Lifetime
13 Ain't like you to hold back or hide from the light
Notas iniciais
Warren estava arrumando seus materiais sobre a mesa, logo os colocando dentro da mochila, enquanto Max analisava seu olho. Ele começou a rir quando notou os olhares curiosos da jovem sobre ele.
— Você parece uma psicopata — disse o garoto e pegou sua mochila, descendo da banqueta.
— Desculpe — ela sorriu. — Ainda dói?
— Não. Um cavaleiro no cavalo branco não sente dores — ele virou-se de frente para ela e riu.
A garota revirou os olhos e pegou sua bolsa, descendo da banqueta também.
Já era quinta-feira e Max estava passando nervoso ao ver seu tempo passar de modo tão rápido. Olhou para a tela de seu celular, esperando qualquer milagre ocorrer para que o casamento sábado fosse cancelado, mas não teve sucesso com o Universo. E o pior de tudo, ela teria de enfrentar um grande problema que estava evitando.
Quatro dias que ela não via o rosto do jovem. E ouviu rumores de que ele não estaria frequentando as aulas. Max estava preocupada, mas não tinha muito a fazer a respeito daquilo. Sentia-se envergonhada por tê-lo deixado em tão péssimo estado. O ponto bom de tudo era que ninguém parecia se lembrar dele chorando, deixando suas emoções expostas ao público. Ele odiaria se tirassem sarro dele por aquilo.
Sequer havia lhe feito visitas. Victoria não parecia muito diferente com tudo que ocorria. Talvez porque não lhe fosse grande coisa, ou talvez porque ela fosse uma ótima atriz. Max era uma péssima pessoa por aquilo.
Assim que Chloe e ela saíram da festa, foram direto para o dormitório de Max, onde Chloe implorou por perdão pelo que havia feito. Ela havia se arrependido de tê-lo deixado daquele modo. Ela reconheceu que não era correto. Naquela semana, as duas se viram apenas duas vezes. Uma nos dormitórios, e outra no Two Whales, para almoçar.
Mas na ilustre segunda-feira, Max recebeu uma mensagem de sua mãe a avisando que fora informada pelo diretor Wells que ela andou arranjando algumas brigas no campus e ele duvidava que aquilo pudesse ser por causa de seu suposto namoro. Max não conseguia acreditar na mentira que o homem havia contado para sua mãe, e mal podia imaginar a mulher crendo naquilo também. E a outra infame notícia que a mulher lhe deu foi que sua tia Sophie estaria se casando no sábado, e ela já havia arranjado duas passagens para Seattle. Uma para Max, e outra para Nathan.
Era a terceira vez que a tia Sophie se casava e Max já não aguentava mais vê-la em trajes de noiva. Ou ficar duas horas sentadas num banco para ouvi-la dizer que amaria seu futuro marido para o resto de sua vida. Mentiras. E esta seria a pior de todas, já que sua mãe acreditava que Max estava em um relacionamento sério.
Ela só podia pensar em duas coisas: Nathan recusando e, se ele caso aceitasse (impossível), seu pai o odiaria. Não por causa dele ser o próprio Nathan Prescott, mas porque seu pai era o homem mais ciumento que ela já havia conhecido. Ele nunca aceitaria algum namorado de Max.
E lá estava ela, saindo da aula de Ciências, junto de Warren. No dia seguinte, perderia a escola para pegar um voo para Seattle. E ela teria de falar com Nathan. Não era uma boa mentirosa, então não conseguiria esconder de seus pais que não havia nem pedido para ele ir junto dela. Então tomou coragem e decidiu que o visitaria.
Sem medo, Max. Sem medo.
— Max? — Warren acenou a mão sobre o rosto dela. — Você está distante.
— Ah, eu… estava pensando em… ciências.
— Claro, Max — ele sorriu. — Ambos sabemos o seu amor por Ciências.
— Pensando na matéria — mentiu, mordendo seu lábio inferior. — Preciso ir bem.
— Adoraria falar de ciências com você, Mad-Max, mas tenho de passar meus resumos para Alyssa — ele sorriu e caminhou para frente. — Até logo.
Agora ela estava totalmente só, por mais que o corredor estivesse lotado de pessoas. Passou em seu armário e depositou todos os livros usados no dia e o fechou com prazer. Ela não teria aula no dia seguinte. Respirou fundo e olhou para o celular mais uma vez. Hora de falar com Nathan.
Ela ainda se preocupava com ele. Idiota, não? Mas ela precisava visita-lo de qualquer modo, não apenas porque ele estava machucado por sua culpa. Um pouco dele também, mas principalmente dela. Ajeitou sua bolsa na cintura e caminhou para fora da escola, em direção aos dormitórios. Encontrou Kate no caminho, mas a garota parecia preocupada demais com suas anotações e acabou sem notar Max ali.
Quando Max já havia passado pelas árvores e estava nos degraus dos dormitórios, ouviu um barulho suave atrás de si e notou um esquilo. Retirou a câmera de sua bolsa com cuidado para não o assustar e aproximou-se lentamente, tirando a foto. O barulho da câmera o assustou e ele fugiu para as árvores. Max estava praticamente sozinha ali, sem contar a presença de Samuel, o zelador, que juntava as folhas sobre a grama. Aproximou-se do homem e sorriu, já sabendo que não deveria estar conversando com ele, e sim, com Nathan. Fazer o que?!
— Muito trabalho para hoje, Samuel? — Perguntou e tornou seu sorriso mais natural.
— O inverno logo estará por aqui, Samuel tem que se preparar — Max já havia se acostumado com o fato de Samuel falar na terceira pessoa, então não lhe parecia tão estranho quanto era para os outros.
— É a minha estação favorita — ela sorriu para ele. — Neve, frio, chocolate-quentes…
— Época de Natal também — o homem sorriu e continuou a limpar. — Os animais preferem ficar em suas casas neste tempo.
Max sorriu mais uma vez. Ela sempre gostou do Natal por poder passar com sua família alguns dias sem se preocupar com estudos e coisas do tipo. Mas este ano ela não estava tão ansiosa como nos anteriores. A data já não lhe parecia tão mágica quanto na infância. Olhou para o céu de relance e notou que o sol estava um tanto escondido entre as nuvens cinzentas. Viria chuva. Droga, ela ainda não havia falado com Nathan.
— Eu preciso ir agora, Samuel — ela tocou seu próprio braço e olhou para baixo, logo para ele. — Bom trabalho.
O homem acenou enquanto ela caminhava para trás, em direção dos dormitórios. Ela lembrava-se vagamente de onde ficava o quarto de Nathan, mas sabia que era no andar de cima da parte masculina. Subiu as escadas e chegou ao corredor vazio, sem saber para onde ir, então começou a olhar as placas para ver se reconhecia alguma. Quando chegou ao final do corredor, virou para a esquerda e encontrou apenas dois quartos. Os outros diziam coisas sobre os Bigfoots, o time da escola, mas estas duas eram diferentes. Uma não tinha nada escrito e a outra tinha um trocadilho científico.
O que as mulheres mais valorizam hoje em dia é o "Físico"
Aquela era definitivamente de Warren.
Então ela tentou a outra. Bateu duas vezes e esperou, sem respostas. Mais uma vez, sem respostas. A garota não queria fazer aquilo, sequer tinha em mente, mas girou a maçaneta e a abriu, revelando o quarto escuro familiar. O que Max não pensou foi na situação de Nathan. Mas ela não olhava para seu rosto, e sim, para o corpo. No mesmo instante, se virou de costas para o Prescott apenas de boxers que vestia sua calça jeans escura.
— Não sabe esperar, Caulfield? — Reclamou ele. — Eu estava me trocando.
— Desculpe, eu… — ela respirou fundo e analisou o garoto inclinado sobre os joelhos. — Como você está?
— O que você quer? — O garoto fez um sinal ao vê-la olhar para o lado, assim, a fazendo se voltar para ele.
Agora ela olhava para seu rosto. Parecia ter sangue seco em seus lábios e seu olho estava um pouco roxo ainda, mas nada escandaloso. Max pensou que devia ter ficado pior na segunda-feira, porém, ela não teve oportunidade de vê-lo. Ele estava de camisa, então não era possível ver os hematomas em seu peito por agora. Em sua sobrancelha havia um curativo.
— Vai ficar encarando ou vai responder, Maxine? — Seu tom era raivoso, algo que ela não ouvia há tempo.
— Eu preciso de um favor.
— Não tenho certeza se quero fazer algo por você.
Aquilo doeu.
— Minha mãe me ligou. Ela soube sobre nós dois e toda a encenação, mas ela acha que é real, então quer que eu vá visita-la, já que minha tia vai se casar.
— E o que eu tenho a ver com isso?
— Aí que está. Ela quer te conhecer — Max olhou para trás, vendo alguns pôsteres e voltou seu olhar para ele, sem olhar diretamente nos olhos.
O garoto riu um pouco e colocou os pés sobre a cama, encostando a cabeça sobre o travesseiro.
E Max só queria poder abraça-lo.
— Por que caralhos eu faria isto por você? — Ele soltou ao olhar para o teto.
— Eu fui até sua casa, Nathan — disse ela, cruzando seus braços. — Eu nunca disse que queria ir.
Não era um ótimo argumento para o momento. Chegou a cortar o sorriso sarcástico do rosto dele, e Max sentiu que não deveria ter dito aquilo. De relance, mudou seu olhar para a cômoda e avistou todas as cápsulas de remédios e algumas pílulas jogadas sobre a madeira.Muitas cápsulas. Demais.
— Meus pais moram em Arcadia Bay. Os seus moram em Seattle. Eu não quero viajar para a porra de Seattle.
— Por favor, Nathan — Max já estava quase caindo de joelhos para implorar. Seus motivos, obviamente, não tinham muito de seus pais incluídos.
— Quando é? — Ele respirou fundo.
— Amanhã. Eu já estou com as passagens para o final de semana e minha mãe já fez as reservas no hotel.
— E sua casa?
— O casamento é em uma cidade mais para o interior.
— Maravilha.
— Então você vai?
— Apenas porque seus pais estarão esperando. E eles devem ser melhores que você.
Aquilo doeu mais ainda.
— Obrigada, Nathan.
Ele deu de ombros e passou a olhar para ela.
— Eu confiava em você, Maxine.
Ela pensou em falar tudo que precisava soltar de sua garganta. Sobre aquele dia em que ele a deixou na chuva, mas optou por ficar quieta. Como ele podia ser tão egoísta? Em momento nenhum ele pensou na confiança dela, aquela que ele havia estragado.
— Vou estar em frente aos dormitórios às cinco da manhã. Passar bem. — A garota saiu do quarto e fechou a porta.
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