Lifetime
11 And if you don't know now you know
Notas iniciais
Nathan estava sentado logo abaixo de uma árvore, com as pernas esticadas sobre a grama. Os olhos fixos em Courtney enquanto ela falava algo sobre o último lançamento de sua revista favorita. A garota estava de pé, trocando o peso de seu corpo de uma perna para a outra enquanto movia as mãos para explicar melhor sobre a tal matéria. Nathan com certeza olhava para ela, mas sua mente voava longe dali. Victoria era a única que parecia notar o garoto, e começou a arquear sua sobrancelha, de modo que o garoto odiava, então chamou-lhe a atenção.
— Está com os pensamentos na festa? — Cruzou seus braços enquanto se aproximava mais do garoto. — Já disse que eu e Courtney estamos tomando conta de tudo. Não tem que se preocupar, Nate.
Ele olhou para a melhor amiga. Ela estava sentada com as pernas jogadas para o outro lado, sendo cobertas pela meia-calça marrom abaixo da saia de grife. Seu cashmere azul claro caía muito bem sobre a camisa social, onde apenas as mangas e gola floridas apareciam. Victoria ajeitou a franja curta, jogando-a para o lado e passando os dedos pelas pérolas de seu colar.
— É… eu quero que a festa esteja perfeita. Sabe? Que tudo ocorra como planejado e…
— Sempre ocorre como o planejado, Nathan — Victoria bufou. — Isso me parece uma desculpa.
Óbvio que ela conhecia ele bem demais para saber que havia algo escondido naquele meio. Enquanto todos da roda do Vortex Club conversavam e riam de assuntos aleatórios, os dois estavam em algo mais tenso. Sério.
Nathan olhou para ela com um tanto de raiva nos olhos.
— Não é uma desculpa, Vic.
— Guarde sua raiva para alguém que mereça, não para mim — a loura revirou os olhos e levantou-se. — Com licença.
Ela saiu rebolando e caminhou na direção de Taylor, com quem começou a conversar. Nathan ficou ali, sentado, olhando para ela como se soubesse que estava errado em não contar nada para ela. Victoria era sua melhor, e praticamente, única, amiga que ele teve em anos. Eles contavam tudo um para o outro, desde notas até relacionamentos. Exceto por algumas coisas que talvez viessem a ser mais particulares, e sem necessidades de serem compartilhadas. Mas naquele caso era diferente.
Nathan havia contado que sua relação com Max havia sido rompida. Um rompimento de algo que não existiu, pensou ele. Mas eles não estavam mais juntos, nem se ele quisesse passar mais tempo ao lado dela. O que talvez fosse algo verídico, mas não era mais possível. Ele havia sido um idiota com a garota naquele dia. No dia seguinte ao seu aniversário, onde havia ganhado o melhor presente de sua vida: companhia.
Victoria havia o levado até o restaurante mais fino da cidade, e havia lhe dado um par de sapatos designados por seu designer pessoal. O garoto havia amado, mas não fora nada comparado ao presente de Max, que ao mesmo tempo que fora tão simples, fora tão amável. Ela havia pensado nele. Nele! Mesmo com o fato dele ter sido alguém horrível com ela.
Olhou para seu pulso e notou que a cauda da baleia aparecia para fora da manga. Colocou-a de volta para dentro, assim ninguém notaria e o encheria de perguntas. Principalmente Vic, que se notasse que ele usava o presente de Max, exigiria que ele usasse o presente dela diariamente também. Ah, Max, pobre garota. Ele ainda repassava em sua mente todo o “filme” dos dois. Acordar de manhã, os abraços, as carícias, o toque dos lábios suaves dela, seus dedos curtos percorrendo as costas magras dele, seu pescoço fino, sua cintura, cada parte de seu corpo; o carro, o silêncio, a distância, a chuva, a deixa, ela molhada, o contato visual bloqueado pela janela respingada da caminhonete. A saída.
Não foi justo.
Não com ela.
Mas ele não podia se arriscar ainda mais. Não era justo, para nenhum dos dois.
— Ei, cara, você parece mais chapado que o Joey agora — disse Hayden ao apontar para outro garoto na roda, que olhava para o céu e ria sozinho.
— Só fumei meu cigarro — Nathan riu e tocou o bolso onde guardava a caixa de cigarros. — Estou guardando o resto para mais tarde.
— Para a festa? Agora eu tenho mesmo que ir — Hayden sorriu e cruzou as pernas. — Onde consegue essas coisas?
— Conheço um cara — Nathan disse e olhou para frente, vendo Victoria conversando com suas amigas enquanto mexia os braços freneticamente.
— E você guarda tudo para você ou guarda para as festas?
— Um pouco dos dois.
E ele não mentia. Drogas já haviam feito parte de sua rotina, mas este tempo em que passou junto de Max, não havia tocado em nenhuma além de seus medicamentos e seu cigarro regular. Talvez a mentira estivesse fazendo efeitos de mudança.
As pessoas que faziam parte do Vortex Club já sabiam do “rompimento” de Max e Nathan, mas ninguém sabia a história de como ele havia deixado ela em meio à chuva. E não saberiam também, não pela parte dele. Todos que faziam parte daquela rodinha resolveram deixar o assunto de lado, por mais que sentissem tamanha curiosidade para perguntar sobre o que havia ocorrido de verdade, já que o “casal” parecia tão feliz. Victoria foi a única que se atreveu, mas porque ela já conhecia o suficiente do sentimental de Nathan, e também notava quando algo estava fora do lugar.
E este algo, naquele momento, era Nathan.
— Vai levar alguém para a festa? — Perguntou Hayden, mas o louro já sabia o que ele queria dizer com aquilo.
— Não.
— Ei, cara, eu sei que não é da minha conta, mas…
— Não. Hayden, não.
O moreno assentiu e fechou seu sorriso brincalhão, voltando a encarar a grama que preenchia todo o local. Nathan segurou seu pulso onde estava a pulseira de presente. Logo após deixar Max no Two Whales, voltou para casa, apenas para pegar suas roupas e a pulseira. Nunca pensou que se tornaria tão dependente de um acessório, que talvez pudesse parecer tão inútil, mas era de grande importância sentimental para ele. Alguém que se importava. Alguém que ligasse para seus problemas. E ele já havia lhe dito “adeus” da pior maneira.
Não, ele não podia mais pensar nisso.
Levantou-se dali e caminhou até os dormitórios, sem dar explicação a qualquer um dali. Em sua visão, cada uma daquelas pessoas era artificial em relação às amizades. Exceto por Victoria e por Hayden que pareciam amigos de verdade. Talvez todo este julgamento fora devido à sua infância, onde não conseguia fazer amigos por conta própria e seu pai subornava algumas crianças para serem seus amigos.
Por que ele não podia ser como seus irmãos? Por que ele não podia simplesmente ser sã e normal como eles? Que tipo de maldição lhe fora jogada para fazê-lo tomar remédios por qualquer coisa? Fora-lhe dada uma vida medíocre, e a qual havia se tornado seu pior pesadelo e seu melhor desafio. Sua principal aposta.
Chegou próximo à um bebedouro e retirou a cápsula laranja do bolso de sua jaqueta. Jogou duas pílulas na língua e bebeu um pouco de água para fazê-las descer mais rápido. Duas pílulas para melhorar seu humor, e para o efeito duplicar. Aquele era para matar dores de cabeça de imediato. Um de seus remédios mais fortes, onde a bula pedia para tomar apenas um por dia, mas duas pílulas não fariam mal. Ele não morreria por isso.
Afastou-se do bebedouro e seguiu a rota para os dormitórios, onde trombou com Zach, que apenas cumprimentou-o e foi ignorado. Nathan resolveu que precisava de seu cigarro. Encostou-se à parede de tijolos dos dormitórios e retirou a caixa do bolso, pegando um cigarro e o colocando entre os lábios. Suas mãos estavam trêmulas, tanto que quase derrubou todo o pacote. Caçou seu isqueiro nos bolsos e tentou acender o tabaco. Suas mãos tremiam demais e tornavam aquilo impossível, e quando notou, havia alguém por perto, rindo da situação.
A garota chegou cada vez mais perto e tomou o isqueiro de suas mãos, acendendo o cigarro para ele. Seus olhos azuis estavam fixos nos olhos negros da garota, que em nenhum momento parou de sorrir. Ele retirou o cigarro dos lábios e soltou a fumaça para cima, com um olhar superior sobre a jovem. Ela abriu o sorriso, agora mostrando os dentes e ele não demonstrou nada. Seguiu tragando o cigarro.
Ela saiu de lá rebolando, jogando seus cabelos negros para trás e subindo os degraus dos dormitórios. Ao chegar à porta, parou e olhou para ele, como se pedisse para segui-la. E foi o que Nathan fez. Jogou seu cigarro no concreto e pisou sobre ele. Não ligou para o cigarro anda não terminado. Ele tinha dinheiro para comprar quantos quisesse.
Subiu os degraus apressado, caminhando atrás da garota que havia chegado até a metade do corredor, adentrando um dos quartos por ali. Nathan talvez já tivesse a visto andando pelo campus, mas não tinha certeza. Adentrou o quarto, logo após ela e fechou a porta atrás de si.
O quarto dela era simples, com algumas decorações de pôsteres de bandas conhecidas pelas jovens entre 15-17 anos e uma cama com vários travesseiros sobre. A garota havia acabado de se sentar na beirada dos lençóis cor-de-rosa e passou a mão sobre seus cabelos negros, olhando para o chão, numa tentativa de sedução a qual Nathan quase riu de deboche.
Mas ela era uma opção.
Começou a aproximar-se da jovem e, num ato surpreendente, prensou-a contra a parede atrás de si, fazendo a jovem soltar um leve gemido que o fez sorrir malicioso.
— Nathan Prescott — sussurrou ela. — Quem diria que ele estaria em meu quarto um dia?
— Não sei seu nome.
— Temos aulas de Inglês juntos.
— Continuo sem saber seu nome.
Ela ignorou a última frase, com seus lábios colidindo aos dele em um movimento rápido. Nathan correspondeu o beijo puxando-a para mais perto pela cintura fina. Ela estava praticamente em seu colo e começou a tirar a jaqueta do garoto. Ele tomou aquilo como um aquecimento para a festa que ocorreria mais tarde e sorriu. Logo, ele retirou a camiseta azul dela e jogou-a em algum canto do quarto pequeno. A jovem arfava em seu pescoço de modo não-tão-excitante-quanto-Max, mas satisfatório.
Não, Nathan, não pense nela.
Assim que ele se afastou dela, os lábios da garota começaram a mover-se para o pescoço do garoto, por mais que ele se sentisse o dominante ali. Logo, ela passou a beijar os braços dele e olhou para a pulseira com desdém, em seguida, para ele.
— O que é isso? — Perguntou ao tocar na cauda da baleia e fez uma expressão um tanto confusa.
— Nada — afastou o braço e tentou voltar a beijá-la, mas a garota começou a rir.
— É estranho um garoto como você usar algo tão delicado.
— Você não me conhece.
— E você também não me conhece, e esta é a graça — disse ela. — Mas ainda assim, posso te julgar.
— Não. Você não pode — disse ele, soltando a garota e olhando-a com raiva. — Eu posso pagar pessoas para me julgar, e você, com certeza, não é uma delas.
— Ah, pobre Prescott — riu de deboche dele mais uma vez. — Não consegue aguentar uma brincadeira.
— Eu posso acabar com você, vadia — ele vestiu sua jaqueta e voltou a se aproximar. — Tenho certeza de que você não gostaria de mexer com um Prescott. E tenho certeza de que você deve deitar a cabeça no travesseiro e pensar em mim de modo profundo — começou a sorrir malicioso. — E não só em mim, mas no meu caro companheirotambém — apontou para suas calças e mordeu o lábio de raiva mais uma vez.
Agora a garota parecia completamente assustada. Como se não esperasse uma reação daquelas. Tentou se afastar, mas ele bloqueava ela com seus braços.
— Agora eu sei porque você e aquela garota terminaram — choramingou a garota e deixou a boca entreaberta, raciocinando. — Por mais que achasse que ela fosse insuficiente para você, agora sei o que ela aguentava.
— Max não tem nada a ver com isso! — Disse Nathan ao sentir seu corpo voltar a tremer e deixou um de seus potes de remédios cair sobre o carpete da garota, que logo fixou seus olhos no pequeno vidro.
Ela sorriu para ele como uma criança sorri quando descobre o segredo de outra. Mas pior. Seu olhar era venenoso, como se pudesse destruí-lo com apenas duas palavras, mas ele sabia que era o contrário.
— Quanto você quer para esconder sobre isso? — Disse ao inclinar a cabeça para o pote que estava caído.
— Não quero nada — disse ela. — Nada além de meu nome na lista VIP da festa hoje.
— Não sou eu quem comanda.
— Seria uma pena se as pessoas soubessem que o pobre Prescott toma remédios, não? — Disse ela ao ver que ele pegava o medicamento no chão.
— Ok, eu coloco você na lista — o garoto finalmente abriu a porta e caminhou para fora, mas não antes da garota puxar seu braço e beijar-lhe a bochecha.
— Espero ver meu nome na lista — sorriu ao se afastar. — E você também, Nate. À propósito, meu nome é Paige.
O louro ignorou o apelido e saiu do quarto, caminhando com raiva, passos pesados. Ainda bem que o dormitório dela ficava no andar debaixo, e não tinha como ele encontrar com Max. Era tudo que ele menos precisava depois daquela garota maluca.
Caminhou para fora dos dormitórios, em direção à entrada da escola, para ver se as pessoas do Vortex Club ainda estavam naquela roda. E por sorte estavam. Nathan aproximou-se de Hayden e sentou-se ao lado dele, com a raiva ainda estampada nas sobrancelhas curvas dele.
— Lembra-se quando me perguntou se eu levaria alguém para a festa? — Perguntou ao moreno que assentiu. — Preciso que me ajude a colocar uma pessoa na lista.
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