Life's too hard when you're alone
5 Visita inesperada
Notas iniciais
Nos meus sonhos eu só conseguia ver aqueles olhos dourados, intenso a fitarem-me. Eu queria mergulhar naquele dourado e nunca mais sair, até que alguma alminha caridosa decidiu acordar-me. Perfeito.
– Alma? Alma! Alma acorda por favor! – choramingava alguém.
Pelos vistos eu estava no meu quarto, na minha cama e a minha mãe estava a chorar agarrada ao meu tronco.
– Então mãe não chores. Eu estou aqui, não chores. – a minha voz estava a falhar muito mas eu afagava-lhe os braços tentando tranquilizá-la.
– Vês querida, eu disse-te que a nossa menina era forte. – disse o meu pai.
Tentei me levantar, mas foi uma tentativa em vão. O meu pai ajudou-me a ficar sentada, e eu olhei confusa para o meu quarto. Como é que eu tinha chegado aqui? Eu estava com aquele rapaz…
…Nathan.
Como é que ele sabia onde eu morava? Como é que ninguém deu pela minha falta na festa? Tantas perguntas e nenhumas respostas…
– Como é que eu aqui cheguei?
– Ontem à noite alguém tocou à campainha e quando a tua mãe foi abrir tu estavas estendida no chão inconsciente. – o pai olhou para baixo com olhos tristes – E bastante ensanguentada e magoada.
– Tivemos tanto medo de te perder amor. – disse a mãe segurando a mão do pai.
Quando dei por mim já estava a chorar, odiava fazê-los sentir assim!
Eu expliquei-lhes tudo o que tinha acontecido naquela noite. Só omiti a parte do Nathan, não sei bem porquê, mas mantive a minha boca fechada sobre isso. Examinando-me bem até tinha tido sorte. Saí com uns belos pares de cortes nos braços, o meu tronco estava quase todo coberto com ligaduras, as minhas pernas tinham a marca de uma dentada na canela, e tinha um corte na bochecha. Nada de mais, o que provavelmente iria deixar cicatriz era mesmo na barriga, eu não conseguia ver os estragos mas conseguia sentir, e estava a doer bastante, de resto nada que ambrósia não cure.
Vi um bocado de televisão com os meus pais na sala, quando o sono começou a atacar fui para o meu quarto. Vesti uns calções e uma camisola grande, estendi-me na cama a olhar para as fotos que eu tinha colado no teto. Tinha várias minhas, da Isabella e do James desde que éramos pequenos, mas também havia várias minhas e do meu antigo namorado – o Jordan.
Foi uma relação muito boa até, quer dizer, discutíamos bastante mas eu era feliz. Só que eu não fui o suficiente para ele, um dia eu atendi o telemóvel dele e havia uma rapariga do outro lado da linha a perguntar se ele podia ir a casa dela nessa noite, já que os pais dela estavam fora da cidade. Mas são águas passadas.
Já estava a sentir os meus olhos a fecharem por isso entreguei-me completamente ao sono.
* * * * *
No meu despertador dizia que ainda eram 3h da madrugada, irritada virei-me para o outro lado da cama. As minhas pernas embateram em alguma coisa dura, eu estava confusa, eu não tinha posto livros em cima da cama antes de me ir deitar. Ou será que tinha? Estava às escuras à procura do meu telemóvel, quando o senti agarrei-o e apontei a luz para a frente.
Apanhei um susto tão grande que era capaz de ter um ataque cardíaco, mas antes de puder gritar alguém colocou uma mão em cima da minha boca. O meu coração estava a mil, quem seria que estava no meu quarto a estas horas da noite? E o que queria de mim? Comecei a ficar rígida e pronta para atacar quando uma voz familiar começou a rir.
– Não te vou raptar rapariga descansa! – sussurrou o Nathan ainda a rir.
Eu apenas revirei os olhos. O que ele estava a fazer na minha casa, além do mais, o que é que ele estava a fazer no meu quarto?
– Promete que não vais gritar se eu tirar a mão.
Revirei mais uma vez os olhos. E ele riu-se. Estava mais que morto aquele imbecil.
– O que é que estás aqui a fazer? Como é que entraste na minha casa? Como é que sabes onde é que eu moro? Foste tu que me vieste cá deixar ontem? E…
– Woa! Calma lá uma pergunta de cada vez ruiva.
– Eu não sou ruiva! – já me estava a passar com aquele rapaz, apetecia-me estrangulá-lo mas ao mesmo tempo eu queria que ele ficasse ali ao pé de mim. Ele emanava uma energia relaxante, eu sentia-me completamente segura ao seu lado e depois do que aconteceu ontem eu sabia que ele não me iria ferir.
– Eu vim aqui para saber se estavas viva, está bem? Mas tu decidiste acordar quando eu me ia embora e olha, cá estamos nós!
– Mas como é que sabias onde me procurar?
– Uma amiga tua disse-me. Na defesa dela quero-te dizer que ela estava completamente bêbeda, duvido muito que se lembre de mim.
– Obrigada. – ele parecia que tinha um ponto de interrogação estampado na cara. – Por me trazeres a casa e, bem, de certa forma por vires ver se eu estava bem. Mesmo que de uma forma muito perseguidora e invasora de privacidade.
Ele riu. O riso dele era encantador, aqueles lábios carnudos rosados eram lindos de morrer, os olhos misteriosos e dourados não deixavam transparecer qualquer traço de emoção, tinha cabelos pretos encaracolados e tinha mexas de cabelo que caiam para os olhos, só me apetecia passar os dedos pelo cabelo selvagem dele, era mais alto que eu, muito mais alto, tinha ombros lagos e aspeto de quem pratica desporto, ele é esguio mas forte ao mesmo tempo, os seus dedos eram finos e as suas mãos eram delicadas. Todo ele emanava perfeição.
– Estás a olhar. – disse ele.
– O quê? – perguntei eu confusa.
– Estás para aí a olhar-me à uns bons dois minutos. – disse ele com um sorriso travesso a aparecer-lhe ao canto da boca.
Eu corei.
– Estava aqui a pensar como é que entraste. – menti.
– És uma péssima mentirosa.
– Olha adeus. – e virei-me para o outro lado com a intenção de dormir.
Ele ainda não tinha mexido um músculo, por isso olhei para ele ainda deitada. O que será que ele quer de mim?
– Então? – perguntei – Eu estou bem, estou viva e tudo mais porque é que estás aqui ainda?
– Pensava que gostavas da minha companhia. – disse ele a fingir que estava magoado, até pôs uma mão no peito!
– Pois claro. – ironizei eu, mas na realidade eu até gostava de o ter por perto.
Isto tudo era uma estupidez, eu só troquei meia dúzia de palavras com este rapaz! Tudo o que eu sei sobre ele era o nome, mas ele sabia onde eu morava, sabia como me provocar e tudo mais. Eu estava a dar em louca.
– Eu não te conheço, és um mero desconhecido. Sem ofensa mas eu só sei o teu nome.
– Mas queres saber mais sobre mim? É isso? – perguntou ele com aquele sorriso ao canto da boca. Eu estava oficialmente a passar-me!
– Sim! Não espera! Não sei…
Merda! Eu estava a corar bastante e tinha a certeza absoluta que ele estava a gostar de ver as minhas reações à sua presença.
Ele cruzou os braços por trás da sua cabeça e deitou-se ao meu lado. Eu simplesmente o fitava. Ele olhou-me de volta com aqueles olhos dourados e intensos.
– Porque é que aquele cão infernal estava a caçar-te?
– Porque ele apaixonou-se por mim sei lá. Dizem que amor à primeira vista é uma coisa bastante intensa.
– Tu não existes. – disse eu soltando uma pequena gargalhada.
– Gosto de teu sorriso. É cativante. – corei.
– Obrigada.
– Estou a dizer a verdade, não precisas de agradecer.
– Está bem. Olha eu estou exausta e preciso mesmo de dormir.
– Força nisso. Vejo-te um dia destes Alma. – mas mesmo assim ele não saía do lugar.
– Okay. Boa noite então.
– Sonha comigo.
– Isso querias tu. – ele começou a rir.
Mas os meus sonhos acabaram por ser invadidos pelo Nathan.
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