento. Suas bochechas em um tom vermelho, mas não de vergonha, e sim, de nervoso. E seus lábios, entreabertos, tornando a expressão ainda mais tensa. Seus olhos, enfim, se fixaram aos azuis dele. Para Nathan, aquele momento parou, mas para ela, precisava passar sua mensagem, mostrar a ele que era errado. Sem mais palavras, soltou-o e procurou acudir seu amigo no chão. Sem tirar os olhos de Warren, pôde ver Nathan saindo dali.
Warren estava bem machucado, caído e agonizando de dor. Max pediu uma sacola de gelo para o barman, que logo lhe entregou. A garota posicionou o seu amigo sentado, encostado ao balcão, aplicando a sacola em seu olho machucado. Ele fez uma expressão de dor quando sua pele entrou em contato com o gelo. Max continuava agachada, cuidando de Warren quando olhou para trás, tentando ver seu o outro já havia ido embora. Daniel sentou-se ao lado deles, perguntando se Warren se sentia bem.
— Eu estaria chorando agora, se fosse você — Daniel sorriu e posicionou uma mão sobre seu ombro.
— Qual o problema dele? — Warren contraiu o maxilar ao entrar em contato com o gelo novamente.
— Ele é louco — disse Max, olhando para as pessoas, tentando achar Nathan. — Não sei o que se passa na cabeça dele.
— Mas continua saindo com ele — Warren murmurou, achando que a garota não escutaria.
— É complicado... — disse ela em um tom mais baixo, ainda sem conseguir localizar o garoto. Olhou para Warren mais uma vez e tocou seu ombro, levemente. — Eu preciso encontra-lo, já volto.
Assistiu seu amigo assentir com dor e levantou-se. Ajeitou sua bolsa no corpo e saiu caminhando de volta para a área VIP. Lá, apenas encontrou Victoria e suas amigas dançando e Dana bebendo e conversando com Justin. Hayden ainda estava chapando no sofá, junto de mais algumas garotas, mas nada de Nathan. Saiu dali e procurou pela borda da piscina, mas não viu nada mais que casais se beijando. Não estava com paciência para perguntar por ele, então seguiu procurando por conta própria.
Sua mente estava à mil. Ela não havia entendido uma parte sequer de seu surto desnecessário. Warren nunca havia lhe feito nada, ela podia jurar. Mas ainda assim, Nathan havia descontado sua raiva nele. Talvez fosse a bebida, ou asdrogas. Por isso que ela odiava esse tipo de coisa, sempre resultava em violência ou outros finais indesejados. E no momento em que o Prescott bateu no outro, ele parecia fora de si, completamente. Todos estes pensamentos fizeram as memórias da noite em que ela havia bebido demais voltar. Ugh, aquele dia...
A garota resolveu que teria de perguntar por ele. Voltou para a área VIP, encontrando tudo da mesma maneira. Olhou para Hayden ainda no sofá e pensou que perguntar para ele não seria uma ótima opção, já que ele não saberia sequer onde ele mesmo estava. Victoria parecia animada demais e ela não quis incomodá-la. Taylor estava em outro canto, mexendo em seu celular, então Max se aproximou dela.
— Oi, Max — disse a loura. — Está se divertindo?
— Não muito, como você está?
— Tentando contatar minha tia, para saber como está minha mãe — Max havia ouvido que a mãe de Taylor estava doente, e havia passado por uma cirurgia, mas nunca havia conversado com a loura sobre isso.
— Espero, de verdade, que ela esteja bem — Max sorriu.
— Ela já passou pela cirurgia, e agora está de repouso, mas está muito melhor que antes, obrigada, Max — sorriu ela, voltando o celular no bolso. —, por se importar.
— Mande minhas melhoras.
— Vou te poupar do meu drama particular — pegou o copo que estava em cima do sofá ao seu lado, o qual já era dela. — Parece perdida, precisa de algo?
— Estou procurando pelo Nathan — disse e observou a loura beber um gole do conteúdo de seu copo. — Você o viu?
— Depois dele ter fixado seus olhos no bar e saído de seu grupo de amigos, perdi-o de vista.
— Ok, obrigada, Taylor — disse Max, virando-se. — Até mais.
Max resolveu que não aguentava mais ficar naquela festa. Antes de sair do local, voltou para o balcão do bar, apenas para ver se Warren estava bem, e ele disse para ela não se preocupar. Então ela ajeitou a alça da bolsa mais uma vez e saiu no meio da multidão agitada, procurando pela porta de entrada. Assim que encontrou, empurrou-a e saiu na noite fria da Academia Blackwell. Olhou para os lados, apenas vendo borrões de casais sendo iluminados pelos fachos lunares e algumas pessoas sentadas abaixo de árvores, conversando. Seguiu pela grama recém-cortada, graças ao Samuel, até chegar na entrada dos dormitórios.
Ela sabia que não ficaria calma tão cedo, e precisava de mais um pouco do ar fresco que a cidade estava fornecendo naquela madrugada. Olhou ao seu redor, na imensidão completamente vazia e pensou nas manhãs movimentadas por ali. Agora parecia tão silencioso, tão calmo, tão pacífico. Não parecia o mesmo local. A pequena garota procurou por um banco para sentar-se e optou por aquele que ficava de frente para o totem, Tobanga, como Warren havia lhe dito uma vez. Sentou-se de costas para ele e passou a observar a lua, que estava muito grande e reluzente naquela noite sem mais estrelas para disputar a atenção de quem se interessasse.
Ouviu alguém tossir e assustou-se, pensando que pudesse ser David Madsen, o guarda da escola. Todos tinham certo medo dele, por sua expressão sempre séria e pelas ameaças que ele fazia aos alunos que procuravam sair às noites. Max já havia sido pega por ele anteriormente, enquanto saía em meio a madrugada, por insônia. Ele ameaçou-a de reporta-la para o Diretor Wells, e ela sabia que aquilo poderia retirar a bolsa que ela possuía na academia. Olhou para trás, tentando localizar o barulho, mas não enxergou nada, sequer viu algum movimento. Logo, outras duas tosses seguidas foram ouvidas por ela, então, a garota levantou-se de seu banco.
Seguindo os barulhos, acabou atrás da Tobanga, onde havia uma figura masculina sentada, tossindo enquanto deixava algumas lágrimas escorrerem por seu rosto fino. Max colocou-se de joelhos ao lado do garoto, olhando para ele com pena. Ele parecia péssimo. Naquele instante, ela havia esquecido do mal que o Prescott havia feito para seu amigo, e de como seus olhos pareciam carregados de ódio, pois ela estava vendo as lágrimas de tristeza sincera escorrerem pelas bochechas marcadas. Ele estava com mais arranhões pelo rosto, e ela notou de onde vieram. Ele próprio estava se arranhando. O cigarro ainda estava em sua boca, e ele não tragava, por causa seu choro silencioso.
— Eu inalei muita fumaça — disse ele, deixando o cigarro cair de sua boca, na grama recém-cortada.
— Você quer que eu saia?
Sem resposta, ele segurou o pulso da garota, olhando profundamente em seus olhos pouco iluminados devido à lua. Max sentiu seu coração palpitar de diversas formas diferentes, como se suprisse vários sentimentos que, finalmente, foram libertados naquele momento. Ela entendeu seu ato como um “sim”, e ficou ali, parada, olhando para ele, que havia colocado as unhas de volta às bochechas. Com sua mão, afastou-as de seu rosto pálido, sorrindo fraco.
Ela nunca havia visto ninguém daquela forma, daquele jeito. Como se a tristeza fosse maior que ele, como se já tivesse o dominado e ela não podia ajuda-lo de maneira alguma. Olhou para os bolsos de sua jaqueta vermelha, onde havia a forma de tubos de medicamentos. Agora fazia sentido, ele precisava dos remédios. Ele não estava bem. Ele estava sã.
O garoto tirou seus olhos do chão e olhou para ela, aproximando-se cada vez mais. Seu rosto estava a centímetros do dela, e a garota já podia sentir o cheiro de cigarro presente nele. Ela não queria impedi-lo da proximidade deles, mas também não podia deixar aquilo ocorrer. Mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ou pensar, sequer, sua cabeça estava encostada contra o peito dela, deitado em seu corpo como se fosse sua cama. A garota cedeu seus braços finos em torno dele, enlaçando-o como se fosse seus cobertores. Logo, suas respirações estavam sincronizadas pelo toque, e os dedos finos da jovem corriam cada perímetro dos fios de cabelo louro-escuros. E Max removeu a expressão de surpresa de seu rosto, como se tivesse aceitado cada um dos defeitos dele para algo de seu próprio cuidado. Tomando suas dores e seus problemas para si, sabendo que teria de cuidar dele. Querendo cuidar dele.
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