Lifetime

4 His pills, his hands, his jeans


Notas iniciais
(Colors — Halsey)

Max sentiu seus pés gelarem com uma brisa fria que ela não tinha ideia de onde pudesse estar vindo. A garota colocou-os logo abaixo das cobertas novamente. Aquele colchão era totalmente macio, sem falar dos travesseiros, que eram incríveis. E aqueles cobertores eram tão confortáveis que fizeram-na pensar que estava dormindo em uma nuvem.

Abriu seus olhos sem problemas com a claridade, e só por isso, deduziu que não estava em seu quarto. O local era totalmente escuro e a única coisa que ela pôde enxergar foi a tela de um computador ligada com o canto do olho. Logo, começou a ver o formato dos móveis que preenchiam o local. Ao lado do computador, havia uma grande estante com vários... filmes? Max só conseguiu pensar que aquele seria o quarto de Warren, mas quando virou seu rosto, notou um sofá sofisticado com um corpo jogado.

O rosto era totalmente pacífico. Seu peito subia e descia de acordo com sua respiração frágil. Sim, frágil era a palavra que o descrevia naquele momento. Quando Max sentou-se na cama, espreguiçou-se e bocejou duas vezes antes de voltar a olhá-lo para tentar saber quem seria. Quando seus olhos começaram, ironicamente, a se ajustar ao escuro, Max pôde ver o topete bagunçado e um corpo magro. Ela assustou-se com a situação e bateu a cabeça na parede. Tola. O garoto acordou e encarou a menina, com susto nos olhos. Ela havia o tirado de sua paz.

— Ah, você acordou... — Disse ele, bocejando após recuperar-se do susto.

— Este é seu quarto? — Perguntou a menina e o garoto assentiu. — O que eu estou fazendo aqui?

— Você estava dormindo até agora — o garoto levantou-se do sofá e pegou uma camisa preta em seu armário para colocar sobre o tórax nu. Max corou no mesmo instante, por só ter notado naquele momento que ele estava apenas de boxers.

— Não foi isso que perguntei.

— Foi exatamente isso — colocou um sorriso malicioso no rosto e soltou uma risada abafada. — Mas sei o que quis saber com isso, e não, não fodemos. — A garota corou mais ainda, sentindo suas bochechas arderem cada vez mais. — E você ficou bêbada na festa, então te trouxa para cá.

— Você c-cuidou de mim?

— É o que parece — o garoto pareceu surpreso com suas próprias atitudes. — Aliás, você vomitou na porta do Gayram.

— Do Warren?! Céus, ele vai me matar — Max tapou seus próprios olhos.

— Ele não viu, infelizmente — Nathan sorriu e sentou-se ao lado dela na cama. — Mas foi completamentehilário.

— Deve ser por isso que meu estômago está doendo.

Nathan pegou o queixo da garota e inclinou-o para os lados e para cima, tentando enxergar alguma coisa em seu rosto. Max encarava aqueles olhos azuis faiscantes e sentiu algo mover-se dentro de si. Seus rostos estavam próximos demais, um já podia sentir a respiração do outro.

— O que você está fazendo? — Sussurrou a menina.

— Vendo se você ainda está mal.

A garota assentiu, voltando ao silêncio. Aquilo era tentador, seus lábios umedecidos próximos aos dela, fazendo-a perder a sanidade em instantes. Ela se jogaria nele por aquilo se não fosse por 1) ser muito tímida e 2) ele ser um idiota que estava usando-a para passar a imagem de um garoto “bom”.

— Você está perto demais, Nathan — disse a garota, sem se mover.

— Eu sei — começou a se aproximar cada vez mais, logo inclinando o rosto e deixando seus lábios entreabertos para que se encaixassem aos dela.

Max, por um segundo, quis beijá-lo, mas logo tomou consciência do que ocorria ali e afastou-se, arregalando seus olhos e arqueando as sobrancelhas para si mesma. O garoto, confuso, ainda estava com os lábios na mesma posição, mas seu corpo mostrava tensão e medo, pelo que Max havia notado.

— Me desculpe, Nathan — disse a garota ao se levantar da cama. — Você não vai ser meu primeiro beijo.

Nathan permaneceu quieto, o que surpreendeu Max. Ele continuou sentado na cama, mas agora, com os olhos baixos, mirados em seus próprios pés. A garota até se sentiu mal por tê-lo deixado daquela forma, e resolveu que tinha de sair do quarto — e infelizmente, da brisa fria do ar condicionado potente de Nathan — e ir para o seu. O rapaz pegou um tubo de vidro dentro do criado-mudo e jogou duas pílulas em suas mãos, engolindo-as sem água ou qualquer outro líquido para ajudar. O garoto se acostumou tanto com os remédios que não precisava mais de ajuda para fazê-los descer pela garganta. Max, ainda observando, suspirou fundo ao ver o garoto em pura tristeza. Pegou sua bolsa e sua jaqueta e caminhou em direção da porta, já tocando a maçaneta.

— Por que você me odeia? — Perguntou o rapaz, ainda olhando para seus pés.

Um minuto constrangedor de silêncio com os pensamentos de Max.

— Eu não te odeio.

— Então por que evita qualquer aproximação de mim? — Perguntou agora olhando nos olhos da garota, que desviou o olhar para não se sentir pior. Quando ele viu que ela não iria responder, abriu sua boca novamente: — Eu não vou te machucar, porra!

— Você me trata que nem lixo, Nathan.

— É meu jeito de ser. Isso não significa que eu não goste de você.

— Mas parece, na maioria das vezes — Max olhou para ele naquele instante e sentiu seu peito sendo prensado pela respiração.

— Se eu não gostasse de você, Caulfield, teria te deixado nas mãos de qualquer um naquela festa, vomitando suas tripas e cambaleando até cair — disse o garoto, num tom de paz, por incrível que parecesse.

— Eu... eu preciso ir, Nathan.

Outro silêncio constrangedor e Max ainda não havia saído do quarto. Ela decidiu que precisava fazer algo antes. Soltou a maçaneta, caminhou em direção ao garoto sentado na confortável cama, analisou seu rosto durante alguns instantes. Ele tinha marcas de arranhões pelas bochechas e fortes olheiras, como se não tivesse dormido naquela noite. Max sentiu-se responsável por aquilo, já que fora realmente culpa dela. Aproximou-se ainda mais do garoto e deixou-lhe um beijo na bochecha, logo acima dos arranhões suspeitos do Prescott. Max sorriu para ele e logo deixou o quarto, com sua bolsa em mãos.